quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O Abominável Homem das Neves

Eu estava totalmente perdida, já não sabia mais o que fazer, comecei a pensar que tinha chegado a minha hora... (choro)...
Foi então que ele se aproximou, com seu olhar maligno e um rosnar feroz...
Era uma criatura enorme, só pêlos e músculos, tentei correr, mas minha pernas não se moviam, não sei se pelo terror ou pelo frio mortal...
Nada mais importava, ele estava fazendo mal a mim, por mais estranho que possa parecer, eu estava gostando...
Resolvi então me entregar ao prazer... (risos)...

Depoimento de Maya Adhikari,
nepalesa habitante de Pokhara às autoridades locais.
(traduzido por Cão Leproso)


O depoimento acima faz parte do famoso caso Dhaulagiri, que mobilizou a cidade-lago de Pokhara, Nepal no fim da década de 90. A jovem Maya Adhikari se perdeu nas montanhas, mais precisamente no monte Dhaulagiri, e o resultado você já sabe, fizeram mal a ela. Maya, que ficou 72 horas desaparecida, foi encontrada por um papibaquigrafista nos subúrbios da cidade, faminta e deflorada. O detalhe é que ela estava seminua, só de meias.

As condições em que a garota foi encontrada, juntamente com o depoimento prestado à polícia de Pokhara não deixavam dúvidas, a garota tinha sido atacada pelo Yeti, o Abominável Homem das Neves. O caso ganhou repercussão nacional e Maya se tornou uma celebridade. Lançou o livro “Perdi a Virgindade com o Yeti”, participou da versão local do Superpop e do BBN, Big Brother Nepal, do qual saiu vencedora. Maya fez ainda 2 ensaios para a Playboy nepalesa e estreou o pornô “Transa Abominável”, da produtora Nepalesinhas.

Surge então a pergunta que não quer calar, o Abominável Homem das Neves realmente existe? O Governo nepalês diz que sim, sua existência foi declarada oficialmente em 1961. Conhecido no Nepal como Yeti, nome derivado do tibetano yeh-teh, o Abominável Homem das Neves é descendente de um rei macaco com uma ogra. , uma criatura forte e peluda, com cerca de 2 metros de altura e detentora de um odor fétido. Há alguns dias uma equipe do Yeti Project Nepal, encontrou rastros de um Yeti justamente no monte Dhaulagiri, uma evidência que se soma às aparições públicas da legendária criatura.



Agora CH3 revela uma história bombástica: nosso estimado membro, Hanz, O Pansexual já transou com o Abominável Homem das Neves. E o mais impressionante, por várias vezes consecutivas. O caso aconteceu há alguns anos atrás, no final da década de 90, e veio à tona em uma conversa entre a rapaziada no Carnincentas. Ao ser questionado sobre mais detalhes do caso, Hanz prestou uma rápida explicação, que nos levou a suspeitar de que ele também tem algo a ver com o caso Dhaulagiri:

Sabem com é ser macha né...eu tava acampada na monte Dhaulagiri, só transava com o neve, e o neve pela as bagas, queima tudo, não dá muita certo, yah...
A Yeti é ajeitada... quente, muito bom transa, só que fede muito, muito mesmo, mas Hanz agüenta...
A melhor de transar Yeti é o recompensa. Quem transa Yeti ganha um mulher virgem pra transa... tinha virgem perdido no montanha. Então Hanz transou virgem também... yah, transou virgem 7 veses.

Depoimento de Hanz, velho safado e pansexual,
transa com qualquer criatura viva, ou não.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

0% con(tempo)râneo

Afinal, o que é o contemporâneo? Pode parecer que não, mas essa minha indagação, se feita por um filosofo francês, seria capaz de gerar um livro. O autor mergulharia em toda a complexidade mundana para dar essa resposta. Mas, fui olhar num dicionário meu aqui, e ele diz que o contemporâneo é: o que é do mesmo tempo e da mesma época. Sim, bonito. Basicamente nós todos somos contemporâneos, sim, você aí, é meu contemporâneo. A não ser que você esteja lendo esse texto em 2189. O que talvez seja possível, mas é uma possibilidade absurda demais. Ou não.

Mas, eu não pretendo escrever aqui um livro intitulado “O que é o Contemporâneo?”. Falarei nesse texto sobre as artes contemporâneas. O que elas são? Bem, qualquer coisa. Sim, qualquer coisa pode ser arte contemporânea.

Os críticos, e os entendidos do assunto podem dizer que não. Vão falar que são coisas livres de formas predefinidas, onde a liberdade de criação predomina, e o artista encontra maneiras diferentes de colocar sua sensibilidade para fora, se livrando assim de toda a pressão do mundo... Do mundo Contemporâneo. Enfim, eles são até capazes de chorar vendo vários riscos num papel. Mas, aqui embaixo, vamos às verdadeiras definições dessas artes, ditas, despojadas.

Dança contemporânea
A dança contemporânea pode ser definida como uma mistura de coceira na bunda com contorcionismo. Os dançarinos entram no palco lentamente. Cada movimento demora horas, e mais horas. Em certo momento eles podem até esfregar a bunda no chão, como se fosse cachorro com coceira no toba. Com mais ou menos três minutos de espetáculo, você já foi curado de qualquer insônia existente na sua vida.

Teatro contemporâneo:
Ao contrário do teatro normal, onde os atores sobem no palco e interpretam uma história, o teatro contemporâneo cria uma interação com o público. Sim, eles não ignoram a presença da platéia. Portanto, é normal que os atores simulem sexo com pessoas presentes na platéia, que eles atirem objetos no público. Além disso, a peça tem que ter coisas escatológicas. O ator deve vomitar no palco, se possível defecar. Além de ter muito sexo. Os diálogos não têm lógica nenhuma. Será comum que o ator fique parado, encarando um vaso de flores vazio. Com aproximadamente seis minutos de peça, você já terá sentido vontade de gorfar umas três vezes. Isso se você não tiver ido embora.

Pintura contemporânea
Borrões de tinta, riscos sem lógica nenhuma, formas abstratas, cores berrantes. Quando você tinha sete anos e brincava com tinta guache, você fazia algumas coisas parecidas. Só que você não tinha a malícia para criar nomes impactantes para seu quadro. Na pintura contemporânea, uma série de riscos coloridos ganha um nome de “A Morte”.


Música contemporânea
Esqueça a existência de qualquer melodia. Na música contemporânea, o que vale é a falta de melodia. Apenas um ritmo doido. Há demora, muita demora. São anos até que uma batida de pratos seja feita. Existirá um maldito sino. E claro uma espécie de sincretismo de instrumentos. Cavaquinho pra tocar música clássica, além de copos com diferentes medidas de água, correntes, caixas de fósforo, folhas de papel sendo rasgadas. Enfim, qualquer coisa pode ser música.

Cinema contemporâneo
Histórias não lineares. Sem pé nem cabeça. Você sai do cinema sem entender absolutamente nada. O filme não tem começo, nem meio, nem fim. Mas sem dúvida, pode apostar, tem uma fotografia muito bonita, ou marcante. É algo como: você pensa em uma cena bonita, e grava-a. Mesmo que essa cena dure duas horas, e não tenha nenhuma relação com mais nada.

Poesia contemporânea
Pense na poesia concreta. É bem provável que você tenha visto exemplos dela nos seus livros de colégio. Só não sei se você também as achava engraçadas. Enfim, é uma forma de palavra cruzada mais bem elaborada.

Talvez existam outras artes contemporâneas como – a fotografia contemporânea, que seria mais ou menos igual aquelas fotos desfocadas que você tira. Mas, há um outro fator na arte contemporânea. Quem a faz tem a absoluta certeza de que está quebrando paradigmas, e de que está fazendo algo incrivelmente fantástico, mas que é claro, infelizmente poucas pessoas vão entender. Daí aqueles nomes sensacionais como “Ao sul de setembro”, “Noigrandes” e coisas parecidas. Podemos dar uma definição final de que a arte contemporânea é a arte sendo feita por quem não tem habilidade nenhuma. Dança quem não sabe dançar, e pinta quem não sabe pintar. Murilo Benício pode até ser considerado um grande ator contemporâneo.

E para terminar, colocarei um pequeno exemplo de texto contemporâneo do CH3: “Pai Jorginho de Ogum, casa, podolatria, ecos, massa, previsão. Fez se parado, estático. Prosseguiu subindo pela cachaça achaçac chaçaca haçacac açacach çacacha acachaç cachaça. Blum bilum bilum. E foi ai que eu concluí: mijou sentado e não é um extraterrestre fulminantemente causador de impactos nebulosos... ahhhhhh de um tiro!”

domingo, 26 de outubro de 2008

Sobre o fascismo e os suínos.

Caros CHnautas. Há uma motivação forte para escrever o post de hoje. Por causa de meu último texto, sobre como cuidar de crianças, recebi diversos e-mails ameaçadores, nos quais me acusavam de ser fascista. Estava andando na rua ontem, fui apedrejado, sob vaias, que gritavam "seu fascista!". Peguei um ônibus, e as pessoas evitavam sentar-se ao meu lado, uma mãe pegou o filho no colo como se o protegesse de mim. Pensei: "caralho."

Cheguei em casa me perguntando "mas porque estou sendo acusado de ser fascista? Afinal, o que exatamente é fascismo?". Temos visto várias pessoas encherem a boca para dizer "fascista", inclusive cuspindo quando o fazem. Muitas delas não têm a menor idéia do que isso é de fato. "Fascismo" virou um termo de senso comum.
Pesquisei mais sobre o assunto. Fascismo é a doutrina de um estado totalitário, ou seja, centra todo o poder do Estado não no povo, mas em um único líder não eleito. É a doutrina que considera o Líder como um representante supremo e portador da razão. Começou na Itália em 1919.
Beleza. Agora entendi. É porque eu sou italiano, né? É porque eu sou descendente de italianos que eu sou fascista, né? Grande! Agora resolveram estereotipar os italianos também!

Se bem que, hoje em dia, está muito fácil ser fascista. Imagine um debate universitário:
-A polícia é um órgão de controle do Estado e por isso deve ficar longe de qualquer campus universitário!
-Discordo. Aconteceram vários assaltos aqui, acho que pelo menos uma segurança maior poderíamos ter.
-A PM no campus vai reprimir o movimento estudantil! O Estado quer reprimir nossa luta e nossos direitos, a polícia vai fazer o possível pra estuprar nossa liberdade.
-Você só quer fumar maconha em paz.
-SEU FASCISTA!!

Diálogo entre profissionais:
-Então, liberei o orkut lá na minha empresa. Dizem que isso estimula os funcionários e aumenta a produção.
-Só pensa em lucro, né, seu fascista?

E até mesmo entre crianças, que para ofender, adoram utilizar o vocabulário de baixo calão:
-Viado!
-Filho da puta!
-Comi sua mãe ontem!
-E eu comi sua família inteira!
-Ah, vai chupar pinto!
-Chupa você o meu!
-Chifrudo!
-Fascista!
-Opa!! Peraí!! Parou! Não apela!

Pesquisando mais eu entendi mais algumas coisas. Mussolini, na Doutrina do Fascismo, diz: "O Fascismo é a completa oposição ao socialismo marxista".
Para algumas pessoas você não pode ter opiniões que não tenham cunho revolucionário sem sofrer represálias. Para uns, não ser marxista já é ser fascista. Basta você se manifestar a favor do status quo, ou nem isso, mostrar tendências neo-liberais, para ser fascista. É o velho problema de levar algumas coisas ao extremo. Você vai ser, como nós italianos, estereotipado. Você é o alienado leitor de Veja, discípulo de Diogo Mainardi.

O Fascismo e os suínos domésticos:
Fascistas normalmente são associados aos porcos. O porque dessa analogia, não tenho idéia. Fascistas fedem? São sujos? Fuçam a lama? São rosados? Bem... tem aquele porquinho de Dragon Ball, que era covarde e trapaceiro, só que ele usava o unifrome do Mao Tsé Tung:

Considerações finais: Fascista é a mãe.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Elas, as uvas passas

Em inglês: grape passes
Em espanhol: pasas
Em búlgaro: стафида
Em indonésio: kismis
Em eslovaco: hrozienka
Em vietnamita: raisin
Em letão: rozīņu

Passas ou uvas passas são uvas
desidratadas. Possuem menor formato, cor escurecida e textura enruguecida. O processo natural parte da uva fresca que se coloca ao sol até desidratar. (fonte: Wikipédia)

Passas são um cocô. (fonte: CH3)

Olá amigos e amigas CHnautas, como vocês já devem imaginar, este post se trata de uvas passas, que na opinião de nós do CH3 é uma das coisas mais escrotas já criadas por Deus, ou quem quer que seja. Por isso aconselhamos aos adeptos desse objeto de discórdia que parem a leitura por aqui, ou leiam assim mesmo e depois escrevam os seus comentários a favor das passas, nós teremos o maior prazer em excluí-los.


Parafrazeando nosso ídolo Stallone Cobra, afirmo que as uvas passas são um cocô. Basta ver a descrição do Wikipédia. Além das passas, só cocô pode ter cor escurecida e textura "enruguecida". Aliás, não sei de onde veio essa palavra "enruguecida", procure ela no Google, você vai encontrar apenas 9 resultados, isso mesmo, só 9, aliás 10 a partir de agora. Até "papibaquígrafo", uma palavra não muito popular, tem 9.080 resultados.

Não importa o país ou idioma, as passas têm uma única utilidade, estragar o sabor das coisas. Estragam bolos, pudins, sorvetes e muitos outros doces. O pior é que não contentes em acabar com os doces elas também estragam os salgados. Uvas passas não combinam com nada.

Escrever sobre uvas passas não é nada agradável. Antes de começar este post pesquisei “uva passa” no Google, que em exatamente 0,27 segundos me forneceu 145 mil resultados sobre “uva passa”. Pensei então, quem garante que o tempo de busca do Google é verdadeiro? E resolvi testá-lo. Para a minha surpresa ele se superou, foram apenas 0,19 segundo para achar novamente 145.000 resultados para “uva passa”. Esse Google realmente é foda.

A conclusão que tirei com minha pesquisa é que muita gente gosta de uvas passas. Existem milhares de receitas como “crostata de ricota e uva passa”, “bacalhau com uva passa” e até “mini-alcachofra com ricota e uva passa” espalhadas por aí. Encontrei outros milhares de sites e blogs com a originalíssima frase: “Tudo passa, até uva passa” e por mais incrível que pareça achei até algumas poesias, mas não vou colocar nenhuma aqui, são todas muito ruins.

Ainda inconformado com o gosto bizarro das pessoas, procurei “uva passa adoro” e encontrei 10.600 resultados, que agora serão 10.601 com este post. E o pior, vão pensar que a gente gosta de uva passa. Mas nem tudo está perdido. Procurando “uva passa odeio” o Google encontrou 2.210 resultados. No primeiro link um danielnegreiros diz “odeio uva passa... mais ainda qdo de surpresa”, uma frase que resume todo o sentido deste post.

Pior do que algo desagradável, só quando surge de surpresa, e as passas são especialistas em surpreender. Geralmente estão naqueles jantares de casamentos e formaturas onde cuspir, separar a comida e falar palavrões são a maior falta de educação. Nesses casos só lhe resta engolir as malditas.


Nota: Os membros de CH3 são fluentes em todos os sete idiomas citados no começo da postagem. Além de outros 19.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Guia CH3: Como se livrar de visitas indesejadas

É um fato. Alguma vez você já recebeu alguma visita indesejada. Seja um parente chato no feriado, aquele conhecido que pediu pra ficar um fim de semana na sua casa, ou até mesmo aquele amigo mala que falou “a gente podia ir lá almoçar na sua casa hoje né”. Infelizmente, nós fomos educados, e nunca dizemos “não, tá loco!”. E aí lá vamos receber o cara chato em casa. E o pior, também pela nossa educação, acabamos por tratar a pessoa bem.

E aí vem o risco de ele gostar e continuar voltando a sua casa. Então, você tem que ficar usando aquelas desculpas de “ahhh hoje não dá, tenho que levar minha vó na missa” ou pegar o irmão na aula de inglês, ou ir ao dentista. Então elaboramos esse guia de atitudes, que podem até ser consideradas indelicadas, mas, que são muito úteis para que essas visitas sejam únicas.

Uma das primeiras coisas a se fazer é preparar o ambiente, caso a visita venha dormir na sua casa. Prepare o quarto. Coloque fotos de porcos, se o visitante for judeu. Fotos do Tevez são assustadoras de qualquer jeito. Coloque candelabros na cabeceira. Também disponibilize revistas. Playboys, revistas de jardinagem e edições antigas da Marie Claire. Se o quarto tiver uma TV com controle remoto, coloque um aviso “Nunca, em situação alguma, aperte o botão vermelho”. O botão vermelho costuma a ser o de liga/desliga. Se o controle não tiver botão vermelho, não tem problema.

O banheiro é o local mais íntimo da casa. E já é constrangedor o suficiente para uma visita utilizar o banheiro alheio. Pesquisas apontam que as pessoas só não viajam mais, por medo de usar outros toaletes. Reforce esse medo. Na porta do banheiro coloque um aviso “Cuidado com o degrau”, ou “Cuidado com o sapo na privada”, ou ainda “Cuidado com a descarga”. Também coloque um daqueles adesivos de “Sorria, você está sendo filmado” em frente à privada. Entre os vidros de xampu, coloque algumas latas de ervilha, leite condensando, vaselina e graxa automotiva.

Se você for levar a pessoa até a sua casa, aterrorize-a durante a carona. Logo que a pessoa entrar diga “coloca o cinto. Você vai precisar”. Deixe o carro morrer algumas vezes. Pergunte se a pessoa tem seguro de vida. Pergunte também “O pedal da direita que é o acelerador né?”.

Há também o convívio dentro da casa. Uma boa tática de intimidação é colocar vídeos pornôs passando na TV da sala. Você também pode acordar as 6 da manhã, e começar a escutar Dead Kennedys, no último volume do som.

Dedique uma atenção especial a hora da refeição. Principalmente se o seu amigo chato resolveu só ir almoçar na sua casa. A primeira coisa a fazer, é inventar um ritual. Bata os pés no chão, diga palavras de ordem, faça orações. Lamba o prato. Ligue também a TV num desses programas sanguinolentos.

Outra coisa a fazer, é começar a rir na hora que a pessoa for comer. Mais ou menos assim: Observe a pessoa comendo. Na hora que ela estiver levando o garfo até a boca, segure o riso. A pessoa irá parar. Quando ela repetir o fato, volte a rir. Na hora em que ela engolir a comida, comece a gargalhar murmurando “ele comeu, ele comeu”. Se a pessoa perguntar o que foi, diga que não é nada.

Mexa na comida da pessoa. Coloque o dedo no suco, jogue sal no feijão, experimente a comida da pessoa. Também jogue coisas no prato dela. Guardanapos, enfim. Se nada disso funcionar, vá ao extremo, e jogue pedaços de carne mastigada no prato.

A essa altura, 90% das pessoas já teriam ido embora da sua casa. Mas, se isso não funcionar, você terá que começar a apelar. Tentar táticas de constrangimento supremo. Sente-se somente de cuecas na mesa. Faça comentários e perguntas constrangedoras. “Cara, tive uma caganeira ontem”. “Ah, mas que coceira no saco”.

Leve a visita para passear na cidade. Mas leve a pontos exóticos. “Veja só, esse é um poste legal”. “Acho esse buraco muito bacana, se pudesse passava o dia inteiro aqui”. Ou a um ponto de ônibus e diga “pra mim, esse ponto de ônibus é lindo, o mais bonito da cidade”.

O último passo é atrapalhar o sono da pessoa. Finja que é sonâmbulo. Bata na porta dele a noite, e se esconda. Faça isso por diversas vezes.

Se depois disso tudo, a pessoa não for embora da sua casa, ou ainda querer voltar... Ai amigo, você terá que apelar para coisas proibidas pela convenção de genebra. Ande pela casa nu e besuntado em geléia de mocotó, tire fotos da pessoa no banheiro e coloque no seu Orkut. Balance a mesa enquanto a pessoa estiver comendo. Jogue sal na bebida, água sanitária na comida. Enfim. Libere a maldade dentro de você.

Se então, nada disso der certo. Desista. Nunca mais atenda os telefones dos seus parentes, e sempre diga para o seu amigo chato, que você jejua durante o almoço.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A pedagogia moderna e o menino Fabinho.

Semana passada foi o aniversário de 9 anos do menino Fabinho. Você conhece o Fabinho, aqui do blog. O pobre garoto... Sempre humilhado em casa e na escola. Ele teve a audácia de pedir aos pais uma festa de aniversário:

-Pai, pai! Posso ter uma festa no meu aniversário desse ano?
-O quê? Uma festa, Fabinho?
-É, pai, nunca tive uma festa de aniversário...
-Fabinho... Ficou louco? Você acha que nós desperdiçaríamos nosso dinheiro tão suado, só pra dar uma festa? E pra você, ainda por cima? Claro que não.
-Mas... Só dessa vez...
-Não.
-Uhhh...
-Sem chorar, Fabinho. Isso é coisa de maricas. Só por isso, vou te trancar na despensa de novo.

Crueldade, com certeza. Coisa que a pedagogia moderna não tolera. Vários livros e vários profissionais ensinam-nos como devemos cuidar dos nossos filhos nos dias de hoje.
E é incrível como eles parecem fazer o possível pra transformar nossos moleques em delinqüentes. Pense como as coisas eram na sua época. Você não podia falar palavrão em casa, tinha horário pra estudar, não podia sair de casa tarde da noite e tinha limite pra jogar videogame. E se você fizesse merda, apanhava.
Hoje em dia, a criançada pode fazer tudo isso, pois os pedagogos dizem que "as crianças precisam aprender sozinhas". Claro... Daí você tem um filho que vai mal na escola, espanca seus coleguinhas, come merda, tortura animais e não te respeita. Mas não, eles podem. A única coisa que eles não podem é ter alguém interferindo na "criatividade" deles. Ou seja, você.

Mas como todos sabem, crianças têm um potencial imenso pra maldade. Sem falar nas crianças birrentas, que deitam no chão, esperneiam, gritam até a rua inteira ouvir, e xingam os pais dos palavrões mais sujos possíveis. Até os pedagogos entendem que devem ser punidas caso passem dos limites. Mas o que é punição pra eles? Colocar a criança por cinco minutos num canto e dizer que aquilo é o "cantinho do castigo". Sinceramente, isso é uma das coisas mais ridículas que existem. Primeiro: o que prende a criança ali? Ela pode simplesmente sair do lugar. Segundo: que espécie de punição é essa? Não dói e não se aprende lição alguma! Vale fazer qualquer coisa se o preço for só ficar 5 minutos num canto.

-Fabinho, o que você você está fazendo??
-Nada, mãe!
-Como nada?? Você rabiscou a parede!!
-Ah... é que a tia hoje na escola falou pra gente desenhar e...
-E você desenha na parede? Ah, Fabinho, você vai ver...
-Não mãe! O taco de baseball não, mãe! O taco de baseball não!
-O taco de baseball SIM!
-Buááááááá!!!

Claro que não precisa chegar ao caso do pobre Fabinho. Mas se você não quiser uma criança que abuse da sua permissividade, pode fazer bom uso de suas havaianas.
Entenda que nada disso é maldade. Você deve ter apanhado quando era criança. Eu apanhava, quando merecia. Mas hoje em dia o que acontece é a "síndrome de bunda-mole" entre os adultos. "Não gente, bater nos filhos é errado!" Repito: não é. Você pode bater quando ele merecer e ser um pai legal mesmo assim. Dê presentes em datas comemorativas, organize festas, surpreenda o pirralho às vezes e brinque com ele. É simples.

Na escola:
-Fabinho, o que você ganhou de dia das crianças?
-Nada...
-Nada? Por que?
-Meus pais nunca me deram um presente... Acho que nunca vão dar.
-Também, né, Fabinho, você não vale nada.

Enfim... O único conselho é: não aja como os pais do menino Fabinho. E lembre-se, as crianças imitam os pais, então não ser um babaca já é um bom passo na educação de seus moleques.
Lembrei agora de um episódio antigo do Pica-Pau, que tinha um menino riquinho e mimado chamado Reginaldo que era um terror pra mãe. O Pica-Pau fala "tome, senhora, use um pouco de psicologia" e entrega um livro de psicologia infantil pra mãe. Ela abre o livro e tem uma escova dentro, então ela começa a surrar o moleque com a escova. Genial!

sábado, 18 de outubro de 2008

Os palavrões

Quando somos pequenos, os palavrões são uma imoralidade. Você fica constrangido quando alguém mais velho fala um “toma no cu”, ou algo parecido. Mas, de tanto que eles falam você até aprende algumas coisas. Você pode dizer um “puta que pariu” quando cai da sua motoca, ou algo parecido. Mas você não tem a menor idéia do que isso significa.

Aliás, você vai passar sua vida inteira falando palavrões sem saber o sentido deles. Tanto que o “vai pra puta que o pariu” vira um “taquiopariu”. Por isso é revoltante quando você fala para alguém “seu filho da puta” e o cara responde “não põe a mãe no meio”. Oras, é claro que quando você fala que alguém é um filho da puta você não está nem aí para a condição da mãe do cara. Você está xingando ele oras, sem pensar na semântica do xingamento. Os palavrões transcendem o seu significado.

Mas enfim, não é sobre isso que vamos falar no texto. O fato é que nós aprendemos a falar os palavrões, num efeito papagaio. O seu pai vive falando, então você fala, porque deve ser importante. Vai chegar o dia em que você vai perguntar pra sua mãe, ou pro seu pai “o que é caralho?”. Seu pai pode até te explicar numa boa, mas o mais provável é que ele te de um esporro, ou que fique constrangido, e conte uma historinha boba, uma mentira do tipo “caralho é um passarinho”.

O fato é que chega a época em que você aprende um grande leque de palavrões. E que você comece a usá-los impunemente. Claro, que só escondido dos pais. Na época da terceira, quarta série. O cara esbarra em você e você já manda tomar no cu. Chama de filho da puta, e o clássico “vai se foder”. Nessa época o uso indiscriminado de palavrões gera muitas brigas, com empurrões, alguns chutes, e as crianças sendo separadas quase chorando e ainda xingando umas as outras. É o fim das bobas ofensas infantis.

Essa fase dos palavrões logo passa. Porque de alguma forma alguém mais velho vai saber que você fala palavrão, e você se sentirá constrangido com isso. Logo eles virarão algo normal, como, você pode até falar ou não, mas isso não tem muita importância.

Só que aí vem a época da oitava série, ou do primeiro ano (agora tem nona série já). Nessa época, qualquer coisa (para algumas pessoas) é motivo de revolta. O casal louco lá de Santo André, Isabellinha, Caso Pedrinho, ou coisas assim, já viram temas de redação. Juntando-se a revolta com o governo, pobreza, Estados Unidos, ou qualquer coisa que pode estar te incomodando.

É a época do foda-se. Foda-se o mundo, o governo, os americanos, os professores, os corintianos. Ainda mais nessa época dos blogs, tem muita gente que ainda cria um blog só para fazer textos cheios de palavrões. O motivo básico disso é que você ainda acha que falando palavrões está quebrando paradigmas e chocando a sociedade mesquinha. As donas de casa, as velhinhas católicas, ou as patricinhas que vão ao shopping, vão entrar no seu blog e vão ficar chocadas com o seu linguajar. “Ele é mal” todos pensarão. Então, o foda-se vira uma maneira de mostrar que você tem opinião, personalidade e é crítico. No futuro o dono do blog pode até virar um rapper.

Mas nessa época você começa a freqüentar outros lugares, pode sair de casa sozinho, e começa a perceber que os palavrões são bem comuns, e que tirando as velhinhas católicas, ninguém se choca com os palavrões. E o que é pior, elas não entram no seu blog. Você sentirá então um constrangimento profundo, e se sentira um idiota. Provavelmente vai até excluir o seu blog, e negar a existência dele.

Depois disso os palavrões deixarão de ser um tabu. Você pode até falar um na frente dos seus pais (desde, é claro, que eles não sejam velhinhos católicos). E existem algumas possibilidades.

Se você virar membro do movimento estudantil, você irá excluir qualquer xingamento do seu vocabulário. Irá preferir falar em “falácias”, “desmobilização”, e quando for ofender alguém vai chamar a pessoa de “stalinista”, “alienado”, “governista golpista”.

Você também pode virar uma daquelas pessoas que falem palavrão pra caralho. Que colocam uma porra de uma buceta no meio de qualquer frase fudida.

Ou você também pode ser uma daquelas pessoas que usam o palavrão apenas a nível de descontração. Coloca um “porra” ali no fim da frase, apenas para dar um ar de informalidade ao que você está falando. Esse artifício é muito bem usado por Wanderley Luxemburgo.

Há também os raros casos de quem nunca fala palavrão em situação nenhuma. Mas, são tão raros, que algumas pessoas acham que é lenda.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A Crise Financeira Global

- E a crise hein cara?
- Que crise?
- A crise ué!
- Ah, o Aclyse, olha ele vindo ali.
- Aclyse?
- Não é o Aclyse?
- É, é o Aclyse.
- Cê tem aula hoje?
- Não.
- Nem eu, vou embora.
- Eu também.

Você acaba de ler a transcrição de uma conversa entre universitários no saguão do IL na UFMT. A crise que está ferrando com os bancos no mundo todo já é tema de longas discussões entre os alunos de Comunicação Social, que como sabemos, não são muito ligados em números, gráficos e afins. O CH3 apresenta então de forma bem didática algumas projeções para o que deve acontecer com o mercado e dicas para proteger suas finanças.

Se você está pensando agora “já vem esses economistas com previsões furadas, se eles adivinhassem o futuro já estariam ricos”, avisamos que essas previsões foram feitas por Pai Jorginho de Ogum, e o que Pai Jorginho diz, acontece.

Primeiramente o dólar vai continuar subindo de preço, então é hora de comprar dólares. Se não tiver como comprar dê um jeito de fabricar os seus, o importante é não ficar parado. Pai Jorginho também recomenda o investimento em bebidas alcoólicas, afinal em tempos de crise as pessoas bebem pra esquecer. Plante já o seu pé-de-cana.

O crédito vai ficar bem mais escasso, na verdade já está ficando. Faça um financiamento imediato e compre tudo a que tem direito, pois arrumar empréstimo vai ficar muito difícil. Nem se preocupe em pagar, pois os bancos vão quebrar mesmo, aí você fica livre da dívida. Quem tem dinheiro para emprestar pode aproveitar o momento e começar uma carreira como agiota.

A inflação não vai voltar, pelo menos no caso dos alimentos. Pai Jorginho explica que o consumo dos alimentos que o Brasil exporta vai diminuir, por isso você finalmente vai poder comer um delicioso churrasco de soja todos os dias.

A indústria do cinema terá problemas com a crise, pois os grandes filmes hoje em dia custam centenas de milhões de dólares por causa dos efeitos especiais. A partir de agora os filmes baratos de Bollywood entram em alta, assim como os filmes pornôs, que também não custam caro.

Assine o pay-per-view do brasileirão 2009 que será sensacional. Os times da Europa vão ficar sem grana, então vão se acabar as transferências de jogadores no meio do ano. Alguns times brasileiros até trarão reforços do velho continente. Será o ano do campeonato do Vasco na série B.

Fazer carreira na Espanha vai ficar difícil, tanto para os jogadores de futebol como para quem quer se prostituir. A Espanha já está inclusive barrando a entrada de estrangeiros para trabalhar, nem as técnicas de CH3 para evitar ser barrado estão funcionando.

Sem dinheiro os americanos e europeus vão parar de viajar. Então fique longe do Rio de Janeiro. Não vá para o Rio de forma alguma. Com a queda na vinda de turistas estrangeiros, os alvos dos trombadinhas fluminenses serão os vindos de Mato-Grosso. Você pode duvidar, mas no Rio os ladrões pensam que 98% dos mato-grossenses são fazendeiros milionários. Os 2% restantes são de índios canibais.

O aquecimento global vai se estabilizar. Sem dinheiro pra comprar, as pessoas vão se matar e ficar deprimidas em casa, chega de emitir bilhões de gases em fábricas e automóveis, assim o aquecimento global vai dar uma parada. O único ponto da terra onde o calor continuará a subir será em Cuiabá, onde nunca mais irá chover. Tanto que depois da crise Mel Gibson poderá gravar Mad Max 4 na Chapada. E o verão por aqui nem começou ainda.

Por fim, as ações do CH3 vão ficar em alta, por isso é hora de comprá-las. Além de uma ação judicial contra um de nossos membros, os CH3 têm ações dentro de uma velha bolsa de couro que Pai Jorginho vende em forma de vales. Ressaltamos que o CH3 é uma empresa totalmente sólida para investimentos, pois nunca teve prejuízo em seus livros contábeis. Todas as ações podem ser trocadas a cada trimestre em bônus no Carnicentas.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Seu primeiro veículo

Muito antes de você sonhar que um dia poderia ter um carro próprio, você já dirigia isto:
Um triciclo, ou motoca, como chamam alguns. E não negue, você achava muito foda. Até que um belo dia (provavelmente numa manhã de natal) você vai até a sala e a vê: Uma bicicleta. Novinha, brilhando, com aqueles adesivos incríveis. É uma emoção sem tamanho. Sério mesmo, você fica mais emocionado quando ganha sua primeira bicicleta do que com seu primeiro carro.
Obviamente sua primeira bicicleta é pequena e tem rodinhas. Mas você não liga pra isso e já monta e sai pedalando por aí que nem um bobo alegre que você é.

Com o tempo, seu pai diz que está na hora de tirar as rodinhas. Você resiste. Ele então tira apenas uma, para você ir gradativamente se acostumando com a idéia. Então, pouco tempo depois, seu pai tira a outra rodinha. Você fica tenso. Está prestes a andar de bicicleta sem rodinhas pela primeira vez, na frente de seus pais. Alguém dá o empurrão inicial... e solta. Você começa a pedalar, livre, equilibrando-se em apenas duas rodas pela primeira vez. Você fica emocionado. Começa a gritar: "Olha pai! Olha mãe! Eu tô andando sem rodin..." e cai de cara no chão. Você chora igual um bebê. Sente que fracassou perante sua família. Eles, compreensivos, incentivam você a continuar tentando. E você faz o possível para deixá-los orgulhosos.

Com o tempo, você eventualmente acaba conseguindo. Depois de alguns anos com a bicicleta minúscula, você então ganha uma tamanho médio. Ainda simples, mas dessa vez com uma cara um pouco mais séria. Os tombos aqui já são menos freqüentes, embora você ainda caia quando resolve andar no meio da lama e fica atolado.


Chega então o grande momento. Você, já com uns 10, 11 anos, ganha sua primeira bicicleta grande. Você mal pode acreditar. Se sente praticamente um adulto. E ri daquele seu vizinho que ainda anda de bicicleta média. "Fracassado", você pensa. Sim, o mundo é seu agora.
Na escola, comparar bicicletas com os colegas é quase como comparar carros:

-Minha bicicleta tem 18 marchas.
-A minha tem só 16... Mas dá pra andar tranqüilo. Antes eu tinha uma de 12 e achava pouco.
-Ah... Minha bicicleta não tem marcha...
-Aveee, sério, cara? Pede pro seu pai uma de marcha, tá barato hoje, ow.
Então chega o riquinho na conversa:
-Minha bicicleta tem 24 marchas.
-Aveeeeeeeee!! - todos dizem.

Na verdade, nenhum moleque precisa de uma bicicleta de 24 marchas, comprar uma é puro exibicionismo.
Então, você continuará com sua bicicleta por um bom tempo. Vai aprender a andar sem colocar as mãos no guidão, eventualmente vai aprender a empiná-la também, numa tentativa de impressionar as garotas da sua sala (que vão te achar patético, pois elas estarão de olho nos caras mais velhos que andam de Biz).

Uma das desvantagens das bicicletas com certeza são os freios, que normalmente não são lá essas coisas. As pastilhas gastam com facilidade e às vezes não têm aderência suficiente. E bicicleta sem freio, rapaz, é um perigo. Principalmente se você pega rabeira nas scooters de seus colegas mais ricos pra voltar pra casa da escola. Quando você solta, sai numa velocidade imensa, e deve rezar pra não passar nenhum carro na sua frente.

Enfim... é uma tristeza aposentar sua bicicleta. Ela carrega todas as lembrança de uma infância feliz sobre duas rodas. Depois de uns anos você vai poder dirigir e ter um carro, eventualmente impressionar as garotas com ele, andar distâncias maiores. Mas não é a mesma coisa.
Não é a mesma coisa...

domingo, 12 de outubro de 2008

As horas de cultura

Cultura é um negócio bizarro. O que é cultura? O que faz alguma de alguma coisa “cultura”? Então, leiam livros para saber isso, e é bem provável que vocês não cheguem a nenhuma conclusão óbvia.

Enfim, qualquer merda pode ser cultura, como também pode não ser cultura. Podem falar que a coprofagia é um traço cultural de uma sociedade. Assim como podem considerar que Chitãozinho & Xororó não seja cultura, porque é uma coisa alienante. Daí vamos para as subdivisões da Cultura. Cultura de massa, cultura popular, cultura erudita e sei lá mais quantas culturas.

A visão que as pessoas têm de cultura normalmente, é algo ligado a livros, cinema e música. Só que não qualquer um. Música é a música erudita (ou seja, qualquer coisa que toque na rádio não é cultura). A Literatura é a clássica (nada de Paulo Coelho, ou romances de banca de jornal). E filmes são aqueles de conteúdo (nada de Titanic, ou filme da Xuxa).

Também se admira muito as outras culturas. Aquelas exóticas, que nós queremos que fiquem eternamente naquele estado, para que possamos a apreciar como se fosse um espetáculo circense, e também as chamadas culturas superiores. Também gostamos de menosprezar as “culturas inferiores”.

Vez por outras os grupos ligados a “cultura” chegam à conclusão de que precisam organizar alguma coisa para movimentar a cultura local. Esse pessoal ligado a “cultura” costumam a ser um povo meio bicho grilo. Hippies, Indies, Alternativos e também intelectuais doidões.

Umas das coisas que ficaram populares nos últimos anos são as 24 horas de cultura, ou viradas culturais, jornadas culturais, ou qualquer nome parecido. É um evento no qual as pessoas resolvem recuperar todo um ano sem cultura, ou sem movimentação cultural, em apenas um dia. Aposto que no final, os organizadores dizem que os objetivos foram cumpridos, que eles conseguiram movimentar a cultura local, e mostrar o valor da cultura local, e que ano que vem eles estão aí de novo. Nos 364 dias seguintes a cultura permanecerá lá, esquecida. E isso nem é uma critica ao evento em si. Normalmente quando falamos algo do evento, podemos sofrer represálias de pessoas falando “nós fizemos nossa parte, mas você é livre para fazer algo melhor”.

Mas, a pergunta que eu faço é apenas se... As pessoas realmente ligam para cultura? As pessoas realmente sentem falta da cultura? Se elas vão nesses eventos para prestigiar a cultura, ou apenas porque vão ver um artista legal tocando, ou porque vão beber cerveja, sair com os amigos.

Falo do 24 horas de cultura no qual estive presente na tarde de sexta-feira. Ao chegar à UFMT escutei uma baita movimentação, som alto tocando sertanejo. Pensei que fosse algo ligado ao evento, mas não. Era em relação ao Intermed. As pessoas todas estavam indo na piscina, ouvir funk, beber cerveja e participar da putaria.

Vi varias meninas com trajes de banho, e, entre outras coisas, um cara com uma bóia no formato de pênis. De uns 40cm, mais ou menos. Lá nas barracas do evento cultural, tínhamos os organizadores das barracas. A barraca mais movimentada era a do bar. No palco, alguém promovia uma gincana cultural, na qual as equipes, entre outras coisas, deviam achar uma pessoa com o calçado “mais vermelho” (pense como se descobre que um calçado é mais vermelho do que o outro).

Enfim, pode ser realmente que a noite o movimento tenha sido outro. Que tenhamos tidos várias pessoas a fim de viver uma experiência cultural. Mas, não sei. Cultura é um negócio bizarro.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Os ETs estão chegando!

Olá a todos colegas terráqueos. Como tem sido noticiado através de correntes de emails, notícias em diversos sites, e através de um vídeo no youtube, em breve nosso planeta (a Terra) receberá visitantes alienígenas. Está marcado para o dia 14 desse mês, sem local específico ainda. Veja aqui a notícia.

Aqui no CH3 você já viu um pouco sobre os aliens, sobre os graus de contato possíveis de
serem feitos. Durante anos os seres humanos têm se preparado pra esse dia, e estudado todas as possibilidades. Como sabemos que a primeira coisa que os aliens farão quando chegarem à Terra será pedir para levámo-los ao nosso lider. Então, imediatamente, devemos levá-los a Chuck Norris. O que vai acontecer depois depende de alguns fatores.

Note, por exemplo, que ninguém falou que raça de alienígenas virá a nosso planeta. Existem inúmeras raças diferentes por aí, oras. E, apesar da mensagem dizer que eles querem trazer paz e amor ao nosso planeta, nós não somos burros. Nós temos conhecimento, adquirido dos vários filmes que já vimos que, quando aliens dizem isso, quer dizer que eles querem trazer a paz ao planeta nos dominando ou exterminando nossa raça. Vejamos algumas possibilidades:

Nossos invasores podem ser os Greys, provavelmente os mais populares. São aqueles magrelos cabeçudos de olhos pretos e pele cinza que só andam nus. Se forem eles, a primeira coisa que vão fazer vai ser nos humilhar com seu intelecto incrivelmente superior. Vão mostrar computadores mais inteligentes que os humanos, vão fazer robôs capazes de sentir emoções e vão vencer nosso campeão mundial de xadrez. Esses não vêm em paz, vão nos subjugar com suas armas tecnológicas avançadíssimas e nos escravizar.

Se formos visitados pelos ETs de Varginha, podemos ficar tranqüilos. Eles são burros e só estão procurando um lugar tranqüilo pra cagar. Também não precisamos nos preocupar com os chupa-cabras, pois eles são só os animais de estimação dos greys, poderão ser facilmente eliminados.

Há os ETs, daquele filme do Spielberg. Esses também são pacíficos, pois além de bonitinhos e simpáticos, é provavel que caiam aqui por acidente, e tudo que eles vão querer é só voltar pra casa. E o dedo deles brilha e cura feridas.

Agora, se nosso planeta for invadido pelos skrulls, estamos condenados. Skrulls são criaturas transmorfas (podem assumir qualquer forma) e nutrem um ódio enorme pelos terráqueos. Eles procuram um planeta pra morar desde que o deles foi destruído por Galactus, e se quiserem morar na Terra, a primeira coisa que vão fazer vai ser dar cabo de seus habitantes. Mas não em ataque direto, eles vão se infiltrar em posições de prestígio na nossa mídia e política. Almejam cargos na Onu, na Interpol e na presidência dos EUA. Dizem até que Barack Obama na verdade é um alien skrull.

Há os gelgameks. Esses são problema. Porque, o que eles querem é formar uma nova raça procriando com a nossa. Isso vai ser terrível, porque, você já viu uma fêmea gelgamek? Já viu o órgão reprodutor dela? Nem queira.

Por fim, há o Alien. Se forem eles nossos invasores, já era. Nosso mundo vai pro pau em menos de um dia. Suas crias vão se espalhar pelo planeta brotando de nossas entranhas. Mesmo com os Predadores em guerra contra eles, estamos fodidos de qualquer jeito.

Enfim, não vai cair nesse papo de que a humanidade vai ser salva por criaturas boas e puras e vamos partir desse planeta maldito em um disco voador da Xuxa. Contente-se com o que tem, amigo terráqueo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Grandes dúvidas que não têm explicação

A Arte de se fazer a barba nas propagandas



Observe este propaganda. Pare o vídeo aos 11 segundos e observe a vasta e volumosa barba do ator. Pare o vídeo no segundo seguinte e observe como a espuma foi capaz de dissolver a barba do cara. Sim, com aquilo tudo de barba, ele precisaria cortá-la antes, senão ele ia foder a cara toda.

Observe então, aos 14 segundos como o individuo já não tem nenhum vestígio de barba em seu rosto. É como se o cidadão nunca tivesse tido um único pelo no seu rosto. Ou se eles tivessem sido arrancados com laser. O que reforça seriamente a conclusão do piloto do helicóptero. Com aquela barba bem feita, ele deveria ter saído de um laboratório da NASA há poucos segundos, não poderia ser um naufrago.

Se você quiser, você pode ver todas as propagandas de lâminas barbeadoras no Youtube. E você poderá perceber a mesma coisa. Os caras depilam o rosto do ator com uma técnica fantástica, que nós infelizmente não sabemos qual é, e depois passam uma espuma sobre o rosto já barbeado e dizem que a Gillette, a espuma, a fita lubrificante, o cabo flexível, ou qualquer outra coisa tenha feito isso.

Mas não! Isso é uma tremenda enganação. Você poderá lá ir comprar o barbeador de quatro lâminas, cabo de titânio, que faz a pele vibrar (e outras coisas já citadas no post do Guia Veja), e mesmo assim, sua barba não será tão bem feita.

Sim, porque as pessoas, digo, as mulheres e os adolescentes, podem não saber, mas fazer a barba não é legal. Requer uma paciência ritualística. Você corre uma série de riscos. Você pode se cortar, se arranhar, ter dificuldade para tirar alguns dos pelos no pescoço, ficar com os pelos encravados e enfim.

Mas a questão não é a enganação da propaganda. Todos nós sabemos que os publicitários estudam anos para aprender as táticas da enganação. A grande dúvida é saber a técnica usada para se fazer a barba dos atores das propagandas. Está sim, uma técnica perfeita, mas distante do grande público. Lasers? Óleo de castanha de caju? Urina de bode? Sabe-se lá o que eles fazem para ter o tal barbeado perfeito.

Pensem nisso.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sua vida

Saudações aos CHnautas. Durante essas semanas estive refletindo sobre a vida, sobre o tempo que passamos até chegarmos a ser quem somos hoje, e como nossa percepção sobre cada período de nossa vida muda conforme os anos passam. Bom, passei várias horas pensando nisso enquanto eu devia estar escrevendo minha monografia. Mas o que resultou disso tudo é o post de hoje, que diz um pouco sobre cada fase da vida de uma pessoa.
Digo, de um homem. Não é que esse texto seja machista, mas como nesse blog só tem macho, não podemos expressar com a mesma precisão as angústias vividas por mulheres. Mas elas podem da mesma forma apreciar esse texto.

5 anos: Você está nos primeiros anos de sua vida, não precisa se preocupar com absolutamente nada. Nada de chefe, professores filhos da puta, trabalho atrasado, aluguel, contas... Você pode passar o dia inteiro vendo desenhos, brincando, e a sua maior preocupação é ir pra escola, que é a coisa mais fácil do mundo, você vai tirar 10 em todas as matéiras. O mundo todo é seu!

7 anos: As coisas começam a complicar um pouco mais. Surgem os valentões na escola. A maldade infantil se desenvolve nessa fase. Nessa época você quase não tem contato algum com as garotas, e acha estranho aquele coleguinha que não anda com vocês moleques, mas vive brincando com as meninas.

12 anos: É o começo da sua adolescência. Chamar você de criança é uma ofensa mortal. Você provavelmente está cursando a 6ª série. É a pior fase da sua vida. Você é constantemente humilhado na escola. Você se sente o último virgem da 6ª série. Seus colegas contam os casos mais escabrosos possíveis sobre aventuras sexuais com a prima, sobre um primo que apresentou uma garota mais velha, etc. Tudo mentira, claro. Você tenta desesperadamente dar seu primeiro beijo. As garotas da sua sala começam a ficar com os caras mais velhos, do primeiro ano. A partir daí, sua adolescência vai ser uma tortura e você não vê a hora de completar 18 anos. Aí sim a vida vai entrar nos eixos, você vai tirar a carteira de motorista e acha vai fazer sexo o tempo todo.

18 anos: Tirar carteira de motorista é mais complicado do que parece. Você percebe que ter 18 anos não quer dizer sexo o tempo todo, porque isso também é mais difícil do que parece. Mas você se sente o cara mais maduro do mundo. Você tem 18 anos, pô! É a encarnação da maturidade! Claro que isso é uma grande mentira. Você, se não for burro ou se não estiver tentando fazer medicina, provavelmente já vai estar entrando pra faculdade, ou a pouco tempo de entrar. Vai ser uma das fases mais marcantes na sua vida.

20-21 anos: Insegurança total quanto ao seu futuro. Você começa a perceber que a vida não é tão fácil de se ganhar e bate o desespero.

25 anos: Você já se formou e tem um emprego. Mas você percebe que precisa de mais grana pra se manter. A pressão é grande, seu pai quando tinha sua idade já estava construindo uma casa e você ainda mora com a sua mãe. Você sente uma situação de urgência imensa, sente que seu tempo está acabando, mas não sabe que tempo é esse.

27 anos: Pô, como assim?? Você ainda mora com a seus pais!! Conseguiu um emprego melhor, mas ainda tá complicado passar um mês com seu salário.

30 anos: Pronto, você já tem sua própria casa. Alugada, ou financiada, não importa. Você saiu da casa dos pais. Mas... Que rugas são essas? E essa barriga crescendo cada vez mais? E cadê todo aquele cabelo? Assim você não faz mais sucesso na balada. Peraí, que balada?? Acabou essa época, rapaz. Você ainda está solteiro! Precisa arrumar uma esposa logo. Seu tempo está acabando, não quer ficar pra titia, quer?

35 anos: Você está casado e tem um filho/filha que é um capeta!! Você trabalha até mais tarde para sustentar os novos membros da família. As crises no casamento começam a aparecer. Você, é claro, tem a opção de resolver as coisas ou se divorciar.

45 anos: Sintomas da decadência física. Toda vez que você encontra seus amigos, você percebe que estão conversando sobre pressão arterial. Você insiste em ficar forte como um touro! Mas é tão cansativo...

A partir dessa idade você já tem uma boa noção do que vai ser sua vida. Você fica mais reflexivo sobre tudo que já fez. Ou ao menos acredito que seja assim. Só tenho uma vaga idéia do que é ter mais de 50, afinal, eu sou novo, pô, como vou saber? Só sei uma coisa: Você devia ter aproveitado mais seus 5 anos de idade: vendo mais desenhos, comendo mais porcarias, fazendo mais sujeira, perturbando mais seus pais. Depois disso, tudo é um saco.

sábado, 4 de outubro de 2008

A Hora da Verdade


É amanhã, caros leitores eleitores. É amanhã que se separam os homens dos meninos. O joio do trigo. Amanhã é o dia das eleições municipais. E você, com toda a sua inteligência já deve ter escolhido o seu candidato. E com toda a reflexão, com todo o pensamento, a escolha é óbvia. É lógico que você escolheu Hanz, o pansexual para governar nossa cidade.

Isso é lógico. Hanz tem as melhores propostas. Tem o melhor currículo do que qualquer outro candidato. Além de ser o mais honesto e outras coisas.

Comparem:

Se A era pobre, Hanz também. E não ficou rico, o que prova que ele é bem mais honesto do este candidato.

Hanz tem mais amantes do que B. Dizem que o B tem três. Já Hanz é amante do universo inteiro.

Se C tem fama de pegar travestis, Hanz também os pega. E pega a família inteira do travesti dependendo da situação.


Se o pai de D foi assassinado, o pai de Hanz é que queria assassiná-lo. Uma história bem mais trágica, e nem foi no programa da Xuxa.

E o Jingle de Hanz é tão bom quanto do procurador Mauro.

E também podemos analisar os discursos e propostas dos candidatos, e aí então a superioridade do Hanz se torna esmagadora. Diria que até humilhante para a vã existência de seus concorrentes.

Walter Rabello não tem nenhuma proposta. A única que ele tem é de trazer o gabinete do prefeito para o térreo do Alencastro. Porque assim ele poderia atender seu povo sem burocracia. Além da genial proposta de construir uma vila Olímpica dentro do ginásio Dom Aquino! Oras, vila Olímpica é o nome do lugar onde os atletas dormem! São casas, prédios, restaurantes! Como é que ele vai construir isso dentro de um ginásio! Hanz pretende levar o gabinete do prefeito para o subsolo do Alencastro. Porque no escurinho, e em baixo, é mais gostoso.

O Procurador Mauro tem 1 minuto por dia na TV. E ele usa esse tempo para falar da beleza do Jingle dele. Oras Hanz não faz isso, porque ele não precisa avisar que o jingle dele é bom. As pessoas percebem só de escutar.

Wilson Santos fala coisas geniais como: “Estamos transformando Cuiabá na cidade mais bem iluminada do Brasil”. Além de tantas outras coisas que fazem Cuiabá parecer a cidade mais bem estruturada do planeta. Hanz tá aí para apagar todas as luzes. Aliás, a maior parte já está apagada mesmo.

Mauro Mendes pretende asfaltar 500km em bairros da capital. Como se algum reles mortal fosse perder tempo para conferir se ele realmente vai fazer isso. Tipo “asfaltou só 449km”. Hanz não quer asfaltar nada. Ele quer que fique tudo na lama. Porque a política já é uma lama mesmo, e além do mais, rolar na lama é uma delícia.

E Valtenir Pereira nem sabe o que fala. Ele só sabe falar que o pai foi assassinado. Ou falar que vai fazer um governo socialista (ele sabe o que é isso?). Aliás, ele mal sabe falar.

Portanto os fatos estão aí. Hanz o pansexual é o mais preparado, experiente, rodado, e todas essas besteiras que vocês já cansaram de escutar.

Então, amanhã é Hanz, 69. Porque 69 é mais gostoso.

A ordem de citação dos adversários foi feita por sorteio.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Diário de um criminoso

Há quem costuma dizer que a vida não é gentil com todos. No meu caso, eu não sou gentil com a vida. Meu nome é Carlos Rosenberg. Eu sou um criminoso. Fui preso várias vezes. Estou foragido da justiça por uma lista de crimes do tamanho do seu braço. Não espere misericórdia de uma pessoa como eu. Uma mente criminosa.
Cada dia que eu respiro é uma guerra contra a vida. E eu estou ganhando. Estou prestes a relatar um dia de batalha. Um dia de minha vida. Deixo claro desde já que minha história não é para os fracos. Portanto, se você é daqueles que no cinema, fecha os olhos nas cenas mais brutais, pare de ler aqui. Se você quer saber como vive um criminoso profissional todos os dias e está disposto a correr os riscos, continue, ciente de que talvez você nunca mais será o mesmo:



Ontem eu acordei tarde. Não sou do tipo que pratica hábitos saudáveis pela manhã. Nada de malhar ou caminhar pelo parque, nada de café da manhã com leite e frutas. De manhã eu como batata-frita com coca-cola. E passo ketchup nela.
Sem ter o que fazer pela manhã, peguei o telefone para ligar para minha garota e marcar um encontro mais tarde. Estava ocupado. Então resolvi discar um número qualquer. E passei um trote. Incrível como as pessoas ainda caem no trote do fusca verde. Aquilo me deu um prazer doentio, e fiquei a manhã inteira passando trotes.
Chegou a hora do almoço, fui a um restaurante próximo de minha casa. O garçom que me serviu parecia ser uma boa pessoa. Pensam que eu dei gorjeta para ele? Não. Nem um centavo. Pobre sujeito. Se eu fosse capaz de sentir remorso, com certeza estaria sentindo agora.
Me preparei para ir trabalhar em seguida. Sim, até um criminoso como eu tem um emprego. É difícil esconder meu passado, mas com esforço eu consigo. Peguei meu carro e na rua, ultrapassei um sinal vermelho. Atrapalhei o bom funcionamento do trânsito e isso não me afetou em nada. Continuei dirigindo como se nada tivesse acontecido.
Desci do carro, peguei um chiclete. Joguei o papel no chão. Poluí o ambiente que eu vivo. Deixei aquele papel no chão para as futuras gerações. Entrei no trabalho, meu chefe como sempre me aporrinhando. Às 16:00 ele me cobrou um relatório. Senti tanta raiva do cretino que atrasei o relatório de propósito. Eu poderia ter entregue às 16:30, mas ao invés disso entreguei só às 17:00.
Finalmente o expediente chegou ao fim e fui encontrar minha garota. Dei flores pra ela, e ela se encantou muito com a surpresa. Mal sabe a pobre coitada que eu havia roubado as flores do jardim de meu vizinho. Depois do encontro, lembrei-me que tinha marcado uma partida de pôquer com os colegas. Dei uma passada no supermercado para comprar algumas bebidas e aperitivos. A fila estava enorme. Sem pensar, entrei na frente de dois clientes. Isso mesmo, furei a fila!! Sem dó, sem me importar com ninguém, passei na frente das pessoas!
Pra completar, durante o jogo de pôquer, roubei sem escrúpulos. Trapaceei profissionalmente, de um jeito que só uma mentre doentia poderia. Cartas na manga era o mínimo. Vocês não fazem idéia.
Cheguei em casa já era 1:30 da manhã. Fui pra cama sem escovar os dentes. Só de pensar que o dia seguinte seria tão terrível quanto esse, quase senti um frio na barriga. Tenho pena de quem cruzar meu caminho.


Eu... Eu sou mau.