quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Passeios Turísticos

Muito se fala que o Brasil é um país no qual o empreendedorismo é pouco estimulado. Abrir sua própria empresa é uma torturante via burocrática, com muitas peregrinações por diversas repartições, atrás de carimbos, autorizações, vias. Você terá que pagar dezenas de impostos e contribuições e chegará à conclusão de que é mais fácil ficar na ilegalidade ou continuar sendo funcionário de alguém.

O turismo no Brasil reflete essa situação. Digamos que fazer turismo no nosso país é uma atitude pouco empreendedora. Não sei como mochileiros sobrevivem por aqui, já que é praticamente impossível chegar em vários lugares por vias próprias. Está vendo essa praia aqui, paraíso na terra? Para chegar lá você precisa alugar um carro, pegar uma carona que evidentemente terminará em homicídio, ou, participar de um passeio turístico. Não há uma opção mais neutra, como um simples ônibus. Você vai depender de alguém. Que vai cobrar caro.

Os passeios turísticos acabam sendo a opção mais fácil e consequentemente a mais infernal. Geralmente fica mais em conta, se você não estiver viajando com a família inteira, mas você vai ser incomodado das mais diversas formas.

Começa pelo nome: passeio. Quer coisa mais ridícula do que fazer um passeio? Haverá um guia turístico cheio de piadas, pessoas fúteis em clima de excursão, falando alto e se comportando de maneira ridícula. Viajar num passeio não irá te proporcionar nenhuma nova sensação. O que essas excursões fazem é vender a mesma sensação que todos já sentem. Fazer tudo da mesma maneira que os outros já fazem.

Outra cilada é o valor agregado do passeio. Eles te cobram 25 reais para te levar até uma praia, o que pode ser um preço justo. Mas ao longo do trajeto te farão passar por uma lavagem cerebral para que você faça ainda mais passeios e enriqueça o bolso desses cidadãos. Chegando lá tem o passeio de lancha que custa mais 30 reais, o passeio de buggy que é mais 40, o de quadriciclo que é 80, tem o mergulho por 75, mais 50 para usar um cilindro, mais 20 para uma roupa especial, mais 50 para tirar fotos. Na hora em que você chega ao alto da duna tem um cara tirando fotos suas e tentando te vender e lá você pode fazer o skibunda. É uma merda.

Vejam. No ano passado eu visitei o Uruguai e ao visitar a central de informações turísticas, me deram um mapa, apontaram os principais pontos turísticos, me disseram onde eu estava, onde ficava o meu hotel, que era possível andar por vários pontos a pé e que todo dia um ônibus saia para o City Tour de um determinado local. Ao chegar em uma Central de Informações Turísticas no Brasil, o que acontece? Tentam te vender passeios.

Porque não tem ônibus que leva até o local, porque se esse ônibus existir ele estará prestes a entrar em combustão espontânea e então é muito fácil colocar o poder de te fazer viajar na mão de poucas pessoas e se você não gostou, que alugue um carro. O turismo no Brasil é mesmo um retrato do próprio país.

É por isso que o CH3 dará sua contribuição para o mundo. A partir do ano que vem iremos, mensalmente, publicar guias de turismo. Tudo para ajudar você a escapar das ciladas que a vida turística te reserva.

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