domingo, 27 de fevereiro de 2011

Posturas Sobre o Carnaval

Ano após ano o carnaval se repete. Escolas, blocos, trios e posturas repetitivas. Este ano o carnaval começa meio atrasado em relação ao normal – a data do carnaval é um dos grandes mistérios da humanidade. Ele começa no próximo fim de semana. Existem controvérsias, é claro. Em alguns lugares o carnaval já começou e em Salvador ele jamais terminou. Por outro lado, ele nunca existiu nem jamais existirá em Paranatinga.

O post de carnaval do CH3 deste ano é um estudo antropológico. Como as pessoas se portam diante do carnaval? Citamos quase uma dezena delas. Isso não é uma sugestão sobre o que fazer. Talvez seja uma sugestão de comportamento. Mas é muito mais do que isso. Pra dizer a verdade, não sei o que é isso não.

Postura 1: Adepto da movimentação cultural

Aquele cidadão que não gosta de samba, não gosta de axé, não sabe dançar e não entende nada de escolas de samba. Mas se diz um apreciador da cultura. Vai aos desfiles de blocos, apurações, apenas para sentir o clima. É um farrista disfarçado de intelectual.

Postura 2: ligado nas raízes

Uma pessoa que acha que o carnaval se transformou num evento mercadológico frustrante, cuja verdadeira essência foi deturpada por interesses televisivos de grandes corporações multinacionais. Aproveita o carnaval para freqüentar rodas de samba e se diz um grande apreciador de Alcione. Estuda ciências sociais.

Postura 3: intelectual distante

Você também não gosta de samba, axé e tudo o mais. Também acha que o carnaval é um evento mercadológico. Por conta disso, você faz de tudo para que as pessoas saibam que você odeia o carnaval e sente prazer com isso. Dedica o carnaval para a leitura de Focault.

Postura 4: autista

O sujeito que não sabe que é carnaval. Não sabe o que é o carnaval. Fica em casa conversando com um abajur chamado Albert.

Postura 5: É carnaval! Vale Tudo!

O indivíduo que acredita que, por ser carnaval, não existem leis. Vale tudo. Você pode ser crente, punk ou skinhead, não importa. No carnaval você parte para o abate agarrando qualquer mulher que ouse profanar o seu caminho e pisar no sacrossanto solo no qual você pisa. Bebe todas, chega em rodas de conversa gritando e é admirado pelos amigos que o consideram um exemplo de como aproveitar a vida. Depois volta para sua rotina de sempre, só que com mononucleose.

Postura 6: sigo minha vida como sempre

O Carnaval não muda nada em sua vida. Você segue como sempre, com suas duas companhias preferidas. A tristeza e a solidão.

Postura 7: Alternativa

Aproveita que é carnaval e todo mundo está vendo aquelas besteiras de desfiles e abadás e vai a shows de rock. Provavelmente o único show de rock que você vai no ano, com bandas que você nunca escutou. Apenas pelo prazer de ser do contra. Provável que você coma carne vermelha na sexta-feira santa.

Postura 8: Viva o Feriado

Não importa o motivo. Se Jesus nasceu, morreu, ressuscitou, subiu aos céus ou multiplicou os peixes. É feriado! Aproveita a data para viajar, conhecer cachoeiras, riachos, montanhas e pegar congestionamentos monstruosos nas estradas.

Postura 9: Me Divirto na TV

Você não gosta de samba, axé e tudo o mais. E também não gosta de sair de casa. Você então, se diverte na frente da TV. Gosta de assistir os desfiles das escolas de samba e palpitar nas favoritas. Assiste a apuração com tensão no coração e vibra quando sua predileta ganha. Gosta da alegria do povo nos trios elétricos entende todos os significados dos circuitos barra-ondina-e-o-caralho. Também acha divertido ver a entrada do Gala gay. Sua única decepção é que o Cine Prive não é transmitido.

E você? Como você é? A melhor resposta ganha um abadá do Cão Leproso.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Biografia em frente e verso

Ao que parece, há um filme sobre Justin Bieber nos cinemas. Na verdade, eu já pesquisei que sim, esse filme existe e está em cartaz no Cinema do Shopping Três Américas, em 3D. São 105 minutos de duração em 4 horários espalhados por toda a tarde. No entanto, prefiro dizer aqui que esses são rumores que eu não averigüei. Para parecer que eu sou deslocado. É meio cool ser desinformado. E, além disso, eu teria a obrigação de não saber disso. Mas o que eu posso fazer? Tenho Twitter e quem está lá não consegue escapar das informações desinteressantes.

Isso me faz lembrar que recentemente (creio que recentemente, não faz tanto tempo que esse moleque surgiu) foi lançada uma biografia sobre o astro adolescente, ótimo para trocadilhos marotos como “Just a Biba”. Aliás, não apenas uma mas, várias biografias sobre Bieber.

Tenho algumas biografias aqui em casa. A maior parte, livros de jornalistas para a faculdade. A fantástica história de Samuel Weiner nascido na misteriosa Bessarábia e sua saga de maior jornalista da história. Os azares de Ricardo Kotscho e a bíblia sobre Assis Chateaubriand. Pessoas que bem ou mal, tiveram sua história. Fundaram jornais, comandaram grandes empresas, presenciaram momentos históricos – por mais que você talvez nem saiba e não se interesse por eles.

Justin Bieber não tem 17 anos ainda. Com essa idade, ele não pode dirigir, mal começou a votar, não pode beber álcool e tem que mentir a idade para visitar sites pornôs. O que alguém poderia ter vivido nesse tempo? Eu com 23 anos não teria 30 páginas para escrever sobre minha vida.

Ok, ele é um astro, que vende muitos discos e eu provavelmente sou invejoso porque nunca vou conseguir o que ele tem, e antes de criticá-lo eu deveria superá-lo. Mas, antes de qualquer coisa, uma biografia de Justin Bieber nesse momento é uma introdução. Bem, talvez ele morra amanhã e aí sim o livro estaria completo. É uma obra incompleta, que teria que ser atualizada durante mais uns 50 anos. Por enquanto, só serve para ganhar dinheiro. Mas o momento tem que ser aproveitado.

É claro. Porque, ninguém saberá dos próximos 50 anos de Justin Bieber. Em no máximo 10 ele estará esquecido pela multidão de fãs histéricas que cantam seus refrões criativos. Daqui a 20 anos, é provável que ele esteja fazendo shows em Cuiabá, com abertura do Capital Inicial que terá o seu vocalista Dinho Ouro Preto com 70 anos e ainda cantando sem camisa.

Entre as principais obras sobre a vivência de Bieber está “Justin Bieber – Primeiro passo para a eternidade: minha história”. Um título presunçoso. A outra é uma biografia não-autorizada. Creio que o próprio personagem da história, autoriza uma biografia não-autorizada, apenas para ganhar dinheiro. Esse selo “não-autorizado” dá idéia de que muitas coisas serão reveladas a revelia do sujeito. Mas, o que poderia ser não-autorizado por Bieber? Que ele fez xixi na cama até os 12 anos? Que escondeu o boletim da mãe quando tirou nota baixa em matemática? Que aos 15 anos ele bebeu numa festa da turma e vomitou? Que ele gosta de garotos (sempre tão espertos, perto de uma mulher)?

(NE: Creio que chegará o dia em que haverá autobiografias não-autorizadas)

Lembro quando a um tempo atrás, a cada ano era lançada uma nova biografia de David Beckham e aquilo me intrigava. O que ele tem tanto a falar em um ano? Os sorvetes que comeu? Para mim, biografias deveriam ser de pessoas que estão morrendo, talvez completando datas especiais – 50 anos, 20 anos num cargo importantes, que foi presidente do Brasil. Sua trajetória de vida e tudo o que tem para contar. Uma pessoa relevante. Alguém que tem sua vida exposta há 40 anos e é um sobrevivente, como Keith Richards (afinal, ele já deveria ter morrido uma dezena de vezes).

Mas o mercado editorial de livros, cada vez mais decadente, arruma motivo para lançar livros. Um time ganha um título e o livro está nas prateleiras no dia seguinte. Imagino que o próximo passo será o lançamento da biografia da Menina Maisa. “Maisa – Verdades em 7 anos”.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A Arte de Elogiar Destruindo

A idéia desse post é batida, repetitiva e banal. Provavelmente o autor está a trabalhando por falta de uma idéia melhor. Talvez seja um sinal da decadência deste blog, que recebe poucos comentários em relação a um passado distante, e repercute pouco no Twitter e nas outras mídias sociais. Mesmo assim, creio que o autor está de parabéns, por continuar tentando. Não é um trabalho fácil de ser feito, nem mesmo uma idéia de fácil desenvolvimento. Por isso, eu aplaudo a iniciativa.

Destruir elogiando é uma prática comum entre membros de bancas acadêmicas, críticos literários e mesmo os famosos críticos de cinema. É uma nobre arte, difícil de ser aplicada em sua perfeição. É complicado chegar a um meio termo exato entre a destruição e o elogio. Quase sempre os elogios, ou as críticas prevalecem. No entanto, quando a perfeição é alcançada, o resultado é impecável. O criticado consegue o seu objetivo que é ser aprovado/elogiado, chamando a atenção para seu trabalho. E o crítico consegue manter uma boa convivência com o alvo das suas críticas, demonstrando o quão superior ele é, e o quão distante da perfeição, o criticado está.

Funciona mais ou menos assim na crítica cultural: você aponta todos os defeitos do autor do livro, da sua obra. Suas influências vazias, seu estilo que não traz nada de inovador, os clichês da trama. Faça com que a obra pareça abaixo de Quem Mexeu No Meu Queijo. A pessoa já estará quase chorando, quando você começa os elogios. Diz que o autor conseguiu cumprir os objetivos ao qual ele se propôs e que mostrou criatividade para resolver alguns pequenos conflitos. E que, sem dúvida, ele tem futuro e muito para aprender e seguir um caminho de sucesso.

O caso se aplica ao cinema também. Metáforas vazias contrapostas pela bela fotografia. A péssima escolha de elenco é recompensada por um figurino impecável. A falta de contextualização histórica é corrigida pela bela construção do personagem principal.

Note que é importante começar batendo. Se você começa com elogios e termina com as críticas, parece que as críticas destroem os elogios e que tudo é uma porcaria. É como sufocar depois do sexo. Quando você começa batendo, os elogios no final neutralizam as críticas e tudo fica na estaca zero. Você arrasa a pessoa emocionalmente, e no final lhe oferece tapinhas nas costas mostrando que tudo continua.

Veja o caso das apresentações de monografias. Se a sua banca começa criticando a falta de um aprofundamento teórico na questão dos relacionamentos virtuais, que ela sentiu a falta de um embasamento para a conclusão de que todo viado é surdo e coisa e tal, tenha certeza que logo virão os elogios a sua iniciativa e a seriedade do trabalho. Fora a inovação do mesmo. Você será aprovado sem sustos.

Agora, se a banca começar a falar que você se esforçou para fazer o trabalho, que teve uma idéia boa, que escolheu um tema perfeito... tenha certeza que vai se ferrar. Os comentários serão sobre todos os pecados metodológicos que você cometeu. A falta de desenvolvimento e o não cumprimento da idéia original. Que faltou uma orientação melhor e que há muito para ser melhorado. É a certeza de que você terá que se humilhar para conseguir uma aprovação.

É claro, existem as pessoas que só lhe farão elogios. Geralmente, elas estão dando mole para você. E também as pessoas que só te criticarão. Não tenha dúvida. Elas querem te matar e tem problemas pessoais com você. Não são praticantes da arte de elogiar destruindo, ou vice e versa.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Pessoas Constrangedoras, volume 9

Pessoas que relembram fatos desagradáveis

O rei da memória. Aquele que se lembra dos piores momentos das vidas alheias. Sim, é normal se lembrar da desgraça dos outros, para que esses fatos sejam usados no momento certo. Para evitar a promoção de um concorrente seu ou convencer o júri de que você acertou 14 tiros no rosto da vítima por legítima defesa.

Mas, preste atenção: essas memórias são justamente para momentos específicos. Por uma regra de boa convivência, evitamos lembrá-las o tempo todo. Ainda mais diante da pessoa que estrelou o fato desagradável. Se lembre pelas costas. Não adianta perguntar se a pessoa se lembra de ter vivido tal situação. É claro que ela se lembra. Ela se lembra miseravelmente de todos os detalhes e tenta diariamente esquecê-los. Mas você faz questão de fazer com que o trauma reviva.

1 Especialistas em traumas infantis

Sua infância problemática, com todos os traumas gerados pela vida na escola. Você encontra aquele cara que estudou com você na terceira série, depois de 15 anos.
- E ai cara. Há quanto tempo!
- É, bastante tempo.
- Última vez que eu vi você foi no último dia de aula da terceira série.
- É, deve ter sido.
- Se lembra! Haha, você passou mal e vomitou em cima da menina mais bonita da sala.
- É...
- Foi nojento cara, haha.
- É...
- O que aconteceu depois? Sai do colégio, ficou tudo certo?
- Ficou sim.

O indivíduo vomitador ficou assim tachado. Nunca conseguiu ficar com uma menina até hoje. Faz terapia diariamente para tentar superar as tremedeiras quando se aproxima de uma mulher. Estava quase superando, até a pessoa constrangedora aparecer em sua vida.

2 Humilhando diante da família

Você chama um amigo recente para um churrasco na sua casa. Você não sabia que ela é uma pessoa que adora criar situações constrangedoras diante dos familiares.
- Esse aqui é meu pai.
- Opa, tudo bom. Ele sempre foi devagar pra fazer os trabalhos? Tinha que ver, lá ele vive atrasando. Nosso chefe tá querendo matar ele de tão devagar que ele é. Falou pra eu aproveitar que tava vinda na sua casa, pra ver se ele é assim por aqui também, haha.

E assim, acabam-se as expectativas familiares de que o filho estivesse bem no seu novo emprego.

3 Constrangimento diante do conjugue

Você está com a sua namorada e encontra um amigo de velhos tempos.
- E ai cara, tudo bom?
- Opa, tudo. Essa aqui é minha namorada.
- Ah sim, se arrumou heim cara.
- Hehe.
- Antigamente, tinha que ver, esse cara só pegava mulher feia.
- É, he.
- Teve uma vez que ele agarrou a professora de Geografia, inacreditável. Esse cara não tinha limites.
- Ééé...
- Uma vez que ele bebeu, pegou até um viadinho lá do colégio. O cara era uma máquina, traçava tudo. A gente via ele, se escorava na parede pra não ir junto.

O fim do relacionamento.

4 Humilhação, estilo livre

Escatologias, sexo, tudo junto. Com muitos gestos em lugares públicos, para que todos escutem. Não importa se você está sozinho, acompanhado, em uma cadeira de rodas ou de terno.
- E ai cara, tudo bom?
- Opa, tudo.
- E aí, cagando muito? Você cagava pra cacete lá no colégio hahaha. Cagava no canto da sala e não tinha aula depois. Você foi comer a menina e cagou durante o ato hahahahaahha – fazendo gestos com as mãos que chamam a atenção de todos os transeuntes para o assunto.

Memória seletiva de convivência.


@AdeSchneider comentou tal tipo de pessoa em um comentário anterior.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Sacrifício Humano

Os, Incas, os Maias e os Astecas. Os três povos pré-colombianos mais famosos, sempre citados nessa ordem. Com seus templos gigantes, suas profecias, sua mitologia e sua cultura sempre admirada. Seres superiores, uma cultura moderna. Poderíamos viver como eles!

Sabe-se lá porque, culturas antigas sempre ganham um ar de humanitárias, justas. Não era bem assim. Na verdade, eles eram pródigos na ciência. Fala-se que os Astecas jogavam futebol na sua época. Ao final da partida, o time vencedor era sacrificado, para agradar os deuses. Quando um novo rei ascendia ao trono, uma criança era sacrificada. Seu coração era retirado do peito, com a criança viva.

Pois é. Incas e Astecas tinham uma obsessão por sacrifício humano. Imagino que eles tivessem um calendário com os sacrifícios previstos. Se eles (Os Maias não. Eles morreram bem antes) fossem imunes a varíola e tivessem vencido a guerra contra os espanhóis, nossa sociedade atual poderia ser diferente.

O Brasil ganha a Copa do Mundo de 2014. Neymar marca os dois gols da vitória contra o Uruguai, vingando 1950. Comemoração nas arquibancadas. Jogadores vibram. Os jogadores sobem ao palco para receberem as medalhas, levantarem a taça e serem degolados. A torcida vibra com o sangue escorrendo no gramado. Os torneios da categoria de base seriam disputados de forma displicente, preservando os bons jogadores para futuras conquistas. A Bolívia seria a maior campeã sub-20 com 15 títulos e 300 cabeças cortadas.

Sebastian Vettel ganha uma corrida e é degolado. Fernando Alonso ganha a seguinte e, degolado. Mark Webber, idem. No final do ano Rubinho é campeão mundial, por ter somado mais pontos sem jamais vencer. Ao invés de um loser, Rubinho seria um símbolo da estratégia consciente.

O U2 faz show num Morumbi lotado. A platéia canta os hits melosos do grupo irlandês. Na música Miss Sarajevo, uma criança é chamada ao palco. Para cantar? Engana-se. Seu coração será arrancado por Bono Vox, que beberá o sangue pulsante do recém falecido, sob os gritos extasiantes da platéia. Nesse mundo, Alice Cooper, Ozzy Osbourne e Kiss seriam bandas fracassadas.

Não existiriam concursos públicos. Pois, sempre que alguém passasse em algum, seria decapitado. Aliás, os empregos seriam familiares. Pois você seria esquartejado quando conseguisse uma promoção, tornando os serviços bem ineficientes.

Nos colégios, os professores observariam desde cedo os melhores alunos. Dez numa prova, coração arrancado. O melhor aluno do ano degolado. Cursinhos pré-vestibulares sofreriam com a situação, já que os melhores alunos chegariam mortos. E os que passam no vestibular também morrem. Pensando bem, faculdades não existiriam. Nem os colégios, porque cedo ou tarde, todos morreriam e as turmas de terceiro ano seriam esvaziadas.

Um avião chega ao seu destino em paz – um coração extirpado. Nos mesmos do CH3, mataríamos uma criança a cada post. Hoje em dia, o máximo que acontece, é Jorginho de Ogum matar uma galinha preta quando conseguimos 10 comentários. Algo que não acontece faz tempo (Aconteceu apenas 6 vezes e a última foi em 13 de novembro de 2008).

Mas, não teríamos tanto tempo pra fazer isso. Afinal, o mundo iria acabar ano que vem, mesmo.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um Filme Cult




Quando você começar a ver “Um Filme Cult”, novo filme do diretor Guilherme Blatt, prepare-se para viver uma experiência transcendental. Não é apenas mais um passatempo para se assistir comendo pipoca. “Um Filme Cult” justifica o porquê do cinema ser chamado de A Sétima Arte.

Ganhador dos mais diversos prêmios no leste europeu e oriente médio, “Um Filme Cult” saiu recentemente como o grande vencedor do Festival de Tashkent no Uzbequistão. Fora o prêmio de melhor Filme, Roteiro, Diretor e Ator, o mesmo ainda foi aclamado pela platéia que, ao seu término, não parou de aplaudir o filme por 10 minutos. “Um Filme Cult” é desde já, o favorito para levar o concorrido Ornitorrinco Prateado de Adelaide no próximo mês.

Destaca-se a direção precisa, o roteiro correto e principalmente, a atuação de Guilerme. Ele surge na tela como um Marlon Brando contemporâneo, um Peter O’Toole moderno. Sua frieza e sua explosão, contrastadas naturalmente, dão uma idéia de como Al Pacino seria, caso ele tivesse uma carreira mais consistente.

Aclamado por onde passou. Sucesso de crítica, “Um Filme Cult” é um filme visionário, a frente do seu tempo. A humanidade ainda terá muito o que evoluir, para compreender completamente o real significado desta obra impar.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Internet Indireta

O Twitter. A rede social que mais cresce no mundo com os seus 278189201 usuários. Você clica em um botão e passa a seguir as pessoas diretamente. Não precisa de intermediários e na maioria dos casos não precisa de permissões. Afinal, quem está no Twitter é para se molhar. Digo, para ser seguido.

Todo esse parágrafo está aí, apenas porque eu não podia ir direto ao assunto. Quando você começa a seguir uma pessoa, ela logo aparece diretamente na sua timeline dando indiretas. O twitter é uma rede social baseada em indiretas. Preste atenção na sua timeline neste exato momento. Perceba que ela está recheada de indiretas. Pessoas desabafando suas frustrações sem citar os nomes.

Você me pergunta então: qual é o problema disso? Vou tentar explicar.

Uma vez que uma mensagem é indireta, é impossível diagnosticar corretamente para quem ela é direcionada. E as outras pessoas podem pensar que essa indireta é para ela. Cedo ou tarde, isso pode acontecer com você. Porque existe a possibilidade de que você tenha feito alguma coisa que é criticada indiretamente por outra pessoa. Ou que possa dar margem a essa interpretação. Uma coincidência. Ou não.

Você pensa: “como é que ela soube disso? Como é que essa informação escapou?”. É como quando você lê alguém reclamando de pessoas que defecam no trabalho e entopem a privada. Você se lembra que isso aconteceu três dias atrás com você. Mas ninguém viu. Como descobriram que foi você? Como essa informação chegou a essa pessoa que não trabalha com você e que agora, por algum motivo desconhecido, resolve mostrar todo o desprezo que ela nutre por você através dessa indireta.

É claro que você não fará isso, mas você poderia perguntar: “você está falando de mim?”. Isso não dá certo por alguns motivos. Primeiro, porque você estaria se auto-incriminando e confessando que sim, você entupiu a privada. E depois, porque existe uma boa chance de que a indireta realmente não seja para você. E acredite, provavelmente outras pessoas se perguntaram a mesma coisa. Outras pessoas devem ter feito o ato entupitório.

Fora isso, nenhuma pessoa jamais revelaria a vitima de sua indireta. Porque assim, ela deixaria de ser uma indireta e passaria a ser uma direta, entende?

É difícil falar que as pessoas estão dando indiretas, porque você fala indiretamente sobre isso. Você nunca diz “fulano está dando indiretas”. Ou melhor, você diz justamente que um “fulano” evasivo e anônimo está fazendo isso. O nome do Carlos, que é quem está fazendo isso, nunca é citado. Então, dizer que alguém faz indiretas acaba sendo também uma indireta. E então, você acaba fazendo aquilo que crítica.

Fora isso, pegue um papel e escreva
INTERNET
INDIRETA
Perceba a fantástica simetria entre as palavras. Fascinante.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Fetiches banais

Há quanto tempo o CH3 não tocava no assunto heim? Também, depois do podcast em que falamos por meia hora sobre os fetiches mais doentios, subversivos, imundos e repugnantes, imaginávamos que não teríamos mais o que falar sobre isso. Mas, eis que me lembrei de um outro aspecto jamais abordado: os fetiches banais.

Aqueles fetiches de domínio popular. Sempre citados por capas da playboy, artistas da globo e etc. Mostraremos nesse post, porque eles são banais, impraticáveis e porque não, muitas vezes idiotas.

Sexo no avião.O preferido da multidão. São tantas pessoas que tem esse fetiche, que você pode até ficar com medo. Quando você estiver sentado em uma poltrona do meio do avião, saiba que uma das duas pessoas ao seu lado, provavelmente gostaria de estar fazendo sexo naquele exato local, nesse exato momento. E lembre-se de que essa pessoa não será uma modelo.

O sexo no avião é praticamente impraticável. Primeiro, porque haverá muitas pessoas. Crianças inclusive. Você será amplamente observado. Isso pode não ser um problema para você, mas, certamente será para os outros. Talvez queiram te linchar. Os comissários poderão ser chamados e você poderá receber sedativos.

Claro, o avião poderá estar vazio (talvez num vôo pro Acre). Mas ainda assim, existirão as comissárias. Sim, seu plano pode ser com uma das comissárias. Então vem o principal problema. As poltronas são muito apertadas. Alguém provavelmente saíra com hematomas da situação. Você pode tentar ir para o banheiro, mas quem disse que banheiro de avião tem espaço? Mal cabe uma pessoa lá dentro, imagine então duas fazendo sexo. Ainda corre-se o risco de apertar a descarga sugadora. A solução pode ser alugar uma suíte de 10 mil dólares numa companhia árabe. O suficiente para te caracterizar como um fetichista extremista.

Impossível dizer porque tantas pessoas tem essa fantasia. Mas, muitas citam que gostariam que o avião passasse por turbulências. O que torna a situação ainda mais impraticável. Essas pessoas não devem saber o que é turbulência. Sexo durante turbulência pode ser caracterizado com tentativa de suicídio.

Sexo sobre animais.Certa vez, Carla Perez disse ter o fetiche de fazer sexo sobre um cavalo branco. Futuramente, ela admitiu que conseguiu realizar o seu desejo. Sexo sobre um animal exige muitos cuidados, para que o bicho não esteja com pulgas ou carrapatos que possam entrar em suas regiões íntimas. Simples moscas, já seriam suficientemente irritantes. Fora os cuidados veterinários e o risco de que o cavalo se assuste com um pé batendo na sua barriga e saía em disparada. Cair do cavalo já é ruim, cair nu do cavalo deve ser ainda pior.

Ainda há o problema de quão específico por o seu desejo. Sexo sobre um elefante, ok. Agora, um elefante albino? Difícil. Se for sobre um dinossauro ou algum outro animal extinto, é ainda pior.

Sexo em situações extremas.Pessoas dizem que gostariam de transar de pára-quedas. Imagino que seja uma situação na qual a pessoa tenha que se preocupar apenas em sobreviver. Fora o trabalho de conseguir encontrar uma posição para que isso acontecesse. Acho que quando finalmente o casal se ajeitasse, já seria a hora de puxar a cordinha. E depois que ela é puxada, não dá para se aproximar. A solução seria, talvez, que o casal pulasse junto, com o ato sexual já iniciado. Exige diversos preparativos.

Sexo na praia.Quem tem essa idéia? Com o tanto de areia e com o tanto de vento o casal saíra meio machucado da história. O sexo no meio do mato encontra o problema dos insetos. Muitos insetos. Se você não for alérgico e conseguir controlar a coceira, talvez obtenha sucesso. Sexo debaixo d’água pode ter dias seguintes dolorosos. Sexo na montanha pode congelar o membro e obrigar uma amputação.

Por essas e outras, o CH3 estimula a prática do fetiche com balões. Algo mais praticável simples e seguro.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Troca de Família

Nos últimos anos, o mundo assistiu a uma proliferação de reality shows. Essa expressão que sempre me gera dúvidas. Devo escrever reality ou realitys? Essa palavra deve ser colocada no plural? E isso deve ser feito em um neologismo local, ou de acordo com a norma da língua original da palavra? Grandes dúvidas que os estrangeirismos nos proporcionam.

Pois bem. Temos aqueles programas que isolam os participantes em uma casa, ou em uma ilha, àqueles que propõem situações inusitadas e ainda àqueles que tentam mostrar soluções para problemas da vida real. Esses programas têm suas provas, que vão desde tentativas fracassadas de simular um quadro das Olimpíadas do Faustão, até comer fetos de rato em uma jaula cheia de cobras venenosas e vomito de cavalo. Afinal, toda realidade precisa de um pouco de entretenimento.

Nessa semana, um dos mais simples, a Troca de Família ofuscou o famoso e grandiloqüente BBB. Nesse programa, caso você não saiba, eles promovem uma troca de mães. Mãe A vai para a casa da família B e a mãe B vem para a casa da família A. Assim, elas vão lidar com as diferentes culturas, com os filhos dos outros, as bizarrices dos outros. Viver uma vida que não é a delas. E, se tudo der certo, elas vão surtar com isso, brigar com a nova família.

Sim, você pode me dizer que esse programa é machista. Porque as mães é que tem que trocar de casa e não os pais? Heim? A culpa é de quem? Da sociedade patriarcal. Ok, eu sei, eu sei.

O motivo do sucesso do programa nessa semana foi a troca que envolveu o casal composto por um marinheiro inglês e uma mulher desconhecida, e outro casal, composto pela escritora Clara Averbuck (famosíssima, escreveu muitos livros famosos) e o baixista da banda Vanguart, Reginaldo Lincoln.

Antes de prosseguir, uma pequena pausa dramática, para tentar mostrar como esse autor acumulou informação e vivência ao longo de sua vida.

Este blog é de Cuiabá, tal qual o Vanguart era – agora eles são de São Paulo. O guitarrista da banda, David, veja você, era um veterano dos autores do blog. Ele era reprovado em Teoria 1 e fazia aula conosco. Riamos dele por ele ser reprovado e achávamos graça dele usar bermuda com meia até a canela. Já o Reginaldo, hoje conhecido mundialmente, grudava cartazes de apresentações do grupo nos murais do nosso bloco. Fazia isso sem ninguém o reconhecer e era provável que achassem que ele era um membro do DCE convocando os estudantes para manifestações contra o aumento da passagem do ônibus.

Voltando. A polêmica desse episódio é a seguinte: Clara disse com todas as letras “Eu sou Corna”. Tatuou as palavras na testa e espalhou a notícia por todos os cantos. É provável que ela tenha procurado o cantor Falcão para comporem algumas canções. Reginaldo Lincoln e a outra mulher que, pesquisei agora, se chama Daniella, negaram qualquer envolvimento amoroso. Ninguém teria catado ninguém na história e o que rolou foi apenas uma amizade forte. Os dois se deram super bem.

Nós somos da opinião de que: se Reginaldo traçou a mulher, o fez bem. Nesse tipo de programa, as pessoas querem ver justamente a realidade. Afinal, Reality, caso você não saiba, significa Realidade em português. Não querem imitações da vida. O casal que lava a louça, põe a roupa na corda, leva o lixo pra fora e a noite dorme separado. Reginaldo e Daniella levaram o nome do programa e a sua essência até as últimas conseqüências, ou talvez, até as conseqüências normais.

Tal ato deveria estar até no regulamento do programa, afinal, as famílias envolvidas recebem 25 mil reais cachê. Valor mais do que o suficiente para perdoar os supostos chifres. Clara e Reginaldo, aliás, se divorciaram, e não foi por conta do programa.

Resta torcer para que o programa varie um pouco seu formato. Que o homem seja trocado de casa. Para que, além de comparecer na outra patroa, ele possa assistir televisão tomando cerveja. Que ele eduque os filhos da outra casa e ainda mije (o Word sugere que urine é melhor) de porta aberta.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Nacionalismo Babaca

O polonês Robert Kubica é um dos grandes talentos recentes da Fórmula 1. Em quatro anos na categoria, tem conseguido resultados bons e constantes, mesmo sem ter o melhor carro e é apontado como um futuro campeão. Foi o primeiro piloto do leste europeu a ganhar uma corrida na competição. Nesta temporada, ele correria pela Lotus Renault, ao lado do russo Vitaly Petrov. O brasileiro Bruno Senna seria o piloto reserva.

No último domingo, Kubica sofreu um acidente em uma prova de Rally. Ele perdeu o controle do seu carro e bateu de frente em um Guard Rail, que se partiu e atravessou o carro, ferindo o piloto de 26 anos. Sofreu múltiplas fraturas no braço e na perna direita. Sua mão quase foi decepada e ele passou por uma cirurgia de 7 horas, para reconstituir a estrutura nervosa do membro, que corria o risco de ser amputado. Ainda não se sabe se ele recuperará todos os movimentos da mão e se ele votará a pilotar novamente.

O programa Fantástico – vulgo show da vida, a sua revista semanal – noticiou o acidente, afinal, a Rede Globo é a emissora que transmite a Fórmula 1 no país. Zeca Camargo fez a chamada para a matéria, que seria transmitida no bloco seguinte. Com um sorriso no rosto, chamou “a seguir: o acidente que pode dar a Bruno Senna, uma vaga em uma equipe de ponta na Fórmula 1”.

Ou seja: dane-se o polonês (diria Hitler). Sua mão, sua vida, sua carreira. Que ele morra o mais rapidamente. O importante é que um brasileiro saía no lucro com isso. Seria como se uma televisão britânica noticiasse “a seguir: o acidente que promoverá a estréia de David Coulthard na Fórmula 1”. O acidente, no caso, é o que provocou a morte de Ayrton Senna.

Não vejo o brasileiro como um povo extremamente nacionalista. Desse que se importa com as questões nacionais, do dia-a-dia do país. Pouco se importa se o governo usa dinheiro público para limpar a bunda. Mas, no geral, o brasileiro se importa muito com a imagem do país lá fora. Uma espécie de nacionalismo viadinho (desculpa, professor) que fica ofendidinho quando o Stallone faz uma piada sobre o país. Faz campanha no Twitter contra os Simpsons e pede a pena de morte para o estrangeiro que fale mal das ruas sujas do país. Mesmo que esse brasileiro jogue papel na rua.

E diante das questões esportivas, quando a bandeira brasileira está sendo mostrada para o mundo, o povo se transforma em brasileiro com muito orgulho e muito amor. Existem algumas razões que poderiam explicar o porque disso. O orgulho nacional entra em campo com os jogadores e dá cambalhotas junto com Diego Hypólito.

Por outro lado, o atleta também está a um passo de virar o símbolo do fracasso nacional. Aquele que desonra as cores de bandeira e que deveria ser julgado dentro das leis militares, por trair a pátria.

Vale tudo para esse sucesso. Nas provas de Fórmula 1, Galvão Bueno vive torcendo para que os pilotos da frente se explodam, para que os brasileiros ganhem posições. É o popular “tá ficando bom pro Rubinho!”.
IGB*
“Olha lá amigo, o Rubinho em sétimo. O Kubica e o Rosberg ainda vão parar no boxe, ele tem mais carro que o Petrov e o Sutil. Tem tudo para ficar em terceiro, atrás do Alonso e Hamilton. E amigo, vai sair faísca dessa briga. Quem sabe os dois não se acham no caminho e o Rubinho leva essa! Seria lindo ver a bandeira brasileira no lugar mais alto do pódio, nessa data tão marcante para o esporte brasileiro, afinal, fazem 50 anos que....” – resumo da história, Rubinho termina em sétimo.
É possível torcer por fraturas que facilitem o caminho dos nadadores brasileiros. Que um terremoto destrua a Argentina, fazendo com que o Brasil herde uma vaga no basquete. Não sei se os italianos comemoraram com gritos de “Agarrou! O padre irlandês agarra o brasileiro Vanderlei Cordeiro! Isso é bom para o nosso Stefano Baldini que pode assumir a liderança da Maratona!”.

Não perca nosso próximo post. O acidente nuclear que pode devastar o hemisfério norte e transformar o Brasil na maior economia do mundo!

*Intervenção Galvão Bueno.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Focagem

Durante muito tempo, o foco era uma palavra que circulava restritamente no meio de fotógrafos e entusiastas da fotografia. A foto não estava focada. Tava tudo embaçado, o enquadramento ruim, em suma, uma suprema fotografia. Hoje não. O foco, a focagem, o focado, estão na boca de motivadores, jogadores de futebol e apresentadores de televisão. O foco é uma palavra da moda.

Hoje, é até estranho pensar no sentido original da palavra. Qualquer jogador de futebol da contemporaneidade abre a boca com autoridade para falar “estamos focados no nosso objetivo, que são os três pontos”. Em outros momentos, ele poderia falar “estamos imbuídos no nosso espírito”. Outros tempos, agora é a era do foco.

Foi-se o tempo em que o foco era utilizado apenas em piadas do tipo “o foco é o marido da foca?”. Hoje vemos o foco nos objetivos, o foco nos negócios, o foco no cliente, o foco na verdade, o foco no passado, foco no futuro, no presente, empreendedorismo, o foco na puta que o pariu.

Jornalistas também adoram colocar as coisas no foco. Se antes se falava “colocar o fetichismo em pauta”, agora ele é colocado em foco. Temos que focar esse assunto. É o foco da notícia (antigamente tínhamos o foca, essa expressão horrível). Se um político morre em um acidente de carro, junto com um garoto de programa. E no porta-malas foram encontrados 50 mil dólares, supostamente desviados de uma conta da Suíça.
- Você pode dar a manchete de que “político e garoto de programa morrem em acidente de carro”. Será tachado de homofóbico e sensacionalista. Terá reduzido as duas vidas as suas atuações, além de ter explorado o romance homoerótico.
- Você pode focar o mistério dos 50 mil dólares no seu carro. Será uma abordagem investigava, criticada por não observar o luto familiar e se prender a questões terrenas, que agora não tem importância.
- Mas, como o seu jornal é chapa branca, você vai apenas falar da sua morte. Da dor da família e dos seus feitos. Entrevistará os amigos que dirão que ele foi um visionário a frente do seu tempo. Que deixou muitos amigos e uma grande herança política, além da saudade. Mesmo que ele tenha sido um escravocrata, pedófilo e corrupto.
- Você ainda pode ignorar a notícia e tentar ligar a morte a algum candidato oposicionista que não paga seu jornal.

Temos ainda os focos da dengue. Intermináveis, invencíveis, inúmeros e inacreditáveis.

E isso me lembra um tipo de pessoa. Pessoas que dão a notícia com o foco errado. Aquela pessoa que te aborda de manhã e diz:
- Pois é, o Jorge vai vir trabalhar de manhã.
- Ué, porque?
- O Antônio morreu e o Jorge vai substituir ele.
- Ahn?
- É, morreu, picado por uma cobra. O velório é agora de tarde.

Esse tipo de pessoa tem uma dificuldade em dar notícias mais pesadas e procura uma maneira de ser mais leve. Consiste em fazer uma abordagem exótica, de difícil compreensão, como:
- As férias do Roberto terminaram mais cedo.
Essa afirmação causará confusão mental no ouvinte. Que perguntará o porquê dessa afirmação estranha. A resposta será trágica:
- O avião em que ele estava caiu. A família inteira dele morreu e ele está na UTI.

Acho que esse texto não ficou muito focado.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Concurso Cultural

Época de Copa do Mundo é sempre assim. Lá está o Faustão, sorteando um carro, uma casa, comida e roupa lavada. Um caminhão de prêmios ou simplesmente um caminhão. Basta enviar um SMS para um número tal, respondendo uma pergunta super difícil.

Antigamente, bastava mandar uma carta para tal rua no tal CEP que você concorria. Mas foi proibido. Ninguém pode ganhar nada tão facilmente assim. Então, criou-se a idéia dos concursos culturais. Você tem que mandar 10 códigos de barra de produtos Nestlé e responder a pergunta: “quantas vezes o Brasil ganhou a Copa do Mundo”. Ainda dão as opções. Nenhuma vez? Cinco vezes? Ou 140 vezes? Pense um pouco que você deverá saber.

Hoje nós temos esse sistema de sorteios eletrônicos, em que o nome do sorteado já aparece na tela. Mas antes, antes era muito mais legal. O Faustão era mais gordo, não usava roupas coloridas e todas as cartas ficavam numa piscina. As assistentes entravam lá dentro e jogavam as cartas para cima. E as cartas subiam, subiam e o Faustão pegava uma. Geralmente daqueles envelopes com as bordas verdes e amarelas. Dizia que a Dona Maria da Conceição de Nova Xavantina havia ganhado o prêmio, parabéns Dona Maria.

Aquela piscina de cartas era um sonho. Era como uma versão alternativa das piscinas de bolinhas. Muitas pessoas tinham o estranho fetiche por piscinas de cartas. Sonhavam em mergulhar naquele mar de cartas e jogar, jogar, jogar as cartas para cima. Ainda mais se você fizer isso com o seu corpo envolto em geléia de damasco.

Mas bem, acho que isso não é bem um concurso cultural. É uma promoção que atende a legislação com a sua pergunta super complicada. Os concursos culturais mesmo são aqueles do tipo:

“Promoção, Madrid é logo ali: entre no site, leia o regulamento e participe. Você deve responder a pergunta ‘porque eu mereço ir para Madrid’ até o dia 7 de fevereiro. A melhor resposta ganha uma viagem de 8 dias para Madrid, com tudo pago e direito a um acompanhante”.

As promoções sempre têm nomes idiotas. Que sugerem rimas, ou uma participação no evento. Se a promoção é para assistir a um jogo de futebol, o nome sugere que você será um protagonista da partida. Se for para assistir um show, você é uma estrela da mesma importância do Paul McCartney. Você não irá lá para assistir, e sim para ser assistido. E a pergunta tem haver com isso. Porque você merece ser mais uma estrela na platéia? Porque você merece ser mais um craque no gramado?

Eu nunca imagino como deve ser a resposta para uma pergunta dessa. A resposta só pode ser idiota. “Eu devo ser mais um craque em Madrid porque mereço...” argh. Me dá nojo só de pensar em uma resposta. Talvez seja mais fácil quando você tem oito anos. Para quem você escreveria uma canção? Não sei, não sei. Para fazer esse post li diversas perguntas e resultados de Concursos Culturais Brasil Afora. Me senti mal com todos. Senti vergonha por todas as respostas. Preferia cometer suicídio a ter que escrever algo como: não, eu não consigo nem reproduzir as frases. Procurem no Google por “Resultado Concurso Cultural” e tenham o desprazer por conta própria.

E, por incrível que pareça, existem pessoas especializadas em ganhar esses concursos. Que já foram autoras da melhor resposta uma dezena de vezes. Talvez sejam publicitários ou vendedores de cartão de crédito, pessoas com alto poder de convencimento.

Para pioras, as pessoas tendem as rimas fáceis. Aquelas rimas terminas em “ão” ou em ordem indireta, para conseguir rimar os verbos. Algo como: “Em Madrid sei o que vou fazer/Com muita força irei torcer/ E demonstrar minha paixão/Viverei toda a emoção”. Não, não dá.


Participe da Promção Cultural Blog CH3 – Pai Jorginho e Eu. Responda “Para quem eu gostaria de prever o futuro” e concorra a uma camiseta do blog e um almoço com o seu membro do CH3 favorito, na casa de Pai Jorginho de Ogum. A melhor resposta ganha uma viagem para Paranatinga.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Piada Pronta

Aos 33 minutos do segundo tempo, Murillo cruzou a bola na cabeça de Medina. O colombiano subiu livre na pequena área para marcar o segundo gol do Tolima. O placar de 2x0 decretava então, a enésima eliminação corintiana na Libertadores. Logo na seqüência, começou a se espalhar no Twitter a hashtag #toliminado.

A humilhação, o sofrimento, a flagelização corintiana seria natural e justa. Mas não existe nada pior do que perder para um adversário que rende um trocadilho fácil. Não há nada pior do que perder para a Piada Pronta e previsível. Aquela que todos já temiam e que infelizmente (felizmente neste caso) se tornou realidade. Se a derrota fosse para um América ou Olímpia, os corintianos teriam que se contentar apenas com as piadas sobre o Playstation e aquelas todas, que eles escutam todos os anos. Mas, surgiu o #toliminado.

É o que aconteceu com os torcedores do Internacional. Se o time tivesse perdido o último mundial para a Inter de Milão, seria normal. Um time normal. Mas não, a derrota veio para o TP Mazembe. Um time excêntrico do Congo. Onde se destacava o goleiro Kidiaba, um sujeito com cabelo de abacaxi que comemorava seus gols quicando a bunda no chão, como se fosse um cachorro se limpando.

Essa cena rendeu uma centena de gifs na internet. O trocadilho óbvio de “kidiaba” com “que diabo”. A vida de todo torcedor do Internacional se transformou em um inferno. Toda derrota já é ruim, mas a derrota da Piada Pronta é ainda pior.


Todos esperam a piada pronta (fora é claro, o torcedor do time vitimado). Principalmente fora do futebol. Nós jornalistas, sempre esperamos por uma situação de piada pronta. A notícia excêntrica cuja manchete seja auto explicativa. Sempre esperamos que Wonarllevyston Garlan Marllon Branddon Bruno Paulynelly Mell, filho de Dalvina Xuxa, resolva mudar de nome. E que mude para apenas Wonarllevyston.

Que um travesti seja preso em Ponta Grossa. Que a cidade de São José dos Ausentes fica isolada pelas chuvas. Que exista um campeonato mundial de Sauna, e que um dos participantes morra nessa competição idiota. Que um anão vestido de palhaço mate sete na Macedônia. Que um homem se case com um cachorro na Índia. Que o time do Corinthians perca para um time bizarro. Que tenha uma revanche, e que perca de novo e de novo e assim por toda a eternidade.

Sempre esperamos por uma notícia que não exija piadas difíceis. Para que a vida pareça ser uma piada. Tal qual o time do Corinthians.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Rindo que nem Besta

Certa vez, eu estava voltando da faculdade, de ônibus. Estava a dois pontos da minha casa e então comecei a rir. Ri que nem besta. O motivo? Eu havia me lembrado de uma piada do dia sobre o lendário Livro Manual do Cara de Pau, uma espécie de bíblia com mais importância.

Neste livro, o autor ensina você a falar como um intelectual, juntando uma série de palavras da moda em vários meios intelectuais, que no fundo não significam nada, mas que, juntas, soam muito bem. Pois bem, na parte de psicanálise, o autor mostra que você pode parecer um gênio se formar expressões com as palavras Bloqueio/Surto/Complexo e Neuro/Oral/Anal e Persecutório/Megalômano/Exibicionista. Exemplos? Surto Anal Exibicionista.

Pois, ficamos pensando no que seriam esses problemas. Surto Anal Persecutório é quando o cara acha que todos olham para o seu cu? O surtado começa a andar escorando em paredes e gritando “não olhe pro meu toba! Não olhem!”. Quando este surto é megalômano, significa que o cara acha que seu toba é o centro do universo? E o complexo anal exibicionista, é um termo bonito para o bunda-lelê?

Ri muito dessas suposições. Aliás, rimos muito. Ri sozinho em vários momentos. E não me importa que você não tenha achado graça. Este é o tema do post. Eu posso acordar rindo de um sonho em que fantoches de Lênin e Stalin passeiam sobre uma tela chroma-key de Woodstock. Ou que na Bulgária as pessoas só sentam nas esquinas dos estádios. Ou que um cara sempre desenha chapéus sobre suas caricaturas. Para você, isso não significa nada.

E difícil explicar porque algumas coisas nos provocam ataques de risos. Vinicius, por exemplo, sempre passa mal de rir quando se lembra do pato que cantava pelo olho no programa do João Gordo. Ri de chorar, salivar, deitar no chão e achar que vai morrer de falta de ar. É provável que ele esteja assim, neste momento, caso ele leia esse post e se lembre da cena. E você... você não irá rir, achará que é grotesco e que esse texto é idiota.

As bestas são seres mitológicos. A besta pode ser diabo. O que talvez explique a origem da expressão. Rir que nem besta é uma experiência que envolve possessões e histeria coletiva. A ciência jamais conseguirá explicar o que causa um ataque de risos. Bem, talvez ela já tenha explicado, mas isso não me importa. Neste momento me é mais interessante afirmar que isso jamais será explicado.

O pesquisador, filólogo e gaiteiro colombiano, Alfredo Humoyhuessos tem uma lista de situações inusitadas que fizeram com que as pessoas morressem de rir, literalmente.

- Em 1976, na cidade de Brno na Tchecoslováquia um grupo de estudantes de Filosofia morreu de rir ao assistir a versão dublada de Rocky o Lutador. Acreditem, Sylvester Stallone é extremamente engraçado em tcheco.
- Pessoas morrem de rir de Chuck Norris. Ou melhor, as pessoas morrem por rir de Chuck Norris.
- A cidade de Cartagena presenciou a morte por rir de 78 alunos de segundo grau, quando sua professora de história fanha começou a cantar o hino nacional colombiano durante uma apresentação no retroprojetor. A professora também morreu.
- 600 pessoas morreram em uma praça de Pequim durante a Grande Revolução Cultural Proletária. Supõe-se que eles tenha sido assassinados, mas o governo Maoísta divulgou que eles morreram de rir.
- Uma pessoas já morreu de rir ao ler o CH3. Aconteceu em Santa Maria. A pessoa morreu de rir ao ver uma foto dos integrantes do CH3.


Humoyhuessos ainda me disse que tinha a explicação para esse fato. Mas eu disse que não me interessava. O mistério vende melhor.