sexta-feira, 29 de março de 2013

Redação Enem nota 10: sustentabilidade


Muito se tem falado na sociedade atual sobre a importância de obter um crescimento sustentável. A chamada sustentabilidade seria a chave para garantir o futuro das nossas futuras gerações, em um planeta que ainda tenha acesso aos recursos naturais. No entanto, o tema ainda gera polêmica entre os setores produtivos e conservacionistas.

É preciso lembrar que boa parte dos avanços da humanidade estão atrelados a agricultura, que possibilitou que nós deixássemos de sermos nômades. Assim sendo, pau que nasce torto nunca se endireita, menina que requebra a mãe pega na cabeça. Domingo ela não vai, vai, vai. Então, chegamos em um momento em que é preciso repensar nas nossas estratégias.

Nos últimos anos, o planeta tem demonstrado sinais de esgotamento dos seus recursos naturais. Portanto, segura o tchan, amarra o tchan, segura o tchan tchan tchan. É preciso urgentemente que nós encontremos um meio de continuar crescendo, mas sem almentar ainda mais o desmatamento, trazendo graves consequências, como o aquecimento global.

Acredito que a sustentabilidade seja a resposta para o futuro. Tudo o que é perfeito a gente pega pelo braço, joga ela no meio, mete em cima e mete em baixo. Depois de nove meses você vê o resultado. Segura o tchan. Porque depois, não vai adiantar chorar sobre o leite derramado. O desmatamento pode ter consequências graves para o planeta, provocando escazes de alimentos. Tudo pelo desejo incontrolável de desmatar.

Agora, para não ficar muito cansativo, eu vou ensinar vocês a fazer uma receita de miojo de frango. Uma receita muito simples de fazer. Primeiro, vá até o supermercado e compre o Miojo. Certifique-se de que você tem uma panela e um fogão em casa. Verifique o gás. Coloque 300ml de água dentro da panela e espere-a ferver. Coloque o miojo na água e espere três minutos. Jogue a água fora, misture o tempero e bom apetite!

Dessa maneira, acredito que o planeta terra ainda irá sobreviver por muitos anos.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Guia CH3: Como deixar o Big Brother Brasil mais interessante


Não é novidade para ninguém que a audiência do Big Brother Brasil vem caindo ano após ano. Sim, ele ainda é um sucesso de público, mas a audiência da edição de 2013 é muito inferior àquela registrada em sua estreia no ano de 2002. A Rede Globo sabe disso e é por isso que a cada ano ela vem trazendo novas ideias para o programa. Ideias que consistem basicamente em trazer ex-participantes de perfil polêmico, aumentar o grau de imprevisibilidade e estimular o atrito entre os 'brothers'.

Não vem dando muito certo, como a queda da audiência mostra. Para promover uma verdadeira mudança no programa é preciso de ideias realmente novas.

Primeiro é preciso pensar no perfil dos novos participantes, porque eles representam o fato novo do programa. Ninguém está interessado em ver o Kléber Bambam chorando novamente por uma boneca de lata. Agora, ver um novo participante chorando por um vibrador de látex é algo maior. Portanto, ao invés de esperar por vídeos enviados pela internet ou procurar pessoas na praia, a produção do programa deveria investir em hospícios. Ou então, contratar uma equipe de psiquiatras, que iriam emitir laudos apontando pessoas com distúrbio bipolar, déficit de atenção, TOC ou outros transtornos populares em nossa sociedade atual.

Para chamar a atenção para o programa seria melhor chamar algumas pessoas famosas, ao invés de ex-participantes polêmicos. Mas não, não falamos de subcelebridades integrantes de A Fazenda. Porque não colocar Fernandinho Beira-Mar, o goleiro Bruno, Suzane Von Richthofen dentro da casa? Imaginem a emoção no dia do paredão. Seria preciso colocar uma equipe do Bope ao redor do estúdio e montar um esquema de segurança máxima para evitar a fuga de prisioneiros de alta periculosidade.

Com tantos psicopatas e homicidas dentro da casa, seria preciso dar uma mudada no cenário. Que tal decorar a casa com facas e outros objetos pontiagudos? O líder ganharia, além da imunidade e um quarto separado, o acesso exclusivo a um estoque de armas do exército. Fuzis, rifles, bazucas e granadas. Isso ajudaria a manter o clima de tensão dentro da casa, além de ajudar a polemizar nas redes sociais e com as organizações de direitos humanos.

As provas de resistência também poderiam ser mais emocionantes. Que tal mergulhar os participantes dentro de uma piscina de ácido em troca de um carro? Vamos colocar os 'brothers' em situações realmente humilhantes. Também poderíamos importar aquele campeonato de sauna, aquele em que os participantes ficam expostos a temperaturas ridiculamente quentes, aquele em que o vencedor ganha algum dinheiro e os perdedores ganham no máximo um parabéns, pela sorte de não terem morrido.

As provas da comida precisam ser revitalizadas. Os participantes seriam acordados de manhã e seriam informados que a comida está toda na dispensa, mas que há um porém. Há um Leão dentro da dispensa. Durante a próxima semana vocês precisam encontrar um meio de se alimentar. Vocês podem tirar o Leão lá de dentro, deixá-lo lá, mas não o deixem comer toda a comida. Em compensação, não o deixem completamente sem comida, porque ele poderá comer você. Quaisquer maus-tratos aos animais serão reportados diretamente ao Greenpeace e a outros fundamentalistas do mundo animal.

Poderíamos dar mais emoções às festas, também. Que tal uma festa do sinal? Ou, melhor ainda, uma festa do cabide. Festa do cabide rolando madrugada adentro, minando a concorrência da Bandeirantes. Na TV Paga, o Multishow já é acostumado com este tipo de programação mesmo. As 'sisters' sairiam da casa diretamente para a Brasileirinhas, ao invés do Paparazzo ou Playboy.

Por fim, precisamos arrumar alguma coisa para o Pedro Bial. A melhor solução seria tirá-lo do programa, evitando que os seus discursos cafonas sejam divulgados. Mas, infelizmente, sua participação faz parte do charme grotesco do show. Para divertir ainda mais a audiência, o apresentador poderia falar coisas como “flor fulgurante do Jardim do BBB” vestido de palhaço ou com uma mandioca enfiada no sapato.

Ou, melhor, Bial poderia ficar o tempo todo dentro da casa com os participantes. Participando dessa luta diretamente, conhecendo as intrigas por dentro, sem ser influenciado pela opinião pública. Melhor ainda, ele poderia ficar lá dentro durante o ano inteiro.

segunda-feira, 25 de março de 2013

A farsa do sorvete napolitano

Sei que minha opinião já não será das mais polêmicas. Nos últimos anos, muitas pessoas já têm alertado para a farsa que é o sorvete napolitano. Mesmo assim, acho importante escrever este manifesto. Porque todo alerta é pouco. Porque talvez possamos aqui juntar os descontentes, aqueles que estejam se rebelando e queiram lutar contra este mal que assola a humanidade.

Teoricamente, o sorvete napolitano é a união do melhor de três mundos. Juntos dentro de um pote estão três dos sabores mais populares do planeta, capaz de agradar o paladar médio de vários cidadãos. Lá está o sorvete de morango – com seu rosa chamativo, lá está o sorvete de chocolate – preferência nacional, e lá está o sorvete de creme – aquele que combina com tudo.

Esta bola também é uma farsa. Impossível
obter tanta simetria em um pote comum
Era para ser perfeito. A paz mundial poderia ser selada ao redor de um pote de sorvete napolitano. Católicos e protestantes poderiam deixar as diferenças de lado, ou celebrá-las juntos, porque uns preferem chocolate, outros preferem morango, não importa: o napolitano dá oportunidades iguais para todos. Uma metáfora para a vida.

Mas não é perfeito. O pote de sorvete napolitano não apresenta todo o equilíbrio que ele sugestiona, por uma razão simples: o sorvete de morango é horrível e acaba sendo descartado pelas pessoas. Faça o teste. Vá até a casa de diversas famílias brasileiras e você encontrará sorvete napolitano em várias geladeiras. Abra o pote e perceba como o mesmo foi cavado desigualmente. Muito provável que você encontre uma ladeira, com a parte do morango mais alta. Em casos mais extremos, você encontrará apenas o sorvete de morango milimetricamente deixado de lado.

Há ainda outro fato inconveniente: mesmo o sorvete de chocolate do napolitano é pavoroso. Prove um sorvete apenas de chocolate e compare com o chocolate napolitano. A diferença é enorme. O mesmo acontece com o creme. A minha teoria é de que o napolitano é apenas uma massa de sorvete sem sabor colorido artificialmente. Ele nunca entrou em contato com nenhum vestígio de morango ou chocolate.

Mesmo assim, porque as pessoas insistem em continuar comprando o napolitano? Porque insistem em continuar comprando esse sorvete que não traz sorrisos ao rosto de ninguém?

Acredito que é o resultado de uma sociedade consumista que quer levar vantagem em tudo. Da mesma maneira que você compra coisas que jamais vai usar apenas porque estão em promoção, você compra o napolitano por acreditar que vai levar vantagem. Afinal, são três em um, tem para todos os gostos. O sabor da vantagem acaba sendo melhor do que o sabor do sorvete.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Begins – Part II

Na sequência do post anterior, algumas sugestões de continuações para alguns dos grandes sucessos de Hollywood.

Titanic 2
James Cameron voltaria para dirigir essa história sobre a expedição submarina que conseguiu localizar os destroços do Titanic em 1985. Paralelamente, o casal Josh e Rachel vive uma tórrida paixão no periscópio do submarino. Quando finalmente encontram o barco, se surpreendem ao ver o corpo de Jack (Leonardo di Caprio) intacto, olhando fixamente para a pintura que ele fez de Rose. Entre as inúmeras descobertas, um acidente provoca o naufrágio do submarino. Josh e Rachel terão que decidir: apenas um dos dois conseguirá escapar.


 Gladiador – Begins
O filme contaria a infância do gladiador Maximus. Sua juventude lutando com animais, escalando colinas e treinando suas habilidades com um mestre do extremo oriente. No momento crucial do filme, Maximus tem que decidir se continuará trabalhando na venda do pai, ou se seguirá a carreira de gladiador, buscando um futuro melhor para os seus familiares. Mesmo que isso lhe custe a vida.

Gandhi 2
A cinebiografia de Mahatma Gandhi, que ganhou o Oscar em 1983 e imortalizou Ben Kingsley no papel principal, retrata toda a vida do guru indiano, desde o seu nascimento, até o seu assassinato. Teoricamente, seria impossível realizar uma continuação, não é mesmo? Claro que não. Em Gandhi 2, ele se transforma em um zumbi que ataca pessoas que tomam banho no rio Ganges.


O Guarda-Costas 2
O quase sessentão Kevin Costner leva uma vida tranquila, aposentado pelo INSS após ser baleado em serviço. Ele então vê a notícia da morte de Whitney Houston, se sente mal por não ter conseguido salvar sua protegida e resolve voltar ao trabalho. Costner é contratado para proteger a cantora Rihanna. Entre diversas cenas de fuga de carro e situações que sugerem uma tensão sexual, o ápice do filme ocorre no final. O namorado de Rihanna tenta espancá-la e Kevin Costner impede o assassinato.

Independence Day 2 – A ameaça continua
Alienígenas tentar invadir os Estados Unidos novamente, novamente no dia 4 de julho. Os produtores cotaram Will Smith para o papel de presidente norte-americano, mas ele não aceitou. A ausência de um grande astro reduziu muito os custos do filme, que mostrou os mesmos prédios do primeiro filme sendo destruídos, com efeitos especiais de péssima qualidade.

Ghost 2
Demi Moore e Patrick Swayze voltariam a reviver um dos maiores casais da história do cinema, em um romance que superou a morte. Sim, o charme do filme é que ele seria contracenado agora. Caso Swayze resolva não aparecer para as gravações, colocaremos Demi Moore moldando um vaso sobre um fundo verde com imagens de arquivo do galã.

O Resgate de Jéssica 2 – A História se repete
A jovem Jéssica cresceu tentando superar o trauma de infância, quando ficou presa dentro de um buraco no jardim da sua casa. Jéssica se transforma em uma profissional bem sucedida e constrói uma bela família, mas, como se fosse uma maldição, um novo drama familiar a atinge. Ela e a filha caem dentro de um bueiro no Rio de Janeiro e precisam ser resgatadas rápido, antes que o bueiro exploda.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Part II - Begins

O cinema é uma indústria que vive de lucros. Sim, não há nenhum demérito nisso, só estou utilizando essa frase para construir um raciocínio lógico. O que os produtores de Hollywood querem é ganhar dinheiro e para isso pouco importa se o filme será uma obra de arte ou um passatempo que serve como plano de fundo para o consumo de pipoca extremamente salgada.

Assim sendo, quando um filme atinge cifras milionárias na sala de cinema, o filme se transformar em uma marca a ser explorada e os produtores pensam nas suas continuações. Nossas salas ficam infestadas de sequências de “Velozes e Furiosos” e “Transformers da vida.

O principal problema das continuações é que, com algumas exceções, elas são pavorosas. Poucas são como “O Poderoso Chefão” ou “O Senhor dos Anéis”, planejadas como trilogias e que foram sucesso de público e crítica. Poucos são como “De Volta Para o Futuro” ou “Indiana Jones” cujos filmes possuem igual capacidade de entretenimento (ok, o 4º Indiana Jones é sacanagem). Temos ainda Rocky, mesmo com o vacilo do quinto filme e “O Exterminador do Futuro”, um raro caso em que a continuação é bem superior ao filme inicial.

Nos últimos anos, também entrou na moda fazer filmes no estilo “A Origem” (Begins, não Inception), talvez por influência do sucesso de Batman Begins. Geralmente, como não é possível arruinar o futuro da história, resolve-se desgraçar o seu passado. É o caso de “O Planeta dos Macacos”, “O Silêncio dos Inocentes”, entre outros.

As piores continuações.

Para elaborar a lista a seguir, utilizei o critério de que o primeiro filme tenha sido pelo menos razoável dentro daquilo a que ele se propunha. Não adianta citar “Velozes e Furiosos”, porque todos foram uma porcaria.

E o Vento Levou 2. Se o primeiro filme definiu o conceito de épico no cinema, contando a saga de Scarlett O’Hara durante a guerra civil norte-americana, essa continuação tem Timothy Dalton (o 007 fracassado) que fora de Clark Gable. Lançado 55 anos depois do original, sua exibição ficou restrita ao Intercine e parece uma novela das 6 piorada.

O Exorcista 2: O original, de 1973 é o filme mais assustador jamais produzido por Hollywood. Estou com medo apenas por citá-lo. Esta bizarra continuação mostra Linda Blair sendo possuída novamente pelo demônio. O que acaba com o filme é a invenção de uma máquina capaz de sincronizar mentes através da hipnose. Como assim?

Meu Primeiro Amor 2. O primeiro filme era bobinho ao extremo, mas fez várias garotinhas suspirarem e chorarem. Anos depois, a menina volta a ter um primeiro amor. Ok, a tradução não ajudou, mas o filme é péssimo mesmo assim.

Mad Max 3. O primeiro filme tem um ar Cult com Mel Gibson muito louco em uma estrada. O segundo tem o charme de se passar em um cenário pós-apocalíptico. O terceiro filme tem Tina Turner e um monte de aberrações. Por incrível que pareça, este foi o que mais fez sucesso no Temperatura Máxima.

Tubarão 2, 3 e 4. Os efeitos especiais e a trilha sonora marcante são o destaque do primeiro sucesso de Steven Spielberg. A continuação conta exatamente a mesma história, só que mais tosco e com um roteiro sem sentido. O tubarão já tinha morrido no primeiro filme! Ainda foi feito um terceiro Tubarão, contando a mesma história de maneira ainda pior, tendo um parque aquático como cenário. Como se desgraça pouca fosse bobagem, ainda fizeram o Tubarão 4, cuja única proeza é ser muito pior do que as outras continuações.

Doze Homens e Outro Segredo. O primeiro filme tinha um elenco estrelar e um roteiro esperto que garantia o entretenimento do público. A continuação tem um elenco estrelar em um roteiro péssimo. Também fizeram um terceiro filme e a série foi interrompida antes que chegassem a Catorze Homens e ainda mais um segredo.

Debi & Lóide 2. O original é uma comédia tosca, mas que é divertida. A sequência é surreal, com atores diferentes e piadas que ofenderiam até o Rafinha Bastos. Ao que tudo indica, uma terceira continuação com Jim Carey e Jeff Daniels será lançada ano que vem. Dois malucos no asilo, provavelmente.

Um Morto Muito Louco 2. Quem é que teve a ideia de fazer um segundo filme com o mesmo defunto dançante? Arruinaram um clássico da Sessão da Tarde.

Jurassic Park 3: “O Mundo Perdido”, a continuação dessa história de dinossauros clonados, era fraquinha, mas passável. Já o terceiro filme... Céus, quantas ilhas com dinossauros existem naquele lugar? Não há argumento possível para o filme. A situação só piora com os velociraptors que matam por maldade.
Muito inteligentes

(to be continued...)

segunda-feira, 18 de março de 2013

Exóticos seres horoscópios

A milenar indústria dos horóscopos fez com que nós nos acostumássemos com uma série de seres estranhos representados em constelações que regem a vida humana. Mas, você já parou para pensar no que é Áries?

ÁRIES
Áries nada mais é do que um carneiro. Sim, um carneiro, destes que andam em montanhas europeias. Só que um carneiro não tem nada de místico, enquanto que “Áries” parece algum ser supremo.
Observe que a constelação é muito semelhante a um boi desenhado por crianças da pré-escola. Higino, poeta maconheiro da Roma Antiga, acreditava que a constelação representava um carneiro que tinha pelos de ouro e carregou duas crianças através de um estreito. Terminada a caminhada, ele resolveu ir para o céu por conta própria.

TOURO
O touro, felizmente é um animal que todos nós conhecemos. Chifrudo, forte, maltratado em rodeios. O touro representado nas estrelas esteve presente em uma saga que envolve traição, cobiça, vingança e o labirinto do Minotauro, aquele lutador de MMA.
Podemos observar que você precisa de muita imaginação para enxergar um touro no meio dessas estrelas. Eu mesmo, só consigo ver o cachorro Pitoco.
GÊMEOS
Você aprendeu isso na biologia. Durante a reprodução sexual dos humanos, alguma coisa saí do padrão e no primeiro exame de ultrassom é constatado que a mulher está grávida de gêmeos, provocando desmaios generalizados. Depois, é preciso pensar em uma maneira de diferenciar os gêmeos idênticos.
Aqui vai um ponto para o inventor do horóscopo. Esta constelação realmente se parece com dois bonecos palitos gêmeos.

CÂNCER
Aqui, o câncer não se refere a mutação genética que promove uma multiplicação desenfreada de células. O câncer é um simples e singelo caranguejo, inconformado por ter participado de algum comercial de cerveja em que ele rebolava.
Sim, eles enxergaram um caranguejo nisso e, mais do que isso, um caranguejo gigante que tentou matar Hércules, mas foi pisoteado por ele. Eu a chamaria de constelação de graveto.
LEÃO
O rei da floresta, em um eterno embate político com George. O leão da constelação é o Leão da Neméia, que tinha o tamanho de um elefante e promoveu o caos na região. Hércules, sempre ele, apareceu e matou a criatura, utilizando sua pele para fazer uma jaqueta. Percebe-se que o autor do horóscopo praticava perseguição política contra Hércules, engrandecendo seus inimigos.
No mundo dos desenhos de criança, talvez pudesse ser um rato.
VIRGEM
O papa, ou qualquer outro indivíduo que nunca manteve relações sexuais. O vulgarmente popular cabaço. O signo de Shaka, o homem mais próximo de Deus.
Eu, pelo menos, acho que essa virgem está com as pernas abertas de mais.
LIBRA
A secular moeda britânica, mas que aqui ganha o significado de uma balança. Mais do que isso, uma balança da justiça, segurada por Astreia que resolveu fugir da Terra ao perceber tanto horror e iniquidade entre nós. Tal qual o comandante do Zepelim do Chico Buarque.
Me parece mais um chapéu de cangaceiro.


ESCORPIÃO
Animal perigoso que mata criancinhas, jovens, adultos, idosos. Impiedoso. Na mitologia, como não podia ser diferente, este é um escorpião enviada a terra para matar alguém.
Constelação de J.
SAGITÁRIO 

O que porra é um sagitário? Um ser metade cavalo, metade homem que andava por aí, espalhando o terror empunhando um arco e flecha no melhor estilo Robin Hood. Fazia o maior sucesso com a mulherada, que fez pressão para que ele fosse eternizado nas estrelas.
Chimbinha a chamaria de Constelação de Cavalo Manco.
CAPRICÓRNIO
Uma cabra metida a besta. Apenas isso. Uma vez que cabras não tem muita ambição, preferiram chamar de capricórnio o cabrito amamentado junto com Zeus.
Sem sacanagem. Aquela brincadeira de ligar os pontos devia ser muito surreal na Grécia Antiga. Onde é que eles viram uma cabra nesta porra?
AQUÁRIO
Eu sempre achei que os aquarianos ficaram muito prejudicados no jogo de força dos horóscopos. Todos os outros signos são representados por animais imponentes e mortíferos, mas o aquário é apenas um recipiente para guardar peixes.
Também conhecido como “O Grande Gorfo”, óleo em tela 1789.
PEIXES
Assado, frito, grelhado, empanado, ensopado. Com limão, azeite, alho, cebola, alcaparras. Provavelmente este foi o destino de Vênus e Cupido, que, em um processo kafkaniano, se transformaram em peixes e caíram no rio Eufrates.
Mais uma prova do uso de fortes substâncias ilícitas por parte dos gregos, romanos e etc. No máximo, esta deveria ser a constelação de virilha.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Debate Filosófico: pontificado brasileiro

Não há como negar que o grande assunto da semana foi a posse do novo papa. O argentino Jorge Mário Lobo Zagallo, digo, Bergoglio, assumiu o pontificado e passará a ser conhecido como Francisco I. Sua eleição frustrou milhares de brasileiros que se uniram em praças públicas para torcer pela nomeação de um papa brasileiro. Mas, não foi dessa vez que a maior nação católica do mundo ganhou o seu papa próprio.

O CH3, sempre na vanguarda da informação, resolveu convidar ilustres pensadores para discutir a questão, dando sequência a nossa épica série de debates filosóficos. Nosso anfiteatro esteve lotado novamente, com a presença de ensaístas, trapezistas, ortopedistas, canoístas, teólogos, astrólogos, filólogos e membros da juventude bolchevique.

Após uma breve vinheta de edição acelerada ao som de uma música instrumental, Pai Jorginho de Ogum, o líder espiritual do blog, passou a comandar os trabalhos. Sem demais delongas, ele fez o questionamento: “porque a Igreja jamais nomeou um papa brasileiro em quase 2.000 anos de existência?”.

O ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Mano Menezes, disse que o problema está na formação de novos padres. Segundo ele, o Brasil não tem investido o suficiente nas categorias de base e o resultado é sentido pela atual geração. Mano ainda completou seu raciocínio, dizendo que é urgente a reformulação dos nossos seminários e um estímulo maior aos coroinhas. Ele defende uma padronização deste trabalho, para que tenhamos a volta do jeito brasileiro de rezar uma missa.

O biólogo Richard Dawkins, contra-argumentou dizendo que Deus era um delírio e, sendo Deus um delírio, logo Jesus seria outro delírio e a Igreja Católica também seria um delírio. Rafinha Bastos riu e perguntou se o debate também seria um delírio. Algumas pessoas riram brevemente e René Descartes levantou a mão dizendo que tinha a resposta para esse questionamento, mas não foi levado a sério.

Diogo Mainardi questionou o pensamento em questão e lembrou que o Brasil existe há apenas 500 anos e que a Igreja ainda é uma instituição relativamente nova no país. Ele afirmou que a Revista Veja tem provas cabais de que o PT teria influenciado a eleição do papa argentino em um esquema com a presidente Cristina Kirchner, que teria como objetivo promover o socialismo na América Latina. Hugo Chávez levantou a mão e esbravejou contra os impropérios ditos pelo filho da imprensa burguesa. Chávez só se acalmou quando foi lembrado de que está morto desde a semana passada.

Sempre polêmico, Rubinho Barrichello atribuiu a derrota do brasileiro a perseguição internacional contra os tupiniquins. Ele afirmou que Dom Odílio era apenas um brasileirinho no meio disso tudo e que os alemães estão prejudicando nossos conterrâneos desde o Grande Prêmio da Áustria de 2001. Confiante, Rubinho garantiu que este ano o título da Stock Car não lhe escapará.

A blogueira Yoani Sanchez tentou emitir alguma opinião sobre o assunto mas foi constantemente impedida pelos membros da juventude bolchevique. Antes do encontro, eles divulgaram uma nota informando que repudiariam toda e qualquer manifestação desta porca capitalista e negaram que seu líder fosse Bruno de Lucca. Era apenas alguém muito parecido, mas que logo irá fazer uma cirurgia plástica para corrigir este erro da natureza.

José Wilker levantou a mão e argumentou que os argentinos não estavam na frente apenas nos quesitos episcopais. Ele lembrou que os hermanos têm o melhor jogador do mundo e que também ganharam o Oscar primeiro. “Os argentinos tem um cinema muito melhor que o nosso”, disse. Rubens Edwald Filho contestou a afirmação do colega e lembrou os grandes filmes nacionais que estão na sala de cinema, como Tainá e De Pernas pro Ar 2. Edwald ainda argumentou que a falta de um Oscar para o Brasil é fruto do preconceito dentro da Academia. Rubinho Barrichello gritou “eu disse!”.

Dom Pedro acredita
no poder do
trabalho
Jorginho de Ogum tomou a palavra novamente para perguntar se o Brasil terá um papa algum dia. Dom Pedro I afirmou que sim, Dom Pedro II que não, José Wilker disse que sim, visto que ainda há muito tempo para tudo acontecer e Richard Dawkins voltou a falar que tudo não passava de um delírio, Messi marcou dois gols e Neymar se jogou na grande área pedindo pênalti, alegando ter sido estuprado pelos adversários. Incitado a dar sua opinião, Jorginho de Ogum revelou que o mundo acabará antes desta data.

Trabalhos concluídos, tocamos o alarme de incêndio para facilitar a evacuação da área. Nosso anfiteatro já estava reservado para uma palestra de Quentin Tarantino. Ele, aliás, gostou do debate e disse que pensará em um roteiro sobre um papa brasileiro que enfrenta a tirania internacional para chegar ao poder.

terça-feira, 12 de março de 2013

Entendendo: o Conclave

O conclave é a cerimônia através da qual a Igreja Católica escolhe seu novo representante máximo, o papa. Ao contrário de outros processos eleitorais que ocorrem regularmente, o conclave só acontece quando o posto está vago, geralmente pela morte do antigo papa. No entanto, a renúncia de Bento 16 abre brechas na legislação e no futuro podemos até vislumbrar a oportunidade de a Veja provocar um processo de impeachment do sumo pontífice, com matérias apontando nepotismo ou a compra de uma Elba com cheque falso.

Uma vez que o papa anuncia que está fora, ou que os médicos anunciam que o papa morreu, a Igreja convoca seus cardeais do mundo inteiro para que eles venham até Roma votar. Aqueles que não comparecerem e não justificarem sua ausência ficarão inelegíveis e terão dificuldade em conseguir abrir crediário nas Casas Bahia. Como prova da modernização institucional da Igreja, para o conclave deste ano a convocação foi feita por meio de aparelhos de fax.

Feita a convocação, os cardeais tem um prazo de 15 dias para chegarem a Roma. Um prazo camarada, porque todos nós sabemos como é chato ficar sem poder abrir um crediário nas Casas Bahia. Além disso, o deslocamento dos cardeais não é assim tão rápido. Vocês sabem quanto tempo leva para fazer uma viagem de cavalo de Estocolmo até Roma?

Chegando na capital italiana, os cardeais são recebidos por membros da Guarda Suíça que irão conduzir os candidatos ao pontificado através de sinuosas ruas do Vaticano. O objetivo é despistar possíveis perseguidores e provar a fé dos padres. É preciso ser bem crente para manter a postura e a frieza enquanto se passa por ruas sombrias de uma cidade que você não conhece.

Os cardeais chegam na Capela Sistina e no edifício anexo da casa de Santa Marta. Lá dentro, eles deverão permanecer desconectados do mundo, lacrando seus celulares, smartphones, tablets e notebooks em um cofre. Por via das dúvidas, o wi-fi da Capela é desativado e a assinatura dos jornais é suspensa. Cada cardeal tem direito a companhia de três padres, com quem eles poderão se confessar e conversar sobre assuntos internos. É expressamente proibido que eles sejam informados sobre os rumos de Salve Jorge, ou os resultados da Champions League. Os infratores serão excomungados.

A rotina dentro da Capela durante o conclave não é das mais emocionantes. Os cardeais passam o dia inteiro rezando, comendo e votando. Quase igual aquele Best-seller que virou um filme com a Julia Roberts. Eles acordam, rezam, votam, rezam, almoçam, rezam, votam, fazem um lanche e voltam a votar. Para que alguém seja eleito novo papa, ele precisa de 2/3 dos votos dos cardeais. Algo difícil quando a propaganda eleitoral é proibida.

Pode ser que tudo seja definido na primeira votação, mas pode ser que o processo se estenda por até 34 sufrágios. Se o consenso não for obtido após 20 votações, eles param por um dia, para pensar no que é que eles estão fazendo. Diz a história, que o lendário conclave de 1268 durou quase três anos e três cardeais morreram durante o processo. Para evitar que isso se repetisse, criaram as regras do conclave, que seguem até hoje.

Quando finalmente alguém é escolhido, eles rezam novamente para agradecer que tudo tenha acabado. Então, vem a famosa cena: a fumaça branca saí do teto da capela e alguém aparece anunciando “Habemus Papa!”. Em dez minutos, o novo papa aparece na janela, abençoa seu povo e anuncia seu nome artístico, para delírio da multidão que permaneceu dias na Praça São Pedro, provando sua fé na espera. Delírio dos jornalistas, que podem especular ainda mais.
Habemus Papa!
Há de se pensar em quão desgraçante é a vida do estagiário que tem que soltar a fumaça pela chaminé. Assim que os padres se reúnem para votar, ele sobe lá com o isqueiro na mão e tem que se preocupar em não fazer a fumaça errada. Vai que ele solta fumaça branca por engano? Geraria inúmeras interpretações conspiratórias, uma crise mundial e vários livros do Dan Brown.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Figurinhas do Trânsito


O Atropelador de Pedestres
Cidadão que sente prazer sexual em tentar atropelar pedestres. Sua intenção talvez não seja matar, apenas dar um susto, mas se alguém ameaça atravessa a rua em um ponto distante, ele acelera o carro. O Atropelador também gosta de avançar sobre aqueles que tentam atravessar sobre a faixa de pedestres. Se há algum carro parado em sua frente, ele corta caminho pelo meio-fio, xinga o carro parado e ainda fala para  o pedestre “depois não sabe porque é atropelado!”.

O Engenheiro do Quebra-Molas
O quebra-molas é apenas um elemento para forçar os motoristas a reduzir a velocidade. Para o Engenheiro não. Ele precisa desenvolver uma tática de guerra para transpor o obstáculo e para isso é capaz de parar seu carro, puxar uma fita métrica e realizar diversos cálculos sobre ângulo e força. Fica tão excitado, que se esquece de arrancar quando o gol é atingido.

O Atendente de Celular
Fruto da sociedade atual, em que atender o celular é a coisa mais importante do mundo. O atendente de celular literalmente para o trânsito para falar no telefone e desfilar lentamente pelas ruas da cidade.

O Retardatário da Pista da Esquerda
Sujeito que tem um fetiche em trafegar por velocidades baixíssimas na pista da esquerda. Baixíssimas mesmo, tipo, mais devagar do que andar de costas.

O abre-alas
Motorista que aparece no retrovisor repentinamente, como se estivesse no meio de uma corrida de Stock Car. Começa a jogar luz alta sobre você, na expectativa de que essa atitude seja capaz de te fazer desaparecer ou ser teletransportado para outro lugar. Costuma a ter uma rivalidade mortal com o Retardatário da Pista da Esquerda.

O Cortador de Caminhos
Para o Cortador de Caminhos, todo e qualquer centímetro deve ser aproveitado. Não importa se ele vai passar pelo acostamento ou até mesmo subir com uma roda pela calçada. Gosta de colocar o carro no meio de outros dois e de fazer fila dupla, mas seu fetiche mesmo, é fazer uma fila tripla em um retorno apertado.

O Aventureiro do Semáforo
O famoso caso do motorista que não pode ver um semáforo amarelo que acelera, mesmo que ele acabe passando pelo sinal fechado há cinco segundos, recebendo xingamentos e provocando um acidente entre duas motos. Em compensação, ele demora outros cinco segundos para arrancar quando o semáforo fica verde. A ciência estuda se este tipo de pessoa não sofre de um delay excêntrico.

O Intocável do cruzamento
Pessoa que sofre de uma enorme baixa-estima para entrar em uma rua mais movimentada, passar por um cruzamento ou rotatória. Mesmo no mais congestionado dos dias, ele espera que a pista fique vazia, só para ela e que de preferência um tapete vermelho seja estendido para a sua passagem.

O Fugitivo Inultrapassável
Indivíduo que anda calmamente em uma movimentada rua da cidade, exercendo seu direito constitucional. Porém, jamais tente ultrapassá-lo. Se você fizer isso, ele será tomado por uma fúria incontrolável e começará a acelerar até o infinito, passando por cima de três quebra-molas e desaparecendo no horizonte.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Matemática aplicada à sua vida

A matemática é um terror na vida de muitos alunos. Trabalhar com números é um pesadelo para a maioria das pessoas desde a época em que ela se resumia as operações básicas, passando pela radiciação, até chegarmos a um fabuloso mundo de letras e algarismos abstratos espalhados pelo papel.

Felizmente a matemática não é um problema para toda sua vida porque você jamais irá aplicar a maior parte das coisas que fingiu aprender durante os anos de colégio. Sim, você pode dizer que faz engenharia e que usa isso cotidianamente. Mas, nós achamos mais juto que você passasse um ano a mais na faculdade para aprender trigonometria, evitando que uma quantidade enorme de alunos com baixa auto-estima por tirar 1,3. Ao invés disso, professores deveriam ensinar coisas mais úteis para a vida dos alunos.

TRIGONOMETRIA
O que era: Tudo começava de maneira relativamente simples, com o teorema que dizia que a soma dos quadrados dos catetos era igual ao quadrado da hipotenusa. Depois, evoluía para um complexo esquema de cálculo envolvendo senos, cossenos e tangentes. Com essas contas torturantes, você descobre os tamanhos dos lados dos triângulos com apenas um lado.
Como você usa na sua vida: Algo muito útil se você tiver o hábito de medir o tamanho de árvores e edificações públicas a partir de sombras. Você nunca fez isso? Poxa.

ÁLGEBRA
O que era: Diversos cálculos envolvendo o X e o Y. Alguns fáceis, outros extremamente complicados que só eram respondidos com a fórmula de Bhaskara. Ah, Bhaskara. Os professores até reviravam os olhos de prazer ao citar seu nome e sua fórmula capaz de resolver todos os problemas da sua vida.
Como você usa na sua vida: Como, infelizmente, Bhaskara não resolve problemas financeiros ou emocionais, você nunca mais usará na sua vida. A álgebra poderia ter mais importância na sua vida, se as pessoas aprendessem a fazer regra de três. Mas, infelizmente, os professores preferem colocar crianças de 13 anos pra calcular que x+2(3/5-8) = 2y+7/2. (note o longo caminho até chegar a Bhaskara).

PROGRESSÕES
O que era: Sequências numéricas baseadas em uma constante. Apesar de parecer complicado, as progressões geométricas e aritméticas eram das partes mais simples da matemática.
Como você usa na sua vida: quando você quer impressionar alguém em uma conversa de bar e diz algo como “enquanto a produção de alimentos cresce em progressão aritmética, a população cresce em progressão geométrica”. Geralmente funciona.

GEOMETRIA
O que era: Cálculos sobre tamanho, dimensões e volumes das mais variadas formas geométricas. Tudo bem quando era um quadrado, um triângulo isósceles, mas quando chegava no hexágono ou no cilindro tridimensional a coisa desandava.
Seu pior pesadelo
Como você usa na sua vida: Invariavelmente você pode dizer quantos metros quadrados tem o seu banheiro. Quem sabe um dia você poderá sentar em um bar e calcular o volume do copo de cerveja que você está tomando. Mas eu duvido.

LOGARITMO
O que era: Um método de tortura medieval baseado em números grandes e pequenos acompanhados das letras “log” do inglês “Lucifer Our God” ou “Diabo nosso deus”.
Como você usa na sua vida: Para torturar pessoas. Imprima uma série de exercícios na internet e entregue para um prisioneiro de guerra. Se ele não resolver, recebe eletrochoques. Funciona melhor se você for do exército e seu país estiver em guerra com outro país.

FUNÇÕES
O que era: Um cálculo maligno que por fim acabava sendo misteriosamente projetado em um plano cartesiano. As funções de primeiro grau formavam uma reta, enquanto as de segundo grau formavam uma curva. A sua incapacidade de realizar os desenhos acabava por lhe tornar um homem fracassado.
Como você usa na sua vida: Por mais irreal que seja, a função não tem função na sua vida. O próprio plano cartesiano é um mistério. Ninguém nunca viu um fora das salas de aula.

MATRIZ
O que era: Uma espécie de sudoku hardcore, aquele joguinho de números japonês.
Como você usa na sua vida: Não sei se você usa. Mas ela está presente em todos os seus dias, como aquele trauma adormecido que você tem que enfrentar em busca de uma vida melhor. Todos os anos, hospitais psiquiátricos atendem milhares de pacientes que se contorcem e babam quando se lembram desse período de suas vidas.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O Fim da Violência no Futebol


O resultado foi considerado ótimo. Dirigentes da Confederação Sul-americana de Futebol se reuniram para avaliar os resultados da punição imposta ao Corinthians após a morte de um adolescente boliviano dentro do estádio e foram unânimes. A punição conferida ao time brasileiro foi um sucesso. Ninguém morreu, ninguém se machucou, nenhuma ocorrência foi registrada dentro do estádio vazio.

A sensação de segurança era visível, mas o caso corintiano era um oásis de calmaria em meio a um deserto de violência. Enquanto isso, o pau seguia comendo solto no resto da América do Sul. Pedras atiradas na Colômbia, briga de torcida no Uruguai, quebra-quebra no Paraguai, tiroteio na Argentina. A situação beirava o caos.

As brilhantes mentes de La confederácion chegaram então a um novo consenso. Convocaram a imprensa e anunciaram com pompa e circunstância: todos os jogos da Libertadores 2013 seriam disputados com portões fechados. Um tanto quanto radical, mas serviria como um momento de reflexão em busca da paz no futebol. “Nadie más va a morir por el fútbol”.

Novo sucesso. Jogadores puderam cobrar escanteios em paz, a descida para os vestiários ocorreram com a maior tranquilidade e nenhuma ocorrência grave foi registrada em todo o continente. A medida também agradou as televisões. Os estádios vazios aumentaram a audiência das transmissões televisivas e possibilitaram um entendimento maior do jogo, com a chance de escutar as conversas. “Você dentro do gramado” foi o slogan adotado por uma emissora.

As autoridades públicas também gostaram. Sem público no estádio, não era preciso investir em transporte público e esquemas de segurança. Decidiram que a Libertadores 2014 também seria disputada para estádios vazios. Diversos campeonatos estaduais do Brasil adotaram a mesma medida, mesmo que ninguém tenha percebido a diferença. Os dirigentes brasileiros passaram a ser cobrados para que o Campeonato Brasileiro seguisse esse caminho e setores nacionalistas da imprensa bradavam que a América do Sul estava anos a frente da Europa na gestão de eventos esportivos.

Tudo parecia estar perfeito até que as brigas começaram a se intensificar nos bares, nas estações de metrô e mesmo em pontos de ônibus. Bastava que dois grupos organizados se encontrassem para que a carnificina começasse. Os dirigentes esportivos lavaram as mãos, dizendo que se responsabilizam apenas pelo o que acontecia nos estádios e para eles, nenhum problema estava sendo registrado.

As autoridades brasileiras logo tomaram uma decisão polêmica e decretaram toque de recolher durante as noites dos jogos.

Em um primeiro momento as brigas diminuíram mas logo os conflitos começaram a acontecer em cidades que não recebiam os jogos e o toque de recolher foi estendido para todos os municípios brasileiros. Um pequeno problema, visto que partidas são realizadas todos os dias da semana.

Decidiu-se então que os jogos de futebol não mais seriam transmitidos e que o resultado dos campeonatos seria anunciado apenas no seu final. Além de contribuir para esquemas criminosos de manipulação de resultado, o dia do anúncio ficou marcado por uma briga histórica e generalizada em diversas cidades brasileiras.

Acuados, os governantes resolveram proibir a prática do futebol no território nacional. Alguém ainda argumentou se não seria mais fácil simplesmente prender as pessoas que provocam distúrbios no futebol e julgá-las de acordo com a lei. A hipótese não foi considerada.

O fim do futebol trouxe sérios problemas. A televisão perdeu patrocinadores, os patrocinadores perderam clientes e a economia recuou. Os milhares de jogadores de futebol desempregados trouxeram inúmeros problemas sociais. As opções de lazer também diminuíram. Revoltados com a falta de lazer e com a miséria, a população começou a se organizar em gangues que cometiam delitos e justiçamentos em praça pública.

Mas os dirigentes estavam felizes. Afinal, ninguém mais morria pelo futebol.

segunda-feira, 4 de março de 2013

O Caso Dudu (tá leeeindo)

Dudu aparenta ter uns três anos e está no banco traseiro de um automóvel que, aparentemente, faz um tour por todas as agências da Caixa Econômica do país. A cena, aparentemente normal, é mostrada todos os dias na televisão nacional em uma propaganda de uma poderosa instituição financeira do Brasil.



Tal qual o lendário Caso Pedrinho, nós do CH3 acreditamos que essa cena mostra o desgaste das relações familiares na pós-modernidade. Analisemos cada um dos personagens.

Dudu
Dudu está descobrindo a maravilha que é juntar códigos e conseguir interpretá-los. Ou não, não podemos negar a hipótese de que ele esteja apenas associando a logomarca com aquela que ele assiste na televisão. Pela maneira como ele é tratado com indiferença pelos seus familiares, temos a impressão de que ele é deixado sozinho em casa, criado pela TV. Fora isso, sua família é claramente obcecada pela Caixa. Em seu trajeto até o trabalho você passa por quantas agências da Caixa? Umas três? Como eles conseguem passar por tantas em apenas uma quadra? Após ser notado, ele explode em uma repetição catatônica da palavra “caixa”. Deve ser examinado por um médico, para receber um diagnóstico.

Irmã do Dudu
Um pouco mais velha, está claramente entediada com aquele passeio em família. Ela preferiria ficar em casa assistindo Jonas Brothers e por isso permanece o tempo todo com fones de ouvido escutando alguma música de menina. Mas, epa, na hora que seu celular é mostrado, vemos que ela está usando algum aplicativo da Caixa! Isso não é normal. Os pais deveriam abrir o olho, porque ela provavelmente será uma futura estelionatária. Ou será que ela fica escutando a musiquinha do banco (vem!)? Além disso, temos a clara impressão de que no futuro ela sairá gritando pela casa todos os atos impróprios do Dudu, X9 que é. Com sorte, ela irá se curar do sotaque carioca forçado.
Moral da história: mais legal do que ler, só saber que os outros leem.

Mãe do Dudu
Claramente sofre de uma eterna depressão pós-parto. Está infeliz no seu casamento e com seus filhos. Tudo o que ela queria é que essas crianças calassem a boca, mas infelizmente o maldito Dudu não para de falar e ela só pode disfarçar seu sofrimento com um sorriso bobo no rosto, enquanto vê as pessoas andando na rua. Se não fosse pelo espanto de sua filha, ela seria incapaz de perceber que o Dudu estava lendo. Mesmo se ele estivesse recitando versos de Drummond ou com um exemplar de O Capital em seus braços. No final, junta as mãos em sinal de agradecimento aos céus. Seu filho talvez sirva para alguma coisa.

Pai do Dudu
O cidadão mais infeliz dentro daquele carro. Frustrado, sua única diversão é andar pela cidade passando em frente as agências da caixa econômica. Quando percebe que Dudu está lendo, ele faz alguma cara de “legal”, mas logo engata a primeira e arranca do semáforo. A vida é assim. Um semáforo, o Dudu aprende a ler, outro semáforo, alguém morre, alguém sorri, alguém sofre, alguém chora, outro semáforo. Só nos resta seguir em frente.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Ata de Reunião

A reunião não chega a ser uma caixinha de surpresas. Trata-se de um encontro com assunto pré-estabelecido, para discutir o que já foi discutido, chegar-se ao consenso que já fora obtido e continuar sem fazer nada de diferente. Os tipos que participam de uma reunião são conhecidos e sempre se repetem.

O Apresentador
Aquele que faz as honras e, no jargão burocrático, diz que irá conduzir os trabalhos. Aquele que comparece a sala de terno e gravata, mas diz que será um encontro bem informal. Geralmente leva uma lista de assuntos e faz uma leve abordagem sobre cada um, antes de passar a palavra aos reunidos. No final, é o responsável por fazer uma conclusão besta e insignificante, mas dita cheia de importância.

O Questionador
O cidadão que tem certeza absoluta que a reunião está ocorrendo porque alguma sacanagem está acontecendo. Questiona a ausência de um item na pauta, supostamente por perseguição, questiona o relatório dos colegas, questiona uma vírgula mal colocada, questiona a fonte utilizada nas impressões, questiona o plano de fundo do Power Point, questiona a qualidade das cadeiras em que todos estão sentados e a temperatura do ar condicionado. No fim, saí da reunião balançando a cabeça e questionando sua existência.

O Perdido
Ele não sabe direito porque está ali. O chefe do seu setor mandou que ele fosse até lá e ele foi, pronto para se sentar num canto escondido, assinar a lista de presença e, com sorte, não perder seu horário de almoço. De repente alguém pergunta para ele sua opinião sobre um assunto e ele pensa em enfiar um punhal no peito, mas acaba enrolando uma resposta pouco convincente. Mas, como nada na reunião é convincente, ninguém presta atenção em sua incapacidade.

O Providenciador
Representante de um setor vital para o andamento do projeto e que a todo instante é questionado sobre os mais diversos assuntos. Ele já providenciou todos. Providenciou a demarcação da área, providenciou a entrega dos relatórios, providenciou a queda da bastilha e providenciou a expulsão de Adão e Eva do paraíso. Mas ele já não havia providenciado tudo isso na última reunião? Sim, acontece que estas situações demandam trabalho e a equipe dele está executando as ações e ele acredita que em breve, todas as metas serão cumpridas.

O Aprendiz
Mesmo tendo um pós-doutorado na França, ele diz que está ali para aprender com os outros. Frase protocolar, que ele diz logo após ser questionado por uma besteira dita. Com esta frase, ele reduz os outros a insignificância, demonstrando sua aparente humildade diante daquele bando de imbecis. Saí da reunião com todos comentando “esse cara é bom” e está feito o mito.

O Repassador 
Figura presente principalmente em reuniões sindicais. Ele repassa as atas de todas as reuniões passadas e todos os atos praticados pelo grupo. Ele conta que na semana anterior os manifestantes estiveram em Brasília, onde se encontraram na porta do Ministério da Educação e uma vez não sendo atendidos pelo ministro, eles fizeram uma caminhada de dois quilômetros pela Esplanada dos Ministérios enquanto cantavam palavras de ordem e então montaram uma faixa com dizeres favoráveis aos professores na Praça dos Três Poderes. No fim da tarde eles fizeram um lanche, opa ele sabe que seu tempo estourou, mas ele ainda queria passar mais uma informação sobre o protesto.

O Perguntador
Às vezes ele nem faz por mal. Suas inúmeras perguntas sobre a formatação, prazos, meios e números talvez sejam fruto da sua inocência. O perguntador é o responsável por fazer com que a reunião seja ainda mais interminável, porque cada ponto debatido é acompanhado por uma pergunta sua. Ele não quer pressionar ninguém, apenas quer que tudo fique claro, que não haja nenhuma dúvida. No fundo, ele é quase um guardião da paz. Mesmo quando atrasa o almoço em meia hora.