quarta-feira, 29 de junho de 2011

A geração espontânea de coisas que nunca se perdem

Durante muito tempo, acreditou-se na hipótese da geração espontânea. Você colocava açúcar sobre uma mesa e logo surgiam formigas. Surgiam do nada. Vários filósofos gregos acreditavam nisso. Algo que diz muito sobre os filósofos, muito sobre a Grécia e a sua situação atual.

Sabe-se que as coisas não surgem mais espontaneamente. Como elas surgem? Não sei. Cada coisa surge de um jeito, precisaria de uma monografia para explicar a origem das pedras, flores e folhas do seu jardim. No entanto, como as coisas desaparecem? Difícil saber também. Sei apenas que uma lata de alumínio demora entre 200 e 500 anos para se degradar na natureza. Chicletes, 5. Uma folha de papel demora seis meses. E ninguém sabe quanto tempo demora para que luvas de borracha desapareçam.

Existem, no entanto, coisas que surgem espontaneamente e não desaparecem nunca. Sim, a geração espontânea é uma bobagem tremenda e seria um diagnóstico de retardo mental defendê-la. Mas vou fazer isso para essas exceções.

Flocos de isopor: Um pedaço de isopor se esfarela no seu quarto. O que você faz com isopor no seu quarto? Boa pergunta. Mas cada um faz o que quer e é provável que você consiga uma boa desculpa. Enfim, está feito, aqueles flocos de isopor estão no chão do seu quarto. E por lá eles permanecerão para sempre. Eles não têm peso suficiente para serem varridos. O vento os leva e os traz a seu bel prazer. Você desistirá de removê-los, deixando flocos espalhados pelo chão. Você ainda os encontrará em 2019.

Cacos de duralex: O duralex é uma espécie de vidro, fabricado sabe se lá como. Não estou a fim de pesquisar o seu processo de criação. Quando ele quebra, ele não se parte em cacos. Ele se esmigalha, forma dezenas, centenas, milhares, milhões, bilhões, trilhões, quatrilhões de pedacinhos. Hoje mesmo eu pisei em um pedaço, que deve ser de um copo que eu quebrei em 2002.

Purpurina: Os trabalhos infantis eram um inferno. Ok, trabalho infantil é considerado crime, mas falo daqueles trabalhos artísticos que você realizava na primeira série. Você se sujava todo com tinta guache. Sempre havia um retardado que comia o giz de cera. E a purpurina. Você podia não ter purpurina por perto, mas ela se espalhava pelas pessoas. Assim como as lantejoulas, mas estas eram de fácil remoção. A purpurina não. Ela ficaria presa no seu cabelo por anos. E quanto mais você tentava se limpar, mais se sujava. Uma prova de que ela surge por geração espontânea. Mas isso não iria te salvar das piadinhas.

Caneca BIC: Canetas BIC não têm dono. Você provavelmente não se lembra de já ter comprado uma. Mas olhe ao seu redor. Existirão centenas delas. De todas as cores. É provável que mais da metade não funcione corretamente e esteja sem a tampa. E quando elas acabam? Você se lembra de jogar uma caneta BIC fora? Não. Sem dúvida não. Mas um dia elas somem. Ou não? Será que são as mesmas canetas BIC que estão por aí desde que Eva mordeu a maçã? Fora o fato de que elas sempre mudam de lugar. O que reforça uma velha hipótese de que canetas BIC são sondas alienígenas.

Poeira: A poeira. Essa coisa que se acumula sobre os seus móveis. Da onde ela surge? Sim. Até em um lugar fechado as coisas ficam cobertas de poeira. Ou seja, não há a desculpa de que seja apenas o pó da terra. A poeira surge do nada. Pelo menos é melhor acreditar nisso. Na verdade, a poeira é formada por células, pele e pelos mortos. Além das fezes de ácaros. Era melhor achar que ela vinha do nada, não?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A Arte de Mudar de Assunto

Hoje é um novo dia, de um novo tempo, que começou. Todos os nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou. Esta curiosa canção que toca apenas em determinadas épocas do ano e apenas em um determinado canal de televisão é de composição de Marcos Valle. Um obscuro músico, especializado em compor trilhas sonoras para a Rede Globo de Televisão.

Falando em trilhas sonoras, você provavelmente conhece alguém que muda de assunto constantemente. Mudar de assunto é uma arte, que não é ensinada em colégios ou exposta em museus. Digo que felizmente, porque geralmente é um hábito irritante.

Amigos conversam amenidades.
- Então. Eu tava lá na praia, em João Pessoa, comendo um camarão, quando vi lá longe uma correria. Pensei o que era aquilo, mas nem soube. Só depois que eu vi que uma barraca tinha despencado e o pessoal saiu correndo.
- Falando em correria, você viu no jornal que o governador quer conter os gastos com segurança?
- Não.

Perceba os diversos momentos dessa situação. O sujeito A está contando uma história, esperando uma reação de seu interlocutor. O sujeito B, por sua vez, resolve pegar um gancho da história, para contar um assunto que é de interesse apenas dele. Acontece que o gancho é completamente surreal. O sujeito B localiza uma palavra-chave aleatória do discurso alheio, para que, a partir dela, ele possa traçar uma linha imaginária que conduza a história anterior até a sua fala seguinte. Um assunto chato que era de interesse apenas dele, que mata o assunto anterior.

Você pode me dizer que esta pessoa deveria ser categorizada como uma pessoa constrangedora (falando em pessoa constrangedora, você....) e realmente é. Mas o assunto aqui é mais amplo. Saber mudar de assunto é chato, mas é algo que pode salvar sua vida. Acontece com pessoas públicas:

- Prefeito, é verdade que você é a favor da pedofilia?
- Olha, essa é uma história espalhada pela minha oposição. Uma tentativa catastrófica de difamar minha imagem. A minha gestão prima pela aproximação com o nosso povo. Foi na minha gestão que nós recapeamos a Avenida Central. Geramos 20 mil novos empregos e reformamos o pronto-socorro.

Perceba que o prefeito em nenhum momento informou se era a favor ou não da questão perguntada. Ele aproveitou para esculhambar seus opositores e fazer propaganda da sua gestão. É a tática do “você pergunta o que quiser, e eu respondo o que eu quero”.

Outra tática famosa é a de revelar um assunto ainda mais assustador para fazer com que as pessoas esqueçam-se de lhe atacar. Funciona quando um grupo de pessoas proporciona o ataque.
- Cara você tava vendo o desfile da Miss Brasil?
Risadas, risadas, provocações.
- É. E você que tem filmes de travesti no seu pen drive.
- Opa, não muda de assunto.
- Você tem mesmo, eu vi quando você tentou imprimir um arquivo na faculdade.

Pronto o cidadão está humilhado e sem saída. Conseguir uma reviravolta, reverter a jogada, uma nova mudança de assunto é muito complicado e exige anos de estudo. Você pode questionar se não foi uma revelação muito agressiva, para uma brincadeira boba. Pode ser. Mas é sob pressão é que nos conhecemos e nos revelamos.

A questão mais chata de tudo isso, é que essa arte de mudar de assunto gera inúmeras não terminações de assunto.

sábado, 25 de junho de 2011

Mudanças

Percebam. Isso que vocês estão lendo será uma raridade, daqui em diante. É muito provável que vocês nunca mais vejam um post de sábado no CH3. Vou além e digo também: nunca mais haverá uma postagem em final de semana neste blog. E antes que eu diga que este blog está aposentado, eu explico.

Não se tratam de férias ou descanso. Não estamos instituindo dias de ausência. Os leitores é que se ausentaram do blog nesse tempo. É certo que as visitas estagnaram por aqui e é provável que, pela primeira vez, o blog tenha queda de visitas em um mês, comparado com o mesmo período do ano passado. Uma comparação adorada pela Fundação Getúlio Vargas. As razões? Devem existir. Vou encomendar um estudo a já referida FGV.

Mas se é certo que as visitas caem, no fim de semana chega a ser ridículo. Com sorte chegamos a... 80 visitas. Comentário em fim de semana é uma raridade maior ainda. O que acontece? Nos fins de semana as pessoas entram menos na internet. O que prova que a maioria é um bando de desocupados que fica entrando em blogs pela internet do trabalho. Veja seu Twitter hoje. Você não vai acabar com o seu mouse, rolando a tela pra baixo.

Já faz algum tempo que eu penso em posts banais para o fim de semana, pra não desperdiçar um bom assunto em um dia que ninguém vai ler. E agora chega a decisão. Uma tradição deste blog, iniciada em novembro de 2008, de post dia-sim, dia-não chega ao fim. Agora as postagens serão fixas nas Segundas, Quartas e Sextas.

Você então pensa “uau, grande coisa”. Pode não parecer, mas ajuda. São 4 posts a menos por mês. Quase 50 por anos. Há um facilitamento criativo nesse processo. Poderia dizer que também ajuda no planejamento estratégico e faz parte de um processo de reposicionamento da marca CH3 no mercado. Esses discursos bonitos.

Pois bem, é isso que eu queria dizer. Sem posts no fim-de-semana. Apareçam aqui nas segundas, quartas e sextas. Minhas últimas palavras em um sábado. Orgulhem-se, adventistas do sétimo dia.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

5 Acontecimentos e o futuro

Semana CH3 chega ao fim.

1. Geralmente a Semana CH3 termina com alguma constatação sobre o futuro. Sim, verdade, não sei se essa é uma verdade absoluta. Mas gosto de ser taxativo nesses momentos. Para falar sobre o futuro, é claro que eu deveria ir visitar o Velho Mago da Eternidade, Pai Jorginho de Ogum. Deveria ir (e fui) até a sua outrora lendária Casa de Diversões Noturnas Carnicentas.

Cheguei ao local e percebi suas paredes carcomidas. Alfredo Chagas logo veio até a mim, com cara de poucos amigos. Normal. Ele geralmente tem essa cara e realmente tem poucos amigos. Esbravejou “viu o número de visitas que o CH3 teve nesse período? Viu como os comentários caem ano após ano? Nem três pessoas comentaram. Só uma parabenizou o blog! Se lembra como era antigamente? A festa nas ruas?!” Não neguei. Sei que é verdade. Ele limpou a baba que escorria pelo canto da boca.


2. Entrei no local e vi o Cão Leproso. Ele me olhava com olhos tristes. Seu olhar profundo me perturbava. Não disse nada para ele, não havia o que dizer. Apenas perguntei onde estava Pai Jorginho. Ele fez menção de apontar. Percebi que teria que encontrá-lo sozinho.


3. Pai Jorginho de Ogum estava ao lado de uma garrafa esvaziada de caninha 21. Ele me disse “vejo um futuro negro”. Marcão entrou pela porta e Jorginho se ruborizou, pensando que as pessoas pudessem considerá-lo racista. Logo explicou que não era isso que ele queria dizer. Sua previsão era sobre o futuro do blog. Um raio caiu. Como estávamos em Cuiabá e estamos em junho, logo percebemos que era da televisão. A TV estava ligada na Sessão da Tarde, que passava Transformers.


4. Marcão me olhou. Perguntou o motivo da minha tristeza. Expliquei o fracasso como o motivo. Ele não ligou. Disse que o fracasso sempre esteve ao seu lado. E que ele agradecia apenas ao fato de ainda estar vivo. Me ofereceu uma pipoca que eu, claro, rejeitei. Mostrei a ele um exemplo de blog de sucesso. Ele perguntou o que eram aquelas caras distorcidas. Não soube explicar. E o velho homem, com suas mãos calejadas, chorou. Ele e Jorginho se abraçaram. Cão Leproso continuava com olhos tristes. Senti vontade de rir. Essa era a sua cara de sempre, também.


5. Hanz, pansexual, continuava sendo um velho nojento. Me perguntou quando é que ele embarcaria para o México. Ele se lembrava de uma velha promessa que eu havia feito, de que ele cobriria os jogos Pan-Americanos, para a sessão “O Pan no Pan”. Disse-lhe que se ele conseguisse comprar a passagem de ida, eu compraria a passagem de volta. Menti, é claro. Este blog nunca teve compromisso com a verdade, apesar de sempre afirmarmos o contrário. Essa é a graça. Ou não.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

5 Perguntas Freqüentes

FAQ. Tudo o que você sempre quis saber.

1. COMO MARCÃO E PAI JORGINHO SE CONHECERAM?
Pai Jorginho de Ogum era centroavante do Flamengo. Um dia em um treino, ele recebeu a marcação de um jovem lateral-direito vindo do Madureira. Era Marcão. Na primeira dividida Marcão solou o joelho de Jorginho. Na jogada seguinte, Jorginho revidou com uma cotovelada que quebrou uma costela de Marcão. “Na hora eu previ que seríamos amigos”. Os dois foram expulsos e ficaram de fora da vitória sobre o Olaria por 3x1. Se acertaram e nunca mais se separaram. Jogaram juntos na derrota por 19x0 para os Anões do Leme e depois da derrota por 7x0 para as Crianças Cotocas da Botsuana, eles vieram para Cuiabá.


2. TACKLEBERRY E VINÍCIUS AINDA ESTÃO VIVOS?
Ao que tudo indica, sim. Tackleberry voltou do seu exílio nas Bahamas e age na surdina, antes que a Polícia Federal o descubra. Já Vinícius, apesar das aparências, também está vivo e comendo 15 pedaços de pizza no rodízio.


3. COMO FAÇO PARA COMPRAR O CD DOS BENGA BOYS?
Existem coisas que o dinheiro não compra. Um CD dos Benga Boys é uma delas. Para ter um em mãos, você tem que descobrir onde eles estão fazendo um show, participar de uma roda punk e torcer para conseguir arranjar uma de suas raridades.


4. O CÃO LEPROSO ESTÁ SOLTEIRO?

Sim. O cachorro mais popular do Brasil está sozinho. Ele abre o jogo e diz que procura uma companheira para os bons e (muitos) maus momentos. Ele diz que arrumar uma namorada é uma prioridade na sua vida, já que ele não tem projetos pessoais. Para conquistar o coraçãozinho do rapaz, a pretendente precisa ser alguém que não ligue para as aparências e saiba viver um relacionamento aberto.


5. Escute.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

5 Histórias sobre o Cão Leproso

1. O JOGO, O GOLEIRO:
Final do torneio amador do bairro do Cão Leproso. Ele estava no gol. Pessoas se amontoavam na beira do campo. O jogo começa e o time do Cão marca um gol. Mas, tão logo é dada a saída, um chute de longe, fraco, entra ao lado do Cão Leproso. Apupos na torcida. Seu time volta a atacar e marca o segundo gol, o jogo vai para o intervalo. Começa o segundo tempo e seu time controla a partida, sem sofrer riscos. O time adversário parte para uma pressão final. A zaga mantém o perigo longe. No último lance o oponente recebe a bola na entrada da área, dribla o zagueiro e chuta. Cão Leproso voa para a redenção. Em vão. A bola entra. Jogo empatado, vamos para os pênaltis.

A torcida do time do Cão Leproso sentia a injustiça. O time adversário havia chutado apenas duas bolas no gol. Nosso time era melhor! As cobranças vão se alternando com os gols sendo efetuados. Na quarta cobrança adversária, Cão Leproso chega a resvalar na bola que entra lentamente. Suspiros nas arquibancadas. Vem a tragédia. Seu time perde a quinta cobrança. Resta aos inimigos, converter o tento para levar o título. Todas as esperanças e sonhos sobre o Cão Leproso. Ele fixa seus olhos no oponente. Silêncio absoluto. É possível escutar o suor escorrendo pela face do cobrador. Concentração total. Cão Leproso sente cada batida do seu coração, cada passo do batedor. Um filme passa em sua cabeça. O adversário vem e chuta, em câmera lenta. Cão Leproso pula no canto certo e se estica todo. Gol do título do adversário.


2. A TRAVESSIA DO DESERTO:
Cão Leproso estava perdido no deserto do Saara. Com sede e com fome ele viu lá longe o milagre. Uma latinha de refrigerante. Pensou que era uma miragem. Mas não era. Olhou a latinha. A latinha olhou para ele. Ele olhou para o anel da lata. Chutou a lata. Nada. Foi embora. Três dias depois foi encontrado, desidratado e levado para um canil. Teve que fugir para não virar picadinho do RU local.


3. O EXÉRCITO E A PÁTRIA:
E então ele foi se alistar no exército. Logo no começo, o sargento mandou que todos pagassem continência. Ele não obedeceu. O sargento não gostou daquilo e disse que no próximo desacato teria que pagar 10 flexões. Ele foi fazer o exame médico e lhe ordenaram “abaixe as calças, fique agachado e assopre o seu braço”. Silêncio. Cão Leproso teve uma passagem apagada pelo exército. Obteve desempenhos péssimos no rapel e no arremesso de granadas. Seus polichinelos eram pífios. Não deu certo nem para puxar a ola da torcida do time do quartel.


4. O ENCONTRO AMOROSO:
O Cão Leproso estava solitário. Navegava pela internet num site de relacionamentos. Encontrou uma primeira pretendente. Ela dizia que “homem tem quer ter pegada”. Passou para a próxima que dizia “tem que saber fazer uma boa massagem”. A terceira dizia que gostava de andar de mãos dadas. A quarta gostava de um cafuné. A quinta gostava de boliche. A sexta trabalhava com fantoches. E a sétima era um homem, se passando por mulher. Desistiu. Olhou para o lado e viu um DVD pornográfico. Não adiantou.


5. O PÁRA-QUEDAS E A ADRENALINA:
Cão Leproso saltou de pára-quedas. Sentia a Adrenalina a mil. Foi então que chegou o momento de puxar a cordinha. Tentou esticar o braço, quando se lembrou que ele é um cachorro sem braços. O chão se aproximava. A corda não era puxada. Embaixo as pessoas acenavam para ele e gritavam “Puxe a corda, seu maldito”. Outro já telefonava para os médicos legistas. O chão se aproximava, aproximava. Foi quando ele conseguiu alcançar a corda com a boca. Ele puxa e a corda se rompe. O choque era inevitável. Pessoas já choravam. Outras filmavam com seus celulares e riam, pensando no dinheiro que ganhariam com o vídeo. Ele tenta o pára-quedas reserva. Alcança a corda, que enfim se abre. As pessoas no chão se abraçam e abrem um champanhe. Cão Leproso desce ao chão suavemente, ao som de We Are The Champions. Então um paralelepípedo caiu sobre sua cabeça.

terça-feira, 21 de junho de 2011

5 anos de CH3

Poderia aqui descrever o dia. Citar os horários. Falar que exatamente às 19h35m do dia 21/06/2006 nosso primeiro post foi ao ar. Sim, você pode ver a postagem e argumentar que não era esse o horário. Mas eu te digo que era sim, porque na época nós usávamos o horário de Brasília. Não por outro motivo que não fosse o desconhecimento. Poderia citar o primeiro comentário, feito pela Laís as 11h42m do dia seguinte. E poderia perguntar: porque você matou aula nesse dia Laís? Ah, deve ser porque era aula de português e elas sempre acabavam cedo - quando aconteciam.

Para escrever este texto, eu deveria estar bêbado e usando um escafandro. Ou besuntado em substâncias aromáticas. Voltando de uma festa do cabide. Mas não. Estou em frente ao meu computador numa madrugada escutando Big Star.

Poderia abusar do clichê de citar nomes. Todas as pessoas que foram importantes para este blog ao longo desses cinco anos. Poderia até usar o também clichê, de que não gosto de citar nomes, porque estaria sendo injusto com aqueles que eu esquecesse.

Mas eu não sei o que escrever. Textos comemorativos são complicados. Enfileiramos elogios baratos e lugares comuns. E eu já perdi a conta de quantos textos comemorativos fiz para esse blog. Um ano, dois anos, 100, 500 posts. Já devo ter utilizado todos os recursos possíveis para essa ocasião. Já contei a história do nosso começo, relembrei os anos, a origem do nome. Tudo isso está disponível em uma busca simples por aqui.

Aliás, eu já perdi a conta de quantos textos eu fiz para este blog. A contagem oficial diz que este é o de número 775. Mas quantos eu fiz? Eu não sei. Sei que nesta semana eu completo um ano consecutivo postando por aqui. Algo em torno de 190 postagens consecutivas. E eu também não sei de onde eu tirei assunto. Ultimamente, sempre anoto no meu celular as idéias que tenho em lugares aleatórios. Porque cada chance não pode ser desperdiçada. E digo que não há lugar melhor do que a Galeria Itália para ter idéias.

E justamente, foi um ano difícil. É claro que existiram bons posts. Mas fazer um blog é conviver com a eterna certeza de que os textos antigos eram melhores. Antes eu achava que jamais faria algo como a Dieta do Chá de Cogumelo. E hoje olho para textos de outubro de 2009 com uma inveja do meu passado.

Este blog não tem mais sonhos. Foi-se o tempo, e já faz tempo, em que pensávamos que poderíamos ganhar dinheiro com isso. O CH3 não nos trouxe dinheiro – pelo menos não trouxe dívidas. Ele continua existindo... eu não sei porque. Existe porque ele ainda tem que existir. Porque ainda devem existir assuntos que não foram abordados, piadas que ainda não foram feitas – ou que podem ser refeitas.

E eu não vou escapar do clichê (até falar em clichês já é um) dos agradecimentos. Afinal, um texto comemorativo não tem outro motivo que não seja ser a mesma coisa de sempre. Temos que agradecer os nossos leitores fiéis. Você que comenta ali de vez em quando, que nos segue no Twitter ou no Facebook, que clica no botão de que o texto mudou a sua vida. Essa ainda é a verdadeira razão de existir do CH3.

***
E o CH3 aproveita essa oportunidade para fazer um convite a você. Sim, você que está lendo. Se você estiver lendo, você já está convidado, independentemente de quem você for.

Iremos hoje, às 20h (também conhecidas como às 8h da noite) nos reunir no rodízio de pizza Rola Papo no bairro Boa Esperança em Cuiabá. Uma tradição que começamos ano passado e iremos manter nesse ano – comemorar com pizza, desde que não seja de estrogonofe. Aproveitem, pois não sabemos se o blog chega até o ano que vem para comemorar novamente.

Você então está convidado a ir até lá. Para celebrar o momento, atirar objetos no Vinícius, ganhar um guardanapo com um desenho do Cão Leproso, ou simplesmente comer uma pizza. E claro, você irá pagar a sua conta (calma, dá em torno de 20 reais). Mas, se você for usando um escafandro, não paga.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

5 Brigas e Decepções

Porque fazer amigos é para os fracos.

1. CRÍTICOS DE CINEMA:
No começo de 2008 este blog publicou um texto sobre como se transformar em um crítico de cinema. Logo, algumas pessoas nos falaram “genial, genial!”. Mas nenhuma dessas pessoas eram críticas de cinemas, nem pretendiam tal função. Vez por outra, sujeitos que querem se transformar em críticos de cinema através do Google nos dão tremendas lições de moral sobre, a profissão, a vida e tudo o mais.


2. PARANATINGA:
Eu nunca fui a Paranatinga e só conheço a cidade pelo mapa. Mas, um dos membros deste blog já passou um carnaval na referida cidade e trouxe dezenas de histórias sórdidas sobre o município. O suficiente para que ele virasse um alvo preferencial desse blog. Mas é claro, com muito respeito. É respeitosamente que tratamos o lugar como o fim do mundo e carinhosamente menosprezamos suas atrações. Não sei explicar o porque, mas deve ser a sonoridade da palavra. Uma busca por Paranatinga no Google costumava a colocar o CH3 na primeira página.


3. ALTO CAPARAÓ:
Foi apenas uma piada sobre a diversidade gastronômica inexistente da cidade, que é uma ladeira. E desde então, minha foto está pendura nos postes municipais sobre uma palavra: procurado.


4. FLAMENGUISTAS, infelizmente não:
A maior decepção da história deste blog. Nunca fomos ofendidos por um flamenguista. E olha que nós sempre nos preocupamos em fazer piadas com o Flamengo. Em tratar o Flamengo como o pior time do mundo. Como um exemplo de tudo o que é pior no nosso planeta. Humilhamos, ridicularizamos o clube e tudo mais. Nada. Deve ser porque flamenguistas não usam a internet.


5. ALUNOS:
Uma boa parte dos visitantes deste blog é formada por alunos pesquisando seus trabalhos escolares. E claro, eles se decepcionam por não encontrarem o que procuram. E o que eles fazem? Tentam nos humilhar com típicas ofensas de ensino fundamental. Acho que certa vez comentaram até que minha mãe não era homem. Mas pelo menos uma vez um aluno ficou satisfeito. Chamava-se Vitor M. e estudava na quarta série. Colocou o primeiro parágrafo do texto sobre O Brasil nas Olimpíadas em um slide de Power Point, junto com uma foto do Alexandre Pato. Vitor deve estar na oitava série e, esperamos, tenha aula sobre como fazer buscas no Google, uma matéria muito importante nos tempos atuais, mais importante que Física, Química, Educação Moral e Cívica.

domingo, 19 de junho de 2011

5 Fatos Marcantes

Fatos que nos lembramos com orgulho e olhos marejados.

1. O CH3 NOS JORNAIS:
O lendário Dyolen me confidenciou que planejava uma pauta sobre blogs, e que o CH3 estaria lá. Um tempo depois eu estava na capa de um caderno de A Gazeta. O CH3 nunca pareceu tão sério e importante.

Mas essa não foi nossa estréia na imprensa local. No final de 2007 ganhamos uma notinha no Diário de Cuiabá. Imagino que tenha sido coisa do nosso professor Cláudio. Mais tarde chegamos ao site da Folha do Estado e vários sites locais com o vídeo sobre a reação de Hitler ao Concurso Público. Esse vídeo, aliás, foi transmitido na TV aberta. No programa do Antero, o apresentador disse que o vídeo era “realmente, divertido e genial. Precisamos saber o nome de quem fez isso”.


2. A PRÁTICA DO JORNALISMO CONQUISTA O MUNDO:
O Google Analytics me avisava. Um visitante caiu no blog a partir do site do Sindicato dos Jornalistas de MT. No primeiro momento temi, não sei o que, mas temi. Não havia motivo. O texto sobre a Prática do Jornalismo estava lá publicado, sugestão do jornalista Kléber Lima.

Então o texto começou a rodar. Contamos 4 blogs que publicaram o texto, que foi parar até em profiles de jornalistas no Orkut. Recebi informações de que ícones do jornalismo local liam o texto e riam dizendo “verdade, verdade”. Certo dia entrei na sala do terceiro semestre (eu estava no 6º), após a aula, para entrevistar um professor e vi lá, escrito com giz no quadro negro “A Prática do Jornalismo. Blog CH3”. Desde então, espero que ele apareça na minha caixa de entrada sob a autoria de Luiz Fernando Veríssimo.


3. A CHAPA 3 RUMO À VITÓRIA: e depois cariacicaO Blog ainda não existia quando a Chapa 3 foi criada. Eram as eleições do DCE da UFMT e duas chapas de guerrilheiros faziam campanha pelos saguões, com propostas que ninguém entendia e/ou se importava. Pregavam cartazes de papel pardo escritos com tinta guache vermelha. Surgiu então a Chapa 3. Propúnhamos a construção de uma roda Gigante na Universidade. Que o RU fosse substituído por um restaurante da rede Serra. Tínhamos o apoio da NASA e tantas outras siglas. Nosso lema era “pega no meu e balança” e nossa Logo era um punho balançante.

Distribuímos o panfleto pelo nosso bloco e as pessoas diziam “pô, é sério? Vou votar em vocês!”

Meses mais tarde, publiquei um manifesto as “POPROSTAS COMUNISTAS PARA A VIDA”. Tal papel foi arrancado do mural por um membro da UNE, levado a uma roda, onde foi amassado, cuspido e pisoteado como se fosse uma bandeira dos EUA.


4. OS E-MAILS:
Foi um dia que recebi um e-mail da Assessoria da Danone, respondendo a algumas observações que o blog fez sobre o Activia. Algumas mentiras de corrente de e-mail. Esclareceram os fatos e pediram que nosso blog desse espaço para a versão da Danone. Fizemos isso e fomos agradecidos pela nossa imparcialidade e seriedade.

Mas nada é melhor do que nossa relação com Rodrigo Martucci do Brandsclub. Um clube de descontos da internet. Eles querem que o blog divulgue suas novidades e, assim sendo, os leitores do blog ganhariam R$10 em compras no site. Certa vez ele nos mandou um e-mail intitulado “Notícias emocionantes do brandsclub”. Obteve a seguinte resposta:

Que sensacional. Estamos realmente emocionados com o sucesso de vocês e esperamos que vocês tenham o maior sucesso possível nessa empreitada que tanto engrandece a alma humana. Compartilharei a notícia com os meus leitores, que aposto, receberão emocionados essa notícia. Que a força do Espírito Santo vos dê muita saúde e perpiscácia para sobreviver a esse mundo.
Alfredo Chagas - diretor do departamento de e-mail do blog CH3.

Ele ainda agradeceu a nossa gentileza e mandou notícias, semanas depois. Nova resposta.
De fato esta é uma notícia grandiosa e que tanto enobrece o nosso dia. Estamos muito felizes pelo sucesso do Brandsclube e torcemos para que aquele que nos fortalece continue vos abençoado com sua graça. É sempre bom receber boas notícias que mostram que o trabalho justo e honesto dá futuro. Quanto a entrevista com Oliver Grinda, estaremos estudando isso na nossa próxima reunião de pauta e assim que tivermos um resultado positivo, volto a contactá-los. Grato
Alfredo Chagas - diretor comercial e espiritual do blog CH3.


Os contatos não pararam. Até que um dia a resposta foi dada por Jorge Augusto de Andrade, estagiário. E eles nunca mais nos contataram. Acho que não gostaram de serem respondidos por um estagiário.


5. O PODER DO RETWEET:
Duas vezes fomos retuítados pelo site do Porra Maurício. Na primeira vez, foi o dia em que mais visitas tivemos na nossa história. Só o fato de ter sido lido e retuítado pelo criador do Porra Maurício e do Dunga em um Dia de Fúria, já seria o bastante.

sábado, 18 de junho de 2011

5 Assuntos Recorrentes

O juiz apita, a bola rola e começa a Semana CH3 (vocês já deviam saber: em virtude do aniversário do blog, nos isolamos do mundo e falamos do blog). Para começar nossos 5 anos, os 5 assuntos recorrentes do blog. Ah, sim, a temática da Semana (nos referimos a ela sempre com S) é na linha de “Os 5 x”. Um pra cada ano do blog, entenderam?

1. FETICHES:
Vez por outra, nossos inocentes leitores se deparam com um post sobre fetiches. Na verdade, eles não são tão freqüentes aqui. Mas, a informação contida num texto sobre fetiches demora meses, anos até ser esquecida. O que faz com que eles pareçam mais comuns.

O primeiro fetiche abordado por aqui foi o fetiche por balões. Um texto histórico, clássico, referência mundial para looners. Foi escrito pelo mestre Gressana, autor do Dicionário Ilustrado dos Fetiches. Pés, pochetes, dentaduras... O assunto é tão marcante, que gerou até um podcast com os 30 minutos mais constrangedores da história da humanidade. Ah, o primeiro texto marcado com esse assunto foi “A Moda Agora é: Escafandro” do longínquo ano de 2006. Só que, por mais que a mais bela peça já criada pelo homem até mereça, jamais foi categorizado um fetiche sobre ele.


2. INFÂNCIA:
Ninguém teve uma infância saudável e plenamente alegre. Você pode até dizer “eu fui feliz, eu fui feliz!” que é uma mentira. Isso é a sua memória seletiva tentando te ajudar a esquecer os tantos fatos desagradáveis. Crianças não têm limites e sabem como realmente magoar umas as outras.

Aqui já nos lembramos de todos aqueles fatos traumatizantes, principalmente os da terrível sexta-série. Sim, simplesmente todos. Lembre-se de um e provavelmente já há um texto sobre ele. Qualquer simples brincadeira podia te transtornar profundamente e moldar o seu caráter. Também temos um enorme banco de dados sobre colégios e os poucos aspectos salutares ou lúdicos dessa época. E ainda tínhamos o Menino Fabinho.


3. FUTEBOL:
Este blog surgiu durante uma Copa do Mundo. Já fizemos uma cobertura sobre o evento, premiada pela Associação de Críticos do CH3, como a melhor do ano passado. Vez por outra um assunto futebolístico entra na nossa pauta. Por mim, eu faria um blog só sobre futebol, mas no geral os nossos visitantes fazem a linha “intelectuais que acham que o futebol é uma babaquice”. Bem, como cada vez mais esse blog tem menos visitas...


4. MÍDIA:
A verdade é que nossa vida é pautada pela mídia. Somos o que somos pelo o que vemos na televisão e na internet. E talvez até no rádio, se você morar no interior. A TV é uma grande pauteira. Porque é na televisão que estão às maiores bizarrices, as personalidades mais grotescas, as piadas mais prontas. A internet também tem tudo isso, só que mais mastigado. A televisão mantém um charme de crueza. Também adoramos as chamadas Mídias Sociais. Pena que nenhuma supere a magia do Orkut, a Rede Social mais prazerosa, criativa e inspiradora da história.


5. COMPORTAMENTO:
Perceba que o marcador líder é “comportamento”. Na verdade, é uma palavra de significado amplo, mas que não significa muita coisa. Quando se fala das pessoas, se fala do comportamento delas e ai está a tag genérica de “comportamento”. É a mesma coisa do Insólito. Dá um ar de importância.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A não terminação de assunto

- Você viu? O cara que conversava no telefone, no centro de Florianópolis. E então, um suposto andarilho o atingiu na cabeça com uma caneta. Com uma caneta! Porque alguém faz isso? Qual a razão? Como é que você pode andar na rua, com segurança, com o medo de ser atingido com qualquer coisa! Qualquer coisa! Opa, espera aí que eu vou atender o telefone.

Começa amanhã a Semana CH3.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O vai-e-vem da Reputação e a Arte da Difamação e do Elogio

Desde que estreou no dia 25 de março de 1999, o programa Zorra Total virou um sinônimo de tudo de pior que existe no planeta Terra. Está lado a lado com a guerra, a peste, a fome e a morte em seu cavalo amarelo. Conseguiu tal posto com suas piadas repetitivas e velhas, seu humor sexista e quadros com mulheres em trajes mínimos.

O mundo vivia bem com essa informação. Até que em um determinado momento, um momento misterioso, um marco zero, alguns formadores de opinião começaram a formar uma voz dissonante em relação a esta verdade absoluta. O programa sofria de preconceito. Em seus bastidores, estavam alguns dos melhores redatores de humor da atualidade, todos vindos das brilhantes trincheiras da Stand-up Comedy. O programa teria evoluído e teria um bom nível de humor.

Claro que isso ainda está longe de ser uma opinião predominante. Ou não? O Zorra Total tem absurdos índices de audiência. Que talvez se expliquem quando vemos o comportamento das pessoas em finadas redes sociais, como o Orkut. Pessoas que devem rir sempre que escutam a claque. Mas é provável que no futuro o Zorra Total se transforme em um programa cult. Que ergue a bandeira das nossas raízes culturais, entusiasta de nossas tradições, desgastadas graças a nefasta influência estrangeira. Até que um dia, um formador de opinião diga “pessoal, acorda, esse negócio é uma porcaria”. E o programa finalmente acabe.

Esse processo de vai-e-vem da reputação é difícil de ser entendido. Ao longo dos séculos as ciências sociais têm tentado em vão compreender como ele acontece. Descobriram a presença dos formadores de opinião, dos elogiadores, dos detratores e também do carbono.

Um dos casos mais famosos é o do cantor Wilson Simonal. Ele fazia sucesso, lotava ginásios e vendia milhares de LPs. Até que ele se envolveu numa confusão da pesada com um contador do barulho. Dizem que ele mandou uns militares darem uma surra no cara. Começou um boato de que ele era um informante da ditadura. Simonal entrou em desgraça com a classe artística brasileira e sumiu da mídia, teve filhos chatos. Até que, recentemente, começou a defender-se a tese de que ele era um injustiçado, vítima de um sistema mesquinho. Tão logo, voltaram a dizer que ele era mesmo um filha-da-mãe.

Por enquanto, a imagem dele ainda é a de um pobre coitado. Mas, até quando? Vejam o caso de Monteiro Lobato. Era um grande autor infantil, mestre da literatura universal, criador de um mundo mágico. Mas agora, todos o tratam como um racista, xenófobo e o caralho. Em breve, é capaz de que pessoas comecem a queimar seus livros. Até que ele volte a ser um meigo velhinho, com novas edições de seus livros.

Pensemos em Paulo Coelho. Escritor de sucesso, imortal da Academia de Letras e mago, bruxo, o que for. Mas, o pensamento normal é de que esse seu sucesso é fruto da mesma árvore do sucesso do Zorra Total. Mas, no futuro ele pode se tornar uma unanimidade, quem sabe? Um símbolo da literatura do seu tempo. Que tinha um grande apelo comercial, mas sem abrir mão da qualidade literária. Um artista completo e revolucionário.

Voltemos ao processo do vai-e-vem da reputação e seus atores e o que se sabe sobre eles.

Os formadores de opinião são os mesmos de sempre. Ombudsmen da humanidade em geral, apresentadores de talk-show, apresentadores de jornal, donos de blog famosos e pessoas nascidas na França. Eles agem dando as suas opiniões.

Mas, para isso, eles precisam dominar a Arte do Elogio e a Arte da Difamação. Parecem coisas simples, mas não são. São finas artes que obedecem a rígido método, plenamente estudado e colocado em prática no momento decisivo. Os melhores são aqueles que conseguem a já famosa arte de elogiar destruindo.

Tente elogiar alguém. Você não vai conseguir. Vai travar. Vai escrever um depoimento de Orkut cheio de clichês sobre companheirismo, honestidade e o que mais. E de fato, é difícil elogiar sem ser piegas. A chave para o bom elogio está no momento. E esse é o momento em que a pessoa está em baixa. No mais fundo dos poços. Seu elogio não parecerá mais um aplauso bovino. Será um ato de coragem e personalidade, que dará embasamento para que o elogio ganhe força.

Também ganham força os elogios na hora da morte. Quando uma pessoa está para morrer, logo ganha tags como “Visionário”, “Democrata”, “Humanista”, “Incompreendido”. E outras coisas que farão as pessoas sentir um pesar ainda maior pela perda daquela pessoa. Vejam, que jamais na história, um mau-pai morreu.

Difamar é mais fácil, por mais que ela possa causar processo, de acordo com o Artigo 5º da Constituição. É muito fácil falar mal de alguém. Mas, outra vez, temos o momento. Uma boa difamação não começa em rede nacional, ou na capa do maior jornal do país. Ela começa num artigo obscuro. Numa conversa descompromissada. Até que a idéia difamatória vai se espalhando, se espalhando, até romper como uma bolha e se transformar numa verdade sem origem definida, arruinando a vida do difamado. Tente colocar hoje no Twitter que o Zorra Total é uma porcaria, quem sabe não dá certo.

Já o carbono, está presente na forma de moléculas.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Um Post Pop

O CH3 chegou ao cúmulo do fracasso. Depois de muito tempo, as visitas estagnaram e começaram a declinar. Os comentários desapareceram de vez. Os textos pioraram. Caminhamos para uma morte lenta a agonizante.

Por isso, partimos para nossa última cartada. Faremos esse post pop, reproduzindo os modelos de sucesso na blogsfera brasileira.

Começamos com umas imagens, bem populares, que misturam caras distorcidas misteriosas.


Seguimos com outra montagem bem popular.


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Na seqüência uma piada envolvendo alguma notícia referente a uma subcelebridade. Se essa subcelebridade for obesa, ou homossexual, melhor ainda. Porque vocês conhecem uma piada de viado? Um viado.

PAULINHA VISITA ORLA TRANSBORDADA

Porque eu não estou surpreso?
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E para finalizar, uma notícia bizarra comentada. Que pode ser de quatro anos atrás. Não importa. Notícias bizarras são eternas.

HOMENS VESTIDOS DE PAPAI NOEL ASSALTAM LOJA NA ALEMANHA

E eu achava que quadrilha era coisa de outra época do ano. Heheheheeh.
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Vamos deixar de lado os prints da internet, as montagens sobre futebol e os trocadilhos para uma segunda edição pop.

sábado, 11 de junho de 2011

Entrevista com um cachorro

No que pensam os animais? Uma pergunta que a ciência tenta responder a anos, sem sucesso. Não sabem, nem ao menos, se eles pensam ou não. O CH3 resolveu acabar com esse problema, fazendo algo que a ciência nunca tentou. Perguntando a eles. Colocam os bichos em gaiolas, colocam eletrodos no seu cérebro e nada de uma abordagem simples.

Cheguei ao lado do meu cachorro, chamado Tomé. Expliquei meus motivos e ele se mostrou meio reticente, latindo. Depois de explicar a minha abordagem e a importância disso, ele aceitou conceder a entrevista. Um marco para a ciência.

No que os animais pensam?
Não sei, não posso falar por todos.

No que você está pensando?
Se você vai me dar um pão de queijo logo mais tarde. Passo o dia inteiro pensando em pão de queijo. Quando não, penso em carne. Em pão. Arroz, feijão.

Você só pensa em comida?
Quase sempre. Às vezes, penso nas cachorras do bairro.

Mas você nunca conheceu nenhuma delas.
Mas eu sei os cheiros. Reconheço cada uma delas a distância.

O que vocês gosta de fazer?
Comer pão de queijo. Comer carne. Também gosto de correr pelo quintal atrás desses passarinhos malditos que não ficam quietos. Gosto de brincar com aquela bola. Você poderia jogá-la para mim agora?

Depois. E do que você não gosta?
De tomar banho. Pão integral. Pássaros. Chuva. Trovões. E nessa época do ano que ficam estourando esses fogos, não sei porque.

É que é a época das festas juninas, festa de São João.
Povo idiota. O que eles querem? Ver se atingem os santos com os foguetes?

O que você acha dos cientistas não saberem o que os animais pensam?
Normal. Eu não sei o que eles pensam também. Nunca perguntei nada para eles.

Agradeci pela entrevista. Ele me pediu para jogar a bola, mas eu disse que não poderia fazer isso, pois isto poderia parecer um pagamento e entrevistas pagas são antiéticas. Disse que mais tarde o faria. Ele ficou chateado e foi latir no portão.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Agente Incitador do Caos

Do meio da multidão emerge o grito: Vai Cair! Logo as pessoas começam a correr de um lado para outro, assustadas, pensando no que é que iria cair. Correria, pessoas tropeçando e nada mais cai. O que é que poderia cair? Ninguém percebeu. Ninguém exceto o Agente Incitador do Caos.

Ele pode ser alguém normal, como eu e como você. E não precisa estar necessariamente mal intencionado. Estes também existem, mas não nos interessam. Esses são meros baderneiros, agitadores sociais, ex-participantes da câmera escondida tendo recaídas.

Falamos dos incitadores que agem por espontaneidade. Por achar simplesmente que o caos realmente vai acontecer. Todos temos dentro de nós um instinto, talvez de sobrevivência, que nos avisa quando algo vai dar merda. Os que não têm, acabam voando com balões e indo parar no Darwin Awards. Já aqueles que têm esse instinto aflorado, acabam por incitar o caos. Este agente é um iluminado. Quando algo está para acontecer, uma luz vem até ele diz “filho, vai dar merda”.

No último dia 13 de maio, pessoas que freqüentavam o Shopping Goiabeiras, em Cuiabá tomaram um susto. Uma explosão na praça de alimentação. Não era nada demais. Era apenas um cano de refrigeração de uma máquina de refrigerante. Tal fato já havia ocorrido antes, aqui mesmo em nossa grandiosa capital, mas em outro estabelecimento.

[Momento Flashback]
O ano era 2007. Numa maternidade de Cuiabá uma criança nasce. Ao se deparar com o recém-nascido, a enfermeira fez um comentário pouco usual “mas que criança feia”. Revoltada com a agressão verbal sofrida logo nos seus primeiros segundos de vida a criança retrucou:
- Feio? Feio é o que vai acontecer no Shopping Três Américas no dia 12 de outubro.

Disse essas palavras e morreu, sem deixar provas. A enfermeira ficou louca e o médico, surdo, cego e mudo. Não na data citada, mas poucos dias depois uma explosão ocorreu no referido shopping. Era um cano de refrigeração que havia se soltado.

[Fim do Momento Flashback]

Pois esta explosão poderia ter sido apenas um grande susto. Do qual todos nos iríamos rir no futuro. Mas não foi. Porque naquela praça de alimentação existiam Agentes Incitadores do Caos.

“Vai explodir!”. Foram essas a palavra que o agente gritou. O suficiente para que pessoas começassem a correr desesperadas. Para que sapatos se perdessem, bolsas e carteiras fossem abandonadas pelo meio do caminho. Cidadãos tentavam descer a escada rolante que subia. Não existiam leis. Não existiam regras. Não havia um pingo de piedade. Se uma pessoa tivesse o terrível azar de cair no chão, seria pisoteada inapelavelmente.

E os gritos de “vai explodir” continuavam. Pessoas que não estavam no epicentro do acontecimento, se assustavam ao se deparar com o agente que passava gritando pelos corredores gritando “vai explodir”. E o que faziam essas pessoas? Corriam de suas lojas. Um ambiente ideal para rebeliões, saques, estupros e ocultação de cadáveres em carrinhos de lixo. Se em Cuiabá houvesse uma praça Tahrir, é para lá que o povo iria.

No final, ninguém morreu. O refrigerante ficou sem gás e pessoas tiveram que consultar o “Achados e Perdidos”, inclusive para verificar se a dignidade outrora perdida estava ali.

Os Agentes Incitadores do Caos continuam espalhados por aí. Em certos momentos, suas visões podem se tornar verdadeiras e salvar vidas. É quando eles se transformam em pessoas que salvam vidas. Como aquele cara que, ao perceber a Tsunami grita “Olha a Onda!”. Desde é claro, que este cara não esteja na Bahia. Lá, seria uma letra de Axé.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Grandes Nomes da História (10)

Isaac Newton


O jovem Isaac Newton havia acabado de almoçar. Estávamos no século XVII e ele resolveu tirar uma soneca. Passando por um bosque, viu uma frondosa sombra de macieira e se recostou. Newton sonhava que ele estava andando pelado no colégio quando um baque o acordou. Era uma maçã que caía em sua cabeça.

A dor era leve, mas ele acordou assustado. Olhou para o lado e notou uma jaqueira. Logo veio um estalo em sua cabeça, e não era uma fratura. Newton voltou correndo para a sua casa e começou escrever o que seria sua grande teoria.

Tratava-se da Grande Lei da Sorte Universal. Newton observava que só se mantinha vivo por sorte. Em nenhum momento ele havia analisado os riscos de se sentar sobre uma macieira ou qualquer outra árvore. Um movimento em falso e eu estaria morto. Escrevia ele “se eu estive embaixo de uma jaqueira, ou mesmo um coqueiro, essa grande força que derruba as coisas teria me matado”.

Parou e pensou “essa grande força, essa grande força...” pronto, havia ele descoberto a teoria da Gravitação Universal. O rascunho da lei da sorte permanece inédito até hoje.

Essa lei se juntou as outras três que ele propôs.
- A lei da inércia, segundo a qual, se uma merda está acontecendo, ela continuará acontecendo se ninguém tentar parar.
- A lei de talião, segundo a qual, para toda ação há uma reação proporcional.
- E a outra lei que é mais difícil de ser explicada.

Isaac Newton foi alçado à fama. Desfilava as margens do Rio Sena com carruagens do último modelo e posava nu para a revista Physics. Mas os anos de glória terminaram. Surgiram físicos e pensadores modernos que logo levaram a fama com eles. Inclusive “aquele retardado alemão” como Newton se referia a Albert Einstein.

Foram anos difíceis. Isaac passou a ganhar a vida como personagem de piadas de judeus. Como aquela famosa:
O Velho Jacó estava em seu leito de morte. Mandou chamar seu filho, Isaac.
- Isaac, meu filha. Está vendo esse relógio?
- Estou sim, papai.
- Este relógio foi do seu bisavô. Depois foi do seu avô. E agora é meu. É um bonito relógio, não é Isaac?
- É sim, papai.
- Então, quer comprar?

Era uma vida degradante. Mas com o passar dos anos, ele finalmente se recuperou, descobrindo a sua verdadeira vocação: ser colégio. Enquanto colégio, ele dominou o Brasil, recebeu diversos jovens, popularizou suas leis e ainda conseguiu colocar alguns dentro de universidades. Fora, é claro, ganhou dinheiro com isso. Um exemplo de empreendedorismo.

domingo, 5 de junho de 2011

Grandes dúvidas que não têm explicação (17)

Edição moda

Você está almoçando na paz e tranqüilidade do seu lar. O jornal do meio-dia, com seu sorridente apresentador, anuncia uma matéria sobre o dia de desfiles no Rio de Janeiro, São Paulo, Milão, Paris, Bratislava ou aonde for. Logo, uma série de dúvida passa a consumir o homem médio.

Como alguém se torna top model?
Se tornar modelo sempre foi retratado como um sonho infantil feminino de história de quadrinhos, tal qual os meninos queriam ser jogadores de futebol. Um mundo de mulheres altas e magras.

Pois, o desfile começa. Entra a primeira mulher na passarela. Ela era magra quando tinha uns 15 quilos a mais do que hoje. Na situação em que ela se encontra atualmente, o He-Man a encheria de porrada. Entra a segunda mulher na passarela. Outra esquelética. Entra a terceira. Idem. A quarta. De Novo. Você começa a se perguntar se aquilo ali não é uma reprodução em série de ossos cobertos por pele. Todas fazem a mesma coisa. Andam com passos estrábicos até o fim da passarela e voltam.

Diz-se então que o grande momento da noite foi quando a fulana de tal, a top model mais cobiçada do mundo entrou na passarela. Você espera se deparar com Afrodite em pessoa, mas tudo o que vê é mais uma porção de ossos. Ela vai até o fim da passarela e volta. O que ela tem de tão diferente de tantas outras, para ganhar mais dinheiro por aquilo? Será que existe alguma metragem de costelas? Um coeficiente de pele?

Aquelas roupas, são para usar?
Quando o desfile é de biquínis, as já citadas top-models aparecem usando trajes de banho iguais aos vendidos nas lojas americanas por 30 reais. Ou com algum esforço, numa loja especializada pelo dobro do preço.

Agora, quando o desfile é de agasalhos, ou algo do tipo, é ainda mais surreal. Aparece uma mulher vestida de sanfona. Outra com uma calça que vai até o pescoço. Outra com um casaco de lã, mas com os seios a mostra. Logo você percebe: as modelos são tão especiais porque elas aceitam usar essas roupas em público, enquanto a maioria das pessoas não as usariam nem trancadas no quarto, com um lenço na fechadura.

Como as pessoas ganham dinheiro com isso?
Recapitulemos. É basicamente um mundo de pessoas que não existem. Mulheres magras mal-vestidas, desfilando para pessoas chatas. É um mundo cheio de conceitos que ninguém entende. Ah, o chapéu era ridículo, mas mostra que o lilás-escuro é a tendência do próximo inverno. É um mundo paralelo.

Como essa indústria ganha milhões por ano? Não sei. Provavelmente é pelo fetichismo das marcas. Eu estou usando agora uma camiseta, dessas de loja de artesanato, da cidade de Paraty. Deve ter custado uns 20 reais. Mas, se ela tivesse um jacaré bordado na altura do mamilo, custaria 10 vezes mais.

Abro espaço para que os entendidos do assunto esculhambem o blog, pelo nosso total desconhecimento sobre esse mundo.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

À Moda da Casa

O catupiry é um queijo que não é um queijo. Na verdade ele é um tipo de requeijão cremoso. Mas, por algum mistério da humanidade, ele passou a ser tratado e denominado como um tipo de queijo, presente até em pizzas quatro queijos. Ele é um conhecido nosso de cada dia. Presentes em diversas receitas, dos mais variados tipos.

Quando alguém resolve colocar catupiry em uma receita, ele não pensa apenas nos possíveis prazeres culinários que o não-queijo poderá proporcionar àqueles que degustarão o prato. O catupiry é um grande e notório elemento de enrolação culinária. Quando uma comida parece não estar com uma cara muito boa, basta entupi-la de catupiry, que ela logo ganhará uma aparência melhor e cremosa.

Não é a toa que este cidadão é uma das estrelas das pizzas à moda da casa, ou simplesmente “à moda” para os íntimos. Perceba que sempre que você pedir uma pizza desse “sabor” ele estará presente. Junto com, possivelmente, presunto, mussarela, calabresa, ervilha, milho, palmito, molho de tomate, ovo, cebola, bacon, peito de peru, champignon, rúcula, alcachofra, ponta de unha, frango desfiado, banana, bituca de cigarro e orégano.

Tal combinação só é possível, porque muitas pizzarias se utilizam do perverso expediente de cobrir essa maçaroca toda com queijo derretido, ou mesmo com o famoso catupiry.

Existe um fato curioso a respeito dessas pizzas. Quando se fala em algo à moda da casa, se imagina que cada lugar teria uma receita especial para sua fabricação. Um orégano típico da Macedônia, ou um tomate que é plantado dentro do banheiro da pizzaria Don Manolo. Ou quem sabe o cuspe saboroso do chefe Claudinho.

Mas, muito pelo contrário. Essa pizza é uma estratégia interessante das empresas. Elas utilizam tudo o que existe dentro da dispensa e até mesmo fora dela. Tudo, absolutamente tudo, o que é utilizado em todas as outras pizzas da casa. Assim, ela evita que esses ingredientes apodreçam, empurrando-os para os clientes. Estes, por sua vez, ao bater o olho naquela lista de coisas que, isoladamente, parecem saborosas, são induzidos a acreditar que juntos, eles formarão algo ainda melhor. Mero engano. É tudo um misturadão gorduroso. E, os clientes jamais poderão reclamar que faltou ovo na pizza. Seria impossível perceber sua ausência.

Acho que nos últimos tempos, surgiram pastéis a moda da casa. Que também se utilizam da mesma estratégia da pizza. Aqui em Cuiabá existiam os sanduíches conhecidos como “baguncinha”. Um nome muito melhor que o insosso “x-tudo” e, por aqui, uma versão econômica do x-bagunça. Um baguncinha tinha pão, hambúrguer, queijo, presunto, bacon, salsicha, lingüiça, ovo e o que mais couber na imaginação humana. E custavam apenas um real. Bons tempos.

Essa estratégia poderia chegar a feijoada, porque não? Mergulhado naquele feijão estaria um porco inteiro, em partes claro. Rabo, pé, orelha, olho, cérebro, vísceras e até mesmo o famoso tobinha. E eles seriam cobertos por farinha. Uma vez que a farinha tem uma função próxima ao catupiry. Se a comida está ruim, enfia farinha no meio.

Ou até mesmo um sorvete a moda da casa, claro. Os mais variados sabores, cobertos de leite condensado – o catupiry dos doces. E chegaríamos até o pedreiro Marcão, num texto à moda da casa do CH3 ele não poderia faltar, com o seu famoso risoto leblonense. Se você não sabe do que se trata, pesquise “leblonense” ali em cima. Mas, faça por conta própria e assuma o risco.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Fábulas Infantis

As velhas e tradicionais fábulas infantis. Os contos de fadas. Fadas contam histórias? É o que dizem. É claro que nossos olhares infantis nos dão apenas uma visão superficial da história. Não percebemos toda a maldade por trás daqueles príncipes, bruxas e animais falantes. Não percebíamos, aliás.

Chapeuzinho Vermelho: Chapeuzinho Vermelho é uma jovem que gosta de passear em um bosque, com roupas mínimas, sob o pretexto de levar doces para a sua avó. Lá, ela atraiu os olhares de um lobo pedófilo, que bola um plano pra traçar a menininha. Como não tinha escrúpulos, ele come, no sentido fisiológico, a avó. Inteira. Que sistema digestivo esse lobo tem.

Ao chegar à casa da avó, chapeuzinho se depara com o lobo crossdresser. Talvez fosse por retardo mental que chapeuzinho não percebesse que aquilo era um lobo, ao invés de uma avó. Mas, nós pensamos que na verdade ela era uma biscate, interessada no lobo. Começa então aquele jogo de sedução “Que olhos grandes heim vovó” – “É pra te ver melhor”. Só que chapeuzinho se assusta com o tudo que era grande no lobo e sai correndo. Um grupo de caçadores vê a cena e abate o lobo a tiros. E ainda retiram o cadáver da vovó-zumbi de dentro do estomago. Todos se abraçam com a avó gosmenta.

Branca de Neve e os Sete Anões: Graças a magia negra, a bela Branca de Neve nasceu albina. O que provocou a ira de uma rainha esquizofrênica que conversava com um espelho. Perseguida, Branca de Neve busca asilo político numa comunidade alternativa de anões. Em troca do seu ingresso, ela presta os mais diversos favores para os anões.

Só que notícias correm rápido. A rainha descobre o lugar onde Branca de Neve vive e dá uma maçã batizada pra garota que desmaia. Os anões já preparavam o funeral – que, notem, não era em um caixão branco, o que diz muito sobre a rotina dela e dos anões – quando um príncipe passa por lá, beija Branca de Neve, a acorda e faz com que ela viva feliz para sempre com ele. Claro, existe a possibilidade de que essa história só tenha acontecido dentro da cabeça da rainha esquizofrenica.

A Bela Adormecida: Aurora vivia sob uma maldição: ao completar 16 anos, espetaria o dedo e adormeceria. Os negligentes pais, pagaram pra ver, ao invés de trancarem a menina no dia do aniversário dela. E se ferraram, porque a menina realmente espetou o dedo. Mas não tinha problema. Bastaria um beijo de um príncipe, que tudo ficaria bem. Foi só contatar o sindicato dos príncipes e resolver a situação.

Rapunzel: Uma bruxa manteve Rapunzel em cárcere privado, no alto de uma torre. A única maneira de chegar até lá era escalando os longos cabelos de Rapunzel. É claro que um príncipe descobriu isso e foi até lá. Subiu por suas tranças e tomou um susto quando percebeu que não eram apenas os cabelos de Rapunzel que não eram cortados. Ele nunca mais voltou.

Os três porquinhos: O lobo mau queria comer um torresminho. Foi na casa do primeiro porquinho que era feita de palha e a derrubou. O primeiro porquinho fugiu para a casa do segundo porquinho, feita de madeira. O lobo também a derrubou, pasmem, com seus pulmões. Os dois bateram em retirada para a casa do terceiro porquinho, feita de cimento e tijolo. Como o lobo não tivesse um trator, desistiu e foi para o bosque atrás de ninfetas.

Os três porquinhos viveram felizes para sempre na casa do terceiro porquinho, que outrora era ridicularizado por perder tempo na construção da sua casa. Moral da história: Não faça seus trabalhos. Sempre vai ter alguém que vai faz o trabalho duro e acaba te ajudando.

João e Maria: Os pais das crianças não tinham mais dinheiro para manter os dois. Porque? Porque o danado do João ficava esfarelando o pão pela floresta. João e Maria foram abandonados na floresta, uma prova da ausência do poder público.

Os dois vão parar na casa da bruxa pedófila. Ela resolve engordar os dois, antes de comê-los – algum fetiche dela. Só que ela era uma estúpida, que não consegue perceber que aquilo era graveto ao invés de um dedo. Burra como uma pedra, ela ainda acabou torrada dentro do forno. As crianças fogem e retornam obesas para casa. Para a tristeza dos seus pais.

E logo, um dia, quem sabe, talvez, voltaremos com mais histórias e abordagens marxistas.