quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Retrospectiva 2014


Sete a um. O ano de 2014 será para sempre lembrado pelo o que aconteceu no estádio do Mineirão no dia 8 de julho. Alemanha sete, Brasil um. Um placar surreal, de jogo de videogame, que não acontece em qualquer lugar, muito menos numa semifinal de Copa do Mundo e ainda mais sendo o time derrotado o anfitrião e maior vencedor da história do torneio.

O 7x1 é uma metáfora para a vida. Ela não permite erros e distrações, porque sempre haverá alguém mais forte, pronto para te massacrar e te humilhar. E não adianta se iludir. Se ele tiver a oportunidade de fazer isso, ele fará. A vida sempre coloca de um lado os vencedores, soberanos. Do outro ficam os vencidos, derrotados, jogados no chão, que criaram expectativas apenas para tomar um tombo ainda maior.

O jogo marcou o fim do midiático sonho do hexa. Caminhada trôpega, com muito choro e fraturas vertebrais, declarações nonsense do Parreira, uma carta da Dona Lúcia e enfim. A Copa do Mundo foi o momento do ano no Brasil. Nossas cidades foram invadidas por turistas das mais diversas origens e línguas. Até quem não gostava de futebol se aproveitou dos corpos estrangeiros do evento, vencido na final pela Alemanha.

No campo dos esportes tivemos o título do Gabriel Medina no Surf, muitas coisas no tênis, basquete, vôlei, Fórmula 1, mas afinal, quem é que se importa com outros esportes? Apenas a Copa do Mundo uniu o país.

Já as eleições presidenciais dividiram o Brasil. O embate entre PSDB e PT chegou com força no Facebook transformando a internet no pior lugar do planeta. As discussões sobre qual das duas merdas fedia mais chegou a um nível terrível e ao que tudo indica o chorume não vai parar nos próximos anos. Não é a toa que as ações do Facebook estão em queda constante.

Eleições que também ficaram marcadas pela morte do então candidato Eduardo Campos em um acidente de avião. Morte que quase alterou o cenário eleitoral.

Sim, temos as mortes, as tradicionais mortes de todo ano. Esse 2014 foi particularmente difícil para a literatura. Morreram Gabriel García Marquez, Ariano Suassuna, João Ubaldo, Manoel de Barros. Também morreram o cantor Joe Cocker, o zagueiro Bellini, o ditador Baby Doc, um humorista do Hermes e Renato, Plínio Arruda, Mãe Dinah, Paco de Lucía, Nico Nicolaiweski, Paulo Goulart, Alfredo Dí Stefano, Eusébio, Philip Seymour Hoffman, Luciano do Valle, Nelson Ned, Robin Williams, José Wilker e o Chaves. Herói da infância de muitos, Roberto Bolaños foi uma das celebridades que mais sofreram com falsos boatos de morte na internet. Dessa vez não era boato.

RIP
Quem também passou dessa para a melhor foi o boneco de isopor Guilerme Original. Símbolo sexual do blog, Guilerme viveu durante gloriosos sete anos, cinco meses e dezessete dias. Deixará para sempre um vazio em nossas vidas.

Deu para perceber que nesse ano morreu muita gente, não é mesmo? Quem não morreu, dizem, foi o Fidel Castro. O país comandado por sua família se reconciliou com os Estados Unidos após mais de metade de um século e tirou um pouco a graça da vida das pessoas que falam em “cubanização” do Brasil.

Em 2014 nós tivemos uma passarela caindo no Rio de Janeiro e um viaduto despencando em Belo Horizonte. Tivemos uma onda de intolerância nas ruas, com justiceiros que linchavam criminosos e foram defendidos por uma jornalista do SBT. Intolerância que se refletiu nas urnas com a eleição do Congresso mais conservador da história.

Um avião da Malaysia Airlines desapareceu no Oceano e ninguém tem a menor ideia do lugar em que ele pode ter desaparecido. O curioso é que familiares da família alegam que seus telefones continuavam recebendo chamadas dias após o acidente. O que deve ter sido uma alucinação, a bateria de nenhum celular resiste a tantos dias assim. Outro avião da Malaysia Airlines foi atingido por um míssil e caiu na Ucrânia e um terceiro, de outra companhia malaia, caiu nessa semana. Querem uma dica? Fujam de voos na Malásia.

A Ucrânia foi o palco de conflito de difícil compreensão, que talvez já possamos chamar de guerra civil. Na vizinha Rússia, foram realizadas as monótonas Olimpíadas de Inverno, que entraram para a história com suas simpáticas privadas duplas.

Tivemos as crises políticas de sempre, a crise de água em São Paulo. Suzane Von Richtofen roubou a mulher de Elise Matsunaga, a Giovanna deixou o forninho cair, o Marco Véio desceu o morro da vó Salvelina, celebridades tomaram banho de gelo por modismo, o Orkut acabou, assim como o ano. Lázaro, nos ajude a entender.

Mortes, tragédias, polêmicas. Podemos dizer que 2014 foi um ano como tantos outros. Mas teve um 7x1 no meio do caminho. Isso vai ficar na história.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Como foi o ano para você?

Neste momento em que o fim do ano se aproxima, podemos dizer que a humanidade inevitavelmente se divide em dois grupos: de um lado estão aqueles que agradecem a 2014 pela glória alcançada e do outro, os que amaldiçoam o ano, não vem a hora de ele acabar porque ele só trouxe desgraça para suas vidas. (Incrivelmente, estudos apontam que as pessoas que dizem que 2014 foi o pior ano de suas vidas já haviam dito o mesmo sobre 2013, 2012, 2011 e etc e vice e versa. Ao que parece, otimismo e pessimismo são capazes de atravessar os anos sem sofrer nenhuma influência).

Mas, afinal, o ano foi bom ou foi ruim? Para tentar achar uma resposta nós fomos às ruas para escutar a opinião de quem realmente importa: as pessoas.

“Olha, acho que o ano foi bom. Não assim, que tenha sido bom, não foi tão bom, mas por outro lado não foi ruim, então, eu acho que foi bom. Não significa que tenha sido uma maravilha, já tive piores, já tive melhores, diria que foi na média. Então, se está na média, acho que está bom, né? Porque teve lá seus momentos ruins, mas não foi nada demais, os grandes momentos também não. Poderia dizer que foi ruim, porque não aconteceu nada de bom, mas prefiro ser otimista. Por isso, acho que foi bom, bom, desse jeito que eu falei, não foi ótimo, mas foi bom, então é isso aí. Foi um bom ano. Ou não”.
Alexandre Damasco – Analista de Sistemas. (Perguntado, ele não soube dizer o que sua profissão faz).

“Para mim esse ano foi bom. Eu só fui estuprado duas vezes na prisão e ano passado foram oito vezes. Certo que eu passei menos tempo na cadeia, mas na situação em que eu estou, o que importa é a quantidade e não a qualidade ou qualquer tipo de média aritmética. Espero que ano que vem eu não seja estuprado nenhuma vez na cadeia, nem fora dela, e aí sim vou poder dizer que o ano foi ótimo. Mas, por enquanto eu estou satisfeito”.
Roger Garcia – empresário sonegador de imposto.

“2014 foi um ano terrível para mim. Minha cobertura em Ipanema conviveu com um problema de mofo que tirou o sorriso de minha face. Com essa nova ascensão da Classe C é cada vez mais difícil arrumar um pedreiro, um encanador ou o que quer que seja que não cobre os olhos da cara para arrumar um probleminha desse. Para piorar, as obras da Copa deixaram muitos buracos e as rodas da minha Ferrari estão todas empenadas”.
Ruy Casper – especulador financeiro.

“Acredito que o ano tenha sido muito bom para mim. Eu ganhei na mega-sena três vezes, apesar de meus adversários políticos disserem que essa foi uma maneira que eu encontrei para encobrir o aumento do meu patrimônio durante os anos em que fui vereador. Mas a inveja faz parte, desejo as minhas inimigas vida longa”.
Paulinho do Posto – vereador.

“Foi um ano muito ruim. Todos os meus parentes morreram em acidentes aéreos. Tudo bem que eu só tinha um meio-irmão vivo, que eu não via há 14 anos porque a família dele me odiava, mas ele era minha família e isso me abalou. Ah, minha mãe morreu no meu parto e meu pai me abandonou em uma caixa de sapatos cheia de pedras no rio. Fui resgatado por pescadores que me criaram, mas eles morreram na terrível enchente de 1994. Eu tinha só seis anos e passei a viver na rua, até conhecer meu pai, já em um estágio terminal de câncer. Ele morreu dois dias depois e conheci meu meio-irmão no velório. Ele tentou me matar duas vezes para ficar com toda a herança. Enfim, a vida não é fácil, mas esse ano superou minhas expectativas”.
Jorge Dorival – Andarilho

“Meu, para mim o ano foi bom. Estou há três anos na estrada tentando chegar em Santos para o Revéillon e se tudo der certo, nesse ano finalmente eu vou conseguir. Só estou torcendo para não chover... é esses pingos aí já mudam minha perspectiva”.
Luciano Destri – paulista preso no trânsito.

“O ano foi maravilhoso. Minhas fotos bombaram no Insta e recebi muitas curtidas no meu look novo. O que mais eu poderia querer da vida?”.
Renata Silva – modelo.

“...”
Dante, zagueiro da seleção que se encontra em estado catatônico desde a goleada de 7x1 aplicada pelos alemães.

“Pensando bem, eu diria que o ano não foi bom não. Não que isso signifique que tenha sido ruim, porque ruim não foi. Agora, não é porque não foi ruim, que significa que tenha sido bom. Posso dizer que foi um ano mais ou menos? Ah, tem que dize se o ano foi bom ou não. Então, coloca aí que não foi bom não, mas ressaltando, que não acho que foi ruim. Só não foi tudo isso aí para dizer que foi bom. Por mais que, se eu falar que não foi bom, vão achar que eu acho que o ano foi ruim e de forma alguma eu quero que as pessoas entendam que o ano de 2014 foi ruim. Tive bons e maus momentos e enfim”.
Alexandre Damasco – ex-analista de sistema. Morto a pauladas por um pesquisador.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Grandes dúvidas que não têm explicação (22)

Comidas de Fim de Ano

A ceia de natal está posta sobre a mesa, os familiares levemente alcoolizados já estão a postos e assim que a autorização for concedida, todos poderão destroçar o majestoso peru assado. Algumas pessoas irão entrar em luta física pelas coxas e sobrecoxas, muitos se contentarão com o volumoso peito. Mas, a grande questão é: por que comemos peru no Natal? Aliás, por que comemos tantas coisas diferentes, que não fazem parte do nosso cardápio usual, durante as festas de fim de ano? Por que essas frutas cristalizadas, frutas secas, sementes, rabanadas, lentilhas?
Pense rápido: Peru, frango ou chester?

Certo que nós temos outras datas com cardápio restritivo ao longo do ano. Na sexta-feira santa é proibido comer carne vermelha – caso o contrário o sangue de Cristo escorrerá pelos seus lábios – e um bacalhau, ou outro peixe qualquer, é muito apreciado. Mas, o consumo de peixes é liberado no resto do ano, ao contrário do peru e da rabanada. Isso não é curioso?

A principal restrição quanto ao peru é de cunho orçamentário. Você já deve ter percebido nos supermercados como está caro levar para casa esse pedaço de carne cheio de possibilidades de trocadilhos. Ok, mas o bacalhau também é caro e isso não exclui a possibilidade de você eventualmente ir até um restaurante com talheres bonitos e pedir um.

Também podemos dizer que no fundo o peru é meio sem graça e de fato é. Ele nada mais é do que um tipo de frango maior e do qual você sentirá muito mais pena de comer se olhar o animal vivo antes. Mas o bacalhau – voltamos a ele – também nada mais é do que uma palha de peixe salgado que precisa estar com muitos acompanhamentos para ser desfrutado prazerosamente.

Pois bem, se nós comemos peru, a culpa é dos norte-americanos. Em um século bem remoto, uma determinada região do país era povoada por perus e como perus são maiores do que os frangos – consequentemente mais difíceis de matar e preparar – eles eram abatidos para grandes ocasiões e alimentavam uma multidão. O peru ficou associado aos grandes momentos e é por isso que a grande família brasileira se senta em volta de uma mesa para comer um peru no natal.

(Já o Chester, o Fiesta e outros similares nada mais são do que aberrações genéticas derivadas do frango para ficarem mais gordos e parecidos com os perus. Do ponto de vista da ética animal, o Chester é uma aberração, um animal que quase não consegue se movimentar, criado e manipulado apenas para servir como uma opção mais barata ao peru no natal. Sem contar que no mínimo ele deve ser uma bomba hormonal e daqui a muitos anos um estudo qualquer vai relacionar o Chester a algum tipo de câncer).

As frutas secas e cristalizadas também tem uma explicação. Pense que o natal é uma festa surgida no hemisfério norte – inclusive a origem da comemoração pagã é o solstício de inverno, data que marca o dia mais curto do ano. A partir dela, os dias começarão a ser mais longos, teremos mais sol e agricultura voltará a prosperar. Digamos que é uma data que mostra que o pior já passou.

O natal é comemorado no hemisfério norte em meio a um frio desgraçado, no meio de um monte de neve como as pessoas cantam naquelas canções. No meio da neve você não conseguiria sair pelas colinas para pegar as mais frescas frutas, porque tudo está congelado. Aliás, você não consegue nem sair de casa. O que resta? Comer as frutas secas através de rudimentares processos químicos. Ou então as inúmeras sementes e castanhas que resistiam ao frio intenso. Se hoje elas são caras para caramba é por conta do valor agregado ao longo do tempo, porque quando os nossos antepassados começaram a degustá-las, faziam isso porque não havia mais nada para fazer.

Apesar disso, o consumo de panetone continua injustificável. Hoje em dia nós temos condições de comer algo melhor – inclusive algo melhor e mais barato porque aquelas tâmaras são caríssimas – e não há mais a necessidade de se enfiar uvas passas no arroz, na farofa, no molho, no peru, no pavê e até mesmo no cu.
Vamos concordar: a rabanada é tão boa quanto a resolução dessa foto

Já a rabanada, as lentilhas e a porra toda são de origem de alguns colonos que vieram para cá e trouxeram juntos os seus costumes. Agora, porque é que eles comem isso só no fim do ano em seus respectivos países, eu já não sei. Provavelmente eles vão dizer que é algum costume originado dos tártaros, dos eslavos, bretões, ou o que quer que seja e como esses povos já estão todos miscigenados por aí eu teria que fazer uma longa pesquisa para trazer a resposta e eu não ganho por isso. De qualquer forma, aposto que as lentilhas eram uma semente da época na Itália e que a rabanada era uma forma de aproveitar aquele monte de pão duro que sobrava no fim de ano.

Ah, por fim nós temos o já citado pavê. Um doce que leva camadas de bolachas de maisena e creme doce. Algumas pessoas a consomem em outras ocasiões, mas ele é quase universal no final de ano. Podemos dizer que é porque o pavê é um doce fácil de ser feito, fácil de ser apreciado e por isso popular. Mas, na verdade, o pavê só está aí para permitir os famosos trocadilhos de tios, algo que está incluído na declaração universal dos direitos humanos.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Reforma Ministerial

Qualquer reforma é traumática. Não é a toa que temos tantos programas de televisão especializados em reformas de carros, de casas, dos mais diversos utensílios. Você vai reformar o seu banheiro, quebra os azulejos todos, o pedreiro acaba com a privada, o ralo entope, todo mundo quer dar palpite, o prazo tá expirando e no final você aceita qualquer remendo para conseguir tomar banho.

Uma reforma ministerial não é nem um pouco mais simples. Ministros são como azulejos, sensíveis; Muita gente tentando interferir. No final, você acaba fazendo qualquer arranjo para resolver logo isso e no final tem um pastor evangélico nos Esportes, filho de político corrupto num ministério, irmão de político corrupto em um outro, o próprio político corrupto em um terceiro.

Ao que tudo indica, os próximos anos serão terríveis. Por isso, o CH3 sugere alguns nomes para uma reforma ministerial que terá que ser feita em breve, porque né, não é possível que vai ser assim para sempre.

Ministério da Fazenda – Dado Dolabella
Dado Dolabella, vocês devem saber, foi o ganhador da primeira edição de “A Fazenda”. Isso faz com que ele seja mais do que credenciado para assumir essa pasta tão importante.

Ministério da Educação – Palmirinha
A simpática senhora que faz tantos pratos maravilhosos em programas que ninguém sabe em que canal passa seria uma ótima ministra da Educação. Pelo menos, é certeza que as crianças aprenderiam a ler, escrever e cozinhar.

Ministério da Saúde – Drauzio Varella
Isso daí é mais do que óbvio não? Anos e anos no Fantástico não foram suficientes para mostrar que ninguém entende tanto de Saúde como o Dráuzio Varella? Ele ia resolver esses problemas todos e depois ainda ia escrever um best seller magnífico sobre a experiência.

Casa Civil – Coronel Telhada
Porque precisamos de um pulso firme na Casa Civil. Além disso, ele é tem muitas ligações artísticas, já que foi segurança do Gugu Liberato.

Ministério da Agricultura – Nerso da Capetinga
Não sei vocês, mas eu tenho certeza de que o Nerso da Capetinga sabe tudo sobre planta mandioca, plantar batata, plantar feijão e todo tipo e sorte de leguminosas.

Ministério do Desenvolvimento Agrário – Palhaço Carequinha
Sendo que já existe um ministério para a Agricultura, a existência de um ministério do Desenvolvimento Agrário não parece ser uma palhaçada? Então, nada melhor do que colocar o Palhaço Carequinha cantando sobre xixi na cama por lá.

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – Kléber Bambam
No primeiro Big Brother, Kléber Bambam construiu uma boneca utilizando um cabo de vassoura e conquistou o público. É desse tipo de inovação que nos precisamos para o país dar certo. (Além do mais, já que temos um representante de “A Fazenda”, a indicação de Bambam contemplaria a base do BBB).

Ministério da Cultura – Jacaré Banguela
Quem sabe, se o Jacaré Banguela assumir o Ministério da Cultura ele acaba com aquele blog sem graça dele.

Ministério da Família – Silas Malafaia
Um novo ministério, mais do que necessário. Concederia bolsas para os homens e mulheres que ainda querem construir uma família tradicional no meio de tanta perdição e sodomia.

Ministério da Defesa – Roberto Carlos, o lateral-esquerdo
Titular da seleção brasileira durante 10 anos, Roberto Carlos entende tudo sobre defesa. Só precisaríamos conversar para ele não arrumar o meião durante uma ameaça de invasão francesa em nosso território.

Ministério da Integração Nacional – Diogo Mainardi
Para este ministério precisamos de um homem que ame o país e que ame todas as regiões do país, possibilitando assim uma verdadeira integração. Este nome, sem dúvida, é o de Diogo Mainardi.

Ministério da Justiça – Rodrigo Pimentel
Pelos comentários dele sobre ações policiais, tenho a impressão de que ele faria um bom trabalho em qualquer lugar.

Ministério da Pesca – Carlinhos Brown
Ninguém entende muito bem a função do Ministério da Pesca, ninguém entende nada do que diz o Carlinhos Brown. Aliás, ninguém se lembra da existência do Ministério da Pesca, se colocássemos o Brown lá, quem sabe ele seria esquecido também.

Ministério da Pesca Submarina – Walter Mercado
Se temos dois ministérios para a agricultura, porque não dois ministérios para a pesca? Walter Mercado tem o perfil para esse ministério, não me peçam explicações.

Ministério da Previdência Social – Hebe Camargo
Para cuidar dos nossos velhinhos, gracinhas, nada melhor do que uma pessoa simpática e tolerante como Hebe Camargo. Tudo bem, ela morreu tem uns dois anos, mas isso não a impediria de fazer um bom trabalho.

Ministério das Cidades – Roberto Carlos, o cantor.
Roberto Carlos faz sucesso em todas as cidades do país. Diante de qualquer crise nacional, era só coloca-lo em Rede Nacional cantando “Detalhes” para apaziguar os críticos.

Ministério dos Bairros – Erasmo Carlos
O Rei precisa do seu parceiro. RC cuida das cidades, EC fica com os bairros. A Wanderléa poderia pegar uma superintendência das quadras e ruas.

Ministério das Comunicações – Pedro Bial
O maior comunicador brasileiro da atualidade poderia ser transformado em uma espécie de ministro vitalício. Também faria um ótimo trabalho de motivação com os seus funcionários, lendo crônicas belíssimas.

Ministério das Relações Internacionais – Marcelo Adnet
Adnet fala 48 idiomas, inclusive búlgaro, armênio e brastislavo. Simpático, educado e bom contador de piadas, iria conquistar todos os chefes de Estado do mundo.

Ministério das Minas e Energia – Aécio Neves
A última campanha eleitoral mostrou que Aécio Neves é o cara que mais entende de Minas nesse país. Uniríamos o útil ao agradável.

Ministério do Desenvolvimento Social – Thierry Figueira
Thierry Figueira, coitado, engordou e suas sobrancelhas permanecem unidas. Esse rapaz precisa de um ministério para reconstruir sua carreira.

Ministério da Indústria – Dalton Trevisan
Na verdade eu nem consigo associar o nome a pessoa e a sua função. Mas, é um nome muito bom, um nome de ministro.

Ministério do Esporte – Gilberto Kassab
Precisamos acalmar a base aliada e Kassab entende muito de esporte, como mostra esse tweet.

Ministério do Meio Ambiente – Kátia Abreu
Essa é uma pasta complicada e cheia de problemas. Tenho certeza que Kátia em pouco tempo acabaria com todo o Meio Ambiente, digo, com todos os problemas.

Ministério do Planejamento – Felipão
O sucesso da última Copa do Mundo mostra que Felipão seria o ideal para cuidar do planejamento da nação. Dona Lúcia, com certeza, aprova essa indicação.

Ministério do Trabalho e Emprego – Lula
Assim, arrumaríamos um trabalho e um emprego para o próprio ministro.

Ministério do Transporte – Rubens Barrichello
O piloto com mais corridas de Fórmula 1 da história, correu nos Estados Unidos, na Europa, campeão de Stock Car. Não dá pra negar que Rubinho tem experiência na área dos transportes.

Ministério do Turismo – Bruno di Lucca
Bruninho viaja o mundo inteiro com um programa de turismo péssimo, é inacreditável como ele consegue visitar os lugares mais chatos de cada cidade e fazer comentários insuportáveis sobre eles com um sotaque irritante. No ministério, ele continuaria viajando (bem longe de nós), mas sem programa de TV. Perfeito.
Imagina esse cara se fudendo lá na Transilvânia

Ministério da Micro e Pequena Empresa – Boris Casoy
Porque Casoy adora os pequenos empregos, tipo os garis.

Ministério dos Assuntos Estratégicos – Meu Pau
Tá de sacanagem que existe um ministério pra isso, não? Meu pau resolveria todos os assuntos estratégicos de um governo.

Ministério da Aviação Civil – Valeska Popozuda
Uma grande filósofa tenho certeza que ela já escreveu um verso que une a aviação a putaria livre, leve e solta. Grande currículo.

Ministério dos Direitos Humanos – Datena
No comando da pasta Datena colocaria os Direitos Humanos para proteger que realmente precisa de proteção: os Humanos Direitos. Pau nessa bandidagem!

Ministério dos Portos – Compadre Washington
Não dá para pensar na composição de um ministério sem a presença do Compadre Washington.

Ministério da Livre Besuntação – Vinícius Gressana
Ninguém entende mais sobre passar geleia no próprio corpo do que Vinícius Gressana. E seria bom ter um ministério desse para desviar o foco de todas as crises.

(Esse é o post mais longo da história do CH3. Isso diz mais sobre os ministérios da Dilma do que sobre os posts do CH3).

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

As maravilhas do fim de ano

Os poucos pouco afortunados que precisaram sair de casa para ir trabalhar nesta segunda-feira já devem ter percebido um clima diferente. Não, não estou falando do espírito natalino com suas guirlandas purpurinadas e velhos barbudos vestidos de vermelho que andam em carruagens puxadas por animais desassistidos pelas ONGs de proteção animal e que entregam presentes para as criancinhas que se comportaram bem e sabe-se lá porquê isso faz com que as pessoas pensem em valores universais.

Também não estou falando do começo do verão, essa estação marcada pelas temperaturas altas e pelas chuvas abundantes que proporcionam alguma grande tragédia em uma região metropolitana do país. Até porque, já estava bem quente antes do verão começar e a mídia tenta justificar o calor por conta desta estação superestimada em que as propagandas promovem o desejo coletivo de promover uma gomorra particular, transformando um mês em uma Las Vegas de comédia norte-americana.

Quem foi trabalhar hoje percebeu o trânsito muito mais tranquilo. Aquele trajeto que você demorava 2 horas e 47 minutos, agora pode ser percorrido em 10 minutos. As ruas já estão mais vazias, os semáforos fluem normalmente e bolos de feno passam pelas rotatórias.
Avenida Paulista

O ano de 2014 foi amaldiçoado pelo deus dos feriados, que fez com que os inúmeros e festejados recessos do segundo semestre fossem todos alocados malditamente em finais de semana. Por outro lado, fomos agraciados com o Natal e o Ano Novo caindo em quintas-feiras. Isso faz com que a quarta-feira seja ponto facultativo e que a sexta-feira seja emendada. A semana passa a ter dois dias apenas e isso é um convite para colocar suas coisas na mala, dar uma banana para o cotidiano e se mandar para algum destino paradisíaco, longe das grandes aglomerações urbanas.

Assim sendo, as grandes e médias cidades, principalmente aquelas que não têm acesso a uma porção do oceano adornada por uma faixa de areia, ficam quase que abandonadas. As poucas pessoas que ainda resistem no local, acabam por se aglomerar em shoppings centers, se acotovelando em busca de algum presente para um ente querido, que você já tinha até se esquecido de que tinha que comprar um presente porque a rotina é uma correria louca e insana.

Aí sim podemos perceber que o problema das cidades é que temos pessoas demais nela e mais do que isso temos carros demais. O transporte público é um caos e assim sendo você prefere ficar duas horas preso no trânsito dentro do seu solitário carro ao invés de ficar empacotado entre sovacos fedorentos em ônibus. Não há viadutos, trincheiras, pontes, acessos e manobras viárias que resolvam o verdadeiro problema: tem carro demais. É preciso mudar isso.

Mas, é claro que as pessoas que deixaram as grandes cidades não vão simplesmente desaparecer. Como já falamos, essas pessoas se transportaram para destinos paradisíacos, geralmente situados em cidades menores. E esses pequenos paraísos litorâneos e que acabam por conhecer o inferno. Cidadãos estacionando seus carros em qualquer lugar que meramente lembre uma vaga e tendo que circular a pé e lutar ferozmente por um metro quadrado na areia, entre tampas de garrafas e canudos abandonados por outros indivíduos sem consciência cívica.
São Miguel da Paripueira

Um dia essas pessoas voltarão para a capital e tudo voltará ao normal. As rotatórias voltaram a virar um palco de conflitos mortais por espaço e o trajeto voltará a ser percorrido em mais de três horas, entre lamentações daqueles que estavam nos lugares paradisíacos ou que estavam enfrentando um trânsito mais tranquilo. Já o litoral voltará a ficar desabitado, com pescadores indo para o mar sem saber se um dia vão voltar e cachorros comendo resto de camarão.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Música de barzinho

Existem alguns fenômenos brasileiros que permanecem inexplicáveis até hoje. Gente que ninguém entende como é que começou a fazer sucesso e muito menos como é que continua se mantendo por aí até hoje nas grandes rodas dos acontecimentos. Gente como Eike Baptista, como Roger Flores, Adriana Galisteu e Emmerson Nogueira.

Emmerson Nogueira é um fenômeno intrigante. Ele é a personificação exata do cantor de barzinho, com um repertório de música de barzinho, que ganha dinheiro vendendo CDs e se apresentando por aí. Veja bem, a maioria das pessoas se sente profundamente infeliz e se recusa veementemente a pagar o couvert artístico de cinco reais num bar, mas paga 50 reais para ir num show dele. Pior ainda, paga vinte reais para comprar um CD, sendo que talvez pagasse o mesmo valor para não escutar o mesmo repertório numa praça de alimentação de shopping. Difícil entender.

Bem, a venda de CDs ainda tem uma explicação. Emmerson e seus curiosos dois emmes estreou no mercado fonográfico em 2001. Vocês se lembram como era o mundo em 2001? Banda larga era item de ficção cientifica, que só começou a se popularizar na casa da família brasileira lá por 2004, 2005. Mesmo assim, era uma época em que você comemorava quando fazia downloads a 15 k por segundo, demorava cinco minutos para baixar uma simples música, o que dirá um álbum?

Se você quisesse montar um repertório para tocar numa festinha, uma música agradável de fundo para recepcionar uns amigos, teria que perder horas se arriscando pelo limbo infinito do Kazaa. Era mais fácil pagar 20 lulas no CD do Emmerson e fazer a festa. E é provável que MM seja o pica das galáxias entre os músicos de barzinho.

(Um breve parêntese. Se formos pensar, a função de um álbum é justamente levar a experiência sonora para dentro da sua casa. Pense em uma das suas músicas favoritas, não falo aqui daquele engodo comercial do verão passado, mas numa música que você tenha escutado com frequência ao longo de pelo menos cinco anos. Pense em quantas vezes você a escutou. Muitas, não é mesmo? Agora, imagine que um fã da 9ª Sinfonia de Beethoven no século XIX, só pode escutá-la uma, duas vezes na vida, ao máximo, em alguma exibição ao vivo. A internet subverteu completamente a existência do CD, mas não deixa de ser um mérito do Emmerson gravar essas composições aleatórias cheias de Supertramp. Você podia levar a experiência da música de bar para dentro de casa).

Genericamente, podemos dizer que temos dois tipos de músicos de barzinho. Existem aqueles que tocam toda e qualquer música no ritmo do samba Burguesinha do Seu Jorge, fortemente inspirados pelos terroristas do Sambô. Não importa se é Bob Dylan, Bob Marley, Bob Sinclair, Led Zeppelin ou Caetano. E existem aqueles, maioria absoluta, que calcam seu repertório no pop/rock/MPB de rádio easy.

Se o cantor se baseia num repertório internacional, é certeza que ele vai tocar It’s a Heartache da Bonnie Tyler. Uma coisa ali do Pink Floyd, Every Breath You Take, algo soft dos Beatles, Eagles, Peter Fuckin’ Frampton, Simon & Garfunkel, More Than Words e muita coisa que você escuta na rádio easy, mas que não tem a menor ideia de quem é que canta.

No entanto, se o repertório for nacional, é bem provável que o artista estabeleça Djavan como seu ponto de partida. O cantor alagoano é uma espécie de Deus para os músicos de barzinho (assim sendo, Emmerson Nogueira seria Shaka de Virgem, o homem mais próximo de Deus). Suas músicas acústicas com versos exóticos passam aquele ar de bom gosto, enquanto que suas interpretações tranquilas não exigem estripulias vocais. Até hoje, não se inventou alguém que seja capaz de substituir Djavan.
Amar é um deserto e seus temores

O ex-Kid Abelha Leoni até que tentou, mas sua única música relevante foi Garotos, além do que, sua bundamolice é depressiva demais para pessoas que querem tomar uns chopes. Renato Russo também é depressivo demais, Cássia Eller faz sucesso, mas ela própria já era muito mais intérprete do que compositora. Marisa Monte é cabeça demais. Cazuza morreu cedo demais, era subversivo demais. Lulu Santos talvez seja o número dois dos cantores de bar, mas suas músicas são um pouco mais elaboradas, precisam ser despidas para fazer sucesso no modo voz e violão.

Um que quase chegou lá foi o Zeca Baleiro. Ele próprio já é uma espécie de cantor de barzinho que foi além, mas seu sotaque carregado dá aquele charme regionalista que atraí segmentos mais intelectuais, tipo um Zé Ramalho.

Se há um nome que pode substituir Djavan nos bares em um futuro próximo, este é Nando Reis. O bardo ruivo é o típico cantor que agrada segmentos de vários estratos sociais, das classes mais baixas às mais altas. Nando faz sucesso entre fãs de forró, e MPB das antigas e de indie rock. Suas letras são simples, mas com inteligência suficiente para denotar bom gosto. Sua interpretação também não é extremista, para felicidade das gargantas dos intérpretes anônimos desse Brasil a fora.

Digo que daqui a alguns anos suas canções vão dominar o setlist pop/rock/MPB dos bares. Quanto ao Emmerson Nogueira, eu não sei. Existem coisas que são inexplicáveis e não há nada que se possa fazer para resolver isso.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

CH3 Comenta: O Bozo pegando fogo


Luis Ricardo é uma grande personalidade televisiva. Ator, dublador, cantor, jurado de shows de calouros, ele é aquele típico profissional multi-tarefa que nós tanto gostamos. Ele já foi um dos 91 intérpretes do Palhaço Bozo no Brasil e, como numa espécie de sina, todos eles acabam vivendo uma tragédia. Problemas com drogas, com mulheres, problemas financeiros. Uma espécie de maldição, provavelmente imposta pelo visual que aterrorizava muitas criancinhas.

Pois, o mais famoso de todos os palhaços bozos foi participar do Programa do Ratinho, o que já é suficientemente degradante. Foi fazer um número que ele fazia há 40 anos e que é repetido por muitos artistas mambembes em semáforos. Ele ia cuspir fogo. Só que alguma coisa deu errado. O fogo se espalhou pelo seu terno e ele teve que deixar o palco correndo em chamas, sendo seguido pelo ratinho, para espanto do Xaropinho e diversão da platéia, que não parava de rir.

Ratinho ainda disse que o Luis Ricardo passava bem, mas, ele ficou internado por seis dias no hospital. Podemos dizer que esteve entre a vida e a morte e que literalmente viu a luz de perto. Por isso, o CH3 comenta este episódio lamentável no vídeo abaixo. Para os Benga Boys, pegar fogo ao vivo é apenas mais um dia de trabalho. Para um monge budista é uma forma de protestar. E para o público do Ratinho é uma coisa muito engraçada. Vai entender.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Amigo Oculto CH3 2014

Os poucos que acompanham o CH3 sabem que todo ano nós realizamos um Amigo Oculto. Uma oportunidade para que os seus membros se encontrem para confraternizar, ficar sem assunto depois de cinco minutos e permanecer o resto da noite com ar constrangido, olhando para o teto e tomando bebidas alcoólicas de procedência duvidosa e de quebra, ganhar um presente bem vagabundo que vai ficar encostado em uma prateleira, acumulando poeira ao longo do ano.

Nossos seguidores também sabem das dificuldades que temos encontrado para organizar o encontro. Tudo começou com Alfredo Chagas tentando subverter o espetáculo, criando o famigerado Amigo Secreto Ladrão. Diz ele que essa é a melhor maneira de se conhecer o caráter de uma pessoa. "Você seria capaz de roubar um presente bom de um amigo seu, de estragar a felicidade dele em nome da sua felicidade? Heim?".

Depois, sofremos com os conflitos nas agendas de Tackleberry e Vinícius. Para piorar, Guilerme, o Original, morreu. Amigo Secreto já é um porre. Amigo secreto com poucos participantes é pior ainda. Precisávamos encontrar uma solução.

Alfredo Chagas disse que nunca mais irá participar de um Amigo Oculto na sua vida, porque ele não é um porco iconoclasta. Vinícius estava em Orlando, nos Estados Unidos, negociando a compra dos estúdios Disney. Tackleberry estava nas Bahamas, para variar, cuidando do dinheiro que ele conseguiu na campanha eleitoral deste ano. (Dizem que se você andar pelas areias da Cable Beach em Nassau, poderá ver Tackleberry andando com bolos de dinheiro amarrados em uma coleira). Então, eu joguei a toalha e disse que não iria participar de um amigo oculto com um pedreiro, um pai-de-santo, um pansexual e um cachorro sem braços.

Coube a Pai Jorginho de Ogum, sempre ele, encontra uma solução. Utilizando-se de seus poderes mediúnicos, Jorginho descobriu que Tackleberry e Vinícius estariam chegando em Cuiabá no mesmo dia e curiosamente no mesmo voo. Ele então convocou o Papai Noel que conhecemos no ano passado e elaborou um plano.

Às 17h20 do último sábado, Papai Noel chegou ao Aeroporto Internacional Marechal Rondon e se postou perto do desembarque, distribuindo sorrisos, balinhas e tirando fotos com crianças encantadas, como se aquele fosse mais um dia normal na vida de um Santa Claus. O voo que ele esperava chegou e quando Gressana pôs os pés para fora da área de desembarque, o Papai Noel gritou "barata voa gurizada" e arremessou centenas de pirulitos para o alto, provocando aquela balburdia que só acontece durante baratas voas.

Vinícius Gressana ficou perdido entre crianças que se arrastava e se debatiam no chão em busca de pirulitos, quando Tackleberry também apareceu. Em um gesto rápido, o Papai Noel enfiou cada um dentro de um saco e os arrastou até o carro que o esperava do lado de fora. Os dois foram colocados no porta malas.

É claro que eles gritaram um pouco e se debateram dentro dos enormes sacos vermelhos felpudos. Como não poderia deixar de ser, a ação chamou a atenção de algumas pessoas, mas vocês sabem como é o mundo hoje em dia. Se você presenciar um esquartejamento público, muito provavelmente resolverá não intervir na cena e agirá com naturalidade diante do ocorrido. Depois ainda vai procurar notícias no jornal sobre a carnificina e contar “nossa eu estava lá” e responder com indiferença sobre o porquê não fez nada.


O carro então rodou pelas ruas de Cuiabá durante duas horas, até chegar na Casa de Diversão Noturna Carnicentas. Papai Noel retirou os dois do saco e acertou um chute na barriga de Vinícius. Precisamos intervir. Papai Noel pediu desculpas, dizendo que das outras vezes em que ele precisou fazer um serviço assim, ele também ficou encarregado de dar uma surra nos raptados, entrou no clima e tal.

Equívocos corrigidos e devidos esclarecimentos prestados, começamos a cerimônia, novamente realizada na nefasta modalidade “Amigo Ladrão”. Os presentes foram trazidos, em sua maioria, pelo Papai Noel. Já que ele tem a manha para conseguir essas coisas. Como ele conhecia todos os presentes, não participou do sorteio, ficou responsável apenas por moderar os conflitos, prometendo dar uma gravata em quem tumultuasse o ambiente.

Pois, o Cão Leproso foi sorteado com o número 1. Ele se dirigiu até a mesa e escolheu um embrulho brilhante com fita dourada. Após uma pequena batalha, finalmente abriu o pacote e para a sua surpresa encontrou uma piroca de chocolate. Cão Leproso olhou para a jeba, olhou para as pessoas, voltou a olhar para a benga, olhou para os céus e disse “ó pai, porque me abandonaste”. Papai Noel riu. Pelo segundo ano consecutivo, o Cão Leproso ganhou uma jiromba de chocolate.

Eu fui o segundo a pegar um presente. Olhei para aquela mesa pensando que qualquer um daqueles embrulhos poderia conter minha maldição eterna. Fechei os olhos e peguei um pacote qualquer e lá dentro estava um boné Hang Lose igual a um que eu ganhei em um amigo oculto em 1998. Muito estranho. Olhei para o Papai Noel, que desviou o olhar.

O papel com o número 3 caiu na mão de Hanz o Pansexual. Ele não teve dúvidas. Roubou o pinto de chocolate do Cão Leproso e lhe entregou outro presente. Hanz já se deliciava de maneira pornográfica com o chocolate quando Cão Leproso viu que havia ganho um DVD do Foo Fighters.

A batata agora estava na mão de Vinícius Gressana. A batata e o papel de número 4. Como ele é fã e cosplay do vocalista do Foo Fighters, resolveu tomar logo o DVD que estava com o Cão Leproso e lhe entregar outro pacote. Pacote este que contava com um CD do Roberto Carlos.

Então, Pai Jorginho de Ogum foi a frente e roubou o CD do Roberto Carlos, entregando outro pacote para o Cão Leproso, que, acreditem, puta merda, continha um iPhone 6. Marcão então resolveu tomar o iPhone 6 do Cão Leproso, acreditando que ele era um descanso de copo muito bonito. Entregou um pacotinho para o cachorro e lá dentro estava a chave de um Honda Civic. E, acreditem novamente, o Honda Civic estava estacionado do lado de fora.

Restava Tackleberry, o último sorteado, o que num amigo ladrão significa ser uma espécie de Don Corleone da porra toda. Ele poderia escolher um carro, um iPhone, o que quisesse. Mas sua mente estava em dúvida. A cada pacote novo, o Cão Leproso recebia um presente melhor. Isso podia não acontecer agora, mas, e se? De qualquer forma, o carro, ou o iPhone já seriam boas garantias. Mas, todos nós conhecemos Tackle. Empresário arrojado, que gosta de correr riscos prevendo um ganho maior. Não quis saber e ficou ele com o pacote, o último pacote que estava em cima da mesa.

Que continha outra piroca de chocolate. Tackleberry apostou alto e acabou perdendo tudo. Por um segundo, a oportunidade esteve na sua mão. Poderia o Cão Leproso ter sido a vítima de uma das maiores conspirações do destino, tendo começado com uma piroca, passado por um DVD, um CD, um iPhone, um carro e terminado em outra piroca. Mas não dessa vez.

Cerimônia encerrada, os helicópteros começaram a descer no heliporto da Carnicentas e todos voltaram para suas casas, após aquele que pode ter sido o último amigo oculto da história do CH3.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Tortura.3


Não sei explicar direito, mas, eu sempre sei quando eu não vou gostar de um filme ou de uma peça de teatro apenas pelo cartaz. Só preciso bater o olho para identificar que aquilo ali vai ser uma bomba, que a obra irá me torturar durante todos os minutos de sua duração. No caso do teatro, a impressão é reforçada com as fotos de divulgação e sinopse. Se o texto fala em movimentos lentos, exploração do corpo, releitura… vai ser uma merda.

Entre todas as manifestações artísticas, acredito que o teatro é aquela que mais sofre na disputa entre o entretenimento e o exercício intelectual. Música e cinema tendem mais para o entretenimento, literatura e artes plásticas para a intelectualidade. O teatro já é uma arte identificada como sendo de elite e por isso, as peças densas e difíceis costumam a ser mais elogiadas. No entanto, os atores também tem que comer e uma peça popular é a oportunidade para as pessoas se vestirem bem para ir ao teatro. Peças são vistas como evento.

Da minha parte, prefiro o entretenimento puro e simples. Sei que isso pode ser uma mancha para minha aura intelectual e a partir de agora poderei ser excluído de vários círculos e tratado como um fã de Zorra Total. Mas é a minha opinião.

Em um determinado dia da semana passada, estive em Brasília onde me foi conferida a possibilidade de presenciar a encenação da peça Trágica.3. O nome já era um aviso. As fotos que exploravam a escuridão também. Na hora em que as portas se fecharam o locutor anunciou que a peça era uma releitura das tragédias gregas, explorando a expressão corporal e a música contemporânea, a tortura estava consumada.

Um cara atrás de mim ainda estava impressionado por descobrir quem era o diretor da peça, provavelmente alguém muito bom, quando as cortinas se abriram e revelaram Letícia Sabatella num vestido branco, sentada ao piano e cantando uma música indecifrável.

A peça é dividida em três atos. Em cada um deles, uma atriz incorpora uma personagem de uma tragédia grega – daquelas, cheias de parricídios, fratricídios, incesto e sadismo – e faz um monólogo, com breves interrupções de um dos dois atores que estão sempre no palco, fazendo as vezes de sonoplastas e músicos de acompanhamento.

Pois bem, depois de cantar sua tragédia, Letícia se levantou até o próximo microfone e continuou a história, que seguia a seguinte ordem dramática: pois então, quando imaginaria eu que meu PAI SERIA TRAÍDO PELO EXÉRCITO DE HERONTE. Ele, QUE DEU SUA VIDA PELA GRÉCIA AGORA ESTÁ MORTO! MORTO POR ESTE EXÉRCITO VIL, MOVIDO PELA GANÂNCIA QUE CEGA O HOMEM! Seguido de uma pausa dramática que poderia revelar o fim da fala, mas que infelizmente era apenas uma breve interrupção, antes da próxima sequência catastrófica. Letícia ainda fez exercícios vocais no meio de uma confusão sonora, tocou tambor e cantou uma música em espanhol que terminava dizendo “mortos para sempre”, encerrando sua parte.

Este é aquele momento chave da peça. Você está achando aquilo uma porcaria mas está preocupado com a sua reputação intelectual, pensando se é o único que está se sentindo torturado com essa pasmaceira. Por sorte, não vi ninguém chorando e mais tarde descobri que as pessoas que estavam comigo – várias ligadas ao teatro – acharam a peça uma das maiores ciladas da história.

A segunda parte contava coma uma atriz de origem oriental que passou o tempo inteiro ajoelhada com os braços incrivelmente para cima, já que ela interpretava uma mulher enterrada. Seguia aquele padrão descrito acima, com muitos gritos. Poucas coisas podem ser mais assustadoras/constrangedoras do que um grito dramático no teatro. Sempre penso no que aconteceria caso alguém da plateia começasse a gritar também, ou se atirasse objetos no palco. Ninguém jamais saberia se aquilo foi uma intervenção programada ou uma atitude lunática. Isso é assustador, não é?

Ainda haveria uma terceira parte, na qual a protagonista interpretaria a Medéia e chamaria a atenção por usar várias vezes a palavra “puta”. Todos fomos unânimes em escolher esta como a melhor parte do espetáculo, mas é preciso avaliar que talvez já estivéssemos anestesiados depois do choque inicial, ou que o fim eminente daquilo nos deixou mais felizes e receptivos.

Ao final, o público aplaudiu e ainda de pé. O que para mim parecia um exagero, mas para outros significaria toda a minha limitação intelectual. Numa clara demonstração de que nós estávamos numa cidade grande, os atores retribuíram os aplausos friamente. Em Cuiabá, os atores quase que agradecem e abraçam quem estava na plateia.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O dia em que desaprendeu completamente

Acabei de virar um copo d’água e a chuva caí lá fora. Nuvens escuras contrastam com um céu parcialmente claro em alguns lugares, uma televisão está sintonizada no Globo News, naquele volume em que você consegue escutar as notícias, mas não consegue se concentrar nelas, interpretando notícias incompletas. O ar condicionado começa a ficar frio por conta da chuva e eu estou diante de uma folha em branco.

Ok, a folha em branco é apenas um eufemismo. Na verdade, a folha do Word está com exatamente 14 linhas de um texto que está uma porcaria. Estou no meio de uma crise de criatividade e por mais irônico que possa ser, o texto horrível que vocês jamais lerão e logo será apagado é justamente sobre o bloqueio de ideias. Mantenho-o aqui embaixo, apenas para diminuir a pressão que a folha em branco provoca. Nada pode ser pior para quem escreve do que a pressão de uma folha em branco no dia de um bloqueio criativo.

Você pode imaginar que os bloqueios são todos iguais, que eles consistem simplesmente na falta de ideias. Sim, isso realmente ocorre. Existem aquelas dias em que passo por sites de notícias, consulto os rascunhos do blog e gasto minhas sinapses num desgastante processo criativo que invariavelmente resultará num texto muito ruim.
Está tã difícil que eu resolvi adicionar uma imagem aleatória

Não era o caso de hoje. Eu já estava mentalmente programado para escrever sobre música de bar e a influência que Djavan exerce nesses artistas. Esse texto vai sair um dia, logo mais, mas não hoje.

Existem dias em que a ideia simplesmente não anda para frente e isso também é normal. Falta um pouco de reflexão sobre o assunto, mas no meu caso, é uma questão de feeling. É possível saber aquele dia em que não vai rolar. Se bobear, na hora em que levanto da cama eu já sei que nesse dia não vai sair nada que preste.

Eu poderia escrever o texto sobre música de bar, mas hoje... hoje ia sair uma merda. Ia ficar tão mais ou menos quanto esse último texto dos passeios turísticos. Nesses dias, o melhor a fazer é deixar para lá e apostar num assunto mais bobo, que não vai fazer tanta diferença assim com um texto meia boca. Também há os dias em que a ideia parece tão boa, que você resolve esperar aquele dia especial para desenvolvê-la.

E existem os dias em que parece que você desaprendeu a escrever. As frases saem truncadas, elas simplesmente parecem que não estão aonde deveriam realmente estar. Você reescreve, mas a construção não parece boa. Os pontos parecem fora de lugar. É uma sensação terrível.

Penso no dia em que um médico se sente assim, quando diante da barriga aberta do paciente e com um bisturi na mão, ele tem aquela terrível sensação de que isso não vai dar certo, que naquele dia ele preferia simplesmente receitar uma pomada, para não correr o risco de fazer um trabalho mal feito. O engenheiro só queria fazer uma escada, porque sabe que os cálculos para esse prédio de 40 andares não vão ser muito bons. O Usain Bolt tropeça sozinho na hora em que desce da cama, o que dirá correr?

O céu já está completamente escuro e eu preciso de um novo copo d’água. Pelo menos, conseguir enrolar o desafio de vencer a página em branco.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Passeios Turísticos

Muito se fala que o Brasil é um país no qual o empreendedorismo é pouco estimulado. Abrir sua própria empresa é uma torturante via burocrática, com muitas peregrinações por diversas repartições, atrás de carimbos, autorizações, vias. Você terá que pagar dezenas de impostos e contribuições e chegará à conclusão de que é mais fácil ficar na ilegalidade ou continuar sendo funcionário de alguém.

O turismo no Brasil reflete essa situação. Digamos que fazer turismo no nosso país é uma atitude pouco empreendedora. Não sei como mochileiros sobrevivem por aqui, já que é praticamente impossível chegar em vários lugares por vias próprias. Está vendo essa praia aqui, paraíso na terra? Para chegar lá você precisa alugar um carro, pegar uma carona que evidentemente terminará em homicídio, ou, participar de um passeio turístico. Não há uma opção mais neutra, como um simples ônibus. Você vai depender de alguém. Que vai cobrar caro.

Os passeios turísticos acabam sendo a opção mais fácil e consequentemente a mais infernal. Geralmente fica mais em conta, se você não estiver viajando com a família inteira, mas você vai ser incomodado das mais diversas formas.

Começa pelo nome: passeio. Quer coisa mais ridícula do que fazer um passeio? Haverá um guia turístico cheio de piadas, pessoas fúteis em clima de excursão, falando alto e se comportando de maneira ridícula. Viajar num passeio não irá te proporcionar nenhuma nova sensação. O que essas excursões fazem é vender a mesma sensação que todos já sentem. Fazer tudo da mesma maneira que os outros já fazem.

Outra cilada é o valor agregado do passeio. Eles te cobram 25 reais para te levar até uma praia, o que pode ser um preço justo. Mas ao longo do trajeto te farão passar por uma lavagem cerebral para que você faça ainda mais passeios e enriqueça o bolso desses cidadãos. Chegando lá tem o passeio de lancha que custa mais 30 reais, o passeio de buggy que é mais 40, o de quadriciclo que é 80, tem o mergulho por 75, mais 50 para usar um cilindro, mais 20 para uma roupa especial, mais 50 para tirar fotos. Na hora em que você chega ao alto da duna tem um cara tirando fotos suas e tentando te vender e lá você pode fazer o skibunda. É uma merda.

Vejam. No ano passado eu visitei o Uruguai e ao visitar a central de informações turísticas, me deram um mapa, apontaram os principais pontos turísticos, me disseram onde eu estava, onde ficava o meu hotel, que era possível andar por vários pontos a pé e que todo dia um ônibus saia para o City Tour de um determinado local. Ao chegar em uma Central de Informações Turísticas no Brasil, o que acontece? Tentam te vender passeios.

Porque não tem ônibus que leva até o local, porque se esse ônibus existir ele estará prestes a entrar em combustão espontânea e então é muito fácil colocar o poder de te fazer viajar na mão de poucas pessoas e se você não gostou, que alugue um carro. O turismo no Brasil é mesmo um retrato do próprio país.

É por isso que o CH3 dará sua contribuição para o mundo. A partir do ano que vem iremos, mensalmente, publicar guias de turismo. Tudo para ajudar você a escapar das ciladas que a vida turística te reserva.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Interior Macabro

Muitas vezes, planejar as suas férias é mais divertido do que tirar as férias propriamente ditas. Ok, isso é um pequeno exagero, mas, da mesma maneira que você sente aquele vazio quando as férias terminam, também é possível sentir um vazio quando o planejamento termina e só resta esperar a viagem chegar.

Um bom planejamento necessita muitas buscas, inclusive busca por imagens. Antes de definir hotéis e passagens, você precisa definir o lugar para onde você vai. E para isso, o Google é o seu melhor parceiro na procura pelo paraíso na terra. A busca por imagens do Google é uma ferramenta ideal, por mais que é claro que o local não será tão bonito quanto naquela foto extremamente produzida.

Nesse ano, estive pesquisando locais no nordeste. Além das capitais, procurei cidades e localidades próximas, em que fosse possível passar um dia, algumas horas. E então eu descobri: toda e qualquer cidade do interior do nordeste, na busca de imagens do Google, aparece um cadáver na terceira linha da pesquisa. É impressionante.
Don't Cross The Line

São Miguel do Gostoso no Rio Grande do Norte. Belas dunas, mar esverdeado, pessoas praticando kitesurf e... uma poça de sangue no chão. Penedo em Alagoas: o belo centro histórico, o rio São Francisco, casarões, igrejas, um cadáver boiando na piscina. Jacumã na Paraíba: falésias, piscinas naturais, o paraíso na terra e puta que pariu, um cadáver ensanguentado num tapete. Camocim no Ceará e lá estará um membro decepado em meio a fotos paradisíacas. São José da Coroa em Pernambuco? Em meio aos corais e bancos de areia haverá um cadáver caído numa rua de paralelepípedos. Tutóia no Maranhão reservará uma perfuração no abdômen. Sim, não há para onde escapar.

Após uma pesquisa dessas, será possível concluir que o interior do nordeste brasileiro é um cenário de miséria e caos homicida. Que o litoral é belo, mas sanguinolento, um cenário macabro. Mas, antes que você passe a concordar com muitos dos eleitores de Aécio Neves e passe a propor a divisão do Brasil, é possível refletir sobre os motivos para que as coisas sejam assim.

Muitas dessas cidades citadas são pequenas localidades, com menos de 5 mil habitantes. Se o cotidiano desses locais fosse tão violento, provavelmente não sobraria mais ninguém por lá. Os homicídios devem ser raros e, justamente por isso, todo e qualquer cadáver vira notícia. Deve ser uma pessoa que todos conhecem. “Viram que filho de Antônia foi morto com uma facada nas costas?”. Assim sendo, as fotos são vistas na internet e acabam indo pro topo das imagens relacionadas a cidade.

A partir dessa reflexão é possível chegar a outra conclusão: toda e qualquer cidade do interior é indexada a imagens de cadáveres no Google. Fiz o teste em Mato Grosso e pesquisei por Barra do Bugres. Entre uma outra foto aérea, lá está um cadáver dentro de um carro. Santa Cruz do Xingu, minúscula e isolada é premiada com um cadáver coberto por um lençol branco. A imortal Paranatinga nos revela um homicídio duplo logo na primeira linha, uma precocidade enorme para a carnificina.

Agora, se você buscar por Cuiabá, irá se perder por fotos aéreas e mapas e vai ter que penar para achar um reles cadáver. Maceió é a cidade mais violenta do Brasil e a quinta do mundo, mas a busca no Google não revela um mísero defuntinho, apenas praias de água verde e pessoas em trajes de banho curtindo a vida e comendo camarão. É mais perigoso viver em Maceió ou na pacata São Miguel do Gostoso? Não sei. Mas o Google não tem dúvidas. Contra toda e qualquer estatística e impressão, para o Google o interior é sempre macabro.