segunda-feira, 31 de maio de 2010

Grandes nomes da história (7)

Max Gehringer

O paulista Max Gehringer nasceu de maneira prematura em 1949. Seus pais estavam discutindo sobre quem deveria lavar a louça do almoço e ele resolveu sair logo para conciliar o problema. Seu parto antecipado preocupou as enfermeiras, que temiam complicações para a sua saúde. Mas, logo Max explicou como administrar o problema e todos foram tranqüilizados.

Teve uma infância notória. Com um ano de idade, ele estava no Maracanã cobrindo a final da copa de 1950. Ele tentou avisar que havia um jogador uruguaio solto na ponta direita. Ninguém quis escutar o bebê falante. Triste erro, o Brasil perdeu.

Com apenas cinco anos ele ingressou no curso de administração da universidade Harvard. Foi a primeira de suas vinte e seis graduações consecutivas, que ele concluiu em apenas 15 anos. Ele tinha algum segredo para conciliar o tempo.

Ainda novo nos EUA, ele encontrou um caminhoneiro bêbado tocando um violão desafinado em um posto de gasolina. Max arrumou o violão e lhe ensinou alguns acordes. Resolveu o chamar para a gravadora na qual estagiava. Esse caminhoneiro se chamava Elvis Presley.

Na sua juventude, ele se destacou esportivamente. Era pivô dos Los Angeles Lakers, rebatedor dos New York Yankees e quarterback dos Pittsburgh Steelers. Para que ele pudesse participar de todos os torneios ao mesmo tempo, ele mudou o calendário norte-americano. O seu modelo existe até hoje. Ainda nessa época, ele recusou um convite para ser o camisa 10 do Brasil na copa de 1958, porque tinha que defender a tese de seu segundo doutorado. No entanto, ele sugeriu que convocassem o jovem Pelé para o seu lugar. O garoto era seu reserva no time de bairro.

Passou alguns anos se dedicando a projetos espaciais na União Soviética e nos Estados Unidos. Fez questão de ir a lua apenas para filmar Neil Armstrong descendo no solo lunar.

De volta ao Brasil no ano de 1970, ele foi chamado para ter uma conversa com o técnico do Brasil, Zagallo. Resolveu uma dúvida do treinador: como conciliar Pelé e Tostão no ataque. A seleção brasileira foi campeã.

Neste mesmo ano, ele foi chamado para conciliar uma briga entre quatro rapazes de Liverpool. Infelizmente, o problema envolvia mulheres e ele não conseguiu evitar que os Beatles acabassem. Decepcionado, resolveu se dedicar a filosofia. Em poucos anos, era professor em Paris, Frankfurt e Moscou.

Max ficou ausente durante os anos 80, o que explica o surgimento das ombreiras e o sucesso do Duran Duran. No final de 1989 ele foi chamado para resolver um pequeno problema entre duas nações que eram separadas por um muro. Ele deu a sugestão de que o muro fosse quebrado. A sugestão foi aceita e como resultado o comunismo acabou. Durante a cobertura do evento, ele conheceu o jornalista Pedro Bial, preocupado com o tempo. Disse palavras que marcaram a vida de Bial: “use protetor solar”.

Logo depois ele escreveu sua autobiografia, que até hoje é usada em colégios como livro didático da história da humanidade. O livro fez tanto sucesso, que ele comercializou os direitos de filmagem de sua obra para um jovem cineasta, que arrumou a inspiração para filmar Forrest Gump.

Passou a administrar várias empresas ao mesmo tempo. Em 1999 ele desistiu de tudo para dar palestras. Como resultado, uma crise econômica mundial começou nesse ano.

Suas palestras versavam sobre administração, filosofia, futebol, astrofísica, paleontologia, odontologia... Depois de ser eleito por oito anos consecutivos o melhor palestrante do mundo ele teve uma das grandes alegrias de sua vida: viu seu filho, Diego Alemão ganhar um reality show. Se eu não me engano foi o Big Brother de uns três... talvez quatro anos atrás.

Lembro-me como se fosse hoje, o dia em que ele encontrou eu, Gressana e Tackleberry comendo Skinny numa cantina e ele nos sugeriu “montem um blog”.

Depois de juntar o seu primeiro trilhão de dólares, resolveu se aposentar. Dedicou-se então, ao prazer de apresentar quadros no programa Fantástico.

No programa global, ele já ensinou sobre o movimento dos corpos celestes, posições do Kama Sutra (era o apelido do show de sexo que ele protagonizou na Iugoslávia na década de 70), como fazer currículos, que roupa usar na entrevista de emprego, como tirar manchas de molho de tomate das roupas, a história do futebol e alguns outros assuntos, que eu não tenho a competência de listar.

Recentemente ele voltou a dedicar-se a arte da conciliação. Resolveu administra um condomínio e ultimamente o grande objetivo da sua vida é promover a paz mundial entre os dois povos que mais se odeiam no mundo: os vizinhos. Vizinhos odeiam vizinhos e vice-versa.

Dizem que o seu próximo passo é administrar na vida real, uma fazenda, desfazendo os possíveis desentendimentos animais. O quadro é inspirado no jogo Farmville, que ele mesmo inventou.

sábado, 29 de maio de 2010

Sociedades secretas

Sociedades secretas realmente existem? Não sei. Sociedades secretas existem até o momento em que elas são descobertas, porque a partir de então, elas deixam de ser secretas. Não é curioso? Você não sabe que elas existem, mas se você souber, elas não existem mais.

Bem, não era exatamente a nossa intenção acabar com a existência das seguintes sociedades secretas. Mas quando esse post foi elaborado, não pensamos nessa grave conseqüência. Mas o bom jornalismo tem compromisso apenas com a verdade e para isso deve passar por cima de tudo e de todos. Como se fosse um tanque de guerra. M1 Abrams, teu nome és jornalismo.

Cavaleiros Templários: Ok, eles deixaram de ser secretos há muito tempo. Até porque eles não existem mais. Não? Ai que está. Como uma boa sociedade secreta, eles resolveram fingir que acabaram por puro despiste. Um templário reconhece o outro através do hábito de dar nós nos cabelos dos peitos. Se nós próximos dias eles resolverem anunciar o seu fim, desconfie.

Cavaleiros de Jedi: E se eu falasse que eles realmente existem? O problema é que como eles estão no espaço, as pessoas não nota sua existência. No entanto, fontes fidedignas alienígenas nos confirmaram o seu trabalho contra o lado negro da força.

Sociedade Secreta do Cajado Mágico: Em 1908 um grupo de turistas holandeses encontrou um cajado nas ruínas de um prédio antigo em Amsterdã. Sabe-se lá como, o cajado conversou com eles. Desde então eles se encontram semanalmente para conversar com o cajado. Um presidente norte-americano e um capitão da seleção dinamarquesa de rúgbi já participaram desse grupo.

Sociedade Viva Djavan: Esse grupo acredita que Djavan é a reencarnação de cristo e que ele tenta passar mensagens sobre a vida eterna, a morte e a paz em suas letras. Sempre que um Djavanista encontra outro, eles têm como dever cívico memorizar seu trecho preferido do cantor. Eles acreditam que a força da mente nesse momento é capaz de resolver os mistérios da humanidade.

Igreja bola de fogo: Uma resposta a igreja da bola de neve, que tenta ter um nome ainda mais ridículo. Você já se perguntou como é o momento em que alguém escreve num papel, ou mesmo o momento em que alguém tem a idéia de escrever algo como “otário, eu vou te contar, o teu intelecto é de mosca de bar”. Você pensa que 1) a pessoa poderia não ter pensado; 2) poderia não ter escrito; 3) poderia não ter cantado; 4) poderia ter feito tudo isso e não mostrado pra ninguém; 5) poderia ter feito e ter sido reprovado por outros. Pois é. A Igreja Bola de Fogo é responsável por isso. Eles não têm escrúpulos.

Sociedade do pônei alaranjado: Dissidentes holandeses mais radicais da sociedade secreta do cajado mágico. Estranho ter uma dissidência de sociedade secreta, não? Eles acreditam que o cajado só fala por conta de um pônei alaranjado ventríloquo, que vive escondido. Quem sabe desse segredo terá garantida a vida eterna. Você pode reconhecer dois membros da seita através do inconfundível abraço de cotovelos.

AQDF: Grupo formado por Aqueles Que Dizem Fake. Pessoas que controlam o mundo e comentam que algo é fake, para desviar o real foco das coisas. Se há um vazamento de óleo no golfo do México, um dos membros já diz que é fake. Então todos começam a discutir se o vazamento é verdade ou não ao invés de resolver os problemas e achar os culpados. Aqueles que dizem fake têm membros na alta cúpula de todos os governos mundiais e muitas vezes agem por pura diversão.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Guia CH3 da Copa 2010 – Segunda Parte

GRUPO C
Os jornais britânicos definiram bem. Este é o melhor grupo britânico desde os Beatles. Quaisquer uma das outras três seleções têm chances de passar, mas nem tanto por méritos próprios.

INGLATERRA: É difícil dizer o que veio antes: o ovo, a galinha ou o favoritismo da Inglaterra. Na teoria é um time muito forte. Apesar de os goleiros serem fracos, o meio de campo é técnico e preciso nos passes, a defesa é segura, os laterais são ótimos e Rooney é o ogro matador. O problema é que é assim em toda copa, e os ingleses nunca conseguem ir além das quartas-de-final. Para piorar, o capitão do time John Terry se revelou o Ricardão do ano pegando a mulher do lateral esquerdo reserva. Cogitaram o seu corte, mas os outros jogadores acharam um perigo que ele ficasse na Inglaterra enquanto eles estavam na África. Cabe ao técnico Fabio Capello manter o grupo unido. (Atualização: 04/06 - O capitão Rio Ferdinand foi cortado. Jamie Carragher deverá ser o seu substituto).
Time Base: David James; Glen Johnson, John Terry, Jamie Carragher e Ashley Cole; Aaron Lennon, Frank Lampard, Steven Gerrard e Gareth Barry; Wayne Rooney e Emile Heskey. T: Fabio Capello.
Ponto Forte: Wayne Rooney faz gols de todas as maneiras possíveis.
Ponto Fraco: David James, Robert Green e Joe Hart. Qualquer um pode ser o goleiro titular e nenhum deles é realmente bom.
Se faça de entendido: “A Inglaterra tem um time com jogadores técnicos, joga com duas linhas de quatro. No entanto eles abusam dos chuveirinhos na área”.
Seja engraçadão: “O meio de campo joga por música com o Lennon e o Lampard está sempre ligado na partida”.

EUA: Demorou, mas finalmente os americanos aprenderam a jogar futebol minimamente. Se isso não garante vitórias, pelo menos eles não devem ser humilhados e podem eventualmente complicar jogos mais difíceis. No grupo mais ridículo da copa, eles aparecem como uma segunda força, mesmo que o mundo inteiro torça contra. Nada de anti-imperialismo, é só pra não ter que ver o twitter do Ashton Kutcher.
Time Base: Tim Howard; Spector, Onyewu, Bocanegra e Bornstein; Clark e Bradley; Dempsey, Donovan e Feilhaber; Jozy Altidore. T: Bob Bradley
Ponto Forte: É uma equipe forte fisicamente.
Ponto Fraco: Se a outra equipe realmente jogar bem, dificilmente os EUA ganham.
Se faça de entendido: “Americano nem liga pra futebol. Lá é esporte de menina. Olha só, eles até tem um brasileiro, PearlHabour, Feilhabour, alguma coisa assim”.
Seja engraçadão: “O Altidore tá aparecendo muito no ataque”.

ARGÉLIA: A Argélia é a única representante do futebol árabe nessa copa. Basicamente o futebol mais chato do planeta. Pelo menos oito dos titulares argelinos na copa nasceram na França, o que torna esse time uma espécie de França B. Melhor o Brasil torcer para não se encontrar com eles. Mas dificilmente, essa oportunidade acontecerá.
Time Base: Gaouaoui; Yahia, Bougherra, Halliche e Belhadj; Mansouri e Yebda; Saifi, Matmour e Ziani; Ghezzal. T: Rabah Saâdane.
Ponto Forte: Ziani é um jogador habilidoso. E os zagueiros são bons no jogo aéreos. Marcaram vários gols importantes no último ano.
Ponto Fraco: Costumam a apanhar de times de fora da África.
Se faça de entendido: “Os pais do Zidane nasceram lá, então deve ter algum outro bom jogador. Eles marcam gols e comemoram com Alá”.
Seja engraçadão: “Me vê uma pizza, meia calabresa, meia Halliche”.

ESLOVÊNIA: Como já foi dito, a Eslovênia foi o país que mais sofreu (ok, não mais que a Macedônia), com a separação da antiga Iugoslávia. O único jogador esloveno relevante foi Zahovic, que já se aposentou. O time tentará jogar para empatar por 0x0 todas as suas partidas. Na sua única aparição anterior no torneio conseguiram perder os seus três jogos.
Time Base: Samir Handanovic; Brecko, Suler, Cesar e Bojan Jokic; Kirm, Radosavljevic e Robert Koren; Valter Birsa; Dedic e Novakovic. T: Matjaz Kek.
Ponto Forte: Um bom goleiro e dois atacantes altos para o jogo aéreo.
Ponto Fraco: O time tem titulares que jogam no futebol polonês, grego e belga. Isso significa que eles não são bons.
Se faça de entendido: “É uma antiga república dos Bálcãs. Lá eles são muito habilidosos, conhecidos como os brasileiros da Europa. Só que são muito temperamentais e sem rigor tático”.
Seja engraçadão: “Radosavljevic, veja só: podia ser vulcão na Islândia”.

Prognóstico do grupo: A Inglaterra ganha os três jogos sem convencer ninguém. A segunda vaga sobra para os EUA. Ninguém irá acordar às 8 da manhã pra ver Eslovênia x Argélia.

GRUPO D
Um grupo equilibrado, graças aos desfalques alemães. Gana, Austrália e Sérvia se equivalem. Ou seja: é tudo a mesma porcaria.

ALEMANHA: Um goleiro que cometeu suicídio, três titulares machucados, outros brigados com o treinador e contusões até entre os reservas. Algo não está bom para os lados alemães. Mas, como se sabe a Alemanha nunca está fraca. Ganha seus jogos discretamente e quando você percebe, eles já estão nas semifinais. Ao contrário da tradição germânica, esta é uma equipe jovem. Apenas o centroavante Klose tem mais de 30 anos (os outros tem no máximo 26). Klose, aliás, tenta nessa copa marcar mais cinco gols e igualar Ronaldo como recordista de gols na história da competição. (Atualização: 30/05 O zagueiro Westermann também foi cortado por contusão. Serdar Tasci deve ser o zagueiro titular).
Time Base: Neuer; Lahm, Mertesacker, Tasci e Marcell Jansen; Mesut Özil, Khedira, Schweinsteiger e Trochowski; Podolski e Klose. T: Joachim Löw.
Ponto Forte: Lahm pode jogar nas duas laterais e é habilidoso, finaliza bem.
Ponto Fraco: No ritmo em que as coisas andam, difícil saber se haverá algum jogador inteiro até o fim do torneio.
Se faça de entendido: “Eles jogam algo parecido com futebol, amigo. Mas essa camisa joga sozinha”.
Seja engraçadão: “Trochowski não é bobo, vai na Lahm House”. Desafie alguém a dizer Schweinsteiger três vezes seguidas.

AUSTRÁLIA: Depois de muitos anos conhecidos apenas como a terra dos Cangurus a Austrália... bem, continua sendo conhecida apenas como a terra dos cangurus. Pelo menos no que depender do futebol. Até fizeram uma boa copa em 2006, quase eliminaram a Itália. Mas é difícil imaginar que isso possa acontecer de novo. Aquela história do mesmo raio duas vezes no mesmo lugar.
Time Base: Schwarzer; Wilkshire, Moore, Neill e Chipperfield; Culina, Valeri; Bresciano e Cahill; Holman e Joshua Kennedy. T: Pim Verbeek.
Ponto Forte: O goleiro Schwarzer é bom e tem um nome sonoro.
Ponto Fraco: Os jogadores são australianos.
Se faça de entendido: “Eles tem um técnico holandês, eles estão aprendendo a jogar futebol. Tem dinheiro, em breve serão uma potência”.
Seja engraçadão: “O técnico deles só enxerga zagueiros! E é duro passar por esse Culina”.

SÉRVIA: Nos últimos anos, a Sérvia se tornou por excelência o país dos zagueiros. Toda criança que nasce por lá, logo aprende a fazer desarmes e sair na cobertura. Fora isso, o time recebe os jogadores de vôlei que fracassaram. O centroavante do time tem 2,02 m de altura. Poderia ser um bom meio-de-rede, mas é no máximo um atacante razoável. Nenhum jogador tem menos do que 1,80 m.
Time Base: Stojkovic; Ivanovic, Vidic, Lukovic e Kolarov; Krasic, Milijas, Stankovic e Jovanovic; Pantelic e Zigic. T: Radomir Antic
Ponto Forte: O rachão de vôlei da equipe é bem disputado. São fortes no jogo aéreo.
Ponto Fraco: Quando a bola está no chão, é um problema. Pode haver problema com os jogadores cujos nomes não terminam em ic.
Se faça de entendido: “Já falei que os países balcânicos são o Brasil da Europa? Então, eles são ainda mais. São tão bons que nem o Petkovic do Mengão foi convocado”.
Seja engraçadão: “Beijo, Milijas”.

GANA: Não se pode negar que é um time raçudo. Gana tem um dos melhores times africanos da atualidade. Mas para cada atacante bom, há um zagueiro ruim, um sistema defensivo esburacado e um goleiro simplesmente ridículo. Fora isso, o capitão e craque do time Essien está machucado e não joga esse ano. Há ainda, muitos problemas de relacionamento no elenco.
Time Base: Kingson; Inkoom, Paintsil, John Mensah e Sarpei; Appiah, Anthony Annan, Kevin Boateng e Muntary; Kojo Asamoah e Asamoah Gyan. T: Milovan Rajevac.
Ponto Forte: A dupla de ataque confunde os adversários.
Ponto Fraco: A defesa se confunde com os adversários.
Se faça de entendido: “Eles são muito bons ofensivos, mas não tem disciplina tática, saca? Criam muitas chances mas deixam muitos espaços”.
Seja Engraçadão: “Addo, Addy, Adyiah, Djobi, Djoba a cada dia te quero más”.


Prognóstico: A Alemanha empata uma partida, mas avança até o título, dedicado ao capitão Ballack que foi cortado. Gana consegue a segunda vaga.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

SPAM

Foi o Monty Python que inventou o SPAM. Ou melhor, quem inventou o SPAM foi a Hormel Food Corporations, mas a culpa disso tudo é dos publicitários. Bem, é melhor explicar melhor, antes que você resolva montar um grupo de extermínio para eliminar os bastardos responsáveis por entupir a sua caixa de e-mail com coisas inúteis. Os responsáveis por te frustar cada vez que você recebe uma mensagem e é só uma promoção para comprar Viagra mais barato. Broxante. Ou não.

O SPAM original era de se comer, uma abreviação de Spiced Ham. Um presunto enlatado que tem uma aparência bem pouco comestível. Se você procurar fotos na internet, provavelmente pode ficar sem fome por alguns dias.

Foi então que o Monty Python fez esse vídeo:




Você corre o risco de terminar esse vídeo cantando “Spam, spam, spam! Lovely Spam!”. Ok, eu deveria ter avisado antes.

Mas, como vocês puderam perceber, o Spam não era algo muito gostoso e que agradasse a todos. E durante a segunda guerra mundial, graças ao racionamento de comida, muitas pessoas comiam o Spam, porque era o que tinha. Ou seja, o Spam era algo ruim, e no caso do vídeo, algo repetitivo e forçado.

Surgiu então a internet. Bem, ela surgiu na época em que o Monty Python ainda existia, mas só foi se popularizar muito tempo depois. Há cinco anos, poucas pessoas conheciam a Wikipédia. Mas com certeza, já conheciam o e-mail.

O e-mail surgiu como uma alternativa viável aos Correios ou aos pombos correios, porque teoricamente, há uma chance bem maior de que sua mensagem chegue até o destinatário, sem que o pombo ou o carteiro sejam abatidos a tiros. E é aí que entram as mentes tradicionalmente mal intencionadas, como é o caso notório dos publicitários. Eles pensaram “hmm, é mais fácil de mandar anúncios para várias pessoas, sem nem ter que sair do lugar ou gastar nada!”. Seria difícil e pouco prático mandar uma mensagem de “enlarge your penis” por pombo correio. Alguém podia achar que era algo pessoal. E então, um publicitário criou o SPAM.

Ou não, ele não surgiu com esse nome. Mas alguém logo o apelidou. Como geralmente, pessoas que nomeiam coisas até então inomináveis assistem Monty Python, alguém pensou “hmm, chato e repetitivo... Spam, spam, spam! Lovely Spam!”.

Hoje em dias as pessoas já estão até amortecidas e não reclamam dos Spams, até porque os sistemas de correio eletrônico desenvolveram sistemas que costumam a separar o spam do trigo. E porque hoje em dias as pessoas vivem eras de espaço interminável no e-mail, antigamente quando era um privilégio ter 6 megas de armazenamento, os spams eram realmente irritantes.

E aí entra uma

Grande dúvida que não tem explicação (Edição extra)

As pessoas realmente acreditam nos spams?
Existem os mais variados estilos de spam. Desde a corrente que seu vizinho manda, até aquelas tentativas grotescas de colocar um vírus no seu computador.

Hoje em dias pessoas já devem saber que não se corre o risco de acordar em uma banheira de gelo sem os rins, ser adormecido no estacionamento do shopping, que repassar o e-mail pra 15 pessoas e apartar F12 não traz nenhuma surpresa, que você não ganha bombons da Nestlé respondendo e-mails e... bem, isso daria um assunto para outro post.

Mas bem, pelo menos acho que as pessoas sabem que é tudo mentira. Ou não? Você não sabia? Pois então, você para mim é um mistério da humanidade. Você deveria se envergonhar. Desde a primeira explosão de energia que gerou a primeira molécula, que evoluiu até o surgimento do ser humano. Que foi evoluindo, passamos a andar eretos, criamos o fogo, aprendemos técnicas de cultivo e rebanho, os gregos que filosofaram, as descobertas da astronomia e da navegação, a luta para derrotar ditadores malucos, o avanço da ciência, tudo isso para chegar até você que clica nos spams de vírus e infecta o seu computador? Francamente.

E assim encerro a postagem, porque acabei de receber um e-mail do ministério público me chamando para depor. Tenho que falar com meu advogado. E também ligar para o Bradesco porque eu não tenho conta lá e eles me pedem para recadastrar minha senha na internet.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Gastura

Eu estava na quarta-série, disputando uma emocionante partida de bets. Para quem não sabe, este é aquele jogo em que uma bola é arremessada por uma pessoa, o adversário a rebate e então todos começam a correr. Não, não é beisebol. Eu não tenho mais a menor idéia das regras desse esporte, mas na época era bem divertido.

Pois bem, eu estava jogando. Ou talvez eu estivesse na espera para entrar na próxima partida. De repente, um dos jogadores pisou numa folha seca que caía sobre o asfalto. Pisou em cima da folha e a raspou para trás, tirando a do seu caminho. Percebeu-se então que um dos outros jogadores estava caído no chão se retorcendo, ou quase isso. Reclamou que aquele barulho das folhas sendo raspadas contra o asfalto tinha lhe provocado gastura.

A partida ficou paralisada, com todos chocados. Só seria possível reiniciá-la quando fosse enfim explicado o que era gastura. Não me lembro exatamente o que foi dito e se a explicação foi realmente convincente. Não sei se ele receberia 10 em uma apresentação de monografia sobre o tema “gastura”. Mas ficou razoavelmente compreendido que gastura compreendia toda e qualquer sensação visual ou auditiva que, por mais banal que fosse, seria capaz de provocar um ataque de nervos.

O tipo de gastura mais popular é o que consiste em esfregar as unhas da mão sobre uma superfície áspera. Creio que qualquer ser humano, em menor ou maior quantidade, sofra alguma perturbação com essa sensação. E o pior é que nem precisa ser com as suas unhas. A imagem de outra pessoa fazendo isso já é suficientemente irritante. Para algumas pessoas pode ser a unha em uma superfície lisa. Para outros só o fato de ser ter unhas já causa a gastura. Mas o problema costuma a ser o barulho.

Barulhos agudos são eficientes também. Sabe quando a sola de borracha esfrega no chão? Então. Temos ainda o barulho de cadeiras sendo arrastados. Ou aqueles estalos da cadeira na hora em que se senta. Ou freios gastos que apitam.

Temos outras boas sensações como: morder pedra de gelo. É uma sensação de que seus dentes serão partidos. Ou deixar uma gota d’água caindo na testa. Uma agulha por debaixo da unha. Ferro quente no órgão genital. Amarrar as extremidades dos membros e começar a esticar. Eletrochoques, discos do Calypso e... bem, aí estamos falando de métodos de tortura mais convencionais.

Dizem que existem pessoas, que por algum distúrbio genético, se irritam com qualquer barulho. Portas rangendo ao abrir, objetos metálicos caindo no chão, pacotes de biscoito sendo abertos. Biscoitos sendo mastigados, talheres batendo no prato, pessoas sem dentadura tomando sopa. É uma espécie de distúrbio gasturíco.

E assim encerro esse post, que eu já estou tremendo.

domingo, 23 de maio de 2010

A arte de guiar turistas

Se eu pudesse escolher uma única profissão para exercer, não o tempo todo, mas apenas como hobbie, essa profissão seria a de guia turístico. Poder ensinar coisas erradas para um grupo de pessoas que achará todas essas mentiras sensacionais. Escutar “Amazing!” por todos os lados.

Uma das coisas interessantes é criar lendas sobre o local. Por exemplo, aqui no Pantanal. Eu pagaria um trocado pra uns caboclos e pediria para que eles fizessem uma dança estranha. Falaria para os turistas que aquela é uma dança tradicional da região, os moradores a fazem para homenagear a lua que controla os animais da região.

Inventaria outros ritos. Diria que antes de entrar em uma casa os turistas deviam se abaixar e levantar. Era uma forma de demonstrar respeito. Isso é muito mais interessante do que o já batido hábito de ensinar português errado. Explicar que “May I have some water” se diz “Adoro uma benga” ou que para pedir uma fotografia se deve dizer “por favor, puxe minhas tetas”.

O animal mais misterioso e exótico do pantanal é a onça pintada. Só que dificilmente os turistas encontrarão uma onça. Ou sequer sinais das onças. Então a estratégia é mostrar possíveis rastros. No meio daquele monte de bosta de vaca e cavalo diga “look, isso é merda de onça. Elas estiveram aqui na última noite”. Diga que as pegadas de capivara são na verdade, pegadas de onça.

Fora isso, você pode mentir sobre a biologia, topologia, geografia do local. Ao passar por um rebanho de bois diga “Estão vendo, estes são os bois pantaneiros. Animais extremamente selvagens e perigosos”. Ao passar por um buraco de água, daqueles que os fazendeiros fazem pros animais beberem água diga “é um buraco de meteoro”. Explique que um meteoro caiu na região milhares de anos atrás, e que ele foi o responsável pela planície. Ao encontrar conchas de caramujos quebradas, diga que são conchas do mar. O pantanal já foi mar.

Você também pode criar lendas assustadoras. Ao encontrar uma ossada, seja de boi, seja de capivara ou até mesmo de cachorro diga “é uma ossada humana”. E que provavelmente ele foi devorado por um jacaré. Ao encontrar uma garrafa pet vazia (que na verdade é lixo) se desespere e grite “Carlos!”. Simule que você está procurando algum rastro do Carlos. Se desespere e diga que “não é possível. Os jacarés levaram o Carlos”.

Você pode incrementar a lenda com onças também. Ou até mesmo com bois pantaneiros. Diga para que os turistas tranquem suas portas de noite, pra evitar qualquer problema. Grave barulhos assustadores e coloque para tocar perto dos quartos. Tente arrombar as portas. E se quiser, mate um turista por noite para aumentar a tensão. Sempre dê um jeito de que o último da fila desapareça durante as caminhadas.

É ou não é um trabalho divertido?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Guia CH3 da Copa 2010 – Primeira Parte

Começa agora o nosso guia da copa de 2010, onde você irá saber tudo sobre todos os times. Ensinaremos você a ser um especialista no assunto. A cada semana dois grupos. Hoje os grupos A e B.

GRUPO A
É o grupo mais equilibrado do mundial. Em tese, todos têm chance de passar. A África por jogar em casa, o México porque ele costuma a passar da primeira fase, o Uruguai por ter tradição e a França por ser a menos pior.

ÁFRICA DO SUL: Se o Mundial fosse disputado em qualquer um dos outros 190 países do mundo os sul-africanos seriam sérios candidatos ao vexame. Poucos jogadores têm algum pouco destaque no futebol mundial e o técnico é o Parreira. Que fracassa na maioria dos seus trabalhos. A esperança está no fato de que jamais um país-sede foi eliminado na primeira fase. Cabe a Parreira que já quebrou tantos tabus (24 anos sem títulos do Brasil, primeiro treinador demitido durante o torneio) quebrar mais um.
Time Base: Khune; Gaxa, Mokoena, Booth e Masilela; Sibaya e Dikgacoi; Teko Modise, Pienaar e Tshabalala; Bernard Parker. T: Carlos Alberto Parreira.
Ponto Forte: É a seleção mais acostumada com o barulho das vuvuzelas. Steven Pienaar é o melhor jogador.
Ponto Fraco: Todo o resto.
Pareça um entendido: Comente com os seus amigos que é um time sem experiência, mas que vários jogadores atuam juntos em seus clubes. Diga que é um time rápido.
Seja engraçadão: “É um time divertido, joga com Gaxa”.

MÉXICO: Os mexicanos têm uma tradição. Sempre passam da primeira-fase e sempre caem logo nas oitavas de final. Você pode apostar dinheiro nisso. Os mexicanos estão treinando há mais de um mês. O que não deve adiantar muito. Pode se esperar um jogo que varia entra o envolvente e o sonolento. Deve se complicar com os times fracos e vencer, jogar duro com os fortes e perder. Mistura jogadores novos (quase crianças) com verdadeiros idosos. Cuahtémoc Blanco voltou à seleção depois de muito tempo, aos 37 anos. Sem a presença de Ronaldo e Cabañas no mundial, deve ser o gordinho do torneio.
Time Base: Ochoa; Osorio, Magallón, Rafa Márquez e Salcido; Torrado, Guardado e Castro; Blanco, Carlos Vela e Guile Franco. T: Javier Aguirre.
Ponto Forte: Faz jogo equilibrado com qualquer equipe.
Ponto Fraco: Faz jogo duro com qualquer equipe. E perde.
Pareça um entendido: Diga que o México está treinando há muito tempo, está muito forte fisicamente e confiante.
Seja engraçadão: “O Vela está atrapalhando o ataque e o Guardado parece que está se preservando. Se não tirar o Torrado, ele vai se queimar”.

URUGUAI: A única esperança do Uruguai é que a mística da camisa celeste volte a viver. O que não acontece desde a Copa de 1970. Desde então o Uruguai tem sofrido pra conseguir ganhar um mísero jogo no torneio. O time tem uma boa defesa, um meio-campo pífio e um ataque perigoso. O que resulta em chutões da defesa na tentativa de que algum atacante arranje um gol. Pensando friamente, os uruguaios não têm chance. Mas é um país simpático com bons vinhos e cerveja. Que tenham sorte.
Time Base: Muslera; Diego Godín, Lugano e Scotti; Maxi Pereira, Gargano, Diego Perez e Álvaro Pereira; Nicolás Lodeiro e Luis Suárez; Diego Fórlan. T: Oscar Tabárez.
Ponto Forte: Diego Fórlan é um atacante goleador e Luiz Suarez foi artilheiro do campeonato holandês. Lugano é um zagueiro que briga bastante.
Ponto Fraco: Até esponjas do mar pensam mais do que os jogadores do meio.
Pareça um entendido: “O Uruguai é um time muito raçudo, mas confunde raça com violência. Freqüentemente faz faltas violentas”.
Seja engraçadão: “Esse ataque parece estar atolado. Tem que tirar o Lodeiro”.

FRANÇA: A principal esperança da França é encarar o Brasil em algum momento. O time é dirigido pelo doentio técnico Raymond Domenech, que utiliza da astrologia para montar seu time. Jogadores de escorpião não são convocados. O time mistura jogadores bons e velhos com outros ruins e novos. Não dá pra esperar nada além das quartas-de-final. A não ser que o espírito de Zidane e Platini sejam incorporados por Gourcouff.
Time Base: Lloris; Sagna, Abidal, Gallas e Evra; Toulalan e Alou Diarra; Ribéry, Gourcouff e Henry; Anelka. T: Raymond Domenech.
Ponto Forte: Talvez em uma competição curta, a experiência de Henry possa ser útil.
Ponto Fraco: O melhor jogador do time, Ribéry, está envolvido num caso de pedofilia. E Domenech faz substituição péssimas.
Pareça um entendido: “O time da França é muito experiente. O Gourcouff fez uma grande temporada e o Anelka está jogando bem depois de muito tempo”.
Seja engraçadão: “Quem Henry por último, Ribéry melhor”.

Prognóstico do grupo: A França deve passar para a segunda-fase junto com o México. Nenhum dos dois terá vida longa. O Uruguai fará três jogos dramáticos.

GRUPO B
Um grupo com claro favoritismo da Argentina. As outras equipes são meras figurantes que se contentarão com qualquer vitória, ou até mesmo com qualquer gol marcado.

ARGENTINA: Depois de anos caindo em grupos da morte, os argentinos foram agraciados com um grupo fácil. O problema é que o time é muito instável e não tem um técnico de verdade. Maradona apenas atua no papel de ídolo drogado decadente tentando dar a volta por cima. A Argentina tem sua melhor geração de atacantes da história. Messi, Higuaín, Diego Milito, Tévez e Agüero seriam titulares em qualquer seleção do mundo. O problema é que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que encontrar um bom zagueiro na Argentina. São todos ruins.
Time Base: Romero; Otamendi, Samuel, Demichelis e Heinze; Jonás Gutiérrez, Mascherano, Verón e Di María; Messi e Higuaín. T: Diego Maradona.
Ponto Forte: O ataque, claro. Ou, os atacantes que tem.
Ponto Fraco: Eles podem não jogar nada. E ai a defesa não existe para ajudar.
Pareça um entendido: “Os argentinos unem a habilidade latina com a garra portenha, por isso são duros e lutam até a morte dentro do campo”.
Seja engraçadão: “Um só Messi não faz Verón”.

NIGÉRIA: Foi-se o tempo em que os nigerianos tinham capacidade de assustar os favoritos. Essa atual geração é bem fraca. Os principais jogadores são reservas em seus respectivos times. Pra se ter uma idéia, os três goleiros convocados atuam no futebol israelense e o melhor jogador do time, Obi Mikel é o volante reserva do Chelsea da Inglaterra. (Atualização 05/06: John Obi Mikel foi cortado, Etuhu deverá ser o titular)
Time Base: Enyeama; Odiah, Yobo, Shittu e Taiwo; Yussuf, Etuhu e Kalu Uche; Obafemi Martins e Odemwingie; Yakubu. T: Lars Lagerbäck.
Ponto Forte: O grupo é fraco. E Taye Taiwo é um lateral esquerdo agressivo.
Ponto Fraco: Enyeama; Odiah, Yobo, Shittu e Taiwo; Yussuf...
Pareça um entendido: “A Nigéria... time perigoso, eliminou o Brasil nas Olimpíadas de 1996, são muito habilidosos, porém displicentes na defesa”.
Seja engraçadão: “Não gosto desse Odiah”.

CORÉIA DO SUL: Depois da quarta colocação no mundial de 2002 passou a se esperar que os sul-coreanos passassem a desempenhar um papel mais importante nas copas. Mas isso não acontece, o time é fraco. E pra piorar, nesse mundial eles nem terão o direito de ser conhecidos apenas como “Coréia” uma vez que sua co-irmã de ódio também está participando.
Time Base: Lee Woon-Jae; Oh Beom-Seok, Cho Yong-Hyung, Lee Jung-Soo e Lee Young-Pyo; Lee Chung-Yong, Kim Jung-Woo, Ki Sung-Yong e Park Ji-Sung; Park Chu-Young e Lee Dong-Gook. T: Huh Jung-Moo.
Ponto Forte: Park Ji-Sung viveu sua melhor temporada e desempenhou um papel importante no Manchester United.
Ponto Fraco: A maior parte dos jogadores corre sem saber o porquê.
Pareça um entendido: “A Coréia do Sul tem um time muito veloz, só que jogadores muito inocentes, sem experiência internacional”. Fora isso, cite nominalmente os jogadores. Basta fazer junções aleatórias de “Lee”, “Park” “Kim” e “Yong”.
Seja Engraçadão: “Esse é um Park de diversões”.

GRÉCIA: Como inventores da democracia, os gregos são precavidos. Jogam trancados na defesa apostando que podem ganhar o jogo se acertarem uma bola no gol. Aquele que tiver maioria no placar, leva. Já ganharam uma Eurocopa assim, mas é difícil imaginar que eles consigam fazer outra vez. E fora isso, o melhor time grego que já existiu é o do futebol filosófico do Monty Python. Os jogos da seleção grega dificilmente serão divertidos assim.
Time Base: Tzorvas; Loukas Vyntra, Kyrgiakos, Moras e Spiropoulos; Tziolis, Katsouranis e Karagounis; Salpigidis e Samaras; Gekas. T: Otto Rehhagel.
Ponto Forte: Os jogadores tem nomes engraçados.
Ponto Fraco: O time tem a inscrição “Hellas” em suas camisas. É difícil intimidar o adversário, principalmente se ele for latino.
Pareça um entendido: “Os gregos pensam muito em suas jogadas, é uma herança cultural deles. Por isso jogam na defesa e apostam na velocidade dos contragolpes”.
Seja engraçadão: “Samaras é um atacantes perigoso. Mas duvido que ele dure mais do que sete dias”. Fora isso, é possível rir com qualquer nome. Parece que é o Mussum falando “Tziolis, Katsouranis, Karagounis, Salpigidis e Cacildis”.

Prognóstico do grupo: A Argentina sofre mas consegue a primeira colocação. A Coréia do Sul consegue a outra vaga. Nigéria e Grécia fazem um dos piores jogos da copa.

Cara de Pau

No caso, não iremos falar desse amor cara de pau. Mas que é gostoso. Esse amor é bom demais. Demais.

É difícil saber a origem da expressão Cara de Pau. Ou melhor, talvez seja fácil, mas eu estou com preguiça de fazer uma pesquisa longa sobre o assunto. Mas eu imagino que seja algo mais ou menos assim: pessoas normais, geralmente demonstram sentimentos em seu rosto. O cara de pau consegue escondê-los. Afinal, ele não tem músculos e sim madeira na sua cara. Portanto a pessoa mente sem demonstrar.

Ser Cara de Pau é uma arte. Não é todo mundo que conseguiria. Ou não é todo mundo que consegue ser o tempo todo. Você pode conseguir hoje, mas talvez não amanhã. Aqueles que conseguem geralmente se transformam em advogados ou políticos.

Um exemplo clássico de cara de pau é o advogado daquela procuradora Vera Lúcia. Aquela que foi flagrada chamando uma criança de 2 anos de vaquinha e gritando “você vai engolir isso sua maluca, cachorrinha”. De acordo com o advogado dela, essa era a maneira carinhosa que ela encontrava de fazer a menina sorrir. Depois foram divulgadas fotos da menina com marcas roxas nos olhos. Um acidente. A menina era arteira, deve ter caído no chão, diz.

O casal Nardoni era outro exemplo. Uma das hipóteses levantadas era a de um acidente. Sim, a menina Isabella pegou uma tesoura, rasgou a tela, se pendurou na tela e se jogou através dela. Com o mórbido detalhe de ter passado espremida pela tela.

E os casos em que há gravações que comprovem o ato criminoso, são ainda mais interessantes. Recentemente os jornais mostraram as imagens de um senhor que reclamou do barulho de uma festa e foi agredido por cinco jovens. As câmeras de segurança do prédio filmaram os jovens espancando o senhor, um segurava e os outros batiam, jogando-o, inclusive, contra uma porta de vidro. Um dos jovens afirmou que ao contrário do que as imagens mostravam, ele estava sozinho e apenas reagiu a agressão do senhor de idade. Sim, as imagens são uma ilusão de ótica. Um truque de espelhos. Não acredite nas câmeras.

Ou a mulher do caso do Mensalão de Brasília filmada recebendo propina. Ela afirmou que tudo aquilo era uma pegadinha. Simples assim. Era tudo uma pegadinha do Mallandro. Sempre acontece no jornal. O cara com uma câmera escondida filma o suspeito pedindo propina. Logo depois a TV pergunta sobre o caso e ele nega. Falam que foi tudo filmado, e a resposta é que é uma brincadeira.

Brincadeira sem noção, claro. “Haha, pedi 800 reais dele, mas eu já ia devolver”. Então eu pergunto se você teria a cara de pau de falar uma mentira dessas na frente de todo mundo? Ou o cantor Netinho (o de pagode, o que não é gay, pelo menos não assumidamente). A mulher dele saiu correndo de casa de camisola de madrugada, chorando e com os olhos roxos. Disse que foi agredida.

Netinho disse que era mentira. Eles tiveram uma pequena discussão e ela estava muito nervosa. E os olhos roxos? Sem querer ele havia batido a porta do carro na cara dela, atingindo de maneira curiosa, e coincidente, os dois olhos. Foi orientado por advogados.

Ora, há momentos em que era melhor assumir a culpa. Dizer que foi mal, que cometeu um erro e que irá pagar por ele, contribuindo da melhor maneira possível para a sociedade. Há coisas que simplesmente não possam ser mentidas. Essas histórias vão muito além do “já tava morto quando eu encontrei”. O padre pedófilo pego no flagra, que diz que era uma missa?

Foi nesse momento que a Inquisição bateu na minha porta, com tochas na mão e vestindo capuzes pretos. Acusaram-me de ter cometido injúrias hereges. De ter afirmado que existem padres pedófilos no mundo, o que é proibido na constituição episcopal. Eu teria supostamente publicado isso em um blog. Neguei veementemente que eu tenha feito isso. É uma coisa que jamais faria. Nem blog eu tenho.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sobre os nomes dos produtos de limpeza

Esses dias eu fui tomar banho. Caso você não saiba, tomar banho é um ato normal, praticado diariamente por diversos seres humanos ao redor do mundo. Existem aqueles que fazem isso com uma freqüência menor, mas estes têm mau cheiro. Outros seres vivos também gostam de tomar banho, de maneiras diferentes, mas com propósitos semelhantes. Portanto, não há nada de estranho no meu ato.

Fui então pegar um sabonete. Isto também é normal, comum e etc. O estranhamento veio na hora em que eu fui pegar o sabonete. Nada no sabonete em si. O problema era o nome do sabonete.

Na minha infância, lembro que os produtos de limpeza tinham nomes comuns. Os sabonetes vinham com cheiro de morango, um com um genérico “flores”. Mas no geral os sabonetes tinham um inconfundível cheiro de sabonete. Alguns eram azuis, outros eram vermelhos, outros verdes, amarelos. Produtos de limpeza tinham cheiro de lavanda, pinheiro ou eucalipto.

De um tempo pra cá, eu comecei a perceber que os nomes foram mudando, ganhando um ar bucólico. Um que de poético indefinido. Vi certa vez um desodorizador com fragrância de “Manhã no campo”. Bucólico, não? Ah, o cheiro da manhã no campo! Você já esteve numa manhã no campo? Talvez já. Mas você se lembra o cheiro? O capim na sua perna, as vacas pastando e defecando. Qualquer coisa poderia ser vendida como cheiro de manhã no campo. Dificilmente em sua memória olfativa você teria alguma base de comparação.

Volto então ao meu sabonete. Seu nome era “Delícia de Macadâmia”. Caso você não saiba, Macadâmia, como a conhecemos é a semente do fruto de uma nogueira. Uma espécie de noz comestível. O gosto é simpático, lembra as nozes que comemos na época de natal, só que menos seca. E ainda mais dura de ser quebrada. Certa vez quase quebrei a porta da casa de um parente, tentando quebrá-la. Consegui a muito custo parti-la com uma marreta. Mas já estava quase pegando um maçarico.

Delícia de Macadâmia. Na hora quase desembrulhei o sabonete pra comer. Isso pra mim é nome de sobremesa. Existem algumas sobremesas arrogantes e cheias de si, que têm nomes parecidos. Mas era um sabonete. Eu não me lembro de macadâmias com um cheiro tão forte assim, que seu aroma pudesse ser eternizado.

Vi outro sabonete cujo nome era “Degusta-me”. Aí então eu fiquei intrigado. Quase que o coloquei no meio do pão pra comer. Era um sabonete com gosto, digo, feito a base de vinho. Era só pegar um xampu a base de queijos finos para ter uma degustação completa. Ao que eu saiba, só é possível degustar com a boca. Não entendi que efeitos sinestésicos esse sabonete pretende. Ou o que os publicitários pretendem com esses nomes, mas imagino que coisa boa não é. Daqui a pouco vai ter comida que promete visões do paraíso. Revistas pornográficas com páginas texturizadas, perfumes com sons do coração.

Entrei no site da fabricante dos sabonetes (no caso, Lux). Havia um misterioso “Primeiro beijo”. Ele te prepara para um banho tão especial como o seu primeiro beijo. O preferido dos motéis. Havia o “Energia de Guaraná”, bom para lavar seu corpo depois de ir à academia. E pra completar “Buque de Sonhos” – você realizando os seus sonhos. Tudo isso durante seu banho. Imaginei sonhos dispostos e amarrados em buque. Ou melhor, não consegui imaginar.

E para concluir. Não é possível que sabonetes sejam tão importantes assim. Tomar banho é legal – e o CH3 recomenda o ato, desde que praticado com consciência – mas não é assim, uma realização de sonhos, uma memória eterna. Justamente porque é um ato normal. Você se lembra de um banho inesquecível? Ou de um sabonete preferido? E no fundo, você nem repara no nome do sabonete. Você escolhe uma meia dúzia aleatória na gôndola do mercado, por conta da cor.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Homônimos

Um amigo meu de colégio, cujo nome não irei revelar, tinha um pai com um nome excêntrico. O pai, como todos os seus irmãos tinham um nome aleatório e semelhante, em que só mudava uma vogal. Algo como “Danonar, Danoner, Danonir, Danonor, Danonur, Denonar” e por aí vai. Poderíamos pensar que esse é mais um clássico caso de pai que sacaneia. Mas, muito pelo contrário. Este na verdade era um pai prevenido.

Tudo porque ele tinha um nome comum, bem comum. Algo como João da Silva. E, durante a ditadura de Getúlio Vargas ele foi preso por engano, graças a outro João da Silva que era subversivo. Então, porque ele chamaria seus filhos por nomes como “José da Silva”, “Francisco da Silva” ou “Pedro da Silva”? Nenhum filho seu jamais passaria por esse transtorno, pensou e se decidiu. Nenhum Danonor da Silva seria preso por engano.

Esse exemplo mostra como um homônimo pode atrapalhar sua vida. Pode ser desde os tempos do colégio. Se você estudasse com alguém com o mesmo nome que você, sempre que chamassem o nome (suponhamos, Marcos), haveria aquela dúvida. Pior seria se sempre que falassem “Marcos” fosse por conta do seu homônimo. Isso significaria que você era um fracassado. E sendo ele mais popular, a sensação é de que ele seria o único Marcos de verdade. Você poderia ser chamado a diretoria por engano. As pessoas nem saberiam que havia outro Marcos na turma. Mesmo sendo denunciado o outro Marcos que fazia merda, você é que acabaria parando na diretoria.

Outro problema está na lista telefônica. Imagine ter que achar um Paulo Souza na lista telefônica. Você provavelmente irá perder horas com tentativas. Você pode pensar que as pessoas nem usam mais listas telefônicas hoje em dia, mas elas usam. Certa vez se mostrou o problema de um pobre Roberto Jefferson que morava em Brasília e que todo dia era xingado por acharem que ele era aquele que tinha despertado em si os sentimentos mais primitivos. Imagine quantos Wilsons Santos não são ameaçados de morte, proibidos de entrar em algum lugar por conta dessa infeliz coincidência.

Se você por um acaso se chamar João Bin Laden, não conseguirá entrar nos EUA. Vão achar que você é um terrorista. Aliás, se você se chamar João Bin Laden você não entra nem na minha casa, seu sujo, nefasto!

E há hoje a internet. Por exemplo, existe outro Guilherme Blatt que vive em Petrópolis e que tem um perfil numa rede social como “GuiboySexy”. Se algum dia eu quiser um emprego e enviar um currículo, sem dúvida vão me procurar na internet. Vão achar esse blog (o que já será ruim), perfil no twitter, no Orkut e esse maldito homônimo que ira atrapalhar minha vida. Você contrataria alguém com um perfil desses na internet? Provavelmente não. E os pobres homônimos sofrem com isso. Aposto até que morrerei desempregado por conta disso.

Portanto, quando for dar um nome para um filho, junte silabas, pergunte ao Djavan ou abra o dicionário aleatoriamente. Seus filhos Castanor e Cestanor não deverão passar por esse problema.

sábado, 15 de maio de 2010

Grandes dúvidas que não têm explicação (12)

As letras do Djavan têm algum sentido?

O cantor alagoano é uma figura polêmica. Bem, na verdade eu não sei se ele é polêmico mesmo. Eu só queria causar um impacto inicial.

Ok, ele tem uma participação bizarra naquela música do Balão Mágico em que ele diz versos estranhos sobre “quando o chão se abrir” e “o senhor se levou, está no capitulo 1”. Ah, claro, ele diz isso de trás para frente e ninguém percebe. O problema é que: mesmo cantando de frente pra trás, Djavan consegue ter mensagens estranhas nas suas músicas. Você já deve ter pensando se isso faz algum sentido.

Vamos por partes, como diria meu vizinho Walter. Algumas músicas tem sentido sim. E geralmente é um sentido bem claro, apesar de estar aparentemente implícito. Sexo. Djavan é quase um touro reprodutor. Por exemplo, na música “Se” que começa com os indecisos versos de “você disse que não sabe se não, mas também não tem certeza que sim”.

“Eu levo a sério, mas você disfarça. Você me diz à beça e eu nessa de horror. E me remete ao frio que vem lá do sul. Insiste em zero a zero e eu quero um a um. Sei lá o que te dá, não quer meu calor. São Jorge por favor me empresta o dragão. Mais fácil aprender japonês em braile. Do que você decidir se dá ou não.”

Algumas partes são realmente misteriosas. É difícil saber o que ele quis dizer com frio lá do sul, ou o porquê de São Jorge ter entrado na história. Mas, a parte do querer “um a um” é bem clara. E não há como ser mais direto do que dizer que a mulher não se decide se dá ou não. Além de touro reprodutor, ele é impaciente. É quase um “ou dá ou desce”.

O clima de libido ar (LATINO, em “Festa no Apê”) segue em outras músicas como “Eu te devoro” e “Seduzir”. Djavan é quase um Wando com requinte. Ao invés de dizer “que gozar eu não gozei” ele prefere “eu quero mesmo é viver para esperar devorar você”. Ele também adora a ordem indireta. As vezes ele parece o Mestre Yoda, ou pior, parece que foi ele que escreveu o hino nacional.

Mas é fora dessas músicas explícitas que reside o mistério. Na canção “Sina”, por exemplo.

“Pai e mãe. Ouro de mina. Coração. Desejo e sina. Tudo mais. Pura rotina. Jazz... Tocarei seu nome. Pra poder Falar de amor. Minha princesa. Art nouveau. Da natureza. Tudo mais. Pura beleza. Jazz... A luz de um grande prazer. É irremediável néon. Quando o grito do prazer. Açoitar o ar. Réveillon... O luar. Estrela do mar. O sol e o dom. Quiçá um dia. A fúria, desse dom. Virá Lapidar o sonho. Até gerar o som. Como querer Caetanear O que há de bom”.

Imagina-se que a letra seja sobre sexo por conta do grito de prazer que vai açoitar o ar. Mas, porque existem tantos “Jazz”, aquele Réveillon desconexo, o Art Noveu da natureza e tantas palavras perdidas? Simples. Ele cita a palavra “Quiçá”. E as pessoas que dominam a arte de utilizar o “Quiçá”, sabem que se pode criar qualquer contexto para a sua inserção. Ponto pra você Djavan.

Mas agora é que vem a parte difícil. O que raios Djavan quis dizer com: “Solidão de manhã, poeira tomando assento. Rajada de vento, som de assombração, coração. Sangrando toda palavra sã. A paixão puro afã, místico clã de sereia. Castelo de areia, ira de tubarão, ilusão. O sol brilha por si. Açaí, guardiã. Zum de bezouro um imã. Branca é a tez da manhã”.

Bem, parece que ele estava descrevendo um cenário, a poeira baixando, rajadas de vento, solidão de manhã, castelo de areia, tubarões. Ele estava numa praia. Mas aí vem o místico clã de sereia. Clã de Sereia místico? Bem, realmente parece que isso não significa porra nenhuma.

Mas com uma análise detalhada percebemos. Ele estava tendo uma viagem psicotrópica de manhã na praia. E assim sendo, ele viu clãs de sereia e iras de tubarões. O sol brilhando (percepção típica de drogados). Vem uma mulher vender açaí, uma guardiã. Um besouro vai e caí no seu copinho como se atraído por um imã. Claro. E então ele concluí doidão “branca é a tez da manhã”.

Pensando bem, realmente não tem sentido nenhum.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

História da Copa do Mundo, parte 6

As copas de 1998, 2002 e 2006

Apesar de ter acontecido apenas 12 anos atrás, vista hoje, a Copa da França em 98 parece ter sido em um século passado (sim, isso realmente é verdade). O Zidane ainda tinha cabelo, o Ronaldo era tão magro que parecia até ser anoréxico. Mas, no entanto, o Zagallo já era um velho chato com um discurso patriótico babaca.

Foi uma copa bem disputada, com poucas oportunidades para as zebras. Exceção feita à Croácia, que disputando sua primeira copa depois de ter se separado da antiga Iugoslávia, foi a terceira colocada e teve Suker, o artilheiro da competição. Fora isso apenas a Espanha (eliminada na primeira fase pela intransponível defesa paraguaia) e a Inglaterra (caiu contra a Argentina nas oitavas de final) decepcionaram.

Aliás, essa foi a última copa da Iugoslávia antes de mudar de nome e sofrer novas separações. Depois de todas as rupturas os países que se formaram nunca conseguiram boas campanhas. Os goleiros ficaram na Eslovênia, os zagueiros na Sérvia, os meias na Croácia e os atacantes na Bósnia Herzegovina e Montenegro. A pobre Macedônia não ficou com nada.

Nas semifinais, Brasil e Holanda fizeram um jogo dramático decidido apenas nos pênaltis. Os holandeses eram comandados por Bergkamp, jogador cerebral que jamais derramou uma gota de suor e haviam passado pela Argentina num outro jogo dramático. Assim como foi dramática a vitória brasileira contra a Dinamarca. Nos dramáticos pênaltis, deu Brasil. Galvão Bueno sobreviveu dramaticamente.

Partiu Cocu, saí que é tua Taffarel! Taffarel! Sai! Sai! Sai! Sai! Sai que é tua Taffarel! Taffarel!” – Galvão Bueno em momento de emoção.


E a França venceu a Croácia. Zidane estava em seu segundo jogo na copa, depois de ter pisado em um adversário. A Croácia saiu na frente com Suker, que não era idiota. A virada francesa veio com dois gols de Thuram. Foram os únicos 2 gols dele em 142 jogos pela seleção francesa. Aliás, depois da copa de 98 ele marcou apenas mais um gol em sua carreira que ainda durou 10 anos.

A história da final é conhecida. Ronaldo surtou com a pressão e teve uma convulsão. O Brasil foi escalado com Edmundo e todos pensaram o que estava acontecendo. Na hora do jogo foi Ronaldo mesmo que entrou. Parecia que foi o time todo que teve uma convulsão e a França atropelou o Brasil com dois gols de Zidane para o título. E não foi a última vez que isso aconteceu.

Não era o dia do futebol brasileiro” – Galvão Bueno, triste


2002
Se foram poucas as surpresas em 98, a Copa de 2002 disputada na Coréia do Sul e Japão foi cheia delas. Não sei se foi o fuso horário, se foi a comida oriental, os flashes das máquinas. Mas coisas estranhas aconteceram.

França e Argentina chegaram como as duas grandes favoritas. Passaram os quatro anos anteriores ganhando torneios e dando espetáculos futebolísticos ao redor do mundo. Pois caíram na primeira fase. A Argentina sofreu até o último minuto tentando derrotar a Suécia e os franceses conseguiram não ganhar nenhum jogo e não marcar um único gol. Portugal que tinha o então melhor jogador do mundo, Luís Figo, também foi eliminado. Pelos Estados Unidos e pela Coréia do Sul.

Nas oitavas de final foi a vez da Itália ser eliminada num jogo polêmico contra os sul-coreanos. Depois num jogo ainda mais polêmico (se preferir, roubado) foi a vez dos anfitriões eliminarem a Espanha nos pênaltis. Foi tão estranho, que os confrontos semifinais foram: Alemanha (chegaram desacreditados na Copa) x Coréia do Sul (que até então jamais haviam vencido um único jogo na história do torneio) e Brasil (tínhamos medo de passar vergonha no Japão) x Turquia (que nunca fizeram nada, nem antes, nem depois).

A final pelo menos foi lógica. Brasil e Alemanha se enfrentaram pela primeira vez na história das copas. De um lado a família Scolari com jogadores desacreditados como Edmilson, Lúcio, Roque Jr, Kleberson e Gilberto Silva, além de Ronaldo e Rivaldo que estavam machucados até pouco antes. Do outro a Alemanha que tinha jogadores pavorosos como Marco Bode.

O Brasil dominou o primeiro tempo, mas parou quase sempre no goleiro Oliver Kahn (que teria sozinho, levado a Alemanha até a final). No começo do segundo tempo o lance que decidiu o jogo. Cruzamento na hora, Kahn defende uma cabeçada e na queda, Gilberto Silva pisa em sua mão, provocando um pequeno corte. Pouco depois, Rivaldo chuta uma bola fraca e fácil, que bate no corte. Kahn solta a bola e Ronaldo faz o gol. A Alemanha pressiona, Marcos faz grandes defesas. Até Ronaldo fazer o seu segundo gol e garantir o título. Assim sendo, Ronaldo saiu do inferno de 98 até o paraíso em 2002.

2006
A arrogância estava de volta. O Brasil iria ganhar a copa facilmente com o chamado quadrado mágico, formado por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo. Mas no geral foi um pesadelo. Jogadores gordos, embriagados e cansados entraram em campo e o Brasil jogou mal. Perdeu novamente para a França, que tinha Zidane em seu último torneio antes de se aposentar. O francês driblou todos os jogadores brasileiros ao menos uma vez e em algumas vezes de maneira humilhante.

Zidane foi uma das poucas coisas boas de um torneio fraco. A maior parte dos grandes jogadores chegou desgastada depois de uma temporada cansativa. Foram vários jogos truncados, estudados, cautelosos, definidos com um gol ou nos pênaltis. Apenas duas partidas foram realmente boas.

Portugal 1x0 Holanda
Jogo marcante pela violência. Foram 16 cartões distribuídos no jogo, 4 expulsões. E várias chances de gol, discussões, brigas. Parecia que os jogadores iam se matar assim que acabasse a partida.

Itália 2x0 Alemanha
90 minutos horríveis e uma prorrogação absurdamente disputada de maneira enlouquecida. A Itália fez dois gols no fim da prorrogação e garantiu uma vaga na final.

Fora isso, quase todos os times eram modorrentos. A Argentina fez só um jogo bom, fez várias pessoas se masturbarem com seu futebol, mas os outros jogos foram pífios. Mesmo que ninguém tenha admitido isso. Portugal fazia gols apenas por milagre. Acabou que o grande momento foi a final.

Não que o jogo tenha sido bom. Os primeiros 20 minutos foram ótimos, mas depois disso as equipes se alternavam na marcação do meio de campo, muitas bolas roubadas no meio, pouquíssimas chances de gol. É compreensível que alguém tenha dormido. O grande momento foi quando Zidane deu uma cabeçada no peito de Materazzi. O lance foi analisado por aqui na época. Foi a aposentadoria do francês, expulso no lance. Desde então ele se dedica a lecionar kickboxing.

A Itália venceu nos pênaltis, para delírio dos poucos entusiasmados italianos.


Grosso comemora. É tiro de Meta para a Itália

***
Assim acaba essa parte da cobertura da copa. A partir da semana que vem começamos a analisar como será a copa de 2010. A expectativa é de que seja legal. Contaremos a parte sete da história das copas, 2010, 2014 e 2018 no nosso especial para a Copa de 2022.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dicas para um casamento de sucesso

A atriz Deborah Secco* e o jogador de futebol Roger* se casaram no dia 6 de junho de 2009. Fazia algum tempo que eles estavam namorando, mesmo com um fato curioso. Roger estava jogando futebol e morando no Qatar há um ano. Mesmo assim, eles resolveram se casar em um castelo em Itaipava. Foram para a lua-de-mel e depois seguiram seus caminhos. Ele foi encantar o mundo com seu futebol espetacular na poderosa liga qatariana, enquanto ela continuou sendo a melhor atriz do Brasil.

Seguiram casados pelo resto do ano. Um recorde para um casal que já havia namorado tantos outros nomes** famosos, que eu precisaria de uma nova postagem apenas para citá-los. Provavelmente se viam de vez em quando por uma semana. Praticamente uma nova lua-de-mel, apenas sorrisos.

No começo de fevereiro deste ano, Roger voltou para o Brasil, para jogar no Cruzeiro. Ele foi para Belo Horizonte e ela continuava no Rio. Mas, nada que uma hora de avião não resolvesse, passaram o carnaval juntos.

Pois então, vivendo separados por um oceano e mais um pouco, tiveram seis meses tranqüilos. Com 400 quilômetros de diferença sobreviveram dois meses. Sim, eles se separaram em Abril. Imagine então se eles morassem juntos debaixo do mesmo teto.

Jorge* e Alessandra* passaram por essa experiência. Após alguns anos de namoro, resolveram se casar. E um mês depois resolveram se separar. Uma semana juntos dentro da mesma casa foi tempo suficiente para descobrir que ele cortava a unha na sala e deixava as lascas no tapete e que ela deixava calcinhas secando no banheiro. Ele também recebeu a triste notícia de que ela não fazia bolo todos os dias. E Jorge gostava de bolo. O fato de Jorge incorporar espíritos e fazer macumba, também atrapalhou.

Jorge só se estabeleceu em seu segundo casamento, quando começou a administrar uma casa de entretenimento adulto na qual sua mulher trabalhava. Os dois só se vêm durante a hora do almoço, pois estão trabalhando a noite. Não se sabe o que aconteceu com Alessandra.

Revistas, jornais do meio-dia apresentados por Sandra Annemberg* e tantas outras publicações tentam apresentar as fórmulas para um casamento perfeito. São dicas como “sexo”, “programas juntos”, “apimentar o sexo”, “viagens em casal”, “aumentar a intensidade do sexo”, “realizar atividades em conjunto”, “sexo” e outras coisas que podem ser realizadas pelo casal. Tentar manter um clima eterno de namoro e felicidade.

Só que no meio disso tudo tem justamente as unhas no sofá, as roupas intimas no chuveiro, hábitos higiênicos desagradáveis e tudo mais. Fora o stress do cotidiano, a TPM.

As histórias que abriram o texto mostram que o verdadeiro sucesso de um casamento de sucesso é:
- viver separado.

Funciona mais ou menos assim: você se casa, passa uma lua de mel em algum lugar interessante e então viaja para a Bulgária. Sua mulher continua em casa. Talvez ela possa viajar para a Romênia enquanto você fica em casa, não sei. Todos os dias vocês se falam pela internet, fazem juras de amor eterno. Depois de quatro meses, ela vai te visitar na Bulgária. Passam juntos cinco dias super felizes. Vocês sentem saudades das qualidades um do outro, comem pipoca juntos e tudo mais. Cada um volta pro seu lado. Depois, nas férias do fim de ano, você vai visitar ela. Passa um tempo com a família, se sente super feliz em casa, faz as coisas que fazia quando morava por aqui. É um mês maravilhoso, você não vê a hora de voltar de novo no fim do ano seguinte, assim como ela não vê a hora de voltar para a Bulgária. São meses de saudade. Depois de uns três anos, convém mudar para a Croácia, ou para a Austrália e dar um novo ânimo as viagens dela. E assim vocês podem ficar 40 anos juntos em um amor eterno.

*Nomes fictícios.
**No caso, todos esses nomes seriam fictícios também.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Horóscopondo

Este blog já publicou muitos horóscopos. Clique no marcador Horóscopo aqui em baixo para ver. Aliás, eu mesmo já publiquei vários horóscopos quando estava no colégio, época em que eu escrevia pela empresa Inconfidentes S.A. Já publiquei horóscopos no jornais do CH3. Já os publiquei até no inferno. Mas este hábito parou nos últimos tempos.

Porque? Porque horóscopos são todos iguais no fundo. Falo tanto dos horóscopos normais, quanto dos horóscopos publicados aqui no CH3.

Os horóscopos do jornal tentam achar palavras de fácil identificação. Daquelas que ao final você diga “olha, parece comigo mesmo”. E se você algum dia fizer o teste, verá que pode se identificar com qualquer signo. “É um tempo de mudanças”, “é um bom momento para investimentos futuros”. Coisas vagas.

No horóscopo do CH3 é a mesma coisa. São as piadas de sempre, só que de maneira diferente. Trocamos um cavalo por camelo, o verbo esmagar por mastigar e cabeça por pé. E assim seu azar estará determinado da mesma forma. E aqui você nunca terá sorte. Porque não é engraçado nem legal ter sorte. Em um horóscopo do CH3, os signos finais, com ênfase em Peixes, são sempre prejudicados porque a criatividade já foi esgotada e já se repetiu muita coisa. Touro também é um signo muito prejudicado. Áries começa com alguma coisa amena para não assustar e Touro já mostra o azar total que caracteriza o horóscopo.

Com o tempo eu inventei (ou alguém inventou antes, não sei) os horóscopos musicais. Ficaram interessantemente bons. Mas é muito difícil compor doze estrofes de música sertaneja, bossa nova e seja lá o que for.

Dito isso, os horóscopos estão em suspensão. Você pode consultar o nosso acervo, porque imagino que eles poderão ser eternamente úteis. Mas resolvemos fazer uma despedida em grande estilo. Um novo horóscopo. Mas resolvemos deixar de lados os signos. Nossa divisão está entre “leitores do CH3” e “não leitores do CH3”. Muito mais exclusivo do que qualquer horóscopo que você já viu.

Consultamos especialistas, livros e fizemos nossas próprias observações.

Leitores do CH3: É um tempo de mudanças. Você irá ganhar na mega-sena. Menos mal que você irá dividir o prêmio com menos de 100 pessoas. Há boas chances de sobrar um milhãozinho para você. Você irá ser promovido no seu emprego. O que não vai adiantar muito, já que você irá pedir demissão para curtir seu prêmio. Você também terá sorte no amor. E sorte no jogo. E a sorte a partir de hoje irá sorrir para você a qualquer segundo e irá chover sorte na sua cabeça. 08 – 21 – 36 – 43 – 47 – 52.

Não leitores do CH3: Você irá chegar em casa e perceberá que ela foi invadida por camelos albinos canibais que estão fugindo de um vulcão islandês. Logo o vulcão islandês estará no seu quintal e você é que terá que fugir para outro lugar, provavelmente um mundo paralelo por detrás do espelho do seu banheiro.

E em breve musicaremos nossos horóscopos musicais.

domingo, 9 de maio de 2010

Entenda os filmes clássicos de ação

Confesso que para mim é um tanto quanto estranho fazer esse post. Como assim, ter que explicar os filmes de ação? Há algo que precise ser explicado? Há bandidos e há um homem. Este homem irá acabar com os bandidos, fazendo o que for possível. Mas não somente. Ele ainda utilizará frases de efeito para realizar suas tarefas. Explico então os estilos de cada um dos expoentes.

Charles Bronson: Começo pelo mestre. Nada disso seria possível se ele não existisse. Charles Bronson é o homem que personifica a famosa fala dos trailers “One Man”. Ele enfrenta o mundo sozinho. Começou fazendo papéis de índio civilizado em filmes de velho oeste. Mas se consagrou na série Desejo de Matar, na qual interpretava um arquiteto. O assassinato de sua mulher e a falta de ação das entidades responsáveis o obrigou a fazer justiça com as próprias mãos. Depois foi o assassinato de sua filha. E então ele pegou gosto. Ia visitar um amigo e percebia que o bairro dele estava dominado por punks violentos. O que ele fazia? Chamava seu amigo Wildey. E os dois resolviam o problema. Claro, sua vida era uma tragédia, todas suas namoradas eram assassinadas, seus amigos próximos. Mas ele não deixava escorrer uma única lágrima. Ele resolvia o problema, na bala. Você nunca o verá trocando socos com alguém.

Sylvester Stallone: Não falamos aqui sobre sua série Rocky. O filme do boxeador não é um filme de ação. É um drama de dimensões épicas humanas, que perpassa todos os aspectos da vida, tendo o boxe como pano de fundo. Stallone resolvia os problemas no braço (incluindo quedas de braço). Sempre tem uma frase de efeito para dizer. Derrota seus inimigos moralmente com essas frases. Acabou com guerras no Vietnã, Afeganistão e Birmânia. Qualquer objeto pode ser letal em suas mãos. Seu único problema, é que todos os seus filhos são afeminados.

Chuck Norris: Nunca utilizou uma única arma na vida. Nem mesmo facas. Até mesmo cadeiras ou objetos disponíveis ao alcance de suas mãos. Se há algum problema, ele vai pra cima com socos, chutes e seu famoso roundhouse kick.

Arnold Schwarzenegger: Seu principal ramo de atuação é nos filmes de ficção científica. Isso porque o austríaco governador da Califórnia tem um visual um tanto quanto... robótico. Por isso ele estava lá, para lutar contra robôs e extraterrestres no geral. Flertava com ramos humorísticos, obtendo bons resultados em True Lies, mas traiu o movimento ao ficar grávido em Júnior.

Steven Seagal: Ele bateria em você facilmente. E se você tentasse fugir, ele correria atrás de você apenas para te dar uma surra. E você pode juntar um grupo de 10 amigos. Os 10 irão apanhar.

Clint Eastwood: Sim. Este senhor, hoje sensível, já foi um dos precursores do gênero. Nos tempos de Dirty Harry não havia limites. Ele invadia lojas com seu carro, derrubava prédios. Fazia o possível para promover a justiça, sem mover um único músculo facial. Sim, ele era sujo.

Bruce Willis: Era o mito na arte de se estourar todo. Sim, ele conseguia o que queria. Mas tudo acontecia no natal e ele saia dos combates como se tivesse sido esmagado por uma manada de Ronaldos.

Van Damme: Apareceu na onda do Karate Kid, das artes marciais. Os filmes eram sempre iguais. Ele entra aqui apenas por ter ficado armado ao vivo no programa do Gugu ao dançar com a Gretchen. E ainda mais porque todos perceberam isso.

Você pode me perguntar agora: e o vin Diesel? E eu digo, vá a merda, você não sabe o que é um filme de ação.

sábado, 8 de maio de 2010

História da Copa do Mundo, parte 5

As Copas de 1986, 1990 e 1994

Eis que a copa seria na Colômbia. Isso, seria. Menos de quatro anos antes do começo da copa as autoridades colombianas falaram “olha, sinto muito, não vai dar”. A FIFA teve que correr atrás de um novo país e acabou escolhendo o México, mesmo país que recebeu a copa 16 anos antes. Provavelmente os dirigentes da FIFA gostam de comida apimentada. Só que 9 meses antes do começo da competição, um terremoto atingiu o país. Mas os mexicanos foram fortes e organizaram o torneio assim mesmo.

Basicamente, foi a copa de Maradona. Ele fez gol de mão, driblando meio time adversário, deu passes e carregou uma seleção medíocre rumo ao título. Aliás, essa foi uma copa de nível baixo. Placares apertados, jogos disputados no calor. O Brasil seguiu bem até as quartas de final, quando foi derrotado pela frança de Michel Platini.

A Dinamarca surpreendeu o mundo ao ganhar todos os seus primeiros jogos e massacrar o Uruguai por 6x1. Mas logo foram derrotados pela Espanha, por 5x1. Mas o maior legado da Dinamáquina (como foi apelidada) foi inaugurar a era dos uniformes horríveis.

O jogo final foi estranho. A Argentina fez 2x0 com facilidade na Alemanha Ocidental (sim, os alemães foram aos trancos e barrancos derrotando seus adversários). Em cinco minutos os germânicos conseguiram o empate, na base da bola lançada na área. Mas, eles se empolgaram e logo depois em um contra-ataque a Argentina fez o gol do título com Jorge Burruchaga.

1990
Se Deus gosta de futebol, ele esquece disso na copa de 1990. Foi a pior Copa da história. A pior média de gols, jogos truncados, muitos empates. Algumas bizarrices aconteceram.

O Brasil levou a sua, por muitos considerada, pior seleção da história. E mesmo assim terminou a primeira fase com a segunda melhor campanha do torneio atrás da Itália. E no único jogo em que jogou bem, fomos eliminados pela Argentina que conseguiu ser vice-campeã tendo ganho apenas 2 jogos e marcado apenas 5 gols em 7 jogos. Eles avançaram graças ao goleiro Goycochea que era horrível, mas pegava pênaltis.

E foi um recorde de jogos que iam para os pênaltis, para a prorrogação. A Irlanda conseguiu chegar as quartas-de-final sem ter ganho um único jogo! Sim, eles empataram os quatros primeiros jogos e só perderam para a Itália por 1x0.

As duas semifinais também foram para os pênaltis. A Argentina eliminou a Itália, e a Alemanha (quase reunificada) derrotou a Inglaterra. E parecia que a final ia para os pênaltis. Mas a cinco minutos do fim um gol de pênalti deu o titulo aos alemães. Festa na Alemanha e no mundo inteiro. Finalmente havia acabado.

1994
A copa de 1994 foi uma copa que deu azar. Ok, a final foi horrível, o Brasil jogava burocraticamente, a Itália dependia apenas de Roberto Baggio para marcar gols e grandes seleções como Alemanha e Argentina decepcionaram. Fora isso, os uniformes eram horríveis, com marcas d’água e a camisa dos goleiros feita pela Adidas eram todas quadriculas.

Mas foi uma copa em que o brilho esteve com seleções lado-b do futebol. Quem viu aquela copa não se esquece da Romênia de Hagi, Dumitrescu e Raducioiu. Ou a Bulgária de Stoichkov e Letchkov. A Suécia de Brolin e Keneth Andersson. A Nigéria de Amokachi e Yekeni.

Mas é aquela coisa. Na hora da decisão em uma Copa do Mundo a camisa pesa. Todas essas boas seleções ficaram pelo caminho e na final lá estavam Brasil e Itália. Um jogo entre duas seleções chatas jogado ao 12:30 do verão americano da Califórnia, só poderia ser chato.

O Brasil ameaçou mais, visto que a Itália estava acabada fisicamente. Mas o gol não saiu. A certa altura o goleiro Pagliuca soltou um chute de Mauro Silva e a bola bateu na trave e voltou nas mãos do goleiro, que beijou a trave. Os deuses do futebol não poderiam deixar Mauro Silva definir uma copa. E o Brasil apelou até, chegou a colocar Viola em campo.

As cobranças de pênalti começaram. Baresi perdeu para a Itália e Márcio Santos para o Brasil. Sim, tava ruim do gol sair. Albertine, Romário, Evani e Branco mataram a vontade de Galvão gritar um gol. Logo depois Massaro bateu para a defesa de Taffarel. Dunga pôs o Brasil na frente. Então Roberto Baggio cobrou. E você sabe como foi.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

Várias pessoas já pensaram sobre esse polêmico tema. Criacionistas, darwinistas, xintoístas, fetichistas e membros do Jóquei Clube Piracicaba já se perderam discutindo o assunto. Seríamos nós o fruto da imaginação de um ser superior? Teríamos vindo de um conjunto de proteínas armazenadas sabe-se lá aonde? Foi o ovo ou a galinha? São todas questões difíceis. E são difíceis porque infelizmente não havia filmadora quando tudo isso aconteceu. E quem inventou a filmadora? Difícil dizer também. Foi um processo que envolveu várias pessoas e experiências.

Mas o CH3 não é um lugar para questões difíceis. Aqui elas não existem. Consultamos nossos especialistas para acabar com qualquer dúvida existencial que já tenha passado pela sua cabeça.

Quem somos?
Enquanto seres humanos, nós somos primatas bípedes. Já o que estamos fazendo aqui é um pouco mais complicado. Mas podemos resumir que cada um tem a sua função. Pedro Bial teria uma resposta melhor, mas você não está contente em ser um primata bípede?

De onde viemos?
Tem gente que veio, veio, veio de lá pra cá. E que é, é, é de Cuiabá. Mas sei de pessoas que vieram do Paraná, Bolívia ou mesmo Várzea Grande. Tudo depende do ponto de referência. Quando encontramos pessoas num lugar, o mais lógico é que nós viemos de nossas casas. E aí, onde ficam essas casas? CPA, Jardim Califórnia, Lixeira, Poção, Baú. Se estivermos em um congresso nacional, viemos de nossos estados. Se o congresso for internacional, devemos nos referir aos nossos países. E no caso de um hipotético congresso interplanetário, viemos do planeta terra.

Agora se for no momento do nascimento é mais complicado. Você veio de uma celula reprodutiva constituída de proteínas e carboidratos. Substâncias que você encontra no que você come. Portanto, sua origem pode estar num bife a milanesa, arroz com feijão, porção de batatas fritas ou chocolate que seu pai comeu no dia anterior. Mas no fundo, sua origem estará lá. Nos famosos seis dias, ou na explosão de energia em que tudo isso surgiu. Mas se você quiser algo mais próximo, a origem está no bife com batata frita.

Para onde vamos?Tem gente que você gostaria que fosse praquele lugar¹. Eu vou dar uma passada no shopping agora à tarde, uma amiga minha está voltando pra casa e um outro amigo está indo para o trabalho. Em todo o caso, o nosso destino comum já foi abordado aqui alguns posts atrás, mas é uma verdade inconveniente®. Pai Jorginho de Ogum poderia dizer muito mais sobre esse fim, caso ele não fosse um charlatão.

Esperamos que, com essa postagem, nós tenhamos conseguido o que objetivemos². E que assim você possa viver mais tranquilamente, sem as tantas dúvidas que circulam ao redor da sua cabeça.

¹Aquele lugar, também conhecido como “puta que o pariu”. Existencialmente, não trate isso como xingamento, apenas como uma volta as origens.
²Tradução livre: “Espero ter conseguido o que queria”.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Guia CH3: Como se tornar uma sub-celebridade

Taí. Você descobre que quer viver o resto da sua vida de projetos. Só que você teve problemas na matéria de Projetos na faculdade e não quer ser engenheiro. Na verdade o projeto que você ambiciona vai muito além de folhas de papel. É algo para a vida, um projeto de vida que não precisa gastar papel e tinta. O seu projeto é viver de projetos. Para isso, você precisa se transformar numa sub-celebridade. E como fazer isso?

Existem dezenas, quiçá centenas de maneiras de se conseguir esse objetivo. Mas alguns são mais fáceis. No geral você precisa ser uma pessoa muito bonita ou absolutamente estranha. Se você for estilo Rob Gordon “Eu sou o que? Médio. Não o cara mais esperto do mundo, mas seguramente não o mais tapado (...) Minha genialidade, se puder chamá-la assim, é combinar toda essa carga de medianidade numa estrutura compacta única”. Se você for assim, esqueça.

1 Case-se com um famoso: Funciona se você for mulher. Existem dezenas de publicitários, apresentadores de TV, atores globais, jogadores de futebol loucos para casar. Você se casa, faz um filho (se tiver sorte e competência) e pede o divórcio em... treze meses. Você conseguirá notas em sites especializados sobre o seu andar na orla, suas idas ao shopping e suas aparições em festas, por alguns bons anos. E uma vez casada com um famoso, você tem boas chances de se casar com outro famoso. Há uma rotatividade inexplicável nisso.

2 Participe do BBB: Durante uns dois anos, e alguns outros anos na época do programa, você conseguirá aparições no TV Fama.

3 Consiga papeis secundários em programa de TV: Se você conseguir ser algo como “dançarina do Faustão”, “garota da banheira do Gugu”, “figurante do Zorra Total”, pode quem sabe conseguir uma capa de Playboy. E lá estará garantido participações especiais no programa da Luciana Gimenez.

4 Apele para a extravagância: Aí entra se você for esquisito. Você precisa criar uma espécie de personagem. O gordinho que toca trompete nos jogos de vôlei, a mulher sem dentes que tenta beijar jogadores de futebol e coisas assim. De fato, você não conseguirá notícias sobre você no site. Apenas quando o seu personagem agir.

5 Saiba se portar: Sempre diga que você é modelo.

6 Agregue valores: Seja uma ex-bbb que se casa com um famoso e sai na Playboy. Seja uma mulher sem dentes e assistente de palco do Faustão. Explore as possibilidades e viva atrás dos seus sonhos.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Acordar

Hoje voltamos a nossa rotina de cada dia, na medida do possível. E retornar a rotina passa sempre por um ato: acordar.

Todo ser humano deveria ter orgulho de si mesmo por acordar todos os dias. Despertar é um pequeno desafio que nos é imposto diariamente, de tal forma que se torna o maior desafio da nossa vida. Acordar é quase como nascer de novo. É como ser retirado uma segunda vez do ventre materno. Nesse caso, a sua cama e o seu lençol quentes.

Quase nunca é algo natural. Há quem diga que consegue, mas é quase impossível acordar naturalmente. Você precisa fazer uso de instrumentos para conseguir realizar essa tarefa. E sempre há a vontade de ficar mais um pouco. Que jogue a primeira pedra aquele que acorda bem disposto. Você sempre acorda com algum incomodo na cabeça, alguma tontura por ter levantado rápido. Ou simplesmente cansado.

Não é irônico que algo que fazemos justamente para descansar, nos deixe cansado? Aquela sensação de estar com os ossos quebrados e o corpo moído. Parece que você passou a noite inteira praticando exercícios físicos involuntários.

E ainda existem as surpresas ao acordar. Você pode dormir bem e acordar mal. Pode ir dormir morrendo de dor de cabeça e acordar bem. Sua garganta pode acordar inflamada depois de uma noite. Dores podem aparecer ou sumir. E o seu humor? Você pode dormir feliz e acordar incrivelmente mal-humorado? Por quê? Eu não sei. É um verdadeiro mistério saber o que é que acontece nessas 8 horas diárias recomendadas de sono. As vezes, é como se uma vida nova começasse a cada dia.

E como encarar esses desafios diários? Existem dias em que vocês simplesmente não queria ter que acordar. Alguma coisa que aconteceu, ou que você sabe que vai ter que fazer e era melhor não ter que fazer. Seria mais fácil continuar dormindo. Mas normalmente não é possível. Acordar faz parte de toda a dificuldade da sua vida. E se você está lendo isso, não tenho dúvida de que deveria se orgulhar por ter acordado hoje.

sábado, 1 de maio de 2010

Hoje não

E as palavras, onde ficam?

O mundo seria mais fácil sem os dias tristes. Pelo menos seriamos poupados de ter que escrever sobre eles, o que é sempre difícil, tão difícil de sair do lugar comum e escrever algo lógico.

E hoje é um dia triste, dia em que perdemos nosso querido amigo Dyolen. Nosso leitor fiel e o homem que nos fez aparecer no jornal A Gazeta.

Mas acima de tudo, um jovem radialista, jornalista, diretor de curtas, pesquisador, dono de uma risada inconfundível. Um jovem que vai, assim, quando a vida mal começou.

E antes de qualquer coisa, os principais leitores do blog são nossos amigos próximos, muitos, amigos dele também. Não faria sentido tentar provocar risos num dia em que não há motivos para rir.

Ficamos apenas com o nosso silêncio e com nossa solidariedade aos familiares e todos os que tiveram o prazer de conviver com ele.