quarta-feira, 30 de maio de 2012

Grandes dúvidas que não têm explicação (19)

Onde são gravados os comerciais de carro?

O engarrafamento é uma espécie de marco civilizatório. Depois de dias viajando por espaços vazios, você percebe que voltou a civilização no momento em que encontra um congestionamento. Sei de pessoas que depois de passar uma semana vagando por desertos, choraram ao chegar à Marginal Tietê. Se de alegria, ou de tristeza, pouco importa. O fato é que, mais do que viadutos ou prédios, um bom congestionamento é que delimita uma cidade.

Você, indo para o trabalho amanhã
O trânsito infernal está presente em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Los Angeles, Porto Alegre, Tegucigalpa, Nova York, Londres, Paris, Bangladesh, Bangkok, Sidney, Tangará da Serra, Belém, Tóquio, Roma, Cairo, Albacete, Seul, Pirapora, Paranatinga, Pyongyang, Riga, Copenhague, Oslo, São Petersburgo, Istambul, Nairóbi, Lagos, Yaundé, Caracas ou Várzea Grande, enfim, em qualquer cidade.

No entanto, jamais vimos um mísero congestionamento em um comercial de carro. Em qualquer propaganda. Seja da Fiat, Chevrolet, Volkswagen, Ford, Honda, Toyota, Peugeot, Renault, Citroen, Volvo, Mercedes, Ferrari ou Gurgel. As ruas estão sempre vazias.

Na vida normal, você pega o seu carro, sai da rua de casa e demora 40 minutos para andar um quilômetro. Já nos comerciais de carro, o cidadão desfila em seu automóvel novo por ruas amplas, vazias, bem iluminadas, onde o trânsito flui com segurança. O cidadão para em um semáforo e nenhum carro para ao seu lado, atrás, na frente, em cima, em lugar nenhum. Isso é impossível.
Nenhum carro em um raio de 89 km

 Em busca das verdades que ninguém consegue encontrar, o CH3 elaborou uma série de hipóteses para responder o mistério: onde é que os comerciais de carro são gravados?

1) Comerciais de carro ocorrem em um ambiente perfeito. Nas aulas de química, física, os professores sempre falavam de um ambiente perfeito, sem atrito, com um bom espumante e Frank Sinatra ao fundo, sem que nada que pudesse atrapalhar a vida dos blocos que misteriosamente deslizam por aí. Comerciais de carro são filmados neste ambiente, sem buracos, sem congestionamento.

2) Comerciais de carro são filmados em um mundo paralelo, onde os carros não existem. Talvez seja o mundo do espelho, na lua, não sei. Mas é um lugar em que a tecnologia automobilística ainda não foi popularizada. Isso explica porque as pessoas sempre olham espantadas para os carros. São como os índios isolados que veem um helicóptero.

3) Comerciais de carro são todos feitos em computadores. Sim, é tudo uma simulação computadorizada. Nos desenhos os animais podem falar, bigornas existem. Provável que as ruas sem congestionamento também existam.

Em breve, tentaremos solucionar outro mistério: a identidade dos motoristas dos comerciais.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Terminando do nada

Imaginem o processo de criação desta propaganda, desde já uma das piores propagandas deste ou de qualquer ano.



Provável que os publicitários tivessem uma ideia básica: um cidadão que começa a desaparecer por razões desconhecidas, mas que logo encontra a cura para o seu mal e vive feliz para sempre. Esta ideia ficou guardada durante anos, sem ir para frente.

Em um belo dia, chegou a demanda de uma propaganda de carro até a agência em que eles trabalham. Durante uma crise criativa, alguém deve ter dito:
-Porque não?

E começaram a trabalhar. O negócio não ia para frente, nada fazia sentido nenhum. Colocaram uma frase péssima “olha aí, mais um com um carro que não diz nada” (note: até segunda ordem, nenhum carro fala nada, exceção feita ao Herbie), colocaram aeromoças no meio de uma rua vazia. Continuava péssimo. Então, o chefe mandou:
-Termina de qualquer jeito.

E é uma merda quando as coisas terminam do nada.

Atualização em 04.09.14:

Um dia eu tive a brilhante ideia e anotei no meu celular "terminando do nada". O tempo passou e eu já não me lembrava as razões que me fizeram ter essa ideia. Lembrava vagamente que o culpado era um comercial. Fui deixando pra lá, até que um dia assisti ao referido comercial e pensei "acho que é isso!". A graça do post estaria no seu fim abrupto, combinando com o seu título.

Claro que esse não é um dos melhores posts que eu já fiz e consigo observar, com clareza, o desespero que se abateu em minha pessoa em fazer um post de qualquer jeito.

Pouco tempo depois eu me lembrei no que é que eu pensava. Lembro claramente que eu estava em uma rotatória da Estrada do Moinho em Cuiabá, próximo a antiga fábrica da Heineken quando eu me lembrei: é isso!

Este assunto me veio pensando em um comercial que passava na televisão no ano 2000. Era alguma ONG,  alguma ação da Globo. Mostravam várias crianças cantando uma música que fazia um acróstico em ordem alfabética. A letra era mais ou menos assim:
"A de Amizade, B - Boa Vontade, C - Companheiros, D de dedicação. E de Escola, F de Força, G de Gente, H de Harmonia, I de Igualdade pode ser de irmão, é pra você essa canção".

Sempre achei graça nessa canção/propaganda, por seu final abrupto. "I de Igualdade pode ser de irmão... é pra você essa canção". Penso claramente no seu compositor indo letra por letra, até chegar no J. Jota do que? De Júbilo? Não havia o que fazer com o J e então, provavelmente, ele resolveu acabar no I mesmo, e dedicar essa canção para você. Melhor assim.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Pessoas que dormem em qualquer lugar

Eu não sou alguém que tem dificuldade para dormir, nem tampouco tenho facilidade. Quando estou com sono, durmo, deitado na minha cama. Às vezes sofro com o calor, mas não sou daqueles insones que passam a noite em claro, acordando ao menor pio que vem do lado de fora, se assustando com os estalos, vibrações e uivos da noite.

Os insones são famosos, ganham dezenas de matérias nos jornais. A medicina se propõe a realizar gastos milionários para por fim a este mal, que atrapalha a vida de tantas pessoas. Imagine. Existem casos de pessoas que ficam semanas sem dormir, semanas se virando em seus lençóis ásperos, perdidos em pensamentos flagelantes.

Mas, como tudo na vida – exceção feita ao jornalismo – sempre existe o outro lado. Existem aquelas pessoas que possuem uma facilidade enorme para dormir. E não falo dos narcolépticos, que podem dormir enquanto dirigem, enquanto tentam perpetuar a espécie, enquanto fazem um pronunciamento para a nação, explicando porque o país entrou na guerra.

Falo das pessoas que tem total controle sobre seu sono. Alguém que pode ficar três dias sem dormir e se quiser pode dormir agora. Pense em um homem feliz. Este é o homem que tem total controle sobre seu sono.
Não é disto que eu estou falando.

Deve ser uma sensação fantástica, quando você consegue tirar um cochilo de 10 minutos no banco da frente de um carro que passa por uma estrada esburacada. Deve ser fantástico quando você, deixando os pudores de lado, senta no chão e dorme depois do almoço. Deve ser supimpa quando você consegue dormir na praça, pensando nela. Desde que você não seja o Bruno e/ou Marrone.

O homem que consegue dormir em qualquer lugar tem enormes vantagens para contar aos seus amigos. Enquanto os outros se sentem desconfortáveis em cadeiras de plástico, cadeiras de avião, cadeiras de aeroporto, ele apenas dorme. Uma cadeira futurista de recepção de escritório bacana parece um colchão estrelar.

E, como foi dito, ele não sofre de narcolepsia. Ele dorme apenas e quando ele quer e porque ele quer. Portanto, ele não poderá sofrer os riscos que as pessoas de sono profundo correm. Situações como: acordar com as unhas pintadas, com a orelha pintada, com o cabelo pintado de errorex. Ou, mesmo, com um pinto sendo esfregado nas unhas, na orelha ou no cabelo.

O homem que dorme em qualquer lugar é uma espécie de Rambo pós-moderno, um desbravador do universo. Ele luta contra a vida e sobrevive. Pessoas assim deveriam ocupar os mais altos postos da hierarquia humana. Presidentes, conselheiros, CEOs. O mundo seria um lugar melhor.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Xuxa, para quem quiser

Maria da Graça Meneghel é uma das pessoas mais polêmicas do Brasil. Sua figura desperta amor e ódio em iguais proporções. Creio que chegará o dia em que os seus adoradores e detratores não terão outra solução que não seja o embate físico. O único caminho será pegar em armas e buscar o extermínio do grupo rival. E quando isso ocorrer, ninguém vai escapar. Porque não existe ninguém que seja indiferente à figura da Xuxa.

Existem diversos motivos que fazem de Xuxa a personalidade do século. Deste, do próximo e do anterior. E nem falamos sobre a sua bombástica entrevista no Fantástico, responsável por aumentar ainda mais o abismo entre as classes que acreditam que ela é uma diva e os que a veem como o demônio de olhos verdes. O CH3 recapitula nos momentos a seguir, alguns dos momentos marcantes de sua carreira.

Xuxa é macia. Já o Mussum...
1 Xuxa Macia. O infame filme Amor, Estranho Amor, teve todas as suas copias desaparecidas. Tudo porque nele, uma jovem Xuxa vestida de animal de pelúcia seduz uma criança, convidando-a para acariciar seus seios macios. Depois, ela tenta partir para uma ação mais séria, mas em todos os casos é interceptada pela Vera Fischer. Sobre o resto do filme, ninguém sabe, provável que ninguém tenha visto. Era só mais um daqueles deploráveis filmes nacionais do começo dos anos 80. Mas, Xuxa teria vergonha do seu passado? Para os seus detratores, uma prova de que ela é a rainha dos baixinhos. Para seus seguidores, uma montagem.

2 Senta lá, Cláudia: Em um momento de puro descontrole emocional, Maria da Graça destrói todos os sonhos de uma criança, que queria mandar beijos para alguém. Cláudia tinha apenas sete anos...

3 Tá duro, Mussum: O lendário Mussum, em um momento de descontrole, sofre uma ereção no palco infantil do programa da Xuxa. Ereção essa que é constatada in loco pela rainha dos baixinhos, que não esconde o seu espanto.

4 Feliz 1993: Xuxa recebeu seu então namorado Ayrton Senna em seu programa infantil. Entre beijos e risos da plateia ela desejou um feliz 1988 para ele, um feliz 1989, 1990, 1991, 1992, 1993 e... não desejou um feliz 1994. Vocês sabem o que aconteceu em 1994. Para muitos, esta é uma prova dos seus poderes e pactos com o lado oculto.

5 Mensagens Subliminares: Falar de Xuxa é falar de mensagens subliminares. Se escutadas de trás para frente, suas canções falam sobre exus, a felicidade do capeta e o número da besta. Teóricos afirmam que ela sempre faz um chifrinho diabólico quando fala o nome de Jesus. Uma paquita já confirmou que Xuxa colocava mensagens subliminares em seus discos. Vinícius Gressana já presenciou uma palestra de um Paquito em Primavera do Leste, em que ele afirmava que tudo era verdade. Mas, quem vai saber, não?

6 Lua de Cristal: Xuxa fez dezenas de filmes em sua carreira. E, contra eles, não existem argumentos positivos. Basta citar que em seu maior sucesso, Lua de Cristal, ela contracena com Serginho Mallandro, no papel de galã. Outro de seus filmes teve trilha sonora interpretada por Maurício Manieri.

7 Gincanas: A gincana envolvendo meninos e meninas era, talvez, o grande momento do seu programa. Aguardado ansiosamente pelas crianças, o quadro promovia a segregação e o ódio de gênero, uma vez que Xuxa roubava descaradamente para a equipe feminina.

8 Sasha: Dizem que quando Sasha, a filha de Xuxa nasceu, todos os animais do reino se dirigiram até a montanha onde a rainha vivia, para reverenciar a chegada da nova princesa. Sasha foi erguida nos braços e todos a aplaudiram... opa acho que estou confundindo com o Simba do Rei Leão. Culpa das mensagens subliminares.


9 Xuxa, só para Baixinhos: Xuxa sempre conciliou a carreira de atriz, cantora, apresentadora de TV, modelo e promotora de eventos. Podemos dizer que ela definiu a função da mulher midiática moderna, aquela que é tudo, mesmo não fazendo nada em alguns momentos. Nos últimos anos, ela se voltou a música infantil de vez. Digo que é uma música para recém nascidos. Algumas músicas são um tanto quanto estranhas, como “cinco na cama” ou a estranha saga dos patinhos. Trágica canção em que os patinhos vão morrendo, um a um, até que a mãe pata encontro os cadáveres do outro lado, em uma ode a inconsequência juvenil.
Os patinhos. Não há como um post continuar depois de uma foto de Howard, the Duck.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Nova York, Cidade Apocalíptica

Em uma análise superficial, Nova York parece uma cidade simpática. A cidade que nunca para, tal qual Frank Sinatra cantava em 1979. Imaginamos aquela trilha sonora nostálgica, na qual o velho senhor de olhos azuis cantava sobre a vida enfadonha no interior e os desejos de pegar a mulherada em Nova York. Algo bem pervertido para um senhor com mais de 60 anos.

Pois bem, a Meca do mundo cosmopolita, terra em que iPods e iPads são itens de necessidade básica para a sobrevivência, lugar que vive na vanguarda cultural, tecnológica e social. Tudo conspira para que a maçãzona pareça um lugar perfeito. Mas, há um problema. Não há lugar mais provável de se morrer do que Nova York.

Nos últimos anos, a maior cidade norte-americana já contabilizou dezenas de atentados terroristas, invasões alienígenas, ataques de seres sobrenaturais, mudanças climáticas severas, acidentes naturais, apocalipses pontuais. Além dos inúmeros psicopatas que convivem lado a lado com freiras cantoras, agentes secretos e o Woody Allen. Psicopatas prontos para destruir Manhattan.

É claro que no final, os Vingadores, o FBI, a CIA, o MIB, o Woody Allen ou o presidente dos Estados Unidos vai salvar o dia. Todos poderão se abraçar emocionados, jogar seus chapéus para cima e comemorar que o mal foi derrotado, que o mal foi incapaz de vencer esta grande nação, exemplo para o mundo. Mas, e até que isso aconteça? Quantas mortes não irão ocorrer? Quanto rastro de destruição.

Imagino que o prefeitura de Nova York tenha dentro do seu orçamento anual, um valor discriminado para gastar com a reparação de catástrofes. Porque, sim, é preciso derrubar os seres alienígenas, mas, para isso, o Hulk precisou quebrar umas 48 janelas, umas 9 pilastras.
Não há lugar seguro para se estacionar em Nova York.

E a vida do ser humano normal? Além do risco de ser pisoteado pelo Godzilla, há o risco de que o seu carro seja esmagado pelo lagarto gigante. Imagina quanto não custa o seguro automotivo em Manhattan? Deve ser uma fortuna. As versões mais baratas não devem cobrir acidentes com meteoritos ou danos necessários para que o mundo seja salvo. Um risco grande demais. O seguro para imóveis também deve custar os olhos azuis do Frank Sinatra.

Sem contar que, você está lá, jogando paciência spider no computador esperando dar 18h, quando seres extraterrestres aparecem na janela. Eles destroem a janela e passam correndo pelo seu corredor, destruindo seu computador (você estava quase quebrando o seu recorde), derrubando seus relatórios, derramando café no seu iPhone. E o chefe? Ele vai aceitar a desculpa? De que você não terminou o projeto porque o Homem de Ferro eletrocutou o seu computador acidentalmente? Heim?

Melhor ir para as Bahamas, mesmo.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Neymar e o mecenato do mau. Ele deveria ser preso?

Mecenas é uma dessas palavras que saiu de moda. Se você sair à rua perguntando para as pessoas se elas praticam o mecenato, receberá risadas maliciosas como respostas. Risadas de pessoas que imaginam que o mecenas é aquele que é subjugado sexualmente por uma dúzia de atores pornôs. Estas mesmas pessoas poderão partir para as agressões físicas ou verbais. Principalmente se você for de um programa de humor.

No entanto, o mecenas já foi uma figura importante em tempos antigos. Ele era aquele cidadão endinheirado que resolvia investir na carreira dos jovens artistas, por puro prazer ou em troca de favores sexuais. Isso permitia que os pintores levassem uma vida dedicado ao ócio contemplativo. A prática do mecenato foi importante para impulsionar o Renascimento, mas foi deixada de lado, desde que foram inventados o patrocínio estatal e a Lei de Incentivo Fiscal.

Hoje em dia, se você é famoso, ainda pode investir na carreira de alguém. Como naquela história em que o artista, para não pagar a consulta, agradece ao Dr. Paninowski e sua maravilhosa equipe pelos esforços que possibilitaram sua plena recuperação, no programa da Ana Maria Braga. E dentro deste cenário, o maior mecenas dos tempos atuais é o Neymar. Sim, ele mesmo.

Apesar do visual ridículo, Neymar é um jogador brilhante, que já conseguiu importantes conquistas em sua breve carreira. Foi alçado ao estrelato nacional, protagonizando as mais diversas propagandas. Diria que Neymar é o primeiro popstar do futebol brasileiro. Ou talvez, o primeiro que esteja jogando por aqui durante o auge da sua carreira.

Logo, tudo o que Neymar faz se multiplica em mil. Seu já citado visual ridículo, seus trejeitos são copiados por crianças em todo país. Assim como suas dancinhas. Logo que ele começou a aparecer em 2010, o time do Santos, liderado por Robinho, popularizou as comemorações coreografadas. Aquele time se desfez e Neymar seguiu seu voo solo.

Rambo não gostou do Tchu Tchá
Digo que pelo o que ele tem feito, Neymar deveria ser preso. E nem falo isso pelo fato de ele ter feito as pessoas acreditarem que o infame Zé Love era um jogador de futebol. Neymar tem se tornado o principal incentivador e divulgador das maiores porcarias que surgiram no Brasil nos últimos tempos. Ele estava lá, popularizando o Michel Teló. Foi ele que praticamente inventou o Tchu Tchá Tchá.

Veja, se o simples ato de dançar o Tchu Tchá Tchá deveria originar a pena de morte, imagine as sanções que o responsável pela sua massificação deveria sofrer? Seria preciso rasgar a Convenção de Genebra para chegar a um bom termo.

E o que virá depois? Se Neymar existisse em outros tempos, tenho certeza de que ele poderia tornar o Créu, a Boquinha da Garrafa em coisas muito piores. Veja você, ele surgiu depois da era do Axé, veja do que escapamos. E veja a nossa decadência. Antes, as coreografias eram popularizadas por mulheres seminuas, hoje, por um rapaz de moicano descolorido.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Por onde anda: Nostradamus

Na verdade, este é Pedro
Alvares Cabral. Mas, no passado
todos eram barbudos aleatórios
Esses dias um amigo meu comentou comigo: “você tem visto o Nostradamus? Esse cara anda sumido, não é mesmo?”. Puxei pela memória e realmente não me lembro a última vez em que eu vi o notável cidadão. Foi-se o tempo em que ele aparecia em jornais, no Globo Repórter. Já era o tempo em que ele monopolizava o mercado de previsões bombásticas e escrituras indecifráveis.

Nos tempos atuais, nós só escutamos falar dos maias. Esses bárbaros extirpadores que previram o final do mundo para este ano e que, vejam vocês, descobriram que não é verdade. Não é frustrante isso? E todas as loucuras que você cometeu imaginando que o apocalipse te encobriria? Ou todos os posts sobre esse assunto. Tudo em vão. O mundo não vai acabar. Ainda teremos que aguentar nossas vidas miseráveis por mais tempo.

Enfim, hoje ninguém mais escuta falar de Nostradamus. Por isso, eu pergunto: onde você está Nostradamus? Porque está tão sumido? Porque não escreve mais? Porque não nos traz as boas novas?

Miguel Nostradamus nasceu em Saint-Rémy-de-Provence em 1503 e morreu em Salon-de-Provence em 1556. Foram apenas 53 anos de vida, mas 53 de muitas loucuras e altas confusões. Neste tempo, ele conciliou a profissão de farmacêutico com as mais insanas previsões sobre o futuro. Inclusive, ele previu a sua própria morte. O que não é muito complicado, quando se está em estágio terminal.

Lembro-me bem que foi em 1999 que Nostradamus atingiu o seu apogeu. Naquela época, ele também havia previsto um apocalipse. Era um dia de eclipse solar e o mundo iria terminar apenas no hemisfério norte. Este apocalipse seletivo era um tanto quanto intrigante, mas ele não aconteceu. Inventaram-se mil desculpas e Miguelito seguiu em alta.

Entre as suas façanhas estava a de ter previsto as duas guerras mundiais, o fim da União Soviética – o que pressupõe que ele previu também a sua criação – e a derrota do Brasil para a França na final da Copa do Mundo de 1998 – o que também pressupõe que ele previu a criação do futebol e de um torneio de seleções para isso.

Suas previsões eram um tanto quanto viajadas, diria que místicas. Mais excêntricas do que as letras do Led Zeppelin inspiradas em Senhor dos Anéis. Sempre falam em grandes líderes inominados, sabe. “Aquele que um dia esteve no alto da colina, será superado por aquele que outrora foi a sua sombra”. O fim da União Soviética mesmo, foi interpretado através da frase “Um dia serão amigos os dois grandes chefes”. Poderiam ser o dono de duas padarias rivais na Freguesia do Ó, quem sabe.
Qualquer letra afrescalhada em um papel pardo dá a impressão de ser importante

Para mim, Nostradamus era um louquinho de bairro que, como tal, fazia associações excêntricas e soltava frases de efeito desconexas. Mas, às vezes esses personagens são levados a sério. Eu só acreditarei nessas previsões do passado no dia em que acharem um pergaminho de 1209 no qual esteja escrito. “Olha, no dia 19 de maio de 2012, um ônibus da Andorinha irá atropelar o pedestre de nome Benedito Gonçalino Campos na esquina da Fernando Correa com a Rua 1 do Boa Esperança. Tal fato provocará a revolta dos populares, encaminhando um conflito mundial que culminará na explosão do Planeta Terra”. Mas, enfim, nem é sobre isso o que eu quero falar.

O fato é que de um tempo para cá, Nostradamus sumiu. Não sei explicar o motivo, mas o fato me intriga. Será que nos últimos tempos ele não previu o fracasso da previsão dos Maias? A crise da Grécia? As convocações do Afonso Alves? Bem, pelo menos Nostradamus pode ter o orgulho de ter desaparecido depois do Walter Mercado e da Mãe Dinah. Será que no futuro as pessoas se lembrarão de Nostradamus?

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Guia CH3: Como impedir que hackers invadam seu computador e publiquem suas fotos sensuais na internet

Tenho certeza que você já sabe que hackers invadiram o computador da atriz facilmente odiável Carolina Dieckmann, roubaram e publicaram fotos nas quais ela aparece peladona. Esse negócio de “tal qual veio ao mundo” não pega pra mim. Nós viemos ao mundo carecas, chorando e cheios de gosma e sangue. Dieckmann não estava sim.

Se você não sabia que tal fato havia ocorrido, é bem provável que tenha sido informado pelas várias notícias sobre a investigação policial para o caso. Eu, pelo menos, acho essa exposição midiática uma bobeira. Na internet as coisas não desaparecem simplesmente. Elas podem ficar ocultas, prontas para voltar a qualquer momento. Mas não desaparecem. Portanto, é provável que as notícias sobre a investigação só tenham aumentado a busca pelas fotos.

Antes de Dieckmann, todos nós nos lembramos – e como! – que Scarlett Johansson passou pela mesma situação. Pamela Anderson, uma mulher aí do Big Brother, Kadu Moliterno e outros “famosos” já passaram por situações assim, com seus atos de fornicação sendo divulgados na rede mundial de computadores.

A cada vez em que um famoso por uma situação dessas, os jornais fazem aquelas matérias de sempre, com aquelas velhas dicas de segurança dadas pelos velhos especialistas de sempre: Como preservar sua privacidade.

Dizem que você deve trocar as suas senhas periodicamente, não clicar em links suspeitos que mandam no seu e-mail, porque não, você não irá ganhar uma Mercedes-Benz ou aumentar o seu pênis. Sim isto é óbvio, mas pode não ser infalível. Hoje em dia, é muito fácil que qualquer coisa sua seja exposta na rede.

Mas calma, não precisa juntar os seus celulares, smartphones, tabletes, máquinas digitais, notebooks, netbooks, em uma pilha para atear fogo. Para não aparecer sentada em um vaso sanitário, o CH3 lista um método simples para se prevenir contra estes ataques a privacidade.

1) Não tire fotos sensuais com o seu celular.

Se vocês seguir essa dica, você não corre o risco de ter fotos sensuais expostas na internet, porque elas não existirão. Mas, caso você caia na inevitável tentação de tirar umas fotos quando está saindo do chuveiro, não as deixe salvas no celular. A qualquer momento ele pode ser roubado e, acredite, deve existir uma rede mundial de criminosos especializados em furtar celulares de mulheres em busca de fotos sensuais. Não deixe as fotos salvas no seu e-mail também, por favor. Grave-as em um CD e guarde embaixo de um travesseiro com um título do tipo “canções de natal”. Mostre-as apenas quando for adequado.

Não caia no conto do seu parceiro sexual, de que as fotos ficarão entre os dois, ou que ele irá apagar logo depois. Ele não vai. E quando vocês terminarem, suas fotos fazendo Check List do Kama Sutra estarão na rede. De qualquer forma, se quiser aparecer pelada, espere o convite de alguma publicação especializada. Além de uma qualidade maior, você poderá receber dinheiro por isso.
Hackers encontraram fotos nas quais Nana Gouvea aparece vestida

Em casos mais extremos, só fique pelado no escuro. O suicídio não resolve este risco, porque, vocês sabem, há fetiche para tudo.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Se Vira Nos 30

O Faustão é um sinal de que os tempos pioraram. Sim, Fausto Silva é uma pessoa facilmente odiável e é provável que muitas pessoas acreditem que o mundo piorou desde que ele nasceu, mas não falo nesse sentido. Existem pessoas que dizem que um dia o Faustão já foi engraçado. Talvez, ele realmente tenha sido, quando era um adolescente piadista. Mas as pessoas falam de sua graça nos tempos em que ele já estava na TV.

Veja você. Olhando para Silvão nos tempos atuais é impossível imaginar que ele já tenha sido engraçado um dia e que qualquer ser humano que habite este maldito planeta já tenha esboçado um sorriso miserável diante de qualquer intervenção deste sujeito. Logo, concluímos que aqueles que dizem que Fausto já foi engraçado na TV estão tendo alguma espécie de alucinação nostálgica, enganados pelo passado, tão doce perto do amargo cotidiano.

Mas o fato é que o Faustão já teve uma atração interessante. Falo, é claro, das lendárias Olimpíadas do Faustão. Uma mistura de gincana e humor surreal, em que pessoas tinha que atravessar portas se livrando de anões que cutucam o toba, subir rampas vestidos de bola. Víamos as pessoas se esborrachar de maneira glamourosa. Escaparem da morte. Imagino os ex-participantes da Ponte do Rio que Caí, que hoje exibem suas cicatrizes com orgulho.

Pois, por algum motivo o Faustão resolveu acabar com o único momento do Domingo que merecia ser desperdiçado com ele. Preferiu atrações bunda moles, como colocar uma dúzia de atores aprendendo a dançar os mais variados ritmos. Ou, convidar todos eles para comer uma pizza. (Antes que eu me esqueça, o Arquivo Confidencial, com os closes em lágrimas durante depoimentos constrangedores sobre a infância do homenageado, é tão ruim, que chega a ser sensacional).

E então, nós temos o quase secular Se Vira Nos 30. Imagino que ele tenha surgido como uma forma de estabelecer a cota de nonsense perdida com o fim das Olimpíadas. Ou a cota de bizarrices que o Pânico tornou obrigatória. O SVN30 (preguiça de escrever o título), é uma atração que mostra várias pessoas com seus pequenos dons indesejáveis, com suas facilidades inúteis. Você é uma gorda que dança engraçado? Vai lá. Faz embaixadinhas com espadas? Vai lá. Equilibra vibradores no umbigo? Boa.
Olha a cara dele! Ô Loco Meu! Parece o Caçulinha!

Hoje de manhã, acordei com a notícia de que se encerra hoje o prazo de inscrição para as pessoas que sonham em ter os seus 30 segundos de fama (Chupa Andy Warhol!). A animada reportagem exibiu aqueles personagens clássicos: o gordo que faz uma dança bizarra, o caipira que canta uma música baba-ovo da Globo, enfim. Dediquei horas da minha vida a refletir sobre os motivos que levariam alguém a assistir o Se Vira Nos 30 em pleno 2012. Não cheguei a conclusões. Não concluí sequer os motivos pelos quais as pessoas querem fazer um papel ridículo na televisão, ainda mais sendo trollado pelo Faustão. Sim, ainda há o fato de que o Faustão fará comentários inusitados sobre sua participação.

Pois, hoje acabou o prazo de inscrição para o programa. Fiz esse post o mais tarde que eu pude, para ter certeza de que ninguém irá se inscrever nele por conta da minha lembrança. Não quero ser julgado por contribuir com isso.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A Arte da Negação

*Não, não falamos dos cinco estágios do luto.

A equipe de assessória do empresário vulgarmente conhecido como Pai Jorginho de Ogum, vem a público para esclarecer alguns dos fatos que se sucederam na última semana.

Ao contrário do que foi veiculado na imprensa local, Pai Jorginho não utiliza trabalho escravo em seus estabelecimentos comerciais e de forma alguma sua equipe é formada por anãs mancas. Jorginho preza pelo respeito mútuo aos seus funcionários e rejeita qualquer tipo de associação de sua imagem com práticas ilícitas.

Os banheiros de Jorginho de Ogum não
tem televisões de tubo. Só LCD.
O empresário também nega que tenha obrigado a suposta equipe de anãs mancas a pisar sobre brasas e beber vinagre estragado puro. Em primeiro lugar, porque, conforme já foi dito, as anãs mancas não existem, ou, talvez existam em algum lugar, mas não nos empreendimentos de Ogum. Em segundo lugar, o empresário tem pleno conhecimento de que o ato de andar sobre brasas e beber vinagre estragado não é legal.

Também não é verdade que Pai Jorginho de Ogum teria saído ao lado de uma das anãs mancas em uma Ferrari conversível. E que, nesta Ferrari conversível, ele teria furado um sinal vermelho na Avenida da Prainha, atropelado cinco idosos e dançado o Tchu Tchá Tchá no local do crime.

Conforme já foi dito, as anãs mancas não existem e logo, o fato não procede. Vale lembrar também que A Ferrari de Jorginho não é conversível e que o mesmo não tem como hábito trafegar pela Prainha durante a noite, muito menos ao lado de anãs mancas, conforme foi dito. Assim como na verdade, as supostas vítimas têm todas 58 anos e não podem ser consideradas idosas. Jorginho de Ogum esclarece também que prefere muito mais as coreografias de Michel Teló e repudia o uso de onomatopeias, tornando a história ainda mais inverídica.

As inúmeras tentativas de difamar a reputação idônea de Jorginho chegam a um nível absurdo, quando seus detratores afirmam que ele fez depósitos de dinheiro de origem desconhecida em uma conta nas Ilhas Cayman. Jorginho esclarece que os depósitos são feitos na Suíça e que nenhuma das contas pertence a ele. Elas estão no nome do Palhaço Bozo, do Fofão e da Priscila da TV Colosso. E o dinheiro tem sua origem conhecida. Ele vem do bolso dos frequentadores da ampla rede de casas de diversão noturna que o empreendedor mantém em todo o Brasil.

É bom lembrar que com suas empresas, Jorginho de Ogum mantém cerca de 80 mulheres empregadas. Oitenta mulheres que graças ao comportamento ético de Jorginho, podem ter uma vida digna e sustentar suas famílias de cabeça erguida. O empenho sobre-humano do empresário também ajuda a movimentar a economia num período de crise mundial, mostrando que a diversão noturna pode ser uma solução para a falta de emprego e contra as medidas de austeridade que infernizam a Europa.

Jorginho também doa parte da sua arrecadação para instituições de caridade, é um pai exemplar, um marido fiel e faz um arroz com legumes que ninguém jamais fez igual. E o segredo para tudo isso é a sua seriedade, o seu comprometimento, a sua ética, o seu empenho e a força de superação que só os grandes homens têm.

Informamos também, que Jorginho de Ogum prefere não se manifestar sobre as acusações de que ele coça a bunda e cheira o dedo, e também de que ele tem o hábito de assistir filmes homossexuais em seus laptops. Tais acusações serão rebatidas em um momento mais oportuno.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sobre show e simpatia

Nesses últimos anos, o Brasil tem assistido a uma grande safra de shows internacionais. Os motivos podem ser os mais diversos. Será que o Brasil tem um charme especial? Ou será que nos tempos de crise europeia, recessão mundial, os brasileiros são os únicos que têm dinheiro o suficiente, ou melhor, disposição a pagar os altos valores dos ingressos que sustentam a vida mansa dos astros estrangeiros?

O fato é que as coisas mudaram. Antes, um show do Paul McCartney era um evento secular. Hoje, ele toca no Brasil todo ano, sua presença em terras nacionais são mais frequente que as do Ashton Kuchter. Em outubro então, quando todos os europeus e americanos estão trancados em seus apartamentos com seus aquecedores, uma série de festivais busca dezenas de artistas internacionais que provocam uma dor de cabeça no público. Se antes, não havia opção, agora, muitas vezes, o público das grandes cidades chega a ter que escolher entre um ou outro artista. Às vezes, na mesma noite.

Boa, Bono!
Com tantos shows assim, deve ser difícil para a crítica musical especializada encontrar um lead, um fato novo, deve ser muito difícil definir qual foi o melhor de todos os shows. E para isso o melhor critério é contar o número de vezes em que o artista falou em português. Quando um show de artista estrangeiro acontece no Brasil, pouco importa a qualidade da música. Se com os renascidos John Lennon e George Harrison, os Beatles tocassem no Brasil, o que importaria seria vê-los enrolados numa bandeira do Brasil.

Tempos atrás, Eric Clapton tocou no Brasil. Em um desses grandes sites noticiosos, alguém resenhou que Clapton se manteve pouco comunicativo com o público e que preferiu passar a noite tocando clássicos do blues. Bem, tirante o fato de que provavelmente o crítico só conhecia Layla (visto que Clapton sempre tocou blues e nos últimos anos sempre se dedicou ao blues), o fato de falar pouco aparece para desmoralizar ainda mais o show.

Já o U2. Todas as atenções ficarão para Bono Vox enrolado na camisa do Brasil, dizendo que vamos rumo ao título em 2014, dizendo que ama São Paulo e que o público brasileiro é o melhor. Não sei se, quando ele diz que a Argentina vai rumo ao tri em 2014 é que ama Buenos Aires e os argentinos, se o La Nacion destaca isso. Não sei.

Existe até uma escala para fazer um bom show no Brasil.
1) O artista cumprimenta o público em inglês.
2) O artista anuncia o nome de uma ou outra canção.
3) O artista insere alguns “Brazil” ou “San Paolo” no meio da música.
Porra, Bono.
4) O artista arrisca uma frase em português, como: Oulá Brézil! Nôs estamos mutcho felices eins star aqui estcha notche. Nosta benda is having a mucho good stay em Brézil. Mutcho oubigadou! See you soon! Numa mistura de inglês com português que faria Joel Santana ser ridicularizado, mas que consagra o astro estrangeiro. Porque um brasileiro falando inglês errado é motivo de vergonha nacional, enquanto que estrangeiro falando português errado é exemplo de simpatia.
5) O artista se enrola numa bandeira do Brasil.
6) O artista faz inúmeras piadinhas.
7) O artista faz referências a gostos brasileiros.
8) O Artista faz referência a um gosto do local do show e até arrisca alguma música local. Se um dia o Paul McCartney vier até Cuiabá, tocar no Memorial do Papa, ele só merecerá uma nota 10 se lembrar “estchou mutcho felis eim tocar na thera de Tchico Djil”. Ele pode até passar o resto do show babando sobre seu contrabaixo, que a nota 10 tá garantida.

Esse gosto brasileiro pela autoafirmação é curioso. Tão curioso quanto aquele momento, em que a banda começa a tocar os primeiros acordes e todo mundo grita como se falassem: “é essa, essa mesmo que eu queria!”. Pode ser uma música nova, nunca antes tocada, mas todos gritam. Acho que é pra demonstrar intimidade.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pessoas facilmente odiáveis

Na atual temporada europeia de futebol, o português Cristiano Ronaldo marcou 58 gols em 53 jogos. Desde que ele chegou ao Real Madrid, sua média também é superior a um gol por partida, 144 gols em 142 jogos. Mesmo assim, as pessoas tendem a não reconhecer os méritos do lusitano e a associar seu sucesso ao marketing. Porque?



Porque ele comemora um gol dessa maneira.

Observem que o gol foi sensacional, um chute de muito longe que entrou no ângulo. Cristiano Ronaldo ao fazer um gol desse poderia arrancar a camisa, correr, rolar no gramado, dar uma volta olímpica, que o mundo o aplaudiria. Mas não. Ele preferiu levantar o calção e mostrar a sua perna, apontando sua coxa dizendo “olhem como eu sou musculoso, observem meus músculos seus merdinhas”. Um cara desses é facilmente odiável.

Existem pessoas assim, pessoas que são facilmente odiáveis. É muito fácil falar delas. Mais do que isso, eu diria que é um prazer quase sexual denigrir as suas imagens. E Cristiano Ronaldo não é o único. O mundo é cheio de gente assim.

Bruno di Lucca: Bruno di Lucca pode doar todo o seu salário para as criancinhas anêmicas da Malásia, que, mesmo assim, ninguém gostaria dele. É impossível olhar para di Lucca e não pensar: esse cara é um babaca. Eu creio que a culpa de tudo é o sotaque carioca extremo e forçado. Todas as pessoas que falam dessa maneira são fáceis de ser odiadas.

Ao pesquisar por Bruno di Lucca no Google, encontrei essa foto. Não sei porque.
Eike Baptista: Não sei se é a sua peruca, se a sua mania de colocar um X em todas as suas empresas, se é o fato de ser um bilionário do ramo da especulação. Mas é difícil gostar dele. Bem, exceção feita a algumas mulheres, que nutrem amor sincero e profundo.

Felipe Melo: O pior, é que existe uma boa chance que Felipe Melo também odeie você. Por isso, é melhor andar armado.

Galvão Bueno e Faustão: Sim, você sente uma vontade enorme de sair quebrando paredes toda vez que vê uma simples foto do Faustão. Quando ele começa a falar, a situação fica ainda pior. E Galvão? As pessoas pensam em suicídio quando sabem que ele vai narrar um jogo. A sua aposentadoria após 2014 é considerada o maior legado da Copa para o povo brasileiro.

Maradona: Ele é argentino. Aliás, é o símbolo máximo da Argentina. Precisa explicar mais?

Políticos em geral: Ele pode estar no mandato há dois meses e ser honesto. Mas você pensa “que ladrão filha da mãe”. É a lógica do “se é político, não presta”.

Alfredo Chagas: Este reacionário liberal de merda.

Rubinho Barrichello: Ao contrário de outros esportistas fracassados, Rubinho Barrichello desperta ódio. Você não o ignora simplesmente. Você torce para que ele quebre. Ou mais do que isso, que ele perca a corrida da maneira mais humilhante possível.

Rubinho aliás, faz parte de uma outra categoria. A de Pessoas que Facilmente Viram Motivos de Piada. Notem, que nem toda pessoa que é facilmente motivo de piada é facilmente odiável. Mas, as pessoas odiáveis costumam a ser motivo de piadas. São motivos de piada fácil as Panicats, o Alexandre Frota, atores e atrizes da Globo em geral, esportistas, loiras, povos estrangeiros, advogados, homossexuais, obesos, fãs de Restart, enfim, a humanidade é uma piada fácil. A humanidade é odiável.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Pequenas alegrias do cotidiano

“The Little Things they make me so happy”

Muitas coisas podem destruir o seu dia, sem que você perceba. Pode ser aquela topada com o dedão na quina da mesa. O momento em que você chega em casa e descobre que deixou a janela aberta, choveu e o seu quarto está molhado. Quando você descobre que aquele salgadinho que você comeu na rodoviária era feito com carne humana. Detalhes que logo poderiam ser superados em nossa existência. Mas não tem jeito. Quando eles acontecem, provocam um profundo amargor em nossas almas.

No entanto, tudo o que vai volta, há males que vem para o bem, toda ação gera uma reação, em casa de ferreiro o espeto é de pau. Também existem as pequenas coisas que salvam o seu dia, mudam o seu astral e te fazem acreditar que você é um iluminado, um abençoado. Coisas que, infelizmente, Vinícius Gressana nunca experimentou.

Dessas sensações, a mais famosa é achar dinheiro no bolso de uma camisa. Algo muito comum, principalmente quando você pega aquele casaco que não usava desde o inverno passado. Como na sua cidade o frio não é frequente, você aproveitou a ocasião para encher a cara e, bêbado, esqueceu o dinheiro no casaco, só encontrando-o no inverno seguinte. Logo, você começa a pensar nas maravilhas que poderá fazer com a fortuna recuperada.

E quando você tem que ir no banco, ou em outro lugar em que eles distribuem senha. Você vê que o seu papel é o 557, mas que eles ainda estão chamando o 532. E então o caixa chama o 533 e ele não vem. O 534 e ele não vem. O 535, 536, 537… só o 538 aparece. Que sensação de que o tempo está conspirando ao seu favor!

E quando você encontra um DVD, CD que você gosta em promoção? Heim? Ou ainda, quando você entra em um lugar e está tocando uma música que você gosta. Sim, você, fã de Michel Teló achará isso normal. Vocês, malditos fãs de sertanejo e axé jamais experimentarão essa sensação. Vocês nunca saberão como é escutar History, do The Verve na rádio.

E quando você acha uma vaga de estacionamento no shopping? Ou mesmo no banco, perto da loja em que você vai. E se esse lugar é na sombra? Ó, Glória! Creio que isso é até impossível. Mais difícil do que encontrar um bilhete premiado da Mega Senna debaixo da cama da Anne Hathaway, ao lado das chaves do seu avião. Depois de estacionar o carro, a vontade é se deitar no chão e esperar que os dias passem eternamente, porque você sabe que jamais terá outro dia tão bom como esse.

Colabore com o CH3. Se lembre de outras coisas boas, como encontrar a tampinha de Guaraná premiada, escapar de ser atingido na cabeça por uma manga, a coca-cola congelar na hora em que você a coloca no copo, perceber que seu blog recebeu um comentário depois de dois meses.