segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Como foi o ano para você?

Neste momento em que o fim do ano se aproxima, podemos dizer que a humanidade inevitavelmente se divide em dois grupos: de um lado estão aqueles que agradecem a 2014 pela glória alcançada e do outro, os que amaldiçoam o ano, não vem a hora de ele acabar porque ele só trouxe desgraça para suas vidas. (Incrivelmente, estudos apontam que as pessoas que dizem que 2014 foi o pior ano de suas vidas já haviam dito o mesmo sobre 2013, 2012, 2011 e etc e vice e versa. Ao que parece, otimismo e pessimismo são capazes de atravessar os anos sem sofrer nenhuma influência).

Mas, afinal, o ano foi bom ou foi ruim? Para tentar achar uma resposta nós fomos às ruas para escutar a opinião de quem realmente importa: as pessoas.

“Olha, acho que o ano foi bom. Não assim, que tenha sido bom, não foi tão bom, mas por outro lado não foi ruim, então, eu acho que foi bom. Não significa que tenha sido uma maravilha, já tive piores, já tive melhores, diria que foi na média. Então, se está na média, acho que está bom, né? Porque teve lá seus momentos ruins, mas não foi nada demais, os grandes momentos também não. Poderia dizer que foi ruim, porque não aconteceu nada de bom, mas prefiro ser otimista. Por isso, acho que foi bom, bom, desse jeito que eu falei, não foi ótimo, mas foi bom, então é isso aí. Foi um bom ano. Ou não”.
Alexandre Damasco – Analista de Sistemas. (Perguntado, ele não soube dizer o que sua profissão faz).

“Para mim esse ano foi bom. Eu só fui estuprado duas vezes na prisão e ano passado foram oito vezes. Certo que eu passei menos tempo na cadeia, mas na situação em que eu estou, o que importa é a quantidade e não a qualidade ou qualquer tipo de média aritmética. Espero que ano que vem eu não seja estuprado nenhuma vez na cadeia, nem fora dela, e aí sim vou poder dizer que o ano foi ótimo. Mas, por enquanto eu estou satisfeito”.
Roger Garcia – empresário sonegador de imposto.

“2014 foi um ano terrível para mim. Minha cobertura em Ipanema conviveu com um problema de mofo que tirou o sorriso de minha face. Com essa nova ascensão da Classe C é cada vez mais difícil arrumar um pedreiro, um encanador ou o que quer que seja que não cobre os olhos da cara para arrumar um probleminha desse. Para piorar, as obras da Copa deixaram muitos buracos e as rodas da minha Ferrari estão todas empenadas”.
Ruy Casper – especulador financeiro.

“Acredito que o ano tenha sido muito bom para mim. Eu ganhei na mega-sena três vezes, apesar de meus adversários políticos disserem que essa foi uma maneira que eu encontrei para encobrir o aumento do meu patrimônio durante os anos em que fui vereador. Mas a inveja faz parte, desejo as minhas inimigas vida longa”.
Paulinho do Posto – vereador.

“Foi um ano muito ruim. Todos os meus parentes morreram em acidentes aéreos. Tudo bem que eu só tinha um meio-irmão vivo, que eu não via há 14 anos porque a família dele me odiava, mas ele era minha família e isso me abalou. Ah, minha mãe morreu no meu parto e meu pai me abandonou em uma caixa de sapatos cheia de pedras no rio. Fui resgatado por pescadores que me criaram, mas eles morreram na terrível enchente de 1994. Eu tinha só seis anos e passei a viver na rua, até conhecer meu pai, já em um estágio terminal de câncer. Ele morreu dois dias depois e conheci meu meio-irmão no velório. Ele tentou me matar duas vezes para ficar com toda a herança. Enfim, a vida não é fácil, mas esse ano superou minhas expectativas”.
Jorge Dorival – Andarilho

“Meu, para mim o ano foi bom. Estou há três anos na estrada tentando chegar em Santos para o Revéillon e se tudo der certo, nesse ano finalmente eu vou conseguir. Só estou torcendo para não chover... é esses pingos aí já mudam minha perspectiva”.
Luciano Destri – paulista preso no trânsito.

“O ano foi maravilhoso. Minhas fotos bombaram no Insta e recebi muitas curtidas no meu look novo. O que mais eu poderia querer da vida?”.
Renata Silva – modelo.

“...”
Dante, zagueiro da seleção que se encontra em estado catatônico desde a goleada de 7x1 aplicada pelos alemães.

“Pensando bem, eu diria que o ano não foi bom não. Não que isso signifique que tenha sido ruim, porque ruim não foi. Agora, não é porque não foi ruim, que significa que tenha sido bom. Posso dizer que foi um ano mais ou menos? Ah, tem que dize se o ano foi bom ou não. Então, coloca aí que não foi bom não, mas ressaltando, que não acho que foi ruim. Só não foi tudo isso aí para dizer que foi bom. Por mais que, se eu falar que não foi bom, vão achar que eu acho que o ano foi ruim e de forma alguma eu quero que as pessoas entendam que o ano de 2014 foi ruim. Tive bons e maus momentos e enfim”.
Alexandre Damasco – ex-analista de sistema. Morto a pauladas por um pesquisador.

Um comentário :

Gressana disse...

Concordo com o finado Alexandre Damasco.