domingo, 30 de janeiro de 2011

Não gente, isso é errado

Todo mundo já estudou com um viadinho no colégio. Não, não falo que é provável que você já tenha estudado com um filhote de veado, um pequeno antílope ou outro animal afetado. A não ser que você tenha estudado em planícies canadenses, ou tenha sido um veterinário extremo. Também não falo que você estudou com um pequeno homossexual. No colégio aqueles suspeitos de dar a bunda eram bichas. O viadinho era aquele indivíduo chato, perfeitinho, puxa-saco do professor e que para conseguir seus objetivos, sacaneava a turma toda. Dessa forma, chamar alguém de viadinho, não tem nenhuma conotação homofóbica.

O mundo dos viadinhos é regido por uma ética completamente diferente dos ideais que norteiam os outros seres humanos. Eles mantêm relações pacíficas e subservientes com as esferas superiores do poder, para que no futuro, elas possam barganhar algum benefício.

Um exemplo clássico da atuação de um viadinho: A professora de matemática chega na sala e pergunta se ela passou tarefa. Sim, ela havia passado a tarefa, mas boa parte da sala não havia feito. Todos dizem que não teve tarefa. Mas, o viadinho não. Ele diz “não professora, teve tarefa sim. E só eu fiz”. Perceba a arrogância, querendo se destacar dos outros mortais. A professora passa uma advertência para o resto da sala.

Você pode até argumentar que sua conduta foi correta e honesta. Se você argumentar isso, é bem provável que você seja um viadinho também. A vida não é feita apenas disso. A vida é feita de companheirismo, de sacrifícios em nome de um bem-estar maior. Desde que é claro, você não ultrapasse nenhuma lei. E até onde eu saiba, a constituição não obriga ninguém a fazer tarefa e não prevê punições para quem não a faça e para quem negue que ela tenha existido.

Mas o que o viadinho conseguia com a sua atitude execrável? Pois bem, na próxima prova, a professora vai dar 10 para ele e 8 para você, mesmo que vocês tenham respondido as mesmas coisas. O que para você valeu um meio-certo, para ele valeu um “você é 10!”. A professora ainda vai achar que você colou dele. E no dia em que ele não tiver feito a tarefa, a professora acreditará que realmente não houve tarefa.

O viadinho é aquele que irá denunciar que você estava fazendo a tarefa durante o intervalo. Dirá que você desenhou uma piroca na mesa dele. O viadinho é cagueta, X9, vacilão, tá ligado? Mas, entenda ele não faz isso por compromisso com a verdade, a honestidade, a moral e os bons costumes. Ele faz isso comprometido apenas com seu próprio sucesso em detrimento dos seus adversários.

Quando a aula está para acabar e o professor está prestes a dispensar todos e faz a pergunta clássica “mais alguma dúvida?” pronto para dizer que estão todos liberado, o viadinho tem uma dúvida. E não é uma dúvida simples. É aquela questão de física da Unicamp, super complicada, que ninguém conseguia responder. Todos terão que ficar mais 20 minutos até o professor explicar aquela questão. Ou então, a passará como tarefa.

E mais uma vez. O professor admirará o esforço do aluno. A Hebe o achará uma gracinha. E seu trabalho será avaliado com boa vontade. O viadinho amplia o seu poder a partir do sofrimento alheio. Ele sempre terá opiniões óbvias, fabricadas e politicamente corretas. O viadinho irá te dizer “não gente, isso é errado” quando você e seus amigos pensarem matar a aula para tomar sorvete. E ele contará para o diretor o que vocês fizeram.

Felizmente os viadinhos vão desaparecendo aos poucos. Eles têm dificuldade para passar no vestibular, porque eles não conseguem bajular aquele que corrigirá a sua prova. Eles obtêm empregos medíocres no mercado de trabalho. Mas existem aqueles que chegarão lá. Subirão de cargo com suas bajulações e te infernizarão até o fim dos dias.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Arte de interpretar conversas alheias

Pessoas conversam desde que elas aprenderam a falar. Pessoas conversam agora na Indonésia, nas Bahamas e se bobear, até mesmo aqueles monges que fazem voto de silêncio estão conversando agora, escondidos. Ninguém poderá denunciá-los, sob o risco de também infligirem seu voto. Você jamais saberá o que as pessoas conversam. Mesmo que sejam seus amigos, parentes. Você não se lembrará nem das suas conversas. No geral, elas vêm e vão como as ondas do mar (cante junto).

Você presenciará muitas conversas, das quais você não participa. Ao longo da sua vida você pescará milhares de fragmentos de conversas alheias. Você pode não prestar atenção nelas. Ou então, você pode tentar interpretá-las. Uma atitude simples, que fará com que a sua vida seja muito mais divertida.

1 Ao Telefone
O tipo mais clássico. Você está na fila do pão e o telefone do cara da sua frente toca. Ele atende.
- Oi, sim. Levei sim. Aham. Já está lá. O Marcos? Não, não sei. O que ele fez? Meu deus. Como assim? Mas já foram ver? Meu deus...

Ele pega o pão e vai embora para sempre. E você não sabe o que o Marcos fez. Será que eles vão conseguir resolver? Esse Marcos, sempre aprontando. Você é claro, pode também tentar imaginar o diálogo com o interlocutor do lado oposto da linha. Uma imaginação simultânea.

- Oi, sim.
- Comprando pão?
- Levei sim.
- Leva presunto.
- Aham.
- E palmito também.
- Já está lá.
- Não to vendo.
- O Marcos?
- É o Marcos também.
- Não, não sei.
- Eu também não.
- O que ele fez?
- Comeu todo o palmito.
- Meu deus.
- É só trazer mais palmito.
- Como assim?
- Palmito, porra.
- Mas vocês já foram ver?
- Sim, acabou.
- Meu deus.

Outra modalidade comum é quando você está conversando com uma pessoa e o telefone dessa pessoa toca. Tímida, diante de você, ela não fala muito. Entre respostas monossilábicas, risos, afirmações e ahans. Você imagina o que a pessoa está perguntando do outro lado. Se ela gosta de pinto? Aham. Cueca de elefantinho? Sorrisinhos. Besuntação aromática? Sim.

2 Pessoalmente
Você está no parque, caminhando, preservando sua saúde, desobstruindo suas artérias e fortalecendo sua musculatura. Duas mulheres vêm conversando no caminho oposto.

- e então eu falei pra ele. Você tá louco? O que é que você tá dizendo? E ele falou que eu devia estar de ressaca. Você acredita que ele falou isso? Esse cafajeste...

Cafajeste. E como a história terminou? Houve briga, morte, sexo, traição, coma alcoólico, vingança? Você jamais saberá como essa história terminou. Você não pode simplesmente seguir a pessoa para ouvir a história. Desde, é claro, que você não seja o Vinícius.

Há ainda outro caso. Quando você pega um ônibus, um transporte coletivo. Ou até mesmo quando se senta no restaurante e presencia trechos longos da conversa. Você passa a ser íntimo desde doce desconhecido. Pensa até em palpitar nas suas relações pessoais, em dar conselhos.

Pior acontece quando você tem uma viagem longa de ônibus. E as duas pessoas atrás de você, são daquele tipo de pessoas constrangedoras que puxam conversa com pessoas desconhecidas. E então, você sairá da viagem, pronto para escrever uma biografia sobre essas pessoas. Terá conseguido captar mais informação do que Truman Capote. Saberá que uma é fumante, que teve dois filhos, que fez cirurgia de redução de estomago, que adorava brigadeiro. Que outra é divorciada, foi largada pelo marido, e vive sozinha. Que ambas adoram A Grande Família, e que uma, inclusive, tem o DVD de todas as temporadas. Saberá detalhes do cotidiano das duas. Se você não quiser escrever o livro, poderá planejar um seqüestro.

Acho que a partir de hoje começarei a juntar fragmentos de conversas alheias para escrever um livro. Tomem cuidado.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A mudança do horóscopo

O horóscopo, tal qual nós o conhecemos, foi inventado por ancestrais narcotizados há mais de 3000 anos. Sim, porque a partir de meia dúzia de estrelas dispersas no céu, os caras conseguiam enxergar formas de peixes, touros, aquários. Fora outros animais que só existiam na cabeça deles. O que raios é um sagitário? Que porra é essa de Áries? Como é que vocês acham que aquelas estrelas formam uma mulher, que além de tudo é virgem?


Pois bem, esses maconheiros desgraçados inventaram o horóscopo. Com uma teoria absurda de que a posição das estrelas no seu nascimento influenciaria a sua vida toda. Por motivos inexplicáveis, a humanidade achou isso aceitável. E ao longo dos séculos, o horóscopo se popularizou, principalmente nas páginas de jornal. Não adianta mentir, você sempre dá uma olhadinha no seu signo, quando se depara com um horóscopo no jornal.

Esses horóscopos são feitos por charla... digo, estudiosos da astrologia, profissionais especializados que escrevem coisas utilíssimas como: “A fase é ótima para acordos de negócios e trabalhos em equipe”. Essa frase é para o horóscopo de Áries de ontem, mas se eu falasse que era Gêmeos de hoje, você, geminiano, acreditaria piamente.

Pois bem, essa teoria idiota, que acredita que pessoas nascidas na mesma época do ano terão fases iguais, independentemente de suas condições sociais, econômicas, históricas, familiares, essa teoria, ficou abalada nas últimas semanas.

Tudo porque um astrônomo – ciência rival, disse que estava tudo errado. Que as mudanças na órbita terrestre fizeram com que a posição das constelações mudasse. Vários escorpianos viraram librianos e surgiu até um signo novo, o do Serpentário. Os astrólogos ficaram com o cu na mão. Perceberam que tal notícia poderia fazer com que a humanidade finalmente percebesse que sua suposta especialidade é uma besteira gigante. Falaram que não é nada disso, que tudo continua igual.

Mas a notícia gerou uma depressão nos meios sociais. Um jornal entrevistou uma mulher que se dizia “leonina convicta” e que tinha muito medo das mudanças, pois elas poderiam mudar muito as suas convicções. Ela tinha medo de que sua personalidade mudasse.

É um dos momentos em que você se pergunta porque. Porque o homem descobriu o fogo e inventou a roda. Foi à lua e inventou o antibiótico. Criou o avião e os computadores. Porque a humanidade fez tudo isso, para que em pleno ano de 2011 uma mulher tenha medo de mudar de personalidade e ter suas convicções abaladas por conta de uma mudança de nomenclatura. Essa mulher me fez ser favorável a pena de morte. Me faz ser contra a Lei Maria da Penha.

É claro. Existem muitos interesses por trás disso. Existem empresas que montam bancos de dado com frases de efeito para serem publicadas aleatoriamente em horóscopos diversos. Existem pessoas que ganham a vida fazendo isso. Existem sites que vivem de dizer se seu signo bate com o seu amado e que tentam te falar sobre seus ascendentes, cores e tudo o mais. Existe um mundo cruel que domina essas informações. Para que pessoas possam se apresentar como “Canceriana típica”.

Falei com Pai Jorginho de Ogum, aquele que sempre fez nossos horóscopos – pois é, convicções são convicções, negócios a parte – e ele nos disse que estava feliz com essa mudança. Ele já estava criando um banco de dados incluindo o novo signo e tentaria sair na frente de seus outros concorrentes charlatões. Também estava fazendo uma empresa especializada em trocar camisas e outros adereços relacionados aos seus signos. E também fazia um convênio com uma empresa, especializada em remover tatuagens – para aqueles que tatuaram uma Balança libriana nas costas.

Mas, ainda de acordo com Jorginho de Ogum, mudando ou não o horóscopo, ele ainda vai continuar ganhando muito dinheiro com isso. O único problema: a saga das 12 casa está profundamente abalada.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Contato Direto

Começo de ano ainda, aproveitamos para responder questionamentos, críticas, xingamentos, elogios, propostas de seguro de nossos CHnautas, que entraram em contato conosco pelo nosso e-mail chtres@gmail.com - twitter @blogchtres e nos comentários.

Anônimo disse: A lambada não é tão pervertida quanto o funk carioca. A lambada tem até um rítmo agradável e a letra não ofende nem discrimina ninguém. Então por que essa implicância com a lambada? O que vocês diriam do que acontece nos bailes funks? Mulheres dançando sem calcinhas e com minissaia só pra começar. Lembram tabém do "Vai descendo na boquinha da garrafa"? Por isso, preocupe-se com tais coisas que são mais graves ou então siga a recomendação já citada de combater a pedofilia. É isso!!!
Se você acompanhasse melhor o blog, perceberia que aqui nós já falamos sobre Funk, axé, sertanejo. Já a pedofilia, é um tema muito pesado, não acha?

Anônimo disse: Olha cara, vc devia estudar mais sobre os adventistas do sétimo dia, na verdade eles não adoram o sábado, eles tiram um dia da semana (Sábado) para se dedicar a fazer o bem, visitar os nescessitados, orar e adorar a Deus, o que explica as frases que vc citou no início do post, não fale de coisas que vc não entende ou que ouviu falar por aí.
Não sei. Sua explicação não me faz entender porque eles dizem que “ao longo dos séculos, a falsa adoração com freqüência foi fundamentada no culto do sol”.

Adérito Schneider diz: E essa animação brasileira que saiu agora, com participação do irmão do cão leproso? http://migre.me/3IFYq
Pensamos até em processar os autores, mas o Cão Leproso nos revelou que ele fez esse filme antes de pegar a lepra. E que foi recompensado um jogo de talheres.

Ivone diz: Por favor, disponibilize o COMPARTILHAR!
Disponibilizamos, Ivone.

Monique diz: Me senti protagonista. =P
De fato, era a protagonista oculta.

Anônimo diz: ai cara ter um cabeçao fora do normal e ser genio é uma habilidade mutante?porque se for eu sou o mais poderoso do mundo.
Não. Provavelmente é hidrocefalia mesmo.

Anônimo diz: Outro forma infalível é apresentar a "mosquita" da dengue p Macarrão e avisá-lo q ela está grávida do Bruno do flamengo. Tiro e queda, literalmente!
Pena que não sabíamos disso na época do post. Mas, de fato, fica a dica no combate a dengue.

Eduardo diz: Vou batizar meu filho de Errisom.
Aposto que terá um belo futuro como jogador de futebol.

Thalita Boaventura diz: Preciso desabafar: meu irmão de 13 anos baixou o cd O melhor de Erre Som.
Deve ser fake. “Erre Som” e “melhor” não podem coexistir na mesma frase.

Ohhrosie diz: hahahahahaha ótimo! porém, não concordo que esse costume se perde com a idade... com sapatos sim, mas com tênis não! eu, no auge dos meus 26 anos, ainda me encontro fugindo de pisadas quando compro um all star novo...!!!
Você trabalha como professora de terceira série? Tenho medo do seu círculo social.

Anônimo diz: noooossa q coisda mais ridícula ée essa quem escreveu isso deve ser um retardado de 5ª categoria até minha vó q é analfabeta dava conta de faze melhor q isso aff nao me serviu pra nada
Puxou a vovó analfabeta, heim amiguinho.

Edu disse: Eu não tenho vergonha de dizer. Eu sempre tive essa atração por balões e inflaveis, que eu me lembro eu comecei sentir esse prazeres por ojetos inflaveis a mais ou menos 7 anos de idade, principalmente por bexiga de tamanho grande. Hoje em dia me exicito muito facil com, isso faz parte do meu cotidiano. Mas a minha atração e exitação é por balões extra grandes e formatos esféricos. Eu uso balões meteorologicos (weather balloon) por ser um latex muito melhor e muito agradavel ao toque, e uma flexibilidade excelente, e são muito duraveis, desde que sejam guardados corretamente e usados sem exageros. Eu me masturbo muito facil com eles, é um prazer muito grande, nem consigo descrever, é muito prazeroso e relaxande. Eu tenho muitos balões, as medidas deles, variam de 40cm a 100cm, (vasios), eles são enormes. Sempre inflo eles com bomba ou compressor de ar, enquando esta se enchendo fico acariciando abraçando. O maior fetiche meu é quando inflo eles dentro de peças de roupas, e tambem dentro de roupas no proprio corpo, é so pesquisar no Youtube por(body inflation), (Zentai inflation). Fico horas no meu quarto fazendo isso.
E a gente (Vinícius) achava que entendia do assunto. Muita informação.

Anônimo disse: vocês não levam nada à sério né,seus ridículos falidos.
E a gente nunca teve dinheiro, para conseguir falir :(

Andreza disse: Rapaziada lá em casa que ronca também nunca fala. Há anos fiquei de gravar pra provar. E existem muitos tipos de ronco. Antes achava que aquele que passa nos desenhos, com um tipo de assobio no final, não existia. Mas conhei alguém que ronca assim.E têm também as pessoas que dizem não falar de noite. E elas acordam perguntando se falaram alguma coisa. Se não tivessem escrúpulos, inventaria as maiores frases pra atribuir a elas.
Andreza, nos apresente o cidadão que ronca com assobios!

Adérito Schneider disse: Hahahah! Pior q tem um amigo meu q usou cueca de elefantinho. Mas, para ninguém ficar pensando q foi eu, vou delatar. Foi o Danilo. Proto, falei. Ganhou de amigo secreto no Natal, mostrou pra todo mundo (não no corpo dele, q fique bem claro), usou em casa e contou pra todo mundo. Hahahah!

Em breve, será você que terá usado cueca de elefantinho, Schneider.

J. Tomaz diz: Bom, como eu sempre comi de tudo que me oferecem, nao recuso nada e ainda mais por dinheiro, eu aceitaria comer tudo que se oferece neste programa e até mesmo os integrantes do CH3 sem problema algum!
Lhe passaremos o telefone do Hanz, o pansexual. Ele ficará feliz.

ADM Jack’s diz: Putz você escreve bem! Mas daonde vem essa idéias, kkkkkk FLw.
Cara, nem te conto.

Zói de Tandera diz: Descobri o CH3 enquanto pesquisava sobre prostitutas no Google (não, eu não queria contatos de prostitutas, não sou o Hanz, queria material pra fazer uma postagem), aí caí numa página que falava sobre como a greve das prostitutas iria culminar na Terceira Guerra Mundial Nuclear. Na hora que eu li, achei muito, MUITO FODA! Um dia, eu falei sobre essa teoria com meu irmão, e ele me disse: "Velho, essa sua teoria é foda. Ou você é um sociólogo de primeira ou é retardado. Eu te conheço à anos, por isso sei que você é só um retardado mesmo" (nosso amor fraternal supera o impossível). Mas voltando ao texto, depoisque li, achei que fosse um daqueles "blogs mortos" que lotam a Internet. Cheguei a ficar triste por isso, mas aí percebi que não era! E comecei a aconpanhar o blog continuamente, há 6 meses já. Continuem o bom trabalho. Vocês são demais, caras!
Obrigado pelas palavras. Melhor que depoimento de Orkut.

Luís diz: Dia desses, estava no Jardim Leblon e vi um cidadão muito parecido com o Pedreiro Marcão, pintando um muro. Então, ele existe de verdade???
Pois é...
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Provavelmente, em dois anos teremos outra edição do nosso SACH3. Seus questionamentos não foram respondidos? Você ainda terá a oportunidade.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Fotografar

Olhe para sua pasta de fotos no computador. Perceba que você tem vários momentos registrados, lá pelo ano de 2005, 2006. Perceba então que a quantidade de fotos foi caindo até o ano atual. Em 2006 você tinha fotos de idas ao restaurante, do churrasco de domingo, dentro da sala de aula. Hoje, suas fotos se restringem a ocasiões especiais, formatura, casamentos e olhe lá.

Tudo isso faz parte de um processo secular, que fez com que a fotografia passasse de uma arte rudimentar, até um ato banal do cotidiano. Ok, você pode dizer que fotografar ainda é uma arte e que eu posso ser até bem humorado, mas que não entendo nada de fotografia. Que ao contrário do que digo, a profissão de fotografo não é baseada em costumes preguiçosos e velhos clichês. Sim, você pode dizer isso e eu vou apenas rir.

Quando foi inventada, a fotografia, além de rudimentar, era um saco. Um cara precisava se esconder atrás de uma caixa e puxar uma cordinha para abrir o obturador (não, ele não era dentista). E todos precisavam ficar alguns minutos na pose, porque demorava até a imagem se fixar.

Com a invenção do rolo de filme, tudo se modificou. O processo passou a ser mais rápido e com a futura invenção das máquinas portáteis, a fotografia entrou no cotidiano das famílias mundiais. Não era mais preciso chamar alguém com um aparelho enorme para tirar aquela foto posada. Era só pedir para que falassem “xis” (cheese para os ingleses) e apertar o botão.

Claro que não era tão fácil assim. Alguém poderia sair com cara de que iria gorfar na foto e você só ira perceber quando o filme fosse revelado. O mesmo momento em que você perceberia que cortou o topo da Torre Eiffel e que seu dedo saiu na frente da catedral de Massachusetts. Você tinha no máximo 36 chances de que a foto saísse boa. Muitas vezes tirava duas, para garantir, caso alguma queimasse. Sim, sempre havia o risco de que a foto não aparecesse no final, por motivos que ninguém sabia explicar. Você tinha que resumir suas férias nessas 36 fotos. No máximo, em mais 36.

E isso, eu falo, para as fotos assim, da família normal. Se você quisesse tirar uma foto realmente boa, era outra história. Você tinha que usar a lente certa, o tempo certo de abertura. Verificar as condições de vento, iluminação, temperatura e umidade a CNTP (condições normais de toda porra). E ainda ter um pouco de sorte para que o leão não se mexesse antes da hora certa.

E do jeito que você tirou, é o jeito em que ela ia ficar. Caso você tivesse um estúdio de revelação em casa, você poderia aumentar o tempo de exposição do filme, para tentar corrigir algum defeito, mas não adiantava muito.

Hoje não. Qualquer um tira fotografias, quantas vezes quiser. Pode ver na hora “opa, Andreza saiu rindo numa foto que era para todo mundo estar sério, vamos tirar outra”. Pode ver quem piscou, quem bocejou, quem saiu com cara de que viu o Tony Ramos sem camisa. E tirar outra, outras fotos.

E claro, poderá corrigir os eventuais defeitos de iluminação, ou o que for, no photoshop. Qualquer foto do quintal da sua casa pode virar uma foto artística com os efeitos de computador. Você pode até pegar aquela foto sua em uma varanda sem graça, se recortar e colar em uma plantação de soja. Ninguém vai perceber que é uma montagem.

Não existem limites. Inclusive para as fotos da suas férias. São 200 fotos de um fim de semana em João Pessoa. Fotos de cada mísero lugar que você conheceu na cidade. Mas, já perdeu um pouco a graça.

No advento da máquina digital, todos tiravam fotos de tudo, empolgados com a possibilidade de registrar cada momento de sua vida, sem se preocupar em amontoá-los em uma prateleira empoeirada. Hoje, a empolgação passou. Todos sabem que todos os momentos podem ser registrados. Justamente por isso, não o fazem. Isso explica o esvaziamento do primeiro parágrafo.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Afrodisíacos naturais

Este texto é recomendado para 48% dos homens cuiabanos.

Erguer paredes. Fazer a massa, rebocar o muro e pintar o muro. Assentar o piso. Quebrar outra parede. Rejuntar os azulejos. Você pode pensar que esta é a rotina de um pedreiro. E realmente é, não vou negar. Mas, não é apenas isso.

Esqueça a catuaba, o guaraná ralado, a Ginkgo Biloba (uma palavra muito engraçada). Também esqueça as comunidades do Orkut que dizem que inteligência, bom humor e que até mesmo o sotaque mineiro é afrodisíaco. Tais ingredientes podem até exercer a função afrodisíaca, mas nada desperta tanto desejo sexual como rebocar uma parede. E o melhor, você não precisa comprar isso no mercado. Você pode até ganhar dinheiro para ficar com um puta tesão.

A palavra Afrodisíaco deriva de Afrodite, que era a deusa grega do amor e também era o cavaleiro de ouro homossexual da casa de peixes. Foi derrotado num evento sado masoquista pelo também gay cavaleiro de Andrômeda e suas correntes. Cada cultura tem suas substâncias consideradas afrodisíacas. Na Ásia, acredita-se que os chifres de rinoceronte exerçam tal função – mas apenas se você mesmo tiver extraído os cornos.

Mas é mais fácil ser pedreiro. Quando você é pedreiro, não existe tempo ruim. Quando você é pedreiro qualquer mulher vira uma musa, top model, atriz global, capa da playboy. A ciência pensa que talvez seja o pó do cimento nos olhos, que altera a visão dos profissionais da pedreiragem.

Nosso pedreiro Marcão explica melhor: “Ma (sic) eu acho que não é só os pós nos zóio (sic) que faz com que nóis (sic) coma as mulé (sic) não. Acho que isso pode até ajuda nóis (sic), mas tem outra coisa. Acho que nosso cheiro de cimento azedo, cheiro de macho alcucina (sic) as muié (sic) e dexelas (sic) facin (sic) próis (sic) carcalas (sic)”.

Deu para perceber que Marcão não entendeu a questão. Ele achou que perguntávamos sobre o sucesso dos pedreiros entre as mulheres e não do sucesso das mulheres entre os pedreiros. Eu juro que tentei explicar, mas não foi possível.

Apesar de os pedreiros dominaram o topo da cadeia alimentar quando o assunto é ver beleza e excitação em qualquer mulher, existem outros profissionais que são injustamente esquecidos.

Cito, principalmente, os instrutores de auto-escola. Jamais existiu em toda a história da humanidade, um instrutor de auto-escola que não fosse um completo tarado, um pervertido. Mesmo na antiguidade, quando se ensinava os alunos a estacionar o cavalo. Aposto que o instrutor ficava olhando as mulheres jogando o lixo pela janela e pensava “ooo delicinha”.

Você está lá, com dificuldade para acertar o movimento dos pés entre embreagem e acelerador e o espelho retrovisor ainda é um mistério. Lá está o seu instrutor olhando aquelas gordas com a banha sobrando por debaixo de uma blusa amarela e dizendo “oooo beleza shhhhhh”. Você quase bate o carro.

Fica então a dica, caso você tenha problemas na área.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Grandes dúvidas que não têm explicação (15)

Fitas K7 com mulheres peladas

Talvez as novas gerações nem saibam o que são as fitas K7. Talvez, elas imaginem que esta seja uma sigla tosca para cassete. Talvez elas escrevam “peg no meu K7 kkkkk”. Mas elas existiram e foram importantes. Fizeram vários de nossos antepassados perderem horas sintonizando rádios, para tentar gravar suas canções favoritas. E elas também eram comercializadas, parece estranho, mas existiam K7 oficias de artistas renomados.

Geralmente você as escutava no carro e era um luxo ter um toca-fitas que mudasse de lado. Você também poderia escutá-la em seu moderno walkman. Eu tive algumas poucas fitas K7, geralmente coisas infantis e geralmente compradas em viagens, algo do tipo “vai filho, escolhe algo pra você ouvir”. E geralmente, essa compra ocorria em Rondonópolis.

Rondonópolis, a maior cidade do interior mato-grossense com seus quase 200 mil habitantes movidos pelo agronegócio. Também pode ser considerada a bifurcação de Mato Grosso, pois, a partir dela você escolhe se vai para Goiás ou para o Mato Grosso do Sul. Para mim, ela era a Meca das fitas K7.

Pois, sempre que eu comprava uma fita K7 me deparava com um pequeno mistério da humanidade. Haviam por ali, algumas fitas cujas imagens da capa consistiam em mulheres de seios grandes e nus. Ano após ano eu encontrava lá as peitudas do K7. Era algo parecido com aqueles copos, que quando cheios, tiravam as roupas das mulheres.

Dois anos atrás, estava de volta a estrada e de volta a Rondonópolis. E dessa vez, encontrei não fitas, mas sim CDs com seios fartos a mostra. Uma prova de que os toca-fitas entraram em extinção. Mas os CDs não eram assim tão misteriosos. Eles poderiam ser colocados em computadores e lá eles poderiam exibir imagens de centenas de mulheres nuas ou o que mais que a inclusão digital permitir.

As fitas K7 não. Qual seria o conteúdo delas? Uma espécie de tele-sexo sem interação? A gravação de uma telenovela erótica? Contos eróticos na voz de Cid Moreira ou Monique Evans? Qual seria a graça de andar quilômetros e quilômetros em estradas esburacadas ouvindo gemidos? Ou será que o objetivo era trazer estímulos para os atos dos caminhoneiros na solidão da boléia?

É difícil obter uma resposta para isso, uma vez que qualquer busca sobre o assunto, será comprometida por resultados pornográficos da internet. Mas a minha hipótese é muito menos misteriosa do que a situação sugere.

Tratavam-se apenas, de fitas K7 com gravações de duplas sertanejas. É difícil chamar a atenção num mundo cheio de chapéus gigantes e nomes simétricos. Então, coloca-se uma mulher pelada na capa e o comprador pensa “uau, que peitos!” e leva a fita pra casa. Conseqüentemente, ele acaba escutando o conteúdo. Nada mais do que uma estratégia de divulgação. Já dizia a capa do primeiro jornal “Planeta Diário” – “publicações com mulheres peladas na capa, tem mais chances de chegar ao próximo número”.

No fim, ainda serve para fazer alguma graça, sendo uma inutilidade – tal qual qualquer produto vendido a beira da estrada. A fita K7 com mulher pelada cumpre uma função similar ao caixão cujo defunto mantém uma ereção quando a tampa é aberta.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Formigas Atômicas

Dia desses, eu estava fazendo um sanduíche em uma sanduicheira. Meu único objetivo era matar a minha fome. Sim, eu não pretendia comandar uma nova ordem mundial com o meu ato. Pois, ainda bem que eu queria matar minha fome. Porque, se quisesse matar uma formiga em uma sanduicheira, eu falharia miseravelmente. Digo, um minuto depois de ligar a máquina, uma formiga saiu de dentro dela. Sim, ela caminhou sobre a chapa quente. Era impossível colocar a mão próxima da chapa e a formiga andou por sobre ela.

Esmaguei a formiga com o meu dedo e fiquei com isso na cabeça. Será que seriam as formigas, e não as baratas, aquelas que conseguiriam sobreviver a um acidente nuclear? As que dominariam o mundo após o dia do juízo final? Aquelas que permaneceriam de pé depois que 2012 passar?

Dirigi-me então até a casa/laboratório de pesquisas de Alfredo Humoyhuessos, pesquisador e cartomante colombiano. Encontrei o revisando o seu número “matemática para bebês”, que influenciou Einstein a propor a teoria da relatividade. Expus o motivo da minha visita e ele me levou para uma das alas de seu laboratório.

Lá, pegou algumas formigas que ele criava em cativeiro e começou os seus experimentos. Pediu que César Cielo desse um tempo nos treinamentos de uma nova técnica proposta por Humoyhuessos, e jogou aproximadamente 100 formigas na piscina. Ele as manteve presas por uma rede no fundo da piscina. Pouco a pouco elas começaram a se soltar da rede e nadaram até a superfície. Algumas formigas ficaram mais de 10 minutos lá embaixo, mas conseguiram subir.

Isso já era impressionante. As formigas ficaram mais de 10 minutos embaixo d’água e conseguiram sobreviver. Mas então, ocorreu algo ainda mais surpreendente. Já na superfície, elas começaram a se agrupar e montar uma sobre as outras, de forma que uma conseguia boiar sobre a outra e a outra sobre a uma. Logo estavam as 100 juntas, formando uma bola de formigas que conseguiu sair da piscina.

Eu já estava suficientemente embasbacado. Já estava pronto para escrever uma teoria sobre a supremacia ariana das formigas. Mas Alfredo me disse que ainda havia mais o que mostrar.

Ao som de Fire de Jimi Hendrix, ele pegou um maçarico e tostou as formigas. Pois, mesmo carbonizadas, as formigas continuavam a se locomover. Desmembrou as formigas e cada parte desmembrada se mexia independentemente. O inseticida as paralisou, mas elas voltaram ao normal depois de alguns minutos. Simulou uma explosão nuclear no formigueiro e elas não só sobreviveram, como cresceram e passaram a cantar músicas do Restart. No final, Alfredo colocou as formigas em seu nefasto microondas e... elas viraram pipoca.

Sai convencido de que as formigas ainda vão nos dominar um dia. Mas Alfredo, enquanto salgava as formigas, digo, as pipocas, me disse “Espere. Venga aka otro dia, que yo te muestro o que consigo hazer com las baratas”. Não quero nem imaginar.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Chove Chuva

Choveu pra caralho. Choveram canivetes, cats and dogs. Foi a maior chuva que você já viu em sua vida. Choveu tanto, que você teve a impressão de ter visto um rato com um papel escrito “Noé” pedindo carona, enquanto você tentava salvar seus móveis, colocando-os em lugares altos.

No dia seguinte, lá estarão às imagens da devastação expostas no jornal. A destruição, as ruas alagadas, os rios que transbordaram e os barracos que caíram. As casas destruídas e a busca pelas vítimas. O choro desesperado das famílias, a contagem de cadáveres e os governantes informando que as providências serão imediatas.

É um cenário corriqueiro de janeiro. Não é preciso ser Pai Jorginho de Ogum para saber que isso vai acontecer. Para completar, ainda teremos a informação dos repórteres de que “choveu em um dia, o esperado para o mês inteiro”. Não há fenômeno que seja mais subestimado do que a chuva, nem mesmo o Ronaldo.

O clima é um assunto que interessa a vários setores da sociedade. Principalmente a velha pergunta que move tantos amigos sem assunto: se chove ou não. A chuva ainda interessa a agricultores, caminhoneiros, comerciantes, pessoas que querem ir à praia. Afinal, a chuva pode acabar com os planos do seu dia. A chuva pode te deprimir – isso claro, numa visão mais boba dos efeitos da chuva.

Para saber se chove ou não, existem institutos meteorológicos que gastam fortunas tentando desvendar os mistérios do céu. E, mais do que saber se chove ou não, esses institutos querem saber o quanto vai chover. Utilizando aquelas medidas de centímetros, que são difíceis de entender.

E a chuva é subestimada. Todo ano, em qualquer mês do ano, a qualquer chuva mais forte que caia em qualquer lugar do país, você escuta os especialistas falarem que choveu mais do que o esperado. Que em um dia choveu o que deveria chover no ano inteiro. Oras, não é possível que as pessoas sejam enganadas assim o tempo todo. É preciso que os especialistas parem de subestimar a chuva.

Na última (por enquanto) enchente paulistana, o prefeito Gilberto Kassab deu mais uma informação: em um dia choveu mais do que a média dos últimos anos. Então eu entendo menos ainda. Se em 2010 isso também aconteceu, em 2009 também, 2008, 2007 e 2006, como é que essa média não aumenta? Alguém está fazendo um cálculo errado. Ou então, realmente o volume de chuva está quadriplicando a cada ano.

Não sei se o pessoal pensa “ah, ano passado choveu muito, então esse ano vai dar uma trégua”. É preciso mudar esse conceito, precisam aumentar suas expectativas. Ao caso da chuva, não se aplica aquela máxima de que é bom não criar muita expectativa, para depois não se decepcionar. Deixem de subestimá-la. Coloquem aí no ano que vem, que o esperado é uma chova apocalíptica. De que já é bom tentar reservar um assento na Arca de Noé. Avisem que em um dia irá chover mais do que no ano inteiro.

Se essa chuva não vier, não tem problema. É melhor que a casa continue em pé para guardar os botes em excesso.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Guia CH3: Como fazer um chá de panela

É uma tradição, quiçá uma superstição. Sempre que uma pessoa vai casar, ela tem que fazer um chá de panelas.

Deixamos aqui uma diferenciação clássica. Você não deve confundir o Chá de Panela aqui descrito, com o Chá de Panela, o evento. Aquela em que as pessoas levam panelas para uma mulher que vai se casar, enquanto o noivo está em uma despedida de solteiro, se esfregando em belas mulheres nuas. Este é o Chá de, em nível de evento. Tal qual o:
- Chá de Cogumelo: evento realizado entre hippies, que se juntam para presentear outros hippies com cogumelos selvagens e alucinógenos.
- Chá de Alho: ocorre sempre que o alhozinho vai se casar com a alhozinha. Seus amigos alhinhos se juntam para festejar a prosperidade e o futuro do alho.

É preciso muita persistência para tal. Você precisará de uma chaleira, de água quente e de panelas. E lógico de um fogão. E que esse fogão tenha gás. E que você tenha um palito de fósforo ou um isqueiro para acendê-lo, caso ele não seja de acendimento elétrico. Porque se for, você vai precisar de uma tomada e conseqüentemente de uma parede para fixar esta tomada, com seus fios elétricos que deverão vir da rua. Ou seja, você precisará ter luz elétrica na sua casa. Ou apenas fósforos. Ou um isqueiro. Ou ainda, um graveto e uma porção de folhas.

Vocês sabem como se faz chá? Então, ferva a água com o elemento que se deve fazer o chá dentro. Ou então, ferva a água e despeje-a na sua caneca que conterá o pó do chá em um sachê. Neste caso, o elemento cházistico é uma panela. Escolha de acordo com a sua preferência, se ela será de alumínio, de ferro, de teflon, de barro, de pedra, de acrílico, de porcelana.

Aí sim vem a grande questão: é difícil colocar uma panela dentro de uma chaleira. E ainda mais difícil colocá-la dentro de uma xícara. Você precisará de muita força para fazer isso. Então, logo, Você terá que picotar a panela.

Algo fácil de fazer quando ela é de pedra ou barro e até mesmo de acrílico e porcelana. Pegue uma marreta e comece a bater. Bata, bata, bata até tudo ter virado um pó – aquele, do qual viemos e ao qual retornaremos. Panelas de barro costumam a ter um gosto de barro, por uma incrível coincidência. Lembra um pouco o gosto de quando você passa numa rua empoeirada e respira pela boca. Panelas de acrílico e porcelana exigem cuidado, porque os resíduos podem perfurar o seu estomago e te matar. Você nem chegara ao casamento, mas terá um funeral.

Tudo fica mais difícil se a panela for de ferro. Você precisará combinar o uso de serrotes de ferro, com uma serra de ferro e quiçá, um maçarico. Cujo uso é perigoso, pode te fazer perder um dedo, uma mão ou até mesmo um olho. Depois de algumas horas, você conseguirá ter picotado a panela e com alguma sorte terá sobrevivido. O gosto do chá de panela de metal é levemente metálico. Por alguns instantes, você poderá ter a sensação equivocada de que cortou a língua.

Já o Teflon... Bem, ninguém jamais sobreviveu a tentativa de manusear Teflon. Logo que ele foi inventado, foi preciso que se inventassem máquinas capazes de utilizá-lo.

Feito e tomado o chá você poderá se casar, assunto que o CH3 já abordou. E ai, quem sabe, ter um filho. Dando origem a um evento macabro conhecido como Chá de Bebê.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Corra!

Forrest, corra! Lola, corra! Para as montanhas.

Hoje, dia 10 de janeiro de 2011, a humanidade pode respirar em paz. Pelo menos a humanidade cuiabana. Enfim, a Corrida de Reis terminou. Apesar de a corrida em si, ter começado apenas ontem e não dure mais do que três horas, para aqueles que vivem em Cuiabá a Corrida de Reis dura meses. Na verdade, ela ainda não terminou. A Corrida de Reis ocupa metade do calendário local.

Três meses antes do evento, quando todos ainda pensam nas suas contas, na reta final do campeonato brasileiro e ainda não tiveram nem saco para pensar no Natal, a nossa televisão já começa a noticiar que os preparativos para o evento já começaram. As inscrições já começaram, corra! Porque as vagas são limitadas. Mesmo que depois, eles prorroguem o prazo de inscrição até a véspera, porque as vagas ainda não foram preenchidas.

Corridas de Rua acontecem todos os dias, nas mais diversas cidades do planeta terra. Corridas singelas, de alguns quilômetros, passando pelas tradicionais maratonas e até mesmo pelas ultra-maratonas, eventos preparados para sado-masoquistas, que resolvem correr durante mais de um dia inteiro.

Mas, nos conseguimos passar incólumes a estes eventos. Porque uma corrida é um evento muito chato para quem não está correndo. Ver o povo correndo, correndo, correndo, correndo, correndo. Uma hora depois, eles estão lá ainda, correndo, correndo, correndo e correndo. Depois de duas horas, finalmente o primeiro colocado chega. Um minuto depois, o segundo colocado. Não há disputa, brigas pela vitória. Apenas pessoas que correm, correm e correm.

Só que existe a Corrida de São Silvestre. Disputada sempre no dia 31 de dezembro, coincidentemente, o dia de São Silvestre – que foi o 33ª papa da história e morreu justamente neste dia, estragando o réveillon da família. Silvestre conseguiu promover a paz (através da carnificina) no Vietnã, Afeganistão e Birmânia. Derrotou Apollo Creed em um desempate. Tornaram-se amigos e em uma emocionante disputa na União Soviética, derrotou Ivan Drago – que havia matado Apollo – na maior luta de boxe da história. Silvestre também impediu que um cretino promovesse o terror dentro de um supermercado.

A corrida de São Silvestre é o mais emocionante evento esportivo do planeta terra. Os maiores atletas do mundo juntos pelas ruas da maior capital do universo, celebrando o esporte, a harmonia a união dos povos na passagem do ano. Um evento único. Emocionante. Inebriante. Aconchegante. Assistir a corrida é como nascer de novo. É como tocar o céu com os próprios pés.

A primeira edição da São Silvestre foi disputada em 1925. Ela foi criada por Cásper Líbero, antigo profissional da imprensa, que atualmente é uma faculdade. A idéia dele era usar a corrida para promover o seu jornal, por mais que muito provavelmente ele falasse que queria promover a saúde. Corpo são, mente sã. A primeira edição foi vencida por um queniano, por mais que só brasileiros pudessem disputá-la, então.

O trajeto já foi mudado dezenas de vezes, até se fixar em 15km no ano de 1992, ano em que um queniano ganhou. O trajeto seguiu mudando, passando por diferentes ruas do centro de São Paulo. A única coisa que se manteve, foi o fato de quenianos seguirem ganhando a disputa. Em suma, a Corrida de São Silvestre é um evento em que as pessoas correm, correm e correm para chegar atrás de pelo menos um queniano. Mesmo que o brasileiro Marilson Esqueciosobrenome tenha sido o primeiro a cruzar a linha de chegada na edição de 2010, o que ficará para a história é que o ganhador foi um queniano de nome estranho.

A Corrida de Reis era um evento pequeno, que paralisava algumas ruas daqui, no dia de Reis. Mas, de alguns anos pra cá ela se transformou no mais emocionante evento esportivo do planeta terra, com os maiores atletas do mundo juntos pelas ruas da maior capital do universo (sorry, Barra do Garças) do centro-oeste. E que, pra variar, tem quenianos ganhando.

São meses e meses com o falatório sobre o evento. A produção da TV que patrocina o evento deve fazer matéria com simplesmente todos os indivíduos que correrão a prova. Velhos, jovens, índios, carpinteiros, jornalistas que estarão lá invadindo as ruas de Cuiabá, por um trajeto chato em que a paisagem durante metade do caminho é capim.

E o pior. Há o reizinho. O reizinho, este maldito. O inglório mascote do evento, um cidadão que se veste com uma coroa de rei e que fica saltitando pra lá e pra cá com uma voz ridícula, chamando as pessoas para correr. É bem provável que o Reizinho seja o pai (ou mãe) do Guaraná Dollynho.

Ainda teremos hoje as matérias sobre as corridas. As imagens das malditas pessoas que resolvem correm 10 km com fantasias ridículas e cartazes. E ainda teremos a premiação em todas as categorias possíveis. Publicitário de 40 anos caolho – ganha uma medalha. Mas logo estaremos livres, sim estaremos. Mesmo que não seja para sempre.

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Novela Ronaldinho Gaúcho

Ele não cria assassinatos misteriosos como Silvio Abreu e tampouco sabe ambientar histórias em um Leblon imaginário, como Manoel Carlos. Mas, Assis, o irmão de Ronaldinho Gaúcho tem se transformado no maior noveleiro da atualidade brasileira. Criando situações de constante mistério, futuro indefinido e conflitos financeiros, ele transformou a volta de seu irmão ao país em uma nova versão de “O Direito de Nascer”.

O Direito de Nascer foi uma telenovela da TV Tupi, que sempre é injustamente citada como a mais longa novela da história. Ela durou apenas nove meses. A verdadeira recordista é Redenção, da TV Excelsior, com 2 anos. Lógico que o caso de Ronaldinho Gaúcho não tem durado tanto assim, e está ainda mais longe da duração das novelas americanas, que duram anos. Personagens nascem, crescem, se reproduzem e morrem diante dos seus espectadores. Mas é um caso tão chato quanto uma novela.

A apresentação principal do personagem poderia ser algo como: “Ronaldo é um habilidoso jogador de futebol que deixou o país de maneira conturbada em 2001. Dez anos depois ele quer voltar ao país e tem a difícil missão de escolher o melhor caminho”.

Enfim, depois de anos de sucesso, Ronaldinho Gaúcho se cansou de jogar futebol e quer apenas encher a bunda de dinheiro. Ninguém agüentava mais isso na Itália e ele resolve voltar para o Brasil. Vários times brasileiros se empolgam com a possibilidade de contar com ele no time. Sonham com as jogadas que o fizeram ser o melhor jogador do mundo. Propostas são feitas, salários superiores a um milhão por mês.

Vendo o interesse múltiplo, seu ganancioso irmão Assis passa a fazer um leilão pelo jogador. Leva quem pagar mais. Depois de o caso se arrastar por semanas, Palmeiras, Grêmio e Flamengo se mostram como os principais pretendentes a conquistar a mão de Ronaldinho. A cena final seria no Copacabana Palace, onde em uma entrevista coletiva Ronaldinho anunciaria o seu futuro. E então foi feito o anúncio: a negociação começaria apenas a partir daquele momento. É como se no casamento que marca todo último capítulo de novela, o padre anunciasse “calma gente, a novela está só começando”.

Revolta. A vontade era de mandar Ronaldinho e seu irmão para a puta que o pariu. Tal qual a novela, que muda a índole de seus personagens de acordo com a reação dos espectadores, Assis resolveu que ainda poderia ter mais audiência com a sua história.

E o que acontecerá nos próximos capítulos? Em um momento contigo, desvendamos a história.

Na semana que vem, Assis almoçará com os pretendentes. Todos os dias. Como resultado disso, ele irá engordar cerca de seis quilos.

Em uma entrevista coletiva, Ronaldinho define que desfilará no carnaval pela Unidos da Tijuca, dando sinais de que irá morar no Rio de Janeiro.

Na seqüência, Ronaldinho monta, ele próprio, uma churrascaria, para abrigar os almoços de negócios do seu irmão. Ronaldinho engorda 10 quilos. Seu desfile na Unidos da Tijuca é cancelado, mas ele é eleito Rei Momo.

No final, a causa de tanta fome será revelada: ele está grávido de Arnold Schwarzenegger, com quem se casará no estádio do Gramado Olímpico durante o último episódio, se retirando do futebol para começar uma nova vida doméstica. Andará pelo horizonte, com um som de saxofone. Em uma imagem desfocada de uma bola de futebol, os letreiros sobem e o Maestro João Carlos Martins conduz uma orquestra tocando Chopin.

Claro. Há ainda a possibilidade de que o Ministro Gilmar Mendes decida que o presidente Lula é que tem que definir o destino de Ronaldinho Gaúcho. Quem sabe o Milan aceite cedê-lo de graça, em troca de Cesare Battisti.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Rede Social

*Atenção. Este artigo não é sobre o filme “A Rede Social”. Caso você deseje ler sobre o assunto, vá pra puta que o pariu, não culpe o blog pelas suas expectativas e vá usar o Google direito, seu filho de uma puta.

As redes sociais querem te matar. Elas querem acabar com você. Extenuar-te, sugar todas as suas forças, tomar todo o seu tempo até que você termine descartado, frágil e inútil em algum canto.

As redes sociais vão te dominar. Você não conseguirá viver sem utilizá-las. Invertendo a lógica inicial, você não deve ser na rede social o que você é na vida normal. Você deve ser no seu dia-a-dia, quem você é no Facebook. O seu eu virtual é mais importante do que o sujeito que pega fila do pão e vai ao banheiro.

As redes sociais querem que você viva em função delas. Você tem que estar conectado 24 horas por dia. Você tem que ter um smartphone para acessar seu Twitter. Você tem que andar com seu notebook para enviar fotos. Você tem que estar num lugar que tenha wi-fi.

Não basta ser amigo. Tem que adicionar no facebook. Se você está conversando com alguém e ele te faz uma pergunta “viu tal coisa no facebook?” e você responda “não, eu não tenho Facebook”. Ele dará um jeito de terminar a conversa, ir embora e nunca mais falar com você até que você volta engatinhando, pedindo perdão pela sua defasagem virtual.

Não basta estar lá. É preciso estar no lugar correto. Orkut? Minta caso você ainda o tenha. Se o tiver, mantenha-o desatualizado. Esteja antenado para saber o momento em que o Twitter saíra de moda e seja o primeiro sair. O último a ficar no barco não é o capitão. É apenas um noob.

Não basta informar sua vida por lá. É preciso mais. É preciso revelar seus segredos, escancarar seus diários. Adiciona colegas de terceira série. E não basta adicionar os que lá já estão. Você é estimulado a chamar o mundo para lá.

E você informará tudo. Seu colégio, seus livros, seus filmes, seus discos. Seu time, seus lugares, seus amores. Sua senha, seu cartão de crédito, suas chaves de casa.

E você será escravizado. Terá ataques de pânico quando não estiver no site. Terá abstinência ao se manter um longo período ausente. Gastará dinheiro para se atualizar e não saberá porque. Jamais saberá o porquê.

E você jamais irá acertar. Saíra antes da hora, ou será o último a apagar a luz. Manterá perfis em sites ultrapassados e fotos comprometedoras nos porões da internet. Entrará em projetos que não vingarão e sempre será confrontado com algo que ainda não fez. As redes sociais vão te matar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Cuiabá pra Baixo

O cancelamento do Réveillon Oficial em Cuiabá e a subseqüente falta de fogos de artifício para explodir em nosso estrelado céu, acabaram por simbolizar o momento vivido pelos homens cuiabanos. O que mais vemos em nossa agradável capital são homens de cabeça baixa, que não a conseguem erguer por nada desse mundo.

No dia 27 de dezembro, veio a tona uma pesquisa da sociedade brasileira de Urologia que constatou: 44% dos brasileiros sofrem de disfunção erétil. Em Cuiabá o problema é maior, chega a 48% - recorde nacional. Sim amigos, Cuiabá é a cidade do Brasil com mais pessoas que precisam fazer uso de Viagra e seus similares. O lugar com mais impotentes sexuais. A capital nacional dos Brochas. A capital nacional da piadinha “isso é porque não me entrevistaram, heheh”.

A masculinidade deste povo já estava abalada desde a pesquisa do Globo Repórter na qual Cuiabá aparecia como a cidade na qual os homens davam menos importância para o sexo. Na época, a melhor saída era dizer “somos evoluídos. Não nos preocupamos com isso”. Agora, as coisas parecem se ligar.

Saímos às ruas para entender este fenômeno de baixa grandeza que atinge o homem cuiabano. Levantamos hipóteses. Chamamos Caco Barcelos e montamos uma equipe de jovens repórteres que deveriam sair à rua, encontrar homens comprando Viagra na farmácia e perguntar “você tá comprando Viagra? Você tem disfunção erétil?”. E quando o cidadão saísse correndo humilhado o repórter deveria ir atrás “você é brocha? Responde! Porque você tá comprando Viagra!?”.

A primeira hipótese levantada foi o calor. Será que este calor desgraçado, marca insuportável desta terra seria responsável por desanimar o povo? Difícil saber. Existem outros lugares quentes e o continente mais quente do mundo, a África, tem a maior taxa de natalidade.

Seria a nossa dieta? O pequi é ainda mais tradicional em Goiás. Peixes são consumidos no Brasil inteiro. Seria a farofa de banana? A água do Rio Cuiabá? A soja plantada em nossas redondezas? O que faz afinal, com que esse povo broche miseravelmente?

Não conseguimos resultados. As pessoas que encontrávamos na rua fugiam de nós. Outros tentavam partir para a agressão física. E logo descobrimos que brochas são fruto da imaginação. São iguais as pessoas que roncam. Lendas. Ligamos para o pedreiro Marcão e ele ameaçou quebrar sua casa quando a palavra brocha foi pronunciada. Pai Jorginho de Ogum disse que ele queria nos matar.

Mas, deixamos um aviso. Brochas de Cuiabá: deixem de se esconder. Seu problema tem solução. Procurem o famoso auxílio médico e voltem a andar de cabeça erguida.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Previsões e resoluções para 2011

Uma chuva desgraçada caia sobre a capital matogrossense nas primeiras horas da primeira tarde de 2011. O mundo parecia estar parado, comendo sobras de chester, peru, tender ou mesmo frango e assistindo a posse de Dilma Rousseff na televisão. As roupas brancas já estavam guardadas no armário até o próximo Réveillon ou até um próximo baile temático, quem sabe. Os estabelecimentos comerciais estavam todos fechados.

Mas eu não estava parado. Estava cumprindo meu compromisso de todo o começo do ano. Falar com o mago Pai Jorginho de Ogum em busca das previsões para o ano de 2011. Seguindo a tradição milenar de programas culturais, como os de Gugu Liberato e Faustão, que sempre levaram as maiores entidades futurísticas do mundo para fazer tais previsões.

É sempre um momento de ansiedade. Em 2008 ele acertou o fato de que Zagallo não morreria, o que parecia difícil na época e errou tantas outras coisas. No ano de 2009 ele conseguiu prever a lipoaspiração de Ronaldo, seu maior feito até então. Mas em 2010 não. No último ano Pai Jorginho de Ogum teve um desempenho terrível.

Cheguei até a sua casa sem avisar. Abri a porta furiosamente, acordando-o de seu sono vespertino. O velho se assustou. Fingi que tinha uma arma em meu bolso e ele se escondeu atrás do sofá assustado. Puxei o gatilho e o matei a sangue frio com três tiros. Digo, ri da situação e comecei a reclamar de suas previsões para o ano de 2010.

Recuperado do susto e limpando a baba que escorria por sua face, Jorginho disse que eu estava equivocado. Que ele havia acertado todas as suas previsões e que eu é que não sabia interpretar. Mostrei a gravação feita em vídeo com as suas promessas equivocadas e ele disse que não era ele. Olhei seriamente para o charlatão e ele se desculpou, disse que estava em uma má-fase pessoal e que pretendia se redimir em 2011. E não cobraria nada por isso.

Pediu então para anotar a sua primeira previsão. Disse-me que José Alencar iria morrer esse ano. Olhei seriamente para ele e ele então prosseguiu num falatório interminável, como se estivesse em transe. Algum dos principais pontos.

Corinthians não ganhará a Libertadores: Não este ano. Ele acredita que nenhum time brasileiro ganhará o torneio, mas que isso pode acontecer caso nenhum outro time sul-americano seja campeão.
Gretchen irá se casar com o próprio Pai Jorginho de Ogum. O vi suspirando na hora.
Dilma Rousseff terá uma popularidade menor que a de Lula.
Tragédias climáticas acontecerão no hemisfério Norte.
O técnico da seleção, Mano Menezes, irá se divorciar.
Um astro internacional virá ao Brasil e fará comentários pejorativos sobre o país.

Dei-me por satisfeito e ameacei me retirar do local. Foi a vez de Jorginho me interpelar. Achei o fato estranho. Ele me disse “e você. Eu li o blog. Você não cumpriu todas as resoluções que designou”. Achei ainda mais estranho o fato de que Jorginho havia falado aquelas palavras corretamente. Ele logo se corrigiu e voltou a falar de uma maneira esquisita.

Falei que “porra, Jorginho, conseguimos 5/9 resoluções e dessas 4 falhas duas eram impossíveis e estavam lá apenas a título de humor”. Ele não aceitou e se manteve irredutível. Disse então que neste ano cumpriríamos as promessas não cumpridas. Que substituiria a camiseta por uma... não sei, uma bermuda. E que também criaríamos uma seção “Hanz o Pansexual nos Jogos Pan-Americanos”. Apenas para mandar este velho safado para o México e porque o trocadilho é imperdível.

Com o dia já anoitecendo, levei o Cão Leproso para ver a decoração natalina da cidade e vi o sorriso em seus olhos.