segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Invasão Americana

Hoje é dia de Halloween, o dia das bruxas. Aposto que durante boa parte da sua vida, você nem sabia quando é que ele acontecia. O nome “Halloween” só trazia lembranças de alguns filmes de terror. Os massacres, assassinatos, genocídios e aparições sobrenaturais que aconteciam previsivelmente nesta data. Se eu fosse americano, eu nem sairia de casa nesta noite. Ou, melhor, viajaria para outro país.

Porque é certeza que vem merda. Os monstros podiam atacar no dia seguinte, não? Daqui quinze dias. Mas, sempre escolhem o 31 de outubro, ano após ano. E ninguém percebe isso. Ninguém faz nada para evitar isso. E agora, é o caso dos brasileiros se preocuparem também.

Porque é possível que você esteja comemorando o Halloween. Colocando seus filhos com roupas ridículas e mandando-os bater de porta em porta pedindo doces ou travessuras. Um convite aos pedófilos de plantão. É provável que você esteja aí, vestido de abóbora, planejando e se preparando para cometer homicídios em série.

A culpa, é claro, deve ser dos publicitários, sempre eles, este povo maldito. Eles devem ter inventado o Halloween no Brasil para vender alguma coisa. Talvez seja um grande ato junto com a indústria das abóboras, ou com a poderosa indústria que fabrica máscaras de Jason. O fato é que Halloween deixou de ser um hábito escroto dos americanos e entrou em nossa rotina.

Assim como o futebol americano e outros esportes, que surpreendentemente, são chamados de americanos. Antigamente, o brasileiro só ligava para o futebol e algum outro esporte que tivesse um brasileiro vencendo. O beisebol, por exemplo, era ridicularizado. Tacos de beisebol eram utilizados apenas por psicopatas e um ou outro civil disposto a promover linchamentos públicos.

Hoje não. Você é que corre o risco de ser espancado se falar que acha beisebol um esporte insuportável. Que é impossível entender porque aquele monte de gente saí correndo de um lado para o outro, como baratas envenenadas, depois que um cara rebate uma bola. Fora um monte de estatísticas retardadas como “o cara que mais rebateu bolas para fora do estádio no dia seguinte a uma hecatombe nuclear”.

O Superbowl, a final do futebol americano, já é um evento nacional. Pessoas se unem em bares para assistir a partida. Vibram com interceptações e gritam quando um touchdown é anotado. Compram camisas, capacetes, ombreiras e bolas ovais.

Dizem que toda esta influência já está fazendo com que surja em nosso país a folclórica figura do capitão da equipe de futebol americano do colégio. Que eles já andam por aí, utilizando armários para constrangimento público e humilhando os nerds, que depois se vingam de maneira cruel.

Creio que em breve, se isso já não estiver acontecendo, as pessoas estarão curtindo hóquei no gelo. Estarão aqui em Cuiabá, montando grandes quadras congeladas para praticar o distinto, e quem sabe, refrescante esporte. E logo chegará o dia em que estaremos comemorando o dia de ação de graças.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O mundo após o fim de Zezé di Camargo e Luciano

Zezé di Camargo sobe ao palco sozinho. A cena dele, sozinho, sem seu irmão Luciano é diferente. É como ver o Cristo Redentor de braços cruzados, ou as cataratas do Iguaçu vazias, para citar outros dois patrimônios nacionais. Os filhos de Francisco estão separados e o Brasil se divide.

Mirosmar está no palco, sozinho. Ele diz que brigou com Welson. Por motivos desconhecidos, uma briga de irmãos afirmou a assessoria dos cantores. No dia seguinte, um dos irmãos, que eu já não sei quem é quem, foi internado no hospital. Na UTI. Mas, não é nada para se preocupar, afirma a assessoria dos cantores. Ele queria apenas um pouco de privacidade.

Talvez seja uma grande ironia do destino. Talvez Luciano morra, e realmente acabe com a banda, digo dupla. Mas a primeira coisa que fica do mundo pós ZdC&L é a nova tendência das celebridades, internar-se na Unidade de Terapia Intensiva em busca de privacidade. Foram-se os tempos de viagem para as Bahamas, Miami, ou Poços de Calda. Foram-se os tempos de temporadas em SPAs ou na Ilha de Caras. A moda agora será buscar UTIs.

Um espaço aconchegante, com brilhante decoração. Tudo dos mais modernos equipamentos médicos. Um espaço para você cuidar da sua saúde, ao lado de uma turma muito animada, formada por doentes terminais, pós-operatórios e, claro, outras celebridades. O único problema é que o lugar é disputado, é difícil encontrar vagas, e por vezes é preciso entrar na justiça para conseguir.

O motivo da briga, é desconhecido. No entanto, fontes que estavam presentes no camarim nos contaram como tudo começou. Ao que tudo indica, Zezé pegou as bolinhas de gude prediletas de Weldon. Que por sua vez revidou, avisando que não comeria a sobremesa. Ou melhor, que não comeria a salada. Na verdade, ele tentou ir direto até a sobremesa. Zezé tentou impedi-lo, e Luciano revidou, novamente, atirando frutas-secas sobre Mirosmar. A ONU ainda investiga a presença de uvas passas na sobremesa.

A ONU, aliás, ao lado da OTAM, Cruz Vermelha e OAB ainda deve se manifestar sobre o fim da dupla. Eles se reunirão, elaborarão grandes relatórios e estudarão cada palavra a ser dita. Barak Obama já se pronunciou, dizendo que o fim da histórica parceria se compara a queda do Muro de Berilm, a queda das torres gêmeas e a queda do cavalo de Rodrigo Pessoa. Aliás, não foi uma queda, foi uma refugada.

Em todo o planeta nós temos visto manifestações de pesar. Egípcios se dirigiram até aquela praça deles, aonde eles sempre vão nos momentos decisivos. O muro de lamentações recebeu pessoas de todas as religiões. Pessoas que subiam as escadarias da Igreja da Penha de joelhos desistiram, porque perderam a fé. O Papa Bento XVI teve que pedir para que seus fiéis não abandonassem a religião e teve dificuldades em explicar onde está deus neste momento.

O próprio CH3, pensa em mudar seu nome para... ahn, não sei.

Afinal, vai se a dupla e ficam os dois, separados. O fim da dupla sertaneja é uma complicação, porque sua divisão acaba por multiplicar. Parece até com o câncer.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Segredos Femininos

Porque as mulheres vão juntas ao banheiro? Uma pergunta que já foi feita em muitas épocas, em muitas situações, em muitas sociedades. Uma pergunta que surgiu no paleolítico e atravessou a barreira tempo/espaço. Elas conversam sobre maquiagem? Sobre necessidades? Precisam de ajuda para fechar zíper do vestido? Fumam maconha? Aprontam os mais sujos e pervertidos desejos sexuais. O que? O que?

Quando esta pergunta é levantada, informalmente ou mesmo formalmente, as mulheres ficam irritadas. As feministas chegam a partir para a agressão física e verbal. “Porque vocês querem saber? Por um acaso vocês acham que mulheres não podem conversar? Que elas tem que pedir licença aos homens pra ir ao banheiro? Que tem que contar tudo? Isso é culpa da sociedade patriarcal”.

Antes de ter seus testículos castrados com um paliteiro, alguém dirá que é apenas uma piada. Duas mulheres levantam e vão juntas ao banheiro. Dali a pouco outras duas vão. Mais outras. Uma diz que vai no banheiro e pergunta quem quer ir com ela. Alguém, num lapso talvez, levanta a questão. “Afinal, porque estas cidadãs têm que ir em duplas até o toalete?”.

Uma piada que, de tão repetida, já ficou batida. Ninguém mais faz esse comentário, com medo de que achem que você é o Faustão. E, sendo o Faustão, você poderá encontrar as mais sérias restrições em sua vida. A começar pelo fato de que logo irão imaginar que suas roupas sejam horríveis, que você é um chato e que você fará piada com o tamanho do nariz das outras pessoas.

Agora, no advento do Facebook, as mulheres trazem outra dúvida ao planeta. Dúvidas cruéis aos seres do gênero masculino. E do feminino também. Uma espécie de piada interna, que não chega a ser piada, nem interna. Estou no Facebook há menos de um ano, então não sei como começou. Apenas sei que ele jamais irá superar o finado Orkut, a rede social inesquecível deste país.

Meses atrás, creio que meses, ou seriam semanas?, todas as mulheres de sua timeline começaram a aparecer com enigmáticas mensagens do tipo “33 polegadas”. No início, imaginou-se que fosse algum viral da Mitsubishi, Samsung ou fabricante similar de televisões LCD. Mas não era, era apenas uma campanha de conscientização sobre os riscos do câncer de mama.

Uma espécie de campanha interna, entende? Só as mulheres sabem. O que pode ser excludente, porque afinal, homens também podem sofrer com câncer de mama. Campanha inútil? Não sei. Mas está é uma discussão longa e as feministas podem organizar emboscadas contra você. Antes que você pisque os olhos, você já poderá estar castrado sem perceber.

Agora, nos voltamos com outra mania estranha. Pessoas que falam que vão viver 20 meses na República Dominicana. Pessoas felizes comentando “uau! Como assim?! O que você vai fazer lá?! Conta aí!” ou “nossa, que azar! República Dominicana? Antes fosse Paris! O que é que você vai fazer tanto tempo nesse fim de mundo?”. Mulheres e mais mulheres indo viver no exterior por meses.

Antes que os homens entrassem em desespero e perguntassem o porque deste êxodo, veio a explicação. Ou melhor, não veio ainda. Porque muitos ainda se olham no espelho e examinam se foram castrados dormindo. “Será que a culpa é minha?”. Enfim, a explicação é a mesma de sempre. É a campanha de conscientização contra o câncer, que utiliza o Facebook como plataforma de divulgação.

Campanhas semanais de conscientização e que estão cada vez mais surreais. Os 20 meses na República Dominicana correspondem a data de aniversário da viajante, de acordo com um tabela surreal que foi elaborada com base em complexos cálculos matemáticos. Cada dia é um mês, cada mês é um país, cada país é... bem, é um país apenas. Entendeu?

Mês que vem outra campanha devera vir até nós, de algum lugar, do céu talvez. Mulheres dizendo que comeram batata frita em Cuba. Que dançaram lambada com o Erik Marmo (ele ainda está vivo?). Que chuparam picolé comendo farofa. Enfim, uma putaria só. Por isso que bom eram os tempos antigos em que as mulheres se ocupavam com os afazeres domésticos. Agora, cabeça vazia, só pensam em besteira.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Guia CH3: Como fazer um show de Stand Up

Não há mais como negar. Não há para onde escapar. A comédia Stand Up dominou o país. Os profissionais desta área provocam comoção e admiração nacional. Ocupam espaços na grade da televisão brasileira, ocupam grandes espaços no centro de nossas metrópoles. Diversas pessoas ganham a vida com este modo de vida. Ou, nem tantas, porque o Stand Up não emprega muitas pessoas. É o show de uma pessoa só.

No mundo atual, saber fazer um show de Stand Up pode ser um diferencial no mercado. Um plus a mais em seu currículo. Um chefe vê dois candidatos que falam inglês e mandarim, têm doutorado em Harvard e já pisaram na lua. A única diferença é que um ganhou um Nobel da Paz e o outro faz shows Stand Up. Sem dúvida, a escolha cairá sobre aquele que faz Stand Up. Uma ajuda para eventos corporativos e para o ambiente de trabalho.

Alexandre Frota, Rafinha Bastos, Eri Johnson e outros candidatos a anticristo em potencial já atuam nesta área. Seja você o próximo.

Comece escolhendo a sua roupa. Prefira camisas pretas, ou até mesmo um terno. A discrição faz parte do jogo. A idéia é que o seu figurino não chame mais a atenção do que o que você vai falar. Ou não. Talvez a cor preta seja algo que diferencie os comediantes em pé, alguma insígnia típica de maçons.

O cenário não deve ter nada. Apenas um microfone, sem pedestal. A idéia é que o cenário, ou a ausência dele, não chame mais a atenção do que o seu texto. Você poderia providenciar um banco, caso você fique cansado em algum momento. Mas o banco pode desviar o foco de suas sábias palavras e os espectadores podem te chamar de “Judas” ao te verem sentados, afinal, a comédia é Stand Up.

Quaisquer outros detalhes são dispensados. O foco está em você e apenas em você. Escute alguma música empolgante para levantar a sua auto-estima, como o tema de Rocky Balboa, ou quem sabe, a última dos Black Eyed Pea. E prepare o seu texto.

A idéia é que o Stand Up seja uma comédia de improviso, focada em pequenas coisas do cotidiano. Mas, este improviso já é ensaiado. Se você vai num evento de engenheiros elétricos, pense em algumas piadas sobre as atividades deles. Estude o que eles façam, isso provoca uma aproximação com o seu público alvo. No entanto, piadas como:
- Engenheiro elétrico gosta de fio terra.
- Dois engenheiros elétricos estavam atravessando a rua. Um disse “olha o caminnblosh” o outro respondeu “que camniaaisihasibkolosh”.
Podem ser consideradas de mal gosto e provocarem a revolta.

Se suas piadas não estiverem colando, tente fazer alguma observação sarcástica sobre algo do cotidiano. Tal observação deve ser iniciada sempre com as seguintes expressões:
- “Batata” é um negócio curioso né?
- Uma coisa engraçada é “batata”.
Substitua “batata” pelo item sobre o qual você quer fazer humor. Foque em pequenas coisas curiosas do cotidiano. Já falei isso? Piadas sobre filas e ônibus fazem sucesso. Sempre enfie uma gorda no meio. Conhecem uma piada de gordo? Um gordo.

“Então, falando em engenheiro elétrico... fila é um negócio engraçado né? Pode ver, em toda fila tem uma gorda. E essa gorda gosta de falar com todo mundo. Porque alguém tem que conversar com a gente? Porque ela acha isso? E ela é gorda!”.

Se as piadas não estiverem funcionando, parta para as piadas de churrasco. Imagine que um Stand Up Show é um grande churrasco, sem carne, sem cerveja, sem mulheres, sem piscina, sem jogo de futebol, sem música ruim e tudo o mais que envolve um churrasco. Faça piadas sobre casamento, times de futebol, sogras.

Se continuar não funcionando, acalme-se. A situação é crítica mas pode ser revertida. Parta para os ataques pessoais e ofensas aos políticos e sub-celebridades.
- O que é uma Kombi com cinco políticos dentro pegando fogo? Um desperdício, porque na Kombi caberiam oito políticos.
- O psicopata que matou a mulher maçã, mulher pêra, mulher jaca, mulher morango, mulher melão, mulher melancia, mulher uva foi absolvido. O juiz entendeu que ele só gostava demais de salada de fruta.

Ainda é possível tentar a sorte com imitações de Silvio Santos, Nelson Ned, Maria Bethania e Pelé.

Se continuar dando errado, metralhe a platéia e vista a máscara de politicamente incorreto.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Aprendiz

- Tá vendo esse seu trabalho aqui? Ele é uma merda. Eu não limparia minha bunda com ele para não sujá-la. Vai lá e faz tudo de novo seu bosta.

Se alguma pessoa fala isso para você na rua, é provável que você pegue em armas brancas para uma disputa de vida e morte. Se quem fala isso para você é o seu chefe, o mínimo que ocorrerá é um processo de assédio moral. Porque você vai sair da sala dele chorando. Um filme se passará em sua cabeça. Você se imaginará:
- Dando um tiro na cabeça dele.
- Golpeando-o com um grampeador.
- Mandando ele para a puta que o pariu, a merda, ou similar.
- Dizendo, “ok chefe, vou fazer”.
- Tirando a roupa e gritando “eu sou uma borboleta, hahahahaha”.
Entre outras reações.

Se você contar o fato para seus familiares e entes queridos, muito provavelmente eles começarão uma guerra civil. Porque ninguém fala com alguém dessa maneira, isso não é justo. Tirando é claro, se você estiver em um reality show em busca de um milhão e meio de reais.

Ai o normal é que seu chefe vire ídolo. Pessoas utilizarão camisetas dele e o curtirão no Facebook. Ficarão decepcionados com reações como “seu fracasso energúmeno!” e vibrarão com o momento em que o chefe quase agredir seu funcionário fisicamente. Porque chefes fodões são bons não TV. Funcionários se humilhando são bons em realities shows. Aliás, um reality show não tem nenhuma outra função em nossa sociedade que não seja a de mostrar pessoas se humilhando pela situação que for.

Talvez um programa como o Aprendiz faça ainda mais sucesso, pelo fato de que boa parte dos candidatos sejam publicitários. É um prazer sórdido quase sexual, ver um publicitário em situação humilhante. Bem, isso acontece em todo e qualquer momento. Teorias dizem que Hanz, o pansexual, na verdade, tem apenas um prazer: ver publicitários sendo maltratados. Por isso ele sente prazer o tempo todo. O tempo todo.

E fica a sugestão. Porque não colocarmos aprendizes em outras profissões? Heim? Heim? Poderíamos ter um aprendiz de coveiros. Quinze homens em busca de um salário de 800 reais. Provas emocionantes. Meia hora pra achar um defunto em um cemitério sem nenhuma placa de identificação.
- É isso que você chama de cavar um buraco? É assim que você enterra o corpo? Esse defunto faz melhor que você, entendeu? ESSE DEFUNTO FAZ MELHOR QUE VOCÊ, filha da puta.

Um aprendiz com Stallone Cobra sendo o chefe. Chefe do que? Não sei.
- Você é a doença rapaz. E eu sou a cura. Engole esse choro! Engole esse choro sua menininha fétida! Vai chorar é? Vai chamar a mamãe? Vagabundo de uma figa.

E o próprio Roberto Justus, antiga lenda de O Aprendiz poderia mudar seu foco. Ao invés de funcionários para a sua empresa, os candidatos teriam que aprender a fazer um topete igual ao seu.
- Você diz que esse penteado é igual ao meu? Heim? Olha na minha cara e fala isso se você for homem, seu puto. Você não sabe pentear um cabelo nem aqui nem na casa do caralho! Vai embora e nem pensa em gravar um cover do Sinatra antes de arrumar esse topete!

E quem sabe, um aprendiz de humoristas de stand-up.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Tarados de Plantão

Os Tarados de Plantão. Um grupo de homens que age anonimamente todos os dias. São pedreiros, motoristas, instrutores de auto-escola, astrônomos amadores, enfim, homens que pertencem as mais diversas classes e grupos sociais. Os Tarados de Plantão andam normalmente por aí e fazem apenas uma coisa: comentários sexuais sobre mulheres.

Os Tarados de Plantão não fazem distinção entre grupo e classe social. Mulheres brancas, pretas, amarelas, azuis (avatar), vermelhas, verdes, paraplégicas, tetraplégicas com todas as idades. Qualquer mulher exerce atração sexual para os tarados de plantão. Atração que é demonstrada através das palavras: “essa daí heim?”.

Três palavras simples, teoricamente inofensivas, mas que carregam uma grande carga simbólica. Ao dizer “Essa daí heim”, o tarado de plantão na verdade quer dizer “Ah! Com essa mulher eu faria as mais diversas loucuras. Cobri-la-ia com geléia de morango e experimentaria o Kama Sutra, página após página ao som de Barry White. Enlouqueceríamos juntos em uma noite de prazer insaciável!”.

Não precisa ser a Gisele Bündchen pedindo desculpas de lingerie. Ao se deparar com uma senhora gorda exibindo o umbigo pendurado sobre o short, o tarado de plantão diz:
- Essa daí heim?

Pode ser uma estudante que ainda assiste Malhação e pesa aproximados 30kg:
- Essa daí heim?

Pode ser uma senhora de idade que em muito lembra a Dona Clotilde, sua professora de primeira série:
- Essa daí heim?

A mulher barbada ou outra similar que liderar o Guinness Book em algum recorde extremo:
- Essa daí heim?

Lembremos que essas palavras são acompanhadas de um cutucão com o cotovelo nas costelas do interlocutor, esperando alguma resposta positiva.

Os tarados de plantão se comportam normalmente quando estão em lugares públicos. Você pode acreditar que eles são pessoas normais, mas assim que eles se fecham em algum lugar é que eles se revelam. E seus olhos passam a passear pecaminosamente pelo corpo das mais diversas mulheres. Toda e qualquer mulher em toda e qualquer situação. Não importa se é a capa da Playboy, a capa da Sexy, capa da Boa Forma, da National Geographic ou da revista Freak Show.

O carro é o lugar ideal para um tarado de plantão. A situação quase sai de controle. Isolado pelo mundo, em grupo eles se liberam. Ah, claro os tarados de plantão tem apenas um assunto em comum. Putaria. Se alguma mulher entra no recinto, eles passam a falar de putaria não explicita. Quando a mulher saí, eles voltam a falar de putaria. Com a mulher anterior envolvida no meio. Porque, essa daí heim.

Os Tarados de Plantão não tem endereço fixo ou telefone de contato. Mas um deles pode estar atrás de você neste exato momento.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Pan na Record, ou, saudades do João Bobo

“Um ano antes das Olimpíadas os atletas brasileiros disputam os jogos pan-americanos. Contra atletas de Trinidad & Tobago, República Dominicana e atletas universitários dos Estados Unidos o Brasil dá espetáculo e consegui ali bater por pouco os juniores do Canadá. Com isso cria-se uma expectativa de que o Brasil irá arrebentar nas Olimpíadas do ano seguinte”. Paragráfo de abertura de “O Brasil nas Olimpíadas”, até hoje o texto mais lido da história do CH3.

CENA 1.
O presidente do Botafogo, Maurício Assumpção estava sendo entrevistado ao vivo no programa Bate-Bola da ESPN Brasil. O assunto era o racha no Clube dos 13 por conta da discussão sobre a venda dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. A TV Record fazia uma proposta financeiramente melhor do que a TV Globo, mas muitos clubes preferiam assinar com os globais. Os motivos? Interesses políticos diversos. Mas ninguém falava abertamente sobre isso. Questionado pelos jornalistas sobre o assunto, Assumpção disse.
- Muitas emissoras não têm expertise.
Além de colocar a palavra expertise no dicionário setting, o presidente pareceu estar usando a suprema arte de enrolar as pessoas. O que raios era essa expertise? Isso não é verdade.

CENA 2
Thiago Pereira pula na piscina pan-americana. Seus adversários são fracos e ele deve ganhar a prova com um pé nas costas. E assim acontece. Ele vence a disputa facilmente, com um tempo quase 10 segundos acima da sua melhor performance. Uma prova morna, fraca. Menos para os narradores da Rede Record, que com exclusividade transmite a competição.
- Vai Thiago, um monstro! Um monstro! Deslizando na água em uma prova sen-sa-cio-nal!

Há muito tempo que a Record tem tentado superar a Globo em audiência. Para isso, contrataram profissionais, copiaram cenários e até mesmo os figurinos da Vênus Platinada (um sonho antigo. Utilizar esta Antonomásia). Sim, até as cores de camiseta, o blazer com o logo colorido.

Conseguiram sucesso com uma ou outra novela, principalmente quando essa novela não tinha seres peludos produzidos através de fantásticos efeitos especiais. Seu jornal continua desconhecido e recentemente entraram numa batalha esportiva. Tiraram as Olimpíadas da Globo. Também tentam adquirir o Campeonato Brasileiro, a Fórmula 1 e a corrida do saco.

A primeira grande transmissão roubada pela Record é a dos Jogos Pan-americanos de 2011. E ai entra a expertise. Entra tudo. Até agora a transmissão foi simplesmente pavorosa.

Colocaram um coitado para narrar Taekwondo. Sim, tá certo que o esporte é insuportável, mal dá pra entender o que é que está acontecendo nessa maldita luta. Mas que se chame alguém que entenda. Alguém que dê uma ajuda para o pobre do locutor. É melhor do que deixá-lo gritando.
- Olha lá! Grande luta heim. Tá emocionante. 5x5. Olha lá! A torcida vibra. 6x5 agora. Olha lá!

Os comentários primam pela falta de qualidade. Na falta de informação, sobra a empolgação ufanista. Provas medíocres são transformadas em épicos do esporte mundial. Conquistas irrelevantes se transformam em marcos da história brasileira. E as previsões otimistas? O Xuxa (não a Xuxa) chegou a prever “quem sabe os dois brasileiros não empatam e o Brasil leva dois ouros!”. Um fato raro nos tempos da moderna cronometragem. Algo comparável a ganhar dois sorteios da tele-sena com a mesma cartela.

E a mentira? Em certos momentos, eles brincam com a inteligência do telespectador. A brasileira está 10 segundos atrás da nadadora da frente e eles insistem em dizer “a brasileira tá na briga”. Sendo que a única chance de nossa compatriota seria se a nadadora da frente tivesse um mal súbito e se afogasse na piscina.

Galvão Bueno deve assistir essas transmissões e pensar “esses caras são exagerados! Eles gritam demais amigo! São nacionalistas demais! Haja coração!”.

Ou seja, temo pelo futuro do esporte brasileiro. Temo a possibilidade de que um dia a Record conquiste o direito de transmissão do Campeonato Brasileiro. Com o monopólio em suas mãos, eles poderão ser capazes de criar situações que nos deixarão com saudades do João Sorrisão.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Guia CH3: Como Sobreviver

Vez por outras nós podemos nos envolver em alguma situação conflituosa. Você pode abrir os olhos e perceber que está com uma camisa do Palmeiras no meio da torcida do Corinthians. Ou com uma camisa do Palmeiras dentro de um campo de futebol perdendo algum jogo humilhante. Ou simplesmente com a camisa do Palmeiras dentro da sua casa. Uma situação conflituosa.

Como escapar? Você está prestes a ser massacrado. Veja este vídeo e tire lições úteis e importantes dele.



Para escapar de uma situação na qual você está prestes a ser massacrado, a melhor saída é provocar uma confusão ainda maior. Instalar uma barbárie. E aí, você aproveita a confusão para escapar. Claro, neste momento você terá que ser forte, esperto, ágil, para escapar são e salvo.

Atirar uma cadeira é uma maneira de provocar o caos. A imagem de uma cadeira voando dá a exata noção de que está valendo tudo. Afinal, cadeiras foram feitas para que pessoas sentem em cima delas e não para que sejam arremessadas. Existiriam vários outros objetos que poderiam ser arremessados, mas nenhum teria o efeito que uma cadeira tem. Um copo, uma mesa, um saleiro, um garfo. Seria apenas uma agressão. A cadeira não. Ela demonstra esforço pelo caos. Ela marca o momento em que a sociedade civil organizada deixa de existir.

Poucas pessoas sabem, mas foi assim que a Primeira Guerra Mundial começou. Alguém arremessou uma cadeira, a confusão começou e logo o arquiduque Francisco Ferdinando foi assassinado. Recentes conflitos no Reino Unido também começaram assim e uma cadeira arremessada fez com que os militares decidissem tomar o poder.

É claro que você pode tomar uma decisão mais simples, menos violenta. Você pode contar com a chuva. Já que a chuva faz com que as pessoas se comportem como retardadas. Principalmente em clipes dos Guns And Roses.

(quem não se lembra do clássico e insuportável clipe de November Rain. De repente começa a chover e as pessoas começam a correr como se elas fossem retardadas. Era uma chuva apenas, o normal é que apenas tente se abrigar. Mas, em clipes dos Guns and Roses os figurantes retardados correm e se jogam sobre o bolo do casamento E do que aquela mulher morreu? Gripada?)

Um isqueiro é sempre bom. Principalmente se o lugar tiver um detector de incêndio. Quando você estiver prestes a ser massacrado, ligue o isqueiro sob o detector. O alarme de incêndio soará, começara a cair aquele esguicho do teto. Isso será o suficiente para que as pessoas comecem a correr feito bobas, de um lado para o outro. Você aproveita este momento e pula pela janela, no teto do prédio ao lado.

Siga @DicasDoMacgyver. Pode ser bem útil.

Táticas mais antigas, como:
- apontar para o alto e falar “olha aquele avião”.
- Olha a Gisele Bündchen de lingerie pedindo desculpas!
- Olha a sua mãe com três cocos!
São táticas ultrapassadas que não funcionam muito bem. Prefira a cadeira e o isqueiro.

Contribua nos comentários com outras dicas e experiência de vida, que já fizeram você sobreviver.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Podia ser melhor

Tudo na vida poderia ser pior. Mas também podia ser melhor. E existem pessoas que insistem em jogar isso na nossa cara. Sim, porque enquanto os pioristas são falhos conselheiros que tentam nos animar, os melhoristas são sacanas. Eles destroem seus feitos, jogam um sopro de realidade na sua cara, mostram que no fundo você é um merda.

- Cara, você não acredita. Comi a Martinha.
- Podia ser melhor. A Bruninha, irmã dela, é muito mais gostosa.

Perceba que toda a realização do cara foi por água abaixo. Talvez fosse o sonho da vida dele. Com a conquista da Martinha, ele talvez tivesse cumprido o objetivo da sua existência terrena. Mas ela era pior que a Bruninha.

- Ganhei na Lotomania!
- Podia ser melhor... podia ser Mega-Sena.
- Ganhei 400 mil!
- Mega-Sena é 36 milhões, né.

É algo que pode acontecer em qualquer situação.
- Vai no Eric Clapton? Nos anos 60 que ele era bom né, podia ser melhor.
- Passou no vestibular? Podia ser numa faculdade melhor, não?
- Bom o seu arroz. Mas podia ser um risoto.

Porque sem dúvida, tudo poderia ser melhor.
- E ai cara, beleza?
- Podia estar melhor, e você?
- Tudo ótimo cara. Deu tudo certo na minha vida.
- É?
- Comprei um apartamento no Bosque da Saúde.
- Hmm, podia ser melhor, podia ser no Santa Rosa.
- Me casei com a Paola Oliveira.
- Bonitinha... mas podia ter mais corpo.
- Comprei um Porsche.
- Podia ser uma Ferrari... de que cor?
- Prata.
- Se fosse outra cor até que seria um bom carro.
- Sou Ministro do Supremo.
- Podia ser melhor. Podia ser dono de cartório.
- Marque dois gols na final da última Copa do Mundo.
- Nível técnico baixíssimo.
- Jogo pôquer com Chuck Norris e Silvio Santos toda terça-feira a noite. E sempre ganho.
- Sou muito mais truco.
- Que porra meu.

Este post podia ser melhor, não @DadoDoria?

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Podia ser pior

Se existe algo ruim de se fazer nesta vida, esta coisa é dar conselhos a alguém. Mas, podia ser pior. Você poderia ter que consolar alguém. E, de fato, não há nada pior do que consolar alguém. Ou há?

- Cara, meu hamster morreu.
- Cara, podia ser pior. Podia ter sido você.

Veja, não há o que ajudar. O fato de saber que se está vivo não diminuí a dor do hamster morto. Talvez, fosse melhor morrer para não sofrer. Não há nada, absolutamente nada que pudesse ser dito para melhorar a situação.
- Não fica assim, existem muitos outros hamsters no mundo.
- Vai passar, você vai ficar bem.
- Fica tranqüilo, era só um hamster, bicho feio.
- Calma, vai ter bolo.

Mas nada é pior do que falar que a situação poderia ser pior. Porque é claro que poderia ser pior. Toda e qualquer situação poderia ser pior do que a que aconteceu. Tudo pode piorar, sempre e a qualquer momento.

- Cara, eu fui assaltado.
- Podia ser pior.
- Mas eu perdi todo o meu dinheiro.
- Podia ser pior, você poderia não ter condições de se recuperar.
- Mas eu estou sem emprego.
- Podia ser pior, você poderia ter AIDS.
- Mas eu tenho. Eu e toda a minha família.
- Bem, mas você poderia ter sido estuprado pelo Kid Bengala, podia ser pior.
- Eu fui. Três vezes.
- Bem um elefante poderia ter te pisoteado.
- Adivinha.
- Mas... você poderia ter sido raptado por alienígenas que teriam feito experiências sexuais com você. Depois você acordaria numa banheira cheia de gelo sem todos os seus órgãos vitais, vendidos para a máfia russa.
- Pois é...
- Bem, você ainda é flamenguista né?
- É.
- De qualquer forma, você vai morrer logo, o sofrimento vai ser curto. Podia ser pior.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Pão Duro

Você está em Campos do Jordão (173 km ao nordeste de São Paulo) e acabou de sair de um restaurante. Neste restaurante você pagou 25 reais num prato de estrogonofe. E para a sua surpresa, era estrogonofe Sadia para micro-ondas. No dia anterior, você viu que os comerciantes da cidade vendiam pratos executivos por 40 reais, pizzas ruins por 50 reais. A cidade é cara, cara demais.

Mas, você está de férias. Resolve tomar um sorvete numa loja, que por coincidência é uma sorveteria, que por coincidência vende sorvetes. É quando você descobre que a bola de sorvete custa seis reais. Acabaram os limites. Você não tem como aceitar isso. Você não vai tomar o sorvete. Não há bola no mundo que valha estes seis reais. Sim, você será chamado de Pão Duro. Pessoas tratarão você como um doente mental que não sabe aproveitar a vida, lhe receitarão barbitúricos.

Não é esta a questão. Se você pagasse seis reais em uma bola de sorvete, você nunca seria capaz de sorrir novamente. Você se remoeria durante o resto da sua vida pensando no dinheiro que jorrou em vão por algo que não valia à pena.

Veja, existem pessoas que pagam 150 reais numa garrafa de azeite. As azeitonas podem ter sido colhidas por virgens de Estoril (22 km ao oeste de Lisboa) que utilizavam apenas roupas brancas de algodão colhido por monges anglo-saxões que vivem em Genova (1.700 km ao norte de Varsóvia). Mesmo assim, não valeria 150 reais. Por este valor, uma colher diária deste azeite teria que promover a vida eterna, no mínimo. Fortuna e mulheres também estariam de bom grado.

Você vai em uma loja de departamento. Lá eles vendem cuecas de 50 reais. No lado há um pacote que vende 5 por 20. Veja, cuecas 10 vezes mais baratas. E são cuecas. O que Boris Casoy diria sobre a função das cuecas? Doentes são essas pessoas que gastam 40 reais num par de meias.

Quanto custa um copo de vidro? É caro não. Quanto custa um copo de plástico? Bem mais barato. Mas ah, o copo é descartável, você pode dizer. Descartável para você, seu insustentável. Basta lavar o copo. Barato e praticamente interminável. Principalmente se você morar sozinho. Um pacote de 50 copos dura pelo menos uns cinco anos.

Você, pão duro do no nosso Brasil. Eu sei que você já lavou coadores de café descartáveis. Eu sei que você já guardou aqueles restos de Coca-Cola e se surpreendeu quando juntou uma garrafa de dois litros assim. Um sorriso se abriu em sua face e o brilho voltou no olhar.

Quem nunca levou a namorada na sessão de cinema as 22h na quarta-feira? Depois do jantar, para economizar no lanche. Fez amizades com desconhecidos apenas em troca de caronas e almoços gratuitos. E a satisfação em perceber que o limão é mais barato do que desodorante?

E a adrenalina que é fazer todas as suas atividades no tempo de carência do estacionamento pago. Vinte minutos para resolver uma vida. A diversão que é se fingir de surdo para não pagar o couvert artístico. Utilizar o celular para sair rapidamente e não pagar a gorjeta para alguém. E sempre freqüentando lugares diferentes, para não ser descoberto. A arte de juntar as balinhas do troco para comprar uma televisão nova.

Os pão duros são pessoas sensatas. Não gastamos dinheiro a toa. No final do ano conseguimos economizar, não sei, quinhentos reais, muito dinheiro. E o que fazemos com esse dinheiro? É claro que guardamos, oras.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Provável que sim

Atualmente existem 4.289 objetos estacionados na atmosfera terrestre. Entre estes objetos estão ônibus espaciais, satélites, tampas de bueiros cariocas, extraterrestres e bolas chutadas por Elano. Colocar um objeto na órbita terrestre não é uma tarefa fácil. É algo que exige anos de estudo, cálculos matemáticos realizados por sofisticadas calculadoras e varias tentativas.

Quando finalmente dá certo, os engenheiros comemoram. Abraçam-se e colocam na vitrola um velho compacto de We Are The Champions, brindando com uma garrafa de Sidra Cereser servida em copos plásticos que imitam cristal. No entanto, essa comemoração não é eterna. Um dia estes objetos caem. Inclusive as bolas chutadas por Elano.

Porque eles caem? Pergunte ao físico mais próximo a você. Físicos podem ser encontrados nos lugares mais comuns, como padarias, farmácias, pets-shop e quermesses. Encontre uma pessoa, avalie se ela parece ser física. Pergunte. Não tenha medo, isso não é uma ofensa.

Alguns dias atrás, creio que cerca de 15 dias, um satélite iria cair na terra. Um objeto do tamanho de um ônibus, que pesava uma tonelada. Você pode até pensar “puta que o pariu, ai se esse negócio me pega!”. Ocorre que ao entrar na atmosfera o objeto começa a se deteriorar. Sim, ele caí na terra, mas em pedaços bem menores.

Só que até mesmo se fosse uma caneta BIC caindo dessa altura, adquirindo velocidade, poderia te matar. Lembre o que aconteceu com Felipe Massa ao ser atingido por uma reles mola de meio-quilo. Sim, você pode pensar “puta merda, se eu sou atingido por uma caneta BIC alienígena, eu morro na hora!”. Sim, você morreria, muito provavelmente.

A Nasa, tratou de acalmar a população. Lançou um novo modelo de travesseiro aerodinâmico e ratificou: a chance de alguém ser atingido por um pedaço de nave espacial é pequena, 1/3200. Pessoas comemoraram. Cidadãos em praças públicas ao redor do mundo se abraçaram ao som de Aerosmith. Vamos viver, vamos viver, gritavam.

Mas espera aí. Uma chance em 3.200 não é uma chance baixa não. É uma chance altíssima. Eu diria que é praticamente óbvio que você morrerá por conta de um resto da Apollo 13 que vai cair em sua cabeça no exato momento em que você assiste um episódio de O Astro. Minha pedra ametista.

Veja só. As chances de ser atingido por um raio, o cúmulo do azar, é de 1/576000. A chance de ganhar na Mega-Sena é de 1/50 milhões. É aproximadamente 15 mil vezes mais fácil ser atingido por um pedaço de satélite do que ganhar na mega-sena. É bem mais fácil morrer em uma condição insólita do que virar rico por acaso. Conviva com isso, seu fracassado. Seu perdedor maldito.

Para se ter uma idéia, ser atingido por lixo espacial é mais fácil do que: ganhar um Oscar, virar astronauta, escutar Wilco na rádio, se machucar cortando grama, ser decepado por uma serra elétrica, se machucar fazendo a barba, cortar a unha reto, manter relações sexuais com todas as capas da playboy, exceção feita a Roberta Close e Leila Lopes.

Como toda desgraça é pouca, é mais fácil você ter hemorróidas e escutar Seres Humanos de Roberto Carlos em uma roda de violão do seu vizinho fanho. Por outro lado, entrar em coito carnal com as capas da Sexy é bem mais fácil.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Rock in Rio (ô ô ô)

A quarta edição do Rock in Rio, no Rio, terminou no momento em que Axl Rose deixou o Palco Mundo, após seis horas de apresentação. Todos passaram a esperar a quinta edição do Rock in Rio, no Rio, marcada para 2013. Dizem que os ingressos já estão a venda. São dois anos para se esquecer uma verdade dolorosa: O Rock in Rio é um festival fracassado e tão ilógico que chega a ser nonsense.

Começamos pelo fato de ser o Rock in Rio, no Rio. Teoricamente já era pra ser o Rock no Rio. Mas, com a desvalorização do real no começo do século, os organizadores resolveram realizar o Rock in Rio Lisboa, depois o Rock in Rio Madrid. Afinal, Rock in Rio era uma marca universal, que só voltaria as origens com a queda do dólar.

Na primeira edição do Rock in Rio Lisboa, uma noite teve apresentações de Britney Spears e Daniela Mercury. Num momento irônico da história, o Rock in Rio não foi nem Rock, nem in Rio.

A edição in Rio é intermitente. A primeira é de 1985, a segunda de 1991, a terceira de 2001, a quarta de 2011. Existem festivais ao redor do mundo que são realizados anualmente há mais de 40 anos. O Rock in Rio só acontece quando o momento é favorável na cabeça dos produtores. É um festival do hiato.

Agora pensemos nos Rock in Rio, in Rio. Sempre que o festival é lembrado nas televisões, há apenas uma cena a ser mostrada. Freddy Mercury regendo 300 mil pessoas que cantavam Love of my Life em 1985. As edições posteriores podem até ter contado com bons shows, mas nada que tenha ficado para a história.

E não há nada de errado em não ficar para a história. Mas a imagem que o Rock in Rio Rio quer ter é a do maior festival do planeta. Uma espécie de Copa do Mundo da música (e olha que a Copa do Mundo acontece com mais freqüência). Acredito que a 1ª edição possa ter sido mesmo. Trezentas mil pessoas em um momento de abertura política, em que o país começava a receber grandes shows.

Agora, vejam esta atual edição. Num certo dia, tocaram Shakira, Ivete Sangalo e Jota Quest. Tirando o Jota Quest, que é inadmissível em qualquer situação, toleremos a diversidade musical. Ivete Sangalo toca em micaretas ao redor de todo o Brasil. Shakira nasceu ali na Colômbia, já tocou até no Gugu e vive por aqui. Qual é o atrativo dessa noite? Qual é o sentido de colocar Elton John e Rihanna juntos? O que liga Ke$ha à Stevie Wonder?

O Rock in Rio acaba por não ter a relevância de shows individuais que já vem ao Brasil. Paul McCartney, U2, AC/DC, Eric Clapton, até o Justin Bieber. Nem de outros festivais menores, que são mais específicos em suas propostas.

Neste cenário, não é de se estranhar que os “destaques” das noites sejam as homenagens ao Brasil. Afinal, o Rock in Rio é um festival Pacheco. O grande momento da noite foi Stevie Wonder cantando Garota de Ipanema. Foi Ivete e Shakira cantando país tropical. O Coldplay com Mas que Nada. Os batuques do Red Hot Chili Peppers. Se o Metallica tocasse Fio de Cabelo, seria o destaque das matérias.

Fica agora a sugestão para a próxima edição por mais diversidade. Que haja uma noite do sertanejo, outra do sertanejo universitário. A noite do pagode, com a volta do Molejão. A Noite do Baile Funk. Ou que se misture tudo. Porque não colocar o Michel Teló abrindo o show do Metallica? Neil Young e Bonde do Tigrão. Por um mundo melhor, estimulemos a Guerra Civil.