sexta-feira, 12 de junho de 2015

Radicalismo True

Eu já falei aqui sobre uma figura notável da minha academia, um cidadão que coloca a culpa de todos os problemas do mundo sobre o Bolsa Família. Algum tempo já se passou desde então e ele continua mantendo este hábito intrigante, mesmo quando o assunto da discussão é a corrupção na FIFA.

Mas, nós sabemos que não existem limites para o pensamento humano e este cidadão segue nos surpreendendo diariamente. Nesta semana, enquanto falava das mazelas do povo brasileiro, ele chegou a uma nova e brilhante conclusão. Segundo ele, o que o Brasil precisa é que Hitler ressuscite para exterminar todos os brasileiros. “Ao invés de de matar judeus, ele mataria os brasileiros. É a solução, porque brasileiro não tem jeito não” e prosseguiu falando sobre como o brasileiro é ignorante a alienado.

As pessoas ao seu redor, em sua maioria, manifestavam uma passividade, digamos que uma complacência com aquilo que estava sendo dito. Internamente deviam pensar “é, acho que tem que matar mesmo”. Eu não disse nada, porque eu tento me envolver o menos possível com essas situações. Mas fiquei tentando a entrar na conversa e propor ações mais radicais.

A maior parte das pessoas que propõe soluções radicais para os problemas do mundo acaba se estabelecendo em um nível de radicalismo superficial. Repetem as ideias de morte e extermínio sem refletir nas consequências, sem juntar as palavras às ações. Não estão preparadas para um radicalismo true.

Pensei em dizer ao cidadão que clamava pela volta de Hitler, que eu realmente concordava com ele. Que temos que matar todos os brasileiros. Mas diria que nós precisamos ir além, que matar todos os brasileiros seria um processo longo e complicado, afinal somos quase 200 milhões, e deveríamos focar as ações iniciais cortando o mal pela raiz: matando as crianças e as grávidas.

Pediria que ele imaginasse a cena, aquela enorme fogueira em que crianças de até dois anos fazem o papel da lenha. Não é agradável pensar nisso? As grávidas sendo empurradas de viadutos e seus maridos sendo os responsáveis por recolher os cadáveres. Essa é a solução que nós precisamos. Antes, talvez para facilitar o trabalho do Hitler Zumbi, deveríamos criar um programa de voluntariado, em que os brasileiros que são a favor do extermínio de seus compatriotas se alistariam para a morte. Eu iria bater nos ombros do senhor e olhando nos seus olhos diria ter certeza de que ele seria o primeiro na fila.

Imagino que eles ficariam chocados. Que as pessoas na academia teriam náuseas com a imagem das criancinhas carbonizadas. O próprio senhor voltaria atrás e diria que quando ele fala dos brasileiros, ele fala dos outros brasileiros e enfim.

Uma dose de radicalismo de verdade é um bom remédio para discussões com pessoas que pregam a pena de morte. Quando alguém falar sobre isso, concorde. Mas diga que é preciso ter uma regulamentação muito boa. Morte por apedrejamento para estupradores, latrocínio rende enforcamento, zoofilia o fuzilamento e por aí vai. Infrações menores renderão mutilações. Como? “Quem avançar o sinal vermelho terá uma mão cortada! Nunca mais vai repetir de novo. Furar a fila, perde uma orelha. Completamente educativo”. Defenda firmemente as suas ideias e veja o medo nos olhos de seus infratores.

Furar sinal vermelho não é proibido pela constituição? Portanto, tem que sofrer punições. O furador de sinal de hoje é o estuprador de amanhã. Os dois crimes são ligados pela mesma linha, que é a linha da impunidade e da contravenção.

Vou fazer isso na próxima vez.

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