segunda-feira, 30 de junho de 2014

Análise Tática: Brasil 1x1 Chile

Em 2006, este blog recém-nascido fez uma análise tática da vitória do Brasil por 3x0 sobre Gana, pelas oitavas de final daquela Copa. Em 2010, o Brasil estava novamente nas oitavas de final e venceu novamente por 3x0, dessa vez o Chile, e nós fizemos uma nova análise tática. Agora em 2014, outro jogo de oitavas de final, contra o Chile outra vez e com o mesmo juiz de 2010. O placar foi de 1x1 e nós seguiremos a tradição das análises de jogos do Brasil nas oitavas de final.

Gol Brasileiro
Cruzamento na área, Thiago Silva desviou no primeiro pau e David Luiz, abraçado com o zagueiro chileno, mandou a bola para o fundo do gol. Um lance que não requer muitas análises.

Gol Chileno
Hulk recuou uma bola displicentemente e possibilitou que Vargas roubasse a bola, dando origem ao gol chileno. Confira no detalhe, que após perder a bola, Hulk ensaiou uns passos que misturam Street Dance, com Hip Hop e capoeira. Mostrando porque segue titular da seleção.
Fifa.com

Movimentação
Confira no mapa abaixo o número de vezes e os locais em que Fred tocou na bola.

Neymar
Neymar não marcou gols, mas não deixou de lado as suas dancinhas. Podemos observar na imagem que ele participou de uma dança do maxixe com os chilenos.
Fifa.com

Pênaltis
Confira que o gol tem 17,5m². Mesmo assim, o chileno Jara, estranhamente, preferiu chutar a bola na trave. Estranha opção seguida pelo brasileiro Willian, que resolveu chutar a bola para fora.
Fifa.com

E é isso CHnautas. Após o jogo do Brasil das oitavas de final da Copa de 2018, nós voltaremos com uma nova análise tática. Aguardem.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Hinos, parte 2

A Copa do Mundo de Futebol é a melhor oportunidade que temos para observar quando um hino é bom ou não. Um bom hino tem que representar o seu país e motivar as pessoas a defenderem a pátria. Podemos perceber isso no futebol. Invariavelmente, as seleções com hinos melhores conseguem melhores resultados futebolísticos. Principalmente nos jogos de vida ou morte.

Um bom exemplo aconteceu quando Uruguai e Inglaterra se enfrentaram e aquele que perdesse estaria praticamente fora da competição. Os uruguaios começavam seu hino com “Orientais: a pátria ou a tumba”. Ou seja, estavam prontos para patrolar os seus adversários. Enquanto isso, a Inglaterra fica naquela história de “deus salve nossa graciosa rainha”. Resultado: Uruguai vence e a rainha da Inglaterra está com 200 anos e nunca viu os britânicos ganharem nada.

A Espanha caiu na primeira fase e também, pudera, o hino deles não tem letra. Cria-se aquele momento patético em que os jogadores ficam lá parados, escutando uma música, sem saber se colocam a mão no bolso, se sorriem ou se choram. Você pode argumentar que eles foram campeões da última Copa, e isso é verdade, mas eu digo que eles conseguiram conquistar o título pelo seu estilo de jogo, que tira a batalha de dentro do campo. E também porque enfrentaram a Holanda na final.

Não tinha medo o tal Guilherme de Nassau
O hino holandês é uma espécie de Faroeste Caboclo sobre a história de Guilherme de Nassau. Depois de contar sua vida e sua história em um tom litúrgico, o clímax do hino ocorre na frase “e sempre serei fiel ao Rei da Espanha”. Quer algo mais perdedor do que ser fiel ao rei do outro país? Quando em 2010, no Soccer City, os holandeses cantaram isso, constrangidos, os espanhóis sorriram com a certeza da vitória.

A França, por exemplo, coleciona um histórico de fracassos em primeiras fases do mundial. No entanto, quando eles avançam de fase costumam a chegar longe. Não é preciso pensar muito para dizer que seu hino, a Marselhesa, é a responsável por isso. Na hora do vamos ver, eles já escutam aquela melodia de guerra questionando se os jogadores deixarão que os adversários venham degolar nossos filhos e nossas mulheres, pedem para que todos peguem em armas e alimentem o solo com o sangue impuro. Ideal para patrolar o adversário.

Agora, nas oitavas de final, é que a força dos hinos deverá se impor, em jogos de vida ou morte. O CH3 analisa agora, quais países saem na frente por uma vaga nas quartas de final, pela força dos seus cânticos.

Brasil x Chile
O hino do Brasil é confuso, mas termina em um momento de glória ao país. Mas temos que dizer que o Chile leva uma vantagem. Também tem um tom contemplativo as montanhas e o céu do país, mas o final que diz que a tumba será dos livres ou um asilo contra a opressão, dá mais força.

Holanda x México
Não é preciso fazer muita força para ganhar da carta de apresentação musicada de Guilherme de Nassau. Portanto, o México leva alguma vantagem, mas uma parte do hino que fala sobre cingir as têmporas de Oliva, não ajuda muito não.

Colômbia x Uruguai
Já falamos aqui que os uruguaios tem grande vantagem porque já dizem que a única alternativa a pátria é a morte. O Hino da Colômbia é mais contemplativo, falando sobre a glória interminável e júbilo imortal.

Costa Rica x Grécia
Os costarriquenhos levam alguma vantagem. O hino dos latinos tem essa história de sempre, da terra gentil, pátria adorada e tudo mais. Já os gregos tem uma parte surreal sobre reconhecer alguém por um olhar e sobre facas feitas de ossos. Rudimentar.

França x Nigéria
Sim, não dá para competir com A Marselhesa, suas degolações e ódio puro. Mas o hino nigeriano não é dos piores, ao lembrar o trabalho dos antepassados. Há uma parte que não dá para traduzir em português, porque fica algo como: “Uma nação unida pela liberdade, liberdade, paz e unidade”. Unida pela unidade?

Argentina x Suíça
Os argentinos entram em desvantagem porque a parte do hino tocada nos jogos não tem letra e os jogadores precisam ficar com cara de bobo enquanto a torcida acompanha a melodia com vocalizações. Mas, a Suíça não tem tanta vantagem porque eles não têm hino, e sim um salmo bíblico musicado. E ainda pode ser cantado em quatro idiomas diferentes! Assim não dá pra ganhar nem campeonato de chocolate.

Alemanha x Argélia
O hino alemão é uma sinfonia de soberania. Já o hino da Argélia é ódio puro. Eles juram por um raio que destrói, pelos rios de sangue derramados, que a Argélia viverá independente de qualquer coisa. Um hino bom tem que falar em sangue.

Bélgica x Estados Unidos
Os belgas tratam seu país de uma maneira muito carinhosa em seu hino, algo como “queridinha”. Mas eles falam em sangue, e isso é uma vantagem, já disse. O hino norte-americano fala muito sobre a história deles e não passa nenhuma mensagem de medo para o adversário. Vantagem belga.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sósias

Mário Sérgio Conti não devia acreditar no que estava acontecendo. Pegou um singela ponte aérea Rio-São Paulo e, quando menos percebe, quem é que está ao seu lado, dividindo a poltrona? O técnico da seleção brasileira de futebol, Luiz Felipe Scolari. O Felipão, longe dos holofotes, dos microfones. Uma entrevista exclusiva de meia hora, dentro de um avião. A reportagem, é claro, ganhou destaque nos jornais em que trabalha.

O problema, vocês já devem saber, é que não era Felipão que estava naquela ponte aérea e sim, um sósia seu. O fato entrou para a história do jornalismo brasileiro, principalmente por conta da errata mais engraçada de todos os tempos. “Ao contrário do que foi publicado no jornal ontem, o colunista Mário Sérgio Conti não entrevistou Luiz Felipe Scolari e sim um sósia do treinador”.

Entrevistar sósias de celebridades não é exatamente uma novidade. O Globo Esporte, por exemplo, faz isso toda semana, levando sósias de qualquer jogador para andar em Copacabana e distribuir autógrafos para grupos de retardados que nem sabem direito quem é, mas se está participando de uma reportagem da Globo, é porque é importante.

A novidade introduzida por Conti é publicar a entrevista com um sósia como se fosse verdadeira. Uma ideia, mesmo que involuntária, que faria Hunter Thompson morrer de inveja. Uma espécie de pós-jornalismo gonzo que, se virar tendência, pode revolucionar o jornalismo. A Dilma não quer falar sobre a Petrobras? Entreviste a sósia dela, publique e derrube um governo.

Há um fantástico e inexplicável mercado de sósias. Pessoas que se acham parecidas com algumas celebridades e então, inacreditavelmente, ganham dinheiro com essa suposta semelhança. Como? Participando de eventos. Veja bem, eu não pagaria para ter o Felipão na confraternização da minha firma, então, porque é que eu pagaria para ter um sósia do Felipão nesta mesma confraternização? Para as pessoas tirarem foto e fazerem uma graça no Facebook? Sim, eu sei que esse é o sentido da vida para muita gente – tirar fotos e fazer graça no Facebook do tipo “olha só quem apareceu aqui kkkkkk” e os amigos comentando “ké iso tá famoso kkkkk”.
Você ainda pode, por engano, entrevistar um sósia do técnico espanhol Vicente del Bosque, achando que na verdade ele era o Felipão

O pior sobre os sósias é que, na grande maioria dos casos, eles não se parecem em nada. Qualquer cidadão de olhos claros, careca e de bigode já se diz sósia do Felipão. Fez um penteado escroto? Sósia do Neymar. Pessoas que só são interessantes para reportagens do Globo Esporte, programa do Faustão e, estranhamente, as já citadas confraternizações corporativas.

Seguindo a tendência contiana de jornalismo, um sósia deste jornalista que vos escreve, entrevistou uma sósia da cantora Shakira, que esteve em Cuiabá para acompanhar o jogo da sua Colômbia contra o Japão.

Shakira, do you like Brasil?
Si, me gusta mucho Brasil. Un pais mucho impressionante, com muchas personas alegres e simpáticas, muy interessante. En Cuiabá jo goste bastante del baguncinha.

Do You Like Blog CH3?
Si, un blog mucho interessante com muy buenas postagens e que realmente ES mucho Bueno.

Sim, nosso sósia confunde um pouco os idiomas.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Retrato do CH3 com 64 anos

Vinícius Gressana™ morreu aos 77 anos, em 2062, vítima de uma alergia a geleia. Seu corpo foi encontrado besuntado em uma cama e a família tentou esconder o fato, mas, nessa época, a privacidade é algo impossível. A morte do maior cartunista do Brasil acendeu a polêmica sobre o seu passado e muitas pessoas discutem se ele já fez desenhos erráticos sobre a Turma da Mônica e criou um personagem pejorativamente conhecido como “Cão Leproso”.

O Museu Gressana™, localizado em Primavera do Leste, dedicou um totem ao blog CH3, o que atraiu alguns visitantes para o site. Esses visitantes encontram quase 10 mil posts, sendo que os últimos, escritos por um tal de Guilherme, tratam de internações em hospitais, relacionamento com enfermeiras e como os amigos dos seus bisnetos acham superdivertido que ele tenha o último blog da internet. Em um dos posts, Guilherme diz que “ter um blog hoje em dia é igual a ter uma fita VHS na minha juventude”, numa referência a um método rudimentar de gravação de vídeos.

O CH3 ganhou algum destaque nos últimos anos. A ironia foi oficialmente proibida em 2048 e, assim, vários textos antigos do blog acabaram se transformando em verdade. Hoje, muitas pessoas acreditam que balões primitivos eram feitos com bexiga de porco, que o Marechal Deodoro era um poeta concretista e que Neil Armstrong foi o primeiro trompetista a pisar na lua.

Para quem não sabe, o CH3 foi um blog formado em 2006 por Vinícius Gressana™ e Guilherme Blatt. O blog contou com vários personagens como o publicitário estelionatário Tackleberry, o vidente Jorginho de Ogum, o pedreiro Marcão e o polêmico Cão Leproso.

Em dos seus últimos posts, feito no mês passado, Guilherme se diz preocupado com os rumores de que a internet chegará ao fim, sendo substituída pela realidade virtual. Afirma que o CH3 irá resistir até o último momento e atesta que está muito velho. Realmente.
Em tempos antigos, o blog chegou a lançar bonecos em isopor de Alfredo Chagas

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Retrato do CH3 com 32 anos

Contrariando todos os prognósticos, o CH3 seguiu na ativa em 2038. Guilherme, agora com 51 anos, segue na ativa com um post semanal. Recentemente o blog virou uma atração nacional ao completar 30 anos e se transformar no blog mais antigo ainda em atividade. Na década anterior, os textos foram praticamente banidos da internet, a comunicação é feita preferencialmente por rabiscos e grunhidos.

O leitor precisou se acostumar a morte de Pai Jorginho de Ogum e Hanz, o Pansexual. Ou nem tanto. A maior parte dos leitores é formado por estudantes que caem no site buscando trabalhos de filosofia (pois é, algumas coisas nunca mudam) e não tem a menor ideia de quem foram esses personagens.

Os textos atuais se focam em assuntos como: pegar os filhos de madrugada nas festas, as amizades dos filhos, as pessoas que frequentam farmácias e amizade com médicos. Melancólico, como a vida.

Tackleberry, quem diria, nunca mais voltou das Bahamas e algumas pessoas chegam a dizer que ele, na verdade, jamais existiu. Pelo menos é o que alguns supostos parentes tentam emplacar, sabe-se lá por quais motivos. Vinícius Gressana é o cartunista mais famoso do Brasil e é visto frequentemente fumando charutos e utilizando ternos de seda em festas da alta sociedade. Seis anos atrás, ele entrou com um processo na justiça para tentar retirar todos os desenhos do Cão Leproso na internet. A descoberta deste personagem politicamente incorreto derrubou as ações do Estúdio Gressana.
Justin Bieber voltou ao Brasil, participou de um baile funk e o seu cadáver precisou sair enrolado em um lençol

domingo, 22 de junho de 2014

Retrato do CH3 com 16 anos

No ano de 2022 o mundo é muito diferente, e como não poderia deixar de ser, o CH3 também está diferente. Os personagens mudaram muito e estão abatidos pelo tempo implacável, exceção feita ao Cão Leproso que é um desenho animado.

Tackleberry segue em seu interminável exílio nas Bahamas, e dizem que está multimilionário, realizando campanhas eleitorais na América Latina. Vinícius Gressana acaba de lançar a sua própria editora de quadrinhos e foi escolhido para desenhar a logomarca da Copa de 2022. Sim, a Copa de 2014 fez tanto sucesso que a FIFA resolveu levar o torneio para o Brasil de novo, oito anos depois.

Guilherme ainda faz o blog continuar vivo, com duas postagens semanais. Os temas mudaram, e podemos ver vários posts sobre a vida de casado, problemas da meia-idade e a criação dos filhos. As festas infantis das crianças são assunto recorrentes. Não custa lembrar que todos agora tem mais de 35 anos.

O CH3 já ultrapassou a incrível marca de 2 mil postagens e o último comentário foi feito em abril de 2019. Mas o blog segue vivo, porque um post sobre trabalhos escolares está fazendo um sucesso danado no Google.

A última vez que Tackleberry foi visto, ele utilizava estes óculos. Dizem que é moda nas Bahamas

sábado, 21 de junho de 2014

Retrato do CH3 com 8 anos

Quem seria capaz de dizer, lá em 2006 quando esse blog foi criado, que oito anos depois ainda estaríamos aqui? Com três post semanais, abordando assuntos variados das mais diversas formas? Acredito que ninguém apostaria nisso, mas isso não significa muita coisa. Duvido que, quando o primeiro ser humano levantou e começou a andar, alguém apostaria que aquilo iria longe. Devem ter dito que seria uma perda de tempo.

Esse blog segue firme e forte nos seus princípios fracassados, um bastião da imoralidade que reina nesse país. Os posts passam por alguns períodos terríveis, mas até o Leonardo Da Vinci já deve ter desenhado uns garranchos nos seus piores dias. Até o Rafinha Bastos já deve ter sido engraçado nos seus piores dias.

Tempos atuais, em que Vinícius Gressana alcançou seu merecido estrelato mundial, com seus desenhos cada vez melhores. Tempos em que Tackleberry deve permanecer nas Bahamas, nos dando a certeza de que ele desviou muitas verbas do blog. Pode não ser o melhor dos tempos, mas tenho certeza de que já existiram épocas piores. Podia ser melhor, mas podia ser pior. Esta é a velha dualidade que rege o universo. (Creio que isso aconteça porque eu bloqueei os comentários anônimos, então não tem mais ninguém me acusando de ser um falido, invejoso ou algo parecido).

Com o tempo o blog muda sua temática. Os tempos de faculdade já estão longe e os assuntos relacionados ao trabalho ganham espaço. O tempo passa torcida brasileira.

Estamos em 2014, esse blog completa oito anos e nunca viu o Brasil ganhar uma Copa. A Sadia faz alguma propaganda sugerindo que a seleção brasileira jogue por nós? Com certeza não. Mas isso não importa. O CH3 completa oito anos não se importando com nada e com a certeza de que, enquanto existir um mísero assunto que mereça ser malditamente abordado, este blog vai continuar respirando.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Retrato do CH3 com 4 anos

Depois de um período glorioso, o CH3 entrava numa ressaca sem fim, que jamais terminou até os dias de hoje. Era como se o blog tivesse misturado cerveja, vinho, espumante, uísque, tequila, saquê, gim, licor de uva, licor de nozes, licor de pequi, campari, vodca, conhaque, pisco, cachaça, absinto e aquela maldita azeitona do Dry Martini fez um mal danado.

Aos poucos eu me vi sozinho com um blog de três anos para criar, tinha 23 anos e não sabia se eu estava preparado para isso. Poderia ter abandonado o blog a doação, ter inventado matérias com sósias... bem, acho que isso já foi feito mesmo por aqui.

O ano de 2010 ficou marcado por uma cobertura interminável sobre a Copa do Mundo e a responsabilidade de manter o blog com postagens dia-sim-dia-não me fez criar o hábito de anotar ideias no bloco de notas do celular, por vezes acordava de um sonho e o anotava para ser usado posteriormente. Bem, em alguns casos não dava em nada. De certa forma, digo que hoje o blog ainda é o mesmo blog que era nessa época.

Nessa época eu era desempregado, Vinícius Gressana era escravizado em uma agência publicitária e dedicava seu tempo livre ao Guitar Hero e a besuntação. Tackleberry por outro lado, já estava nas Bahamas de onde nós nunca sabemos direito se ele já voltou ou não na timeline do blog.

Quem entrava nessas bandas geralmente se dispunha a deixar algum comentário dizendo que o post estava altamente equivocado em suas opiniões. Deixamos vários projetos, como as lendárias camisetas CH3, para trás.

Aliás, pelo menos um projeto foi para frente, mesmo que por pouco tempo. O Podcast CH3 surgiu das trevas em quatro edições, sendo que pelo menos duas foram excepcionais e estão entre as melhores coisas que a internet já produziu em todos os tempos.
Polvo Paul voltou, pra dizer que te despreza

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Retrato do CH3 com 2 Anos

Vemos os posts daquela época e podemos perceber que estávamos no auge. Éramos como o Michael Jordan em 1992, Michael Phelps em 2008, Michael Schumacher em 2002, Michael Corleone no primeiro Poderoso Chefão. Todos os três membros participavam ativamente e nenhum assunto escapava do nosso olhar. Programas de televisões, o mundo animal, fetiches, piadas toscas.

Éramos estudantes preocupados com as nossas monografias e o saguão do Instituto de Linguagens da UFMT era uma fonte eterna de inspiração. Nossos colegas de sala liam o blog, Bruno Mangabeira fazia propaganda gratuita sobre nossos textos, e sim, não podemos negar. Era uma época em que acreditávamos que um dia poderíamos ganhar dinheiro com o CH3. Que um dia seríamos milionários desfilando em iates por essas cidades cantadas em músicas ostentativas.

As postagens estavam regularizadas no famoso esquema dia-sim-dia-não e cada membro sabia quando precisaria postar. Não é a toa que decidimos criar a Semana CH3, uma semana inteira com postagens especiais para marcar os dois anos do blog. Os temas foram pautados em uma folha, escrita no lendário banco do saguão do IL e todos se prepararam.

Nossos posts recebiam mais de cinco comentários e tínhamos admiradores espalhados pelo Brasil. Um texto sobre o Brasil nas Olimpíadas virou um hit nacional e era possível ver algum futuro nisso aqui. O visitante de então, que olhasse o blog, não teria dúvida de que alguma coisa acontecia por aqui. Ou será que não?
Stripers, cachorros sem braço. Retrato da euforia da época. Percebam com o traço de Vinícius Gressana evoluiu. 

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Retrato do CH3 com 1 ano

Caros CHnautas, a hora chegou. O CH3 completará inacreditáveis 8 anos no próximo sábado e, como já é tradição, teremos a nossa Semana CH3, com postagens todos os dias. Neste ano, vamos falar sobre o passado, o presente e o futuro do blog. Acompanhem.

O CH3 chegou ao seu primeiro aniversário num momento ruim. Após aquele deslumbramento inicial, seus membros começaram a pensar em outras coisas para fazer. Para se ter uma ideia, o post sobre o aniversário de um ano foi apenas o 18º do ano, sendo que apenas um foi de Vinícius Gressana. A postagem mais machista da história desse blog.

Nos dividíamos em assuntos variados, como montagens, besuntação, papibaquígrafos e artigos científicos falsos. Todos os personagens já estavam aqui, com exceção do Hanz, o pansexual, que surgiria apenas no final do ano – culpa do Tackleberry.

No campo pessoal, todos os membros do CH3 eram solteiros que curtiam a vida adoidado. Bem, isso é uma mentira, mas todo post do CH3 sempre tem uma informação falsa. Éramos estudantes de comunicação social e nosso público estava lá naquele Instituto de Linguagens da UFMT.

O visitante do blog imaginaria que éramos aquele típico blog que começa animado, depois de desmobiliza. Todos poderiam imaginar que em um ano isso aqui seria um defunto exposto, uma cidade abandonada na rede mundial de computadores. Mas eles estavam errados.
Foto da época, do post sobre a saga dos Benga Boys.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

O Mistério de Hugh Jackman

Hugh Jackman é um ator australiano famoso por seus papeis em musicais, como Os Miseráveis e também por ser o Wolverine, o herói mais popular dos X-Men. Como todo mundo nesse mundo moderno, ele tem um Instagram e seu perfil é seguido por mais de 700 mil pessoas.

Na quarta-feira, dia 11 de junho, ele utilizou sua página para postar uma foto dele, careca e de cavanhaque, utilizando uma camisa da seleção australiana de futebol. Ele dizia “Come on Aussies! Come on @Socceroos!” uma manifestação de apoio ao selecionado de seu país que dois dias depois iria estrear na Copa do Mundo do Brasil, jogando em Cuiabá, contra o Chile.

Logo, chegou-se a conclusão de Hugh Jackman viria ao Brasil para assistir a partida. E mais, que ele estaria em Cuiabá para acompanhar o encontro. O boato tornou-se notícia e logo as mulheres cuiabanas entraram em desespero. Ele teria ficado no Hotel Gran Odara, onde as celebridades convidadas pela FIFA se hospedam na cidade.

Funcionários do Hotel teriam confirmado que Hugh Jackman ficou hospedado por lá, mas, misteriosamente, não foi reconhecido por ninguém. Ele teria pedido serviço de quarto, ficando enclausurado no seu apartamento durante o tempo em que permaneceu em Cuiabá. Ou não. Dizem que ele foi visto fazendo comprar no supermercado BigLar, localizado em frente ao hotel.

Na sexta-feira do jogo, alguns turistas australianos confirmaram que ele almoçou no restaurante Choppão, um dos mais tradicionais da cidade. No entanto, ele também foi visto almoçando no Lelis e no Cacalo, duas peixarias daqui. Sim, o cara não é o Wolverine a toa, ele precisa almoçar três vezes por dia.

Curiosamente, ele não foi reconhecido por nenhum brasileiro. O que mostra que Cuiabá é um lugar em que os famosos podem andar livremente por aí, sem serem reconhecidos. Quer ter um pouco de paz e privacidade? Venha para Cuiabá.

Jackman foi então a Arena Pantanal e viu seu país ser derrotado pelo Chile. Pessoas afirmaram que viram ele na Arena, mas ninguém confirmou o fato. E aí, então, entra o mistério da situação.

Ele não foi fotografado nenhuma vez durante sua estadia na cidade. Nesse mundo em que as pessoas têm câmeras potentes em seus celulares e que imagens se espalham pela internet rapidamente, Hugh Jackman não foi clicado nenhuma vez em solo cuiabano. Isso é praticamente um sinônimo de que ele não esteve por essas bandas ou que em Cuiabá as pessoas realmente não estão nem aí para as celebridades.

Ou será que Hugh Jackman andou por aqui com um conjunto de óculos e perucas? Que ele realmente é o Wolverine e que o Adamantium trava as lentes das máquinas? E porque, afinal, ele teria ido almoçar em três lugares no mesmo dia? E porque ele não postou nenhuma foto por esses lados e no dia seguinte já estava na Flórida.

A passagem do Hugh Jackman por esses lados será uma eterna lenda urbana.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Quem vai ganhar a Copa do Mundo?

Na tarde desta quinta-feira, a equipe do CH3 se reuniu na Casa de Diversão Noturna Carnicentas para assistir a estreia brasileira na Copa do Mundo de Futebol. Bem, quase todos. Vinícius Gressana preferiu ficar trancado no quarto dele e Tackleberry estava no camarote vip da FIFA em Itaquera.

Além de confraternizar com os amigos, aproveitei a oportunidade para perguntar a Pai Jorginho de Ogum quem seria o campeão da Copa.

Como sempre, cheguei até a Carnicentas com alguma antecedência. Neguei uma série de petiscos que me foram oferecidos, por uma questão sanitária. Enquanto a pavorosa cerimônia de abertura era exibida, fui criando aquele clima para fazer a pergunta decisiva para Pai Jorginho de Ogum. No momento em que Jennifer López e um rapper afetado ascenderam do inferno para cantar uma música horrível eu perguntei:
- Pai Jorginho de Ogum, quem será o campeão da Copa?

Pensei que ele iria criar aquela série de factoides de sempre, jogar uma partida de truco, virar uma garrafa de cachaça, revirar os olhos e balbuciar palavras inteligíveis. Ele apenas terminou de mastigar uma asinha de frango que ele comia, bebeu um gole de água e disse secamente:
- O Brasil.

Ficamos em silêncio. Fiquei esperando que ele enfeitasse sua previsão, que desse alguma explicação estapafúrdia. Enfim, que ele fosse Pai Jorginho de Ogum. Ele ficou me encarando com cara de que não sabia o que é que eu queria.
- Só isso?
- Como só isso? O Brasil será o campeão do campeonato mundial jogado no Brasil. É o maior evento dos últimos 64 anos.
- Mas, essa é uma opinião sua ou é uma previsão?
- Você sabe que no meu dicionário, opinião e futuro tem o mesmo significado.

Achei aquilo muito estranho. Jorginho nunca é tão confiante em suas previsões. Geralmente prefere ficar tergiversando e dando opiniões genéricas. Esperava que ele dissesse algo como “O Brasil é favorito, mas não podemos descartar Argentina e Alemanha. Holanda, Espanha, Itália e Uruguai também vêm forte, mas não podemos nos esquecer, porque não, da França, da Colômbia e da Bélgica”.

Pensei se Jorginho tinha incorporado o espírito do Polvo Paul, ou algo parecido. Ainda estava refletindo quando a partida começou. Vimos Marcelo marcar um gol contra logo no começo e o pedreiro Marcão começar a chorar. Neymar empatou e o jogo estava duro, a tensão estava refletida na cara do Cão Leproso.

Até que, em um lance inofensivo, Fred se jogou no chão e apenas Jorginho de Ogum disse “pênalti”. Aliás, apenas Jorginho e o juiz japonês. O replay mostrou que não foi nada, mas Jorginho continuava impassível. Neymar cobrou e virou o placar. No final da partida, Oscar confirmou a vitória, 3x1.

O jogo terminou com Marcão gritando “É équissa, É équissa”, enquanto um clima de ressaca moral se abatia sobre todos os presentes. Menos Jorginho de Ogum, sempre confiante. Assisti o começo do pós-jogo e já estava indo embora quando Jorginho de Ogum atendeu um telefonema. Antes de fechar a porta o escutei falando, me parecia em japonês.

“Shizuka ni watashi no yūjindesu. Anata wa tadashī subete o shita. Ima wa 6 shiai ga arimasen. Kappu wa ima wareware no monodearu”.

Achei estranho.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Guia CH3: Como assistir à Copa

Teoricamente, assistir a Copa do Mundo não é algo muito difícil. Você precisará apenas de um ou dois olhos, e de um aparelho televisor. Este aparelho deverá estar sintonizado em um canal que esteja transmitindo uma das 64 partidas do torneio. Alertamos que você deve assistir um jogo de cada vez, para tornar a compreensão mais fácil.

Uma vez que a televisão está sintonizada, você deve olhar para ela. Esta é a parte mais importante do processo. Não desligue a TV, não mude de canal e não fure os seus olhos, ou você correrá o risco de não assistir a Copa do Mundo.

Viu como é fácil? Ah sim, a televisão você pode comprar em uma loja especializada do ramo. Os olhos vieram com você de nascença. Você também pode comprá-lo em uma loja especializada, mas vai ser bem caro. Vai custar os olhos das caras.

Agora, o que é difícil é entender a Copa do Mundo. Entender o que esses caras estão fazendo correndo atrás de uma bola, porque tem três caras com roupas diferente que nunca tocam na bola, quem está mais perto de conseguir seus objetivos, quem tem um bom time, quem não tem, que jogador vai jogar bem e quem não.

Se você tem essas dúvidas, então, eu lhe recomendo ler este guia. O Guia CH3 da Copa traz todas as informações que você precisa saber para ficar por dentro desta grande competição. Imprima-o em folhas A4 e ande com ele para cima e para baixo. Você vai saber como os times jogam e quem vai vencer a Copa. Ok, exagerei um pouco.




Agora, se você quer saber como se comportar na Copa do Mundo, se gritar gol é de esquerda ou se é de direita, sugiro que você vá a merda.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Whatsapp – Ferramenta do Demônio

Você talvez não tenha vivido essa época, mas houve uma era em que o MSN era a coisa mais importante da vida das pessoas. Você chegava em casa após um dia no colégio, ou na faculdade e entrava no computador. Todos seus amigos estavam lá, online e você passaria horas conversando com eles, trocando músicas aleatórias, vídeos divertidos em downloads que demoravam algumas horas até serem salvos em uma pasta específica.

Se alguém não aparecesse no MSN em alguma noite, precisaria de uma boa explicação no dia seguinte. Que fosse o aniversário da sua mãe, o velório de alguém, que você tivesse participado de alguma coisa muito importante para não ter entrado no Messenger no dia anterior. Às vezes, se você tinha algum compromisso, depois passava lá apenas para dar um oi e mostrar que estava tudo certo.

Criar um MSN era criar um personagem. Você escolhia o jeito que seu nick seria exibido, a sua foto de exibição, a cor da sua letra. Psicólogos seriam capazes de definir o seu perfil com dois minutos de conversa. O MSN foi, também, o mais importante meio de difusão do internetês, esta praga.

O MSN contava ainda com os chats. Conversas entre vários usuários que normalmente saiam do controle. Você convidava seis amigos e logo outras pessoas iam entrando e quando você saía, a conversa continuava até que o último sobrevivente fosse dormir.

Como tudo nesse mundo moderno, o MSN foi perdendo popularidade até chegar àquele ponto em que ele passa a ser ridicularizado. Foi descontinuado e mesclado com o Skype. Seu legado se perdeu. Ou não.

O aplicativo Whatsapp é um legítimo herdeiro da vida e obra do MSN. Os dois são consistidos basicamente da mesma matéria: trocar mensagens com amigos. Com a diferença que no MSN você escolhia a hora em que entrava no computador, enquanto que no Whatsapp você fica disponível 24 horas por dia e é cobrado se não der uma resposta imediata aos seus amigos.

Para mostrar que o Whatsapp descende do MSN, ele também possibilita a ferramenta de conversa por grupos. Tal qual no antigo programa de mensagens, você é inserido forçadamente em um grupo com pessoas que você conhece, ou conviveu algum tempo atrás.

Só, que há uma grande diferença. No MSN, você estava ali apenas para isso e aquilo iria terminar no momento em que você desligasse o computador. No Whatsapp não. Aquilo nunca vai terminar. Nunca vai terminar. Nunca.

Provavelmente já aconteceu com você, usuário dessa tecnologia. Você ficou offline por umas duas horas porque estava dormindo, dentro de um avião, ou mantendo relações sexuais com outra pessoa. Quando pegou seu celular novamente percebeu que haviam 781 mensagens novas em dois grupos. Pelo menos 418 mensagens consistem em vídeos de gatinhos cantando ou imagens com Jesus desejando alguma coisa para sua vida, enquanto que o resto são apenas risadas e mensagens de amém.

Se você não desativar automaticamente o download automático de mídia, seu celular irá explodir em pouco tempo. O Whatsapp é uma importante ferramenta sendo utilizada pela máfia mais perigosa que existe, que é a máfia das pessoas que não tem o que fazer. Assim sendo, ele é o ambiente propício para divulgação de boatos falsos. Apenas nos últimos meses, o 13º salário já foi extinto, uma epidemia de ebola e de H1N1 atingiu o Brasil. As pessoas compartilham isso de maneira indiscriminada. O Whatsapp é tão instantâneo que não há tempo para refletir e conferir se você está compartilhando alguma bobagem. Acredito que qualquer dia irei receber aquela mensagem do cara que acorda na banheira de gelo.

Por isso, não tenho dúvidas para afirmar: o Whatsapp é uma ferramenta do demônio.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Padrão Fifa


O Padrão Fifa é uma expressão que se popularizou no Brasil a partir dos protestos de junho do ano passado. Esse padrão consiste numa série de medidas que vão desde o tamanho dos encostos das poltronas, dos telões, da grama, das traves, dos degraus de acesso ao vestiário. Enfim. O Padrão Fifa é uma coisa que deixa a vida muito mais programada e monótona.

Os manifestantes que foram as ruas ano passado pediam a construção de hospitais e escolas no Padrão Fifa, sem perceber que isso implicaria em custos bilionários, com macas superfaturadas, carteiras almofadadas e enfim. Padrão Fifa é sinônimo de preços altos.

Pois, se há um lugar em que o Padrão Fifa chegou com força é no restaurante. Hoje em dia você não consegue comer fora de casa sem se endividar e entrar para o SPC/Serasa.

Dia desses, eu fui almoçar em um shopping de Cuiabá, cujo nome faz referência a um ecossistema de Mato Grosso. Fui com minha namorada até um restaurante, cujo nome faz referência a uma iguaria italiana e uma forma mineral. Esse estabelecimento já é famoso por ter preços mais salgados do que os seus concorrentes. Mas, mesmo assim, me assustei quando vi que um filé à parmegiana individual custava R$ 33.

O preço era assustador pelo fato de que outros restaurantes na mesma praça de alimentação cobravam R$ 20 pelo mesmo prato. Mas o mais assustador era que até bem pouco tempo antes o mesmo restaurante vendia esse filé por R$ 22. Aumento praticamente instantâneo de 50% no preço, aumento verificado em todos os itens do cardápio.

Em outro restaurante, paguei mais de sessenta reais por um prato de arroz, feijão e paçoca. Duas cervejas e uma porção de batata frita saí por cinquentão. Uma cerveja e dois pedaços de pizza por incríveis R$ 22. Um sanduíche com ingredientes frescos custa trinta reais. E você sente saudade do tempo em que fazia uma refeição de príncipe com apenas dez reais.

Viver hoje em Cuiabá é viver com preços que até outrora eram praticados apenas em cidades ridiculamente turísticas, como Campos de Jordão. Não quero nem imaginar quanto é que está custando uma bola de sorvete por lá agora. Imagino que supere a casa de 40 reais.

Imagino que esses preços irão cair daqui a pouco, quando a Copa do Mundo acabar. Por enquanto, o que aconteceu foi a união do Padrão Fifa com o jeitinho brasileiro. Diárias em hotel durante o período da Copa do Mundo duplicaram, taxistas triplicaram o valor das suas corridas, tudo está incrivelmente mais caro para explorar os estrangeiros que virão até aqui.

Imagino, no entanto, os efeitos colaterais desses preços. Imagino o turista japones que vai falar com seus amigos que o Brasil é bonito, mas é caro pra caramba. Que você paga fortunas para dormir em hotéis ruins, para comer comida ruim e tudo mais.

Atenção: Este post não apresentou Padrão Fifa.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A História das Copas do Mundo

A Copa do Mundo é um evento muito especial para o CH3. Foi ali, no advento da cabeçada de Zidane, do Ronaldo Gordo e do Felipão tramando uma guerra civil contra os Holandeses, que esse blog surgiu. Moldou nosso caráter.

Em 2010, publicamos uma série de posts sobre a história da Copa do Mundo, depois reunidos na forma de uma revista especial. Agora, em 2014, para marcar o início da cobertura do CH3 da Copa, reeditamos esse especial. Corrigimos alguns erros, incluímos outros, atualizamos a ortografia e adicionamos o texto sobre a Copa de 2010. O resultado é o de sempre, com o Padrão CH3 de qualidade.

Façam um bom uso.


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Na estrada com os Benga Boys

Zé Coveiro sai do palco exausto. Se apoia sobre uma bancada, abre uma garrafa de Jamel e vira 970 ml de cachaça de uma vez só. A cena pode assustar os desavisados, mas é normal para os fãs do Benga Boys. O grupo mais visceral do Hardcore mundial havia acabado de se apresentar no bar Underdog, durante o Hellywood Festival.

A apresentação durou 20 minutos, tempo suficiente para a banda enfileirar 43 músicas próprias, numa apresentação típica. O lugar e o público eram maiores do que os que a banda costuma a frequentar, mas isso não intimidou o grupo, que em dias terríveis chegou a tocar em trios elétricos em Salvador. “Nem me lembre desse maldito tempo, porra”, disse Coveiro.

Os tempos atuais são bons. Enquanto os Benga Boys permaneceram no palco, era possível escutar o bom e velho barulho dos ossos se quebrando e os gritos de dor e êxtase vindo da plateia. “A vitória já é nossa velho, fudemo com essa porra toda” disse o baixista Pedro Tolete, um tanto quando exaltado. “As outras bandas só tem bichinha, um povo grunge, hipster, emo, tudo veado”.

Ao final de todas as apresentações, um corpo de jurados iria eleger a banda vencedora do Hellywood Festival. Os ganhadores receberiam 10 mil reais para gastarem com o que quiserem. Perguntei a Zé Coveiro se ele já planejava o que iria fazer com o dinheiro e ele disse que não. “Planejamento é coisa de gente vendida ao sistema. Vamos gastar o dinheiro do jeito que der”.

A medida que as bandas iam subindo no palco, Zé olhava com desprezo. “Não se fazem mais bandas como antigamente. Em 1991 nós tocamos num festival na UFMT e os sobreviventes saíram de lá diretamente para derrubar o FHC. E olha que eu apanhei porque falaram que nossa música era de viado”.

Perguntado se eles estavam planejando lançar um disco novo, Coveiro foi agressivo. “Já não disse que não planejo nada, porra”. De fato, os discos do Benga Boys nunca são planejados, eles simplesmente acontecem. “Mas vou te revelar um negócio. Assim que eu terminar o reboco de uns muros lá no Pedra 90 nós vamos gravar um disco”. Perguntei se as letras já estavam prontas e ele me disse que não. Que ele sempre canta o que vem na sua cabeça na hora. “Depende do seu sentimento”, perguntei. “Porra nenhuma. Hardcore não tem sentimento”.

Os gritos na plateia aumentaram. Um vocalista de uma banda foi julgado Emo e justiçado pelo público presente. Um cidadão barbudo carregava duas costelas com um sorriso e sangue espalhado no rosto. “Ele teve o que mereceu”, afirmou o vocalista dos Benga Boys.

O dono do Underdog subiu ao palco para anunciar o vencedor do prêmio de 10 mil reais. Ninguém tinha dúvidas de que os Benga Boys seriam os campeões. E eles foram. Teriam dez mil reais para gastar com o que quisessem, sem planejamento. Mas os gritos de Pedro Tolete indicavam alguma coisa.
- Vamo pro puteiro! Vai faltar cachaça em Cuiabá!