Terminando do nada

Imaginem o processo de criação desta propaganda, desde já uma das piores propagandas deste ou de qualquer ano.



Provável que os publicitários tivessem uma ideia básica: um cidadão que começa a desaparecer por razões desconhecidas, mas que logo encontra a cura para o seu mal e vive feliz para sempre. Esta ideia ficou guardada durante anos, sem ir para frente.

Em um belo dia, chegou a demanda de uma propaganda de carro até a agência em que eles trabalham. Durante uma crise criativa, alguém deve ter dito:
-Porque não?

E começaram a trabalhar. O negócio não ia para frente, nada fazia sentido nenhum. Colocaram uma frase péssima “olha aí, mais um com um carro que não diz nada” (note: até segunda ordem, nenhum carro fala nada, exceção feita ao Herbie), colocaram aeromoças no meio de uma rua vazia. Continuava péssimo. Então, o chefe mandou:
-Termina de qualquer jeito.

E é uma merda quando as coisas terminam do nada.

Atualização em 04.09.14:

Um dia eu tive a brilhante ideia e anotei no meu celular "terminando do nada". O tempo passou e eu já não me lembrava as razões que me fizeram ter essa ideia. Lembrava vagamente que o culpado era um comercial. Fui deixando pra lá, até que um dia assisti ao referido comercial e pensei "acho que é isso!". A graça do post estaria no seu fim abrupto, combinando com o seu título.

Claro que esse não é um dos melhores posts que eu já fiz e consigo observar, com clareza, o desespero que se abateu em minha pessoa em fazer um post de qualquer jeito.

Pouco tempo depois eu me lembrei no que é que eu pensava. Lembro claramente que eu estava em uma rotatória da Estrada do Moinho em Cuiabá, próximo a antiga fábrica da Heineken quando eu me lembrei: é isso!

Este assunto me veio pensando em um comercial que passava na televisão no ano 2000. Era alguma ONG,  alguma ação da Globo. Mostravam várias crianças cantando uma música que fazia um acróstico em ordem alfabética. A letra era mais ou menos assim:
"A de Amizade, B - Boa Vontade, C - Companheiros, D de dedicação. E de Escola, F de Força, G de Gente, H de Harmonia, I de Igualdade pode ser de irmão, é pra você essa canção".

Sempre achei graça nessa canção/propaganda, por seu final abrupto. "I de Igualdade pode ser de irmão... é pra você essa canção". Penso claramente no seu compositor indo letra por letra, até chegar no J. Jota do que? De Júbilo? Não havia o que fazer com o J e então, provavelmente, ele resolveu acabar no I mesmo, e dedicar essa canção para você. Melhor assim.

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