sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O dia em que desaprendeu completamente

Acabei de virar um copo d’água e a chuva caí lá fora. Nuvens escuras contrastam com um céu parcialmente claro em alguns lugares, uma televisão está sintonizada no Globo News, naquele volume em que você consegue escutar as notícias, mas não consegue se concentrar nelas, interpretando notícias incompletas. O ar condicionado começa a ficar frio por conta da chuva e eu estou diante de uma folha em branco.

Ok, a folha em branco é apenas um eufemismo. Na verdade, a folha do Word está com exatamente 14 linhas de um texto que está uma porcaria. Estou no meio de uma crise de criatividade e por mais irônico que possa ser, o texto horrível que vocês jamais lerão e logo será apagado é justamente sobre o bloqueio de ideias. Mantenho-o aqui embaixo, apenas para diminuir a pressão que a folha em branco provoca. Nada pode ser pior para quem escreve do que a pressão de uma folha em branco no dia de um bloqueio criativo.

Você pode imaginar que os bloqueios são todos iguais, que eles consistem simplesmente na falta de ideias. Sim, isso realmente ocorre. Existem aquelas dias em que passo por sites de notícias, consulto os rascunhos do blog e gasto minhas sinapses num desgastante processo criativo que invariavelmente resultará num texto muito ruim.
Está tã difícil que eu resolvi adicionar uma imagem aleatória

Não era o caso de hoje. Eu já estava mentalmente programado para escrever sobre música de bar e a influência que Djavan exerce nesses artistas. Esse texto vai sair um dia, logo mais, mas não hoje.

Existem dias em que a ideia simplesmente não anda para frente e isso também é normal. Falta um pouco de reflexão sobre o assunto, mas no meu caso, é uma questão de feeling. É possível saber aquele dia em que não vai rolar. Se bobear, na hora em que levanto da cama eu já sei que nesse dia não vai sair nada que preste.

Eu poderia escrever o texto sobre música de bar, mas hoje... hoje ia sair uma merda. Ia ficar tão mais ou menos quanto esse último texto dos passeios turísticos. Nesses dias, o melhor a fazer é deixar para lá e apostar num assunto mais bobo, que não vai fazer tanta diferença assim com um texto meia boca. Também há os dias em que a ideia parece tão boa, que você resolve esperar aquele dia especial para desenvolvê-la.

E existem os dias em que parece que você desaprendeu a escrever. As frases saem truncadas, elas simplesmente parecem que não estão aonde deveriam realmente estar. Você reescreve, mas a construção não parece boa. Os pontos parecem fora de lugar. É uma sensação terrível.

Penso no dia em que um médico se sente assim, quando diante da barriga aberta do paciente e com um bisturi na mão, ele tem aquela terrível sensação de que isso não vai dar certo, que naquele dia ele preferia simplesmente receitar uma pomada, para não correr o risco de fazer um trabalho mal feito. O engenheiro só queria fazer uma escada, porque sabe que os cálculos para esse prédio de 40 andares não vão ser muito bons. O Usain Bolt tropeça sozinho na hora em que desce da cama, o que dirá correr?

O céu já está completamente escuro e eu preciso de um novo copo d’água. Pelo menos, conseguir enrolar o desafio de vencer a página em branco.

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