sábado, 20 de junho de 2015

9 Livros e Autores que fortemente influenciaram o CH3

Se eu tivesse uma autoestima maior e olhasse os mais de mil textos que publiquei nesse blog em nove anos, poderia me considerar um escritor. Mas, acabo mais por me considerar um desocupado, mesmo. Digo isso para tentar tirar qualquer presunção que esse post possa parecer ter.

Escrever é uma questão de prática e também de leitura. Cada livro que você lê irá te impactar de alguma maneira, para o bem e para o mal. Nesse post citarei nove livros e/ou autores que exerceram forte influência no estilo desse blog ao longo de todos esses anos. Aproveito esse post como uma dica cultura: leia-os. Eles são bons.

1 Luis Fernando Veríssimo
Veríssimo é uma das influências mais óbvias para qualquer pessoa que escreva alguma coisa que se assemelhe minimamente a uma crônica. Para ter acesso a ele você pode procurar vários das compilações de seus textos. Comecei ainda adolescente com “Comédias para se ler na Escola”. Mas o meu favorito de todos é "O Analista de Bagé", não uma reedição recente, mas uma edição lá dos anos 80 que conta com algumas das coisas mais engraçadas que eu já li na minha vida, como “O Manual Sexual” (gosto tanto desse texto que cheguei a digitá-lo para compartilhá-lo na internet) e um sobre os tipos de ressaca. Veríssimo me influenciou no gosto pela observação de pequenas coisas do cotidiano e pela capacidade de ampliar pequenas situações e transformá-las em grandes piadas.
Posts que podem ter sido influenciados: Qualquer um marcado na seção “Questões Existenciais" e muitos dos Guias CH3.

2 Diário de um Adolescente Hipocondríaco, de Ann McPherson e Aidan Mcfarlane
Li esse livro em uma madrugada de insônia quando eu tinha 14 anos e me identifiquei profundamente com o personagem. Não com o fato de ele ser hipocondríaco, mas com seu humor autodepreciativo - que originava sua hipocondria, ou será o contrário?, seu humor negro e a acidez com que enfrentava as dúvidas do mundo. Diria que o livro influenciou meu caráter, minha visão de mundo e meu senso de ironia.
Posts que podem ter sido influenciados: Qualquer um que veja graça em uma tragédia pessoal, como “A Prática do Jornalismo”. Ou algum de humor negro como, “Com Certeza é Câncer”.

3 Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto
O clássico de Lima Barreto foi o primeiro livro de literatura clássica que eu li no colégio e gostei. Gosto da ironia do personagem, do seu idealismo e radicalismo que não o leva a lugar nenhum e do jeito que os fatos se sucedem de maneira natural, até o seu fim trágico. Não é um final feliz, nem esperado (exceto pelo fato de que o título já anunciava que seria um triste fim) e acho que esse livro me influenciou a não querer que o leitor já soubesse onde é que essa história toda ia acabar. No sentimento de frustração, talvez.
Posts que podem ter sido influenciados: nenhum especificamente, que eu me lembre.

4 O Manual do Cara de Pau, de Carlos Queiroz Telles
Descobri esse livro por acaso na estante de livros aqui de casa. Trata-se justamente de um manual que ensina o leitor a parecer um expert em diversas áreas do conhecimento humano. Para isso, o autor disponibiliza tabelas com palavras e jargões dessas áreas. Basta decorá-las e utilizá-las corretamente para parecer um gênio da matemática, da física, da biologia, ou do marketing. Lembro-me de ter levado esse manual para faculdade e acho que poucas vezes rimos tanto em nossas vidas. Lembro-me do Vinícius Gressana se retorcendo em gargalhadas quando víamos a parte da psicologia e o seu “Surto Anal Persecutório” e que todos ríamos da expressão e de Vinícius e que naquele dia eu tive uma crise de riso quando estava no ônibus voltando para casa. Ok, onde está a influência? Em toda e qualquer construção excêntrica de frase, que parece alguma coisa grandiosa, mas que no fundo não significa nada, apenas exerce um impacto pela força e magnetismo oferecido pelo posicionamento das letras.
Posts que podem ter sido influenciados: todos.

5 Hiroshima, de John Hersey
Li Hiroshima na faculdade e vou dizer a vocês que não é um livro nem um pouco engraçado e que é bem estranho dizer que ele influenciou um blog que aparentemente é de humor. Mas a escrita não se influência apenas pelo espírito do texto, mas pelo seu estilo. O que Hiroshima me ofereceu são frases curtas. Frases duras e certeiras. Descrições precisas e breves. Períodos que não precisam se estender para transmitir significados. Hiroshima influenciou meu estilo de escrever profissional e não deixaria de influenciar esse blog.
Posts que podem ter sido influenciados: O trágico “Um Pulo Para Eternidade”, que tem Zé Gotinha como personagem principal.

6 Nelson Rodrigues
Diria que é quase uma heresia afirmar que Nelson Rodrigues me influenciou. Sua obra e extensa e eu conheço apenas a ponta do iceberg. Essa influência pode parecer imperceptível, já que o CH3 não tem o hábito de falar de cunhados canalhas, estudantes sedutoras, paixões carnais e incesto. Mas Nelson Rodrigues tinha suas expressões dantescas, peculiares e sumárias, suas comparações apocalípticas, épicas e definitivas. Esse blog gosta dessas comparações e gosta dessa dramatização, por vezes banal.
Posts que podem ter sido influenciados: Pode estar em qualquer lugar. É em Nelson que eu penso quando escrevo que uma frase é ao mesmo tempo o pior momento da história da língua portuguesa e inglesa.

7 Medo e Delírio em Las Vegas, de Hunther Thompson
Em certo momento da sua vida. Hunther Thompson foi enviado pela revista Rolling Stone para cobrir uma corrida de motos em Las Vegas. Thompson não assistiu a competição e passou o tempo inteiro se drogando na companhia de um advogado mexicano e percorrendo o underground da cidade. Na volta, ele escreveu um relato sobre sua experiência para a revista, que mesmo assim publicou o material. Por quê? Porque é muito bom. Thompson consegue tornar qualquer atitude banal em um momento de vida e morte - mandando o frentista do posto de gasolina calibrar seus pneus com 50 libras, o menino não aceita e suando frio diz que não irá se responsabilizar por isso. Thompson calibra seus pneus e volta para a estrada, sentindo o impacto de cada maldita pedra no asfalto. Qualquer diálogo, mesmo os com vendedores de lanchonete são carregados de tensão. E eu sempre tento recriar esse clima nos posts fictícios que escrevo em primeira pessoa, principalmente quando envolvem Pai Jorginho de Ogum.
Posts que podem ter sido influenciados: A série de cinco posts que relatam a minha busca por Pai Jorginho de Ogum.

8 Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio que Longe de Tudo, de David Foster Wallace
Entrei em contato com David Foster Wallace por meio de um texto seu sobre a ética alimentar no consumo de lagostas - originalmente era para ser um relato sobre uma feira gastronômica de lagostas, publicado na revista piaui e logo parti para este seu livro. A maneira como a escrita prolixa do autor me influenciou chega a ser ridícula e é tão aparente que eu me recuso a citar quando eu li o texto para não passar vergonha. Wallace escreve longas frases, com muitas notas de rodapé, para explicar suas neuroses com fatos aparentemente banais e encontrar dúvidas existenciais na presença de faxineiras nos seu quarto em um cruzeiro ou nos chapéus utilizados por vendedores de uma feira agropecuária. Sério, a influência é muito óbvia a partir de determinado momento.
Posts que podem ter sido influenciados: O Curioso Caso das Festas Juninas em Julho, As Fabulosas e Inúmeras Opções do Mundo das Pastas de Dente, A graça do piloto de avião e Parque de Diversões.

9 Jornais Locais
Para aqueles que não sabem, sou jornalista e como todo jornalista - alguns deles, pelo menos, tenho o costume de acompanhar os jornais locais. Muitos deles me influenciaram em seus erros, nos estilos característico de seus repórteres ou colunistas ou em qualquer outra coisa que tenha um humor involuntário. Há um repórter daqui que é capaz de criar construções de frases completamente insólitas, contando a história do universo em apenas um parágrafo sobre reforma política. Existem os jornais do interior como um chamado “O Noroeste” que é impressionante, já que nenhuma frase dele faz sentido. Nenhuma! É inacreditável. Também há o Celso Prudente, colunista de cinema da Gazeta capaz de frases rebuscadas para blockbusters e uma expressão imortal “euro-hétero-macho-autoritário” citado até para filmes com Nicolas Cage. Há uma colunista do Olhar Direto que escreve textos que não tem nenhum sentido. Outro cara que sempre escreve “elite predadora” e muitas outras piadas internas que acho que só eu sei que são piadas internas.
Posts que podem ter sido influenciados: Tantos e tão poucos, em tese.
Uma das pessoas da foto é uma lenda viva e a outra é a Lecy Brandão

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