domingo, 30 de agosto de 2009

Ter o Twitter

O twitter provavelmente é a coisa mais próxima de ser chamada de revolucionária desde que a internet surgiu. É um site que pode acabar com o Orkut, com os blogs, com o MSN, com o e-mail e com o telefone. Acabar com o jornalismo, a publicidade, a medicina e a advocacia. Acabar com as filas do banco e a unha encravada.

O Twitter do blog existe há quase dois meses. É complicado saber o que fazer com esse negócio. Ele seria teoricamente atualizado pelo pai Jorginho de Ogum. Mas enfim. Há quem use para fazer piadas e criar frases de efeito, quem use para dar novidades sobre alguma coisa. Nesse grupo se encaixa o que o CH3 faz. Notícias sobre o blog.

Mas existe o lado assustador de pessoas que atualizam sua vida inteira. Parecem que estão conectados a internet 24 horas por dia apenas para poder dizer o que está fazendo no Twitter. Dá até para imaginar duas situações.

Nascimento


- Querido, estou sentindo as contrações. Acho que o bebê vai nascer. Pega o notebook pra eu poder postar isso no Twitter.
Sentindo as contrações. Acho que vai nascer. To indo pro hospital.
O marido por sua vez coloca:
Levando minha mulher pro hospital. Logo serei pai.
Chegam então ao hospital. A enfermeira posta.
A Roberta está por aqui. Em breve ela será mãe. Vou pra sala de parto vocês vão poder acompanhar tudo por aqui.
O médico vai fazer o parto.
Entrando na sala. Mais um parto pra conta. Não agüento essa rotina.
E enquanto a criança vai nascendo a enfermeira vai atualizando tudo no seu Twitter.
A dilatação já está quase suficiente. Vai ser logo, logo.
A cabeça da criança está saindo.
O médico acaba de cortar o cordão umbilical.
O menino está bem, já chorou e vai pra incubadora agora.

Eis então que o pai da criança posta.
Nasceu! Um menino forte e bonito! A cara do pai!
Enquanto isso a mãe reclama que não tem como postar uma foto nova.

Morte
- Mas foi então que eu... ahhhhhhh!
- O que foi?
- Meu coração, estou tendo um infarto.
- Meu deus.
O João está enfartando aqui. Temos que correr pro hospital.
Estou sofrendo um infarto. Torçam por mim.

Outra coisa levemente assustadora do Twitter é que o mundo inteiro está lá. Seu vizinho, você sabe o que ele faz por conta do Twitter. Celebridades e sub-celebridades estão por lá escrevendo besteiras das mais variadas. Parece incontrolável. Chegará o dia em que o mundo estará no Twitter. Pedidos de casamento e divórcio serão feitos por lá. Resultados de exame médico. Chegará o
apocalíptico dia em que você deixara de ter um nome para ser um /algumacoisa. Deixa eu ir logo atualizar o Twitter com essa postagem.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O trote

Dizem que o primeiro trote do qual se tem registro é o que a cobra aplicou sobre Eva. Ofereceu a ela uma maçã, dizendo que não haveria problema. Mas este era o fruto proibido e a humanidade foi expulsa do paraíso. Outro trote lendário é o que resultou no cavalo de tróia. Um suposto presente que escondia uma surpresa indesejável.

No mundo moderno existem basicamente dois atos que são denominados como “trote”. Ou até três. Mas o terceiro se refere ao ato de trotar dos cavalos. E eu não pretendo me expandir muito em questões eqüinas nesse blog.

O primeiro é o famoso trote por telefone. Antiqüíssimo. Seu avô devia passar trote por telefone na infância. Mesmo se na época fosse preciso esperar que a telefonista transferisse a linha e o trote demorasse seis horas para ser aplicado. São os trotes clássicos, de se ligar para alguém e perguntar se lá é da padaria, do açougue, da fazenda ou se é a casa do caralho.

Essa modalidade de trote caiu um pouco em desuso por conta do advento do identificador de chamada. Em compensação existe uma nova onda de que é o trote inverso. Uma espécie de contra-ataque dos receptores. Quando alguém insiste em ligar erroneamente na sua casa, achando que na verdade é outro lugar, você sacaneia. Sei de pessoas que já marcaram reservas em hotéis, que afirmaram que a pessoa procurada pelo outro lado da linha estava morto, defecando ou tendo um romance homossexual.

Dizem até que metade das ligações para serviços de emergência são na verdade trotes. E quase sempre praticados por crianças. Uma vez passou uma na TV em que uma voz de criança de doze anos ligava para o SAMU:
- Oi, meu filho morreu aqui.
- Quantos anos você tem?
- É... hmm... 25!
- Olha, o SAMU só atende casos em que a pessoa ainda está viva.
- Ah...

Existem também programas de rádio especializados em passar trote nos outros. Basicamente é a mesma coisa que ter um programa de televisão especializado em apertar a campainha e sair correndo.

Mas o trote famoso nos tempos atuais é o da faculdade. Aquela cena que envolve calouros da universidade, farinha, tinta, ovo, vômito, bebidas alcoólicas, veteranos surtados, semáforos, bastões de beisebol, dinheiro e morte.

O assunto sempre vem a moda quando acontece alguma morte. Ou como na semana passada quando algumas calouras da UFF foram supostamente obrigadas a fazer sexo supostamente oral nos veteranos. Esse era um costume do curso de Engenharia Elétrica, mas ele foi abandonado no momento em que algumas mulheres começaram a fazer parte do curso.

O trote em geral é uma situação deplorável e lamentável. Que serve basicamente para humilhar o calouro e demonstrar algum poder. Sabe-se lá porque alguém resolveu inventar a desculpa de que o trote serve para integrar o curso.

De vez em quando para reforçar essa tese, aparece alguma ação do tipo, fazer os calouros ler poesia, um lual. Mas geralmente é só pra enganar. Primeiro vem a poesia e depois a dura realidade do asfalto quente.


E mesmo assim existem cursos, ou turmas que se orgulham de terem sofrido o maior de todos os trotes. De que todos tiveram tijolos amarrados em seus genitais, foram amordaçados, sofreram eletrochoques, beberam vomito, rolaram na merda e depois foram pedir dinheiro, descalços no asfalto em brasa. E pra completar foram estuprados. Não se faz mais trote como antigamente.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O que você queria que eu respondesse? A sinceridade provavelmente me mataria.

Acompanhar entrevistas de jogador de futebol é um saco. As respostas são sempre as mesmas, respostas prontas, clichês. O mesmo acontece quando políticos são entrevistados em programas de televisão. “Não disse nada de relevante” dizem os críticos de plantão. Só que ninguém nunca para pra pensar no outro lado. As perguntas induzem ao óbvio. Exemplifiquemos.

Futebol.

Os repórteres costumam a fazer perguntas como:
- E ai Robson você já está vendido para o Panathinaikos?
- Contra o Votuporanguense vocês têm a obrigação da vitória?
- E ai o que o treinador falou no vestiário?
- Vocês vão em busca da vitória?
- Essa derrota foi um mau resultado?
- É preciso jogar com inteligência?

As respostas são:

- Não sei de nada. Esse é um assunto para a diretoria responder. Por enquanto meu pensamento está voltado para ajudar meus companheiros aqui no Mixto a sair dessa situação difícil em que nós nos encontramos na tabela.
- Bem, num jogo desse não há favoritismo. A equipe deles vem mal no campeonato, mas será o jogo da vida deles e nós temos que respeitar o adversário.
- O professor pediu para a gente manter a atenção e a atitude do primeiro tempo para que a gente possa sair daqui com os três pontos.
- Claro o nosso objetivo são os três pontos, sempre respeitando o adversário, mas é isso que buscamos.
- Sem dúvida a gente foi em busca dos três pontos, mas infelizmente não deu, agora é levantar a cabeça e seguir trabalhando forte que os resultados virão.
- Sim, temos que valorizar o bom resultado que estamos obtendo e ter paciência para alcançar os três pontos que são nosso objetivo.


Vocês perceberam que as respostas de nada adiantaram. Mas o que é que os repórteres queriam. Respostas como essas?

- Sim, já tenho tudo acertado. To só esperando a liberação de alguns trâmites burocráticos para ir embora desse clube de merda.
- Sim, o time deles é fraco e se a gente não golear será uma vergonha.
- O treinador pediu pra gente botar pra foder com eles, porque eles são um time de merda.
- Não. Vamos tentar perder o jogo durante os 90 minutos.
- Claro que não. É sempre bom perder. Os verdadeiros vencedores são aqueles que já perderam bastante. Vamos seguir tentando perder o máximo que a gente conseguir.
- Não. Vamos jogar com burrice. Jogar todo errado tentando tomar gol.


Agora imaginem se o jogador fala isso? O que ele realmente queria falar. Ele seria morto. Sei lá por quem, mas alguém o mataria. A sinceridade mata. Ainda mais nesses tipos de perguntas que foram feitas para não serem respondidas com sinceridade. E a culpa é dos repórteres? Bem, não sei. A verdade é que esse pessoal não tem tanto o que falar pra ser tão perguntado assim.

Vejamos outros casos, no mesmo esquema acima.

Política

- Prefeito o Pedra 90 está sem energia elétrica o que o senhor pretende fazer?
- Josué, O que será feito para solucionar os buracos do Jardim Califórnia?
- O que o senhor tem a dizer sobre o Ralf Leite?
- Existiu alguma irregularidade nessas obras?

Respostas:
- Iremos analisar a situação para que o mais rápido possível nós possamos solucionar esse problema que atinge a população.
- Está no cronograma.
- Um bom rapaz que infelizmente passou por diversos problema de ordem particular.
- De maneira alguma, tudo foi feito dentro das conformidades que a lei exige.


Respostas sinceras:
- Nada. Eles que se fodam, não moro lá.
- Não sei, não sabia de nada. Buraco tem em qualquer lugar também.
- Viadaço. Mau caráter do caralho. Ainda bem que o pegador de traveco sumiu daqui.
- Sim. Eu desvie 20% pra minha conta nas Ilhas Cayman, o deputado comprou um carro novo e a empreiteira que venceu uma licitação com cartas marcadas também ganhou o dela. Mas tudo isso porque eles me deram dinheiro pra minha campanha.


Diversos

- Você tava olhando praquela garota?
- Porque você chegou atrasado?
- Cadê a tarefa?
- Você leu viu aquele e-mail que eu te mandei?
- Gostou da minha música?
- Essa resposta não foi clichê?

- De maneira alguma amor, só tenho olhos para você.
- Peguei um trânsito inferno. Acidente ali na rotatória da beira-rio.
- Sabe o que é, acabou a energia ontem lá em casa bem na hora que eu tava fazendo e eu não tinha salvo, posso entregar amanhã?
- Ah sim, eu vi. Bem legal.
- Po, gostei.
- De maneira alguma. Porque eu mentiria?


- Sim. O que eu posso fazer? Ela é gostosa.
- Ah, perdi a hora dormindo.
- Nem lembrei, tinha coisa mais importante pra fazer como... ficar na internet.
- Você acha que eu vou perder tempo vendo essas besteiras que você me manda?
- Sinceramente, achei uma merda. Ainda dá tempo de você aprender a tocar, ou de desistir pra parar de passar vergonha.
- O que você queria que eu respondesse? A sinceridade provavelmente me mataria.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Manifesto pró arroz com feijão

Recentemente eu fui a um baile de formatura. Em meio a entradas triunfais, vestidos berrantes e música alta uma coisa me chamou a atenção: a comida. Eu fui esperando a tradicional comida de Buffets, o filé ao molho madeira, o frango com molho branco, arroz ou arroz à grega.

Mas não. Logo que cheguei à mesa das entradas percebi que o responsável pelo cardápio naquela noite era o mesmo Buffet, nefasto Buffet que tinha tido tal responsabilidade na minha formatura. Senti um frio em minha espinha pensando que deveria ter comida um Misto quente antes de sair de casa. Em nível de comida a noite estaria perdida.

Até torci, sim, torci, para que eu pudesse ser contrariado. Que a comida de madrasta feita na minha formatura tivesse sido apenas um lamentável lapso do estimado Buffet. Mas não.

Eis o cardápio: salada crocante servida em taças, bifum (aquele macarrãozinho japonês) temperado com vinagre e limão. Mais um risoto de bacalhau. Me perguntei “porque? Ó, porque não temos um filé ao molho madeira?” se fosse uma peça de teatro, provavelmente faria uma alusão ao deus dos desgraçados (no caso aqueles que estavam ali comendo).

A verdade é: risoto de bacalhau não é um prato universal. Até haverá aqueles que bebem em taças com o mindinho esticado que dirão “Céus, risoto de bacalhau, que espetáculo”. Mas haverá aqueles que acharão o prato suspeito.

Na minha formatura tivemos dois risotos diferentes com uma massa sem graça. E de sobremesa ainda existiu um estrogonofe de banana com uma maisena com cor de chocolate e bolo sem recheio.

A outra verdade a ser dita aqui é: comida simples é melhor.

Não me venham com os french-rec de cordeiro, rã ao vapor de cerveja, e aqueles pratos preparados por chefes de cozinha que custam caro e não matam a fome. Mal ocupam um prato e ainda são cheios de desenhos com molhos esquisitos. Nada de Claude Troaugos ou sabe-se lá como se escreve esse nome.

Viva o arroz, o feijão, macarrão, purê de batata, bife. Viva o frango frito! A farofa! Viva a comida normal. É preciso dar um basta nessa frescura que assola os buffests e os confins desse nosso país. Basta!

*atenção, esse texto não foi escrito por Alfredo Chagas.

sábado, 22 de agosto de 2009

A Resposta está no Cronograma

Uma das figurinhas carimbadas do jornal da TV Centro América é o secretário de infra-estrutura e transporte de Cuiabá, Josué de Souza. Tudo porque, o jornal da emissora vive mostrando problemas de tudo quanto é bairro de Cuiabá. No Jardim Vitória os bueiros estão entupidos. No Jardim Fortaleza seres do esgoto invadem as casas e estupram os moradores. No Despraiado o mato toma conta das ruas e os habitantes vivem em eterno estado de sítio.

E sempre depois de mostrar essas matérias de serviço para a sociedade (nem que a matéria seja pra mostrar que no Ribeirão do Lipa as pessoas não estão lavando a louça e a prefeitura nada faz para lavá-las), entra o link ao vivo com o secretário Josué. É boa tarde ao secretário e depois vem a pergunta: o que será feito para solucionar o problema?

E o secretário então sempre diz o que será feito: “enviaremos equipes especializadas em desentupir bueiros” ou “iremos cortar o mato” ou “montaremos uma força-tarefa capaz de aniquilar esses seres do esgoto”.

A próxima pergunta ainda é “quando a obra será efetuada”. E Josué vem com sua resposta habitual “Já está no cronograma”. A repórter insiste “quando secretário?”. “Está no cronograma”. No fim ele diz que nesse mesmo dia a tarde sua equipe já estará no local. Qualquer problema existente na cidade já está em seu cronograma. É o maior cronograma do mundo.

Cabe a Josué também responder as questões relativas ao trânsito. O que será feito com os pedestres da Miguel Sutil? A rotatória da Beira-rio? A faixa de pedestre do CPA? Tudo está no cronograma. É possível imaginar que o secretário nem saiba o que se está perguntando. Para tudo ele responderá que está no cronograma.

- E ai secretário, tudo bom?
- Está no cronograma.
- Que horas são?
- Está no cronograma.
- Será que chove?
- Está no cronograma.

Mas essas respostas não são prioridade do coitado do Josué. Responder coisas que não tem nenhuma relação com a pergunta. SACs vivem fazendo isso, principalmente os da internet.

Você faz uma compra em um site. E eles te mandam um e-mail confirmando que te enviaram um produto. Você percebe que o produto que eles dizem que te enviaram não é o que comprou e mandam um e-mail.

“Olha, eu comprei o item BRMC e vocês dizem que me enviaram o item Calypso ao vivo. Este não é o produto que eu comprei”.

Eles então re respondem:

“Senhor Guilherme. Informamos a resposta para sua pergunta que o item que você comprou é “BRMC”. Obrigado e continue utilizando os nossos serviços”.

A vontade é de se falar “Oi, sua burra. Eu não fiz pergunta nenhuma. Apenas afirmei que vocês me mandaram um e-mail dizendo que me enviaram o produto errado. Apenas isso. Não é uma pergunta! Eu sei o produto que eu comprei.”.

E no fim chega o produto errado mesmo.

E existem outros casos. “Oi, meu celular recebeu mensagens estranhas, e pessoas disseram que meu celular está enviando mensagens também. O que isso pode ser?”. Vem a resposta “Sr. Informamos que a vivo não tem em seu catálogo de serviços o envio de tais tipos de mensagem”. E sim, a vontade é de responder falando “você viu minha pergunta? Realmente?”.

Cronograma

O cronograma é algo que não está nos cronogramas desse blog para ser explicado. Mas é algo bem planejado.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Uma pequena ajuda

Por mais normal que seja a função de atender ou prestar uma ajuda a alguém, existem situações em que elas são completamente embaraçosas ou irritantes. Citemos algumas delas.

Ir ao subway pela primeira vez é um pouco constrangedor.
- Boa noite vocês já conhecem os restaurantes Subway?
- É... não.
- Sua primeira vez aqui?
- É... sim.
- Sabem como funciona?
- É... não.
- Então, você escolhe os seus ingredientes e monta o seu próprio sanduíche.
- Certo.
- ...
- Mas que ingredientes são esses?
- Ah sim. Começa pelo pão. Você quer de 15 ou de 30?
- Ahn?
- 15 centímetros (gesticulando falicamente) ou 30 centímetros.
- Ahn... 15.
- Ah, vai me dizer que você não agüenta 30. Você tem cara de que agüenta.
- Hehehe, não. 15 mesmo.

Ir em um laboratório para fazer exames de sangue, urina e fezes.
- Então, você trouxe o material, as fezes, a urina?
- É, não, as fezes não.
- Tudo bem. Vou deixar pendente aqui, depois a qualquer hora você pode trazer suas fezes para a gente.

Passadas algumas horas você finalmente vai levar o “material”.

- Oi é... eu vim aqui trazer um material que... que tá faltando.
- Certo, entrando pela porta, segunda janelinha a esquerda.

- Oi, vim trazer um material.
- Ah, você trouxe suas fezes?
- É... sim.
Você entrega e ele coloca um selo no potinho enquanto várias pessoas estão ali junto da merda que você fez. Imagina-se que um coprófago jamais poderá trabalhar em um laboratório desses. Senão o diálogo seria:
- Você trouxe suas fezes?
- É... sim.
- Hmm, que delícia. Digo, que bom.

Pedir ajuda na rua pode ter algumas complicações. Acontece quando a pessoa não quer ajudar. Você passa e vê a pessoa saindo da sua casa.
- Oi, você podia me informar onde fica a padaria?
- Desculpa, eu não moro aqui.

Ou então a pessoa passa informações erradas.
- Ah sim, você vai até o final da rua, vira esquerda, terceira a direita, vai ter um semáforo. Você vira a esquerda, dobra a direita, faz o contorno a esquerda e pronto.
Quando você vai ver, está no mesmo lugar em que você encontrou a pessoa.

Existem alguns casos como o que aconteceu com um amigo meu que estava no interior de Minas Gerais e as duas horas da tarde resolveu fazer uma pergunta para um transeunte.
- Opa, sabe onde tem um lugar pra comer aqui?
O mineiro olhou para o seu relógio e com um suspiro disse.
- Comer? Essa hora?
- Ué, sim, a fome é minha como na hora que eu quiser pô.
- Ah, num tem não.
- Não tem um único lugar em que se possa comer?
- Ah, mas isso não é hora de comer.
- Eu não quero saber se eu como na hora certa ou errada, eu quero saber se tem algum lugar pra comer.
- Ah, talvez ali na padaria.
- Porque você não disse antes?

Ou então dia desses quando eu tentava o milagre de achar um lugar dentro do Jardim Califórnia. Para quem não sabe, o Jardim Califórnia é um bairro cuiabano que foi planejado para ser igual ao labirinto do minotauro. É impossível andar lá dentro. Eu precisava achar um lugar que era do lado do Salão Santa Fé. Por pura sorte conseguir chegar em frente ao Meson Marie Louise e fiz uma pergunta pro segurança.
- Moço, onde fica o Salão Santa Fé?
- Salão Santa Fé?
- É.
- Não tem festa hoje lá não.
- Mas eu não quero ir em festa, lá é só meu ponto de referência.
- Ah sim. Então é só virar aqui a esquerda, é aqui atrás.

E existe o chato atendimento de funcionários do boticário.
- Oi, quero um desodorante.
- Aqui está.
- Obrigado.
- Você não quer a colônia?
- Não.
- O sabonete?
- Não.
- A loção pós-barba? O creme de barbear? O Kit? O spray noturno?
- NÃO!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O Caminho da Morte

Atenção. Este post é ligeiramente mórbido e desaconselhável para aqueles que acham que não se brinca com vida e morte.

Muitas vezes a morte é a melhor solução. Bem, não estou aqui redigindo um bilhete suicida e muito menos aconselhando que alguém pegue um arma e de um tiro no meio da cabeça. Ou que se enforque. Ou que corte os pulsos. Ou que se jogue do alto do prédio. Ou que mergulhe com uma torradeira na banheira. Ou que enfie um lápis pelo nariz.

O que digo é que a morte muitas vezes limpa a barra das pessoas. Transforma qualquer um em herói. Por mais erros que você tenha cometido na sua vida, a morte irá te livrar dos pecados. Apenas as suas virtudes serão lembradas, mesmo que elas sejam praticamente insignificantes.

Temos alguns casos, até recentes. Michael Jackson por exemplo. Todo mundo se referia a ele como “um freak show ambulante do caralho, ser escroto, demente, pedófilo, retardado, viado decadente que pendurou os filhos na janela”. Foi apenas o cara morrer para que voltasse a ser o ídolo das multidões. O dono do disco mais vendido da história, o rei do Pop, um dançarino sensacional e um humanitário. O caso de pedofilia passou a ser uma invenção, apenas.

Antônio Carlos Magalhães. Com sua morte de uma hora para outra ele deixou de ser o exemplo de político ultrapassado, símbolo do coronelismo que mandava matar adversários políticos e era corrupto. Passou a ser valorizado por ser um homem de postura firme que sempre se manteve fiel as suas convicções.

Até mesmo o Clodovil. Deixou de ser a bicha louca que envergonha o país falando besteira na TV e que era a prova cabal da decadência do Congresso brasileiro, além de ser o símbolo de que brasileiro não sabe votar. Virou um apresentador histórico, que sempre teve coragem de assumir suas preferências e transformou suas extravagâncias em moda. Além de ter tido uma passagem curta e marcante por Brasília.

Um caso bem antigo é o do Getúlio Vargas. Que foi um ditador brasileiro, que durante 15 anos torturou pessoas e censurou jornais. Apoiava o fascismo do Mussolini e governou o país sem constituição. Saiu do poder e voltou alguns anos depois. Mandou matar inimigos políticos. Deu um tiro no peito e virou o eterno pai dos pobres e um símbolo de liderança a ser seguido pelos futuros presidentes.

Fora os anônimos que morrem em condições insólitas e de uma hora para a outra viram símbolos. A Isabellinha que virou o símbolo da violência contra as crianças. A Eloá que alertou o mundo para os problemas de relacionamentos doentios. Fora os atletas e artistas que morrem em condições trágicas e viram mártires. Ayrton Senna que deixou de ser um dos melhores pilotos da história para virar Deus e símbolo do Brasil que todos queremos ser. Os Mamonas Assassinas que deixaram de ser uma banda divertida para ser o símbolo de juventude correta e alegre.

Agora, imagine se algumas das figuras controversas da atualidade acabam morrendo. (isso não é uma torcida)

José Sarney tem um ataque epilético e morre sentado em sua cadeira. Logo ele deixaria de ser tudo aquilo que o ACM também era. Passaria a ser também um homem de fortes convicções e personalidade. Um homem de coragem que aceitou comandar o Brasil num dos períodos mais difíceis da história e comandou com firmeza o processo de transição para a democracia. Além disso, teve uma grande contribuição para o campo das artes no Brasil, grande pintor e escritor que era. Talvez sua morte tenha vindo até em bom momento para que as maldosas especulações da oposição não manchassem a sua brilhante biografia.

E se na próxima corrida de Fórmula 1 um meteoro atingir Rubens Barrichello? O exemplo de atleta brasileiro fracassado que nunca ganha nada e que só nos envergonha seria esquecido. Rubinho passaria a ser um homem que nunca desistiu dos seus sonhos e que passou a vida fazendo e lutando para melhorar aquilo que ele mais gostava, que era correr com carros. Morre o homem, fica o exemplo.

E se o médico estuprador Roger Abdelmassih morresse hoje? Era capaz de ele ser considerado um idealista que proporcionava a felicidade para vários casais e que graças a acusações infundadas teve sua vida manchada. Pena que não pode se defender em vida.

Suzana Vieira deixaria de ser uma maluca que só faz todo mundo sentir vergonha por ela para se transformar numa das maiores atrizes da história do universo. Além dos atributos básicos de qualquer defunto “era uma pessoa de atitude, fiel às suas convicções e de personalidade forte. Muito generosa, sempre com um sorriso aberto, disposta ajudar. Sua felicidade contagiava o ambiente”.

Percebam. Pessoas omissas, contraditórias, covardes, mesquinhas, tristes e egoístas nunca morrem.

Mas, é claro. Para isso é necessário que o morto seja famoso, ou que tenha morrido em condições trágicas. Se você for um desconhecido que morreu dormindo não será nada. O máximo que poderá acontecer é as pessoas mandarem scraps no seu perfil do Orkut. Afinal, o Scrap no Orkut do falecido substituiu as flores no túmulo.

domingo, 16 de agosto de 2009

Por onde anda – Tackleberry

De vez em quando eu ando nas ruas (o que absolutamente significa que eu não sou cadeirante) e por onde ando a pergunta é sempre a mesma: “que horas são”. Eu sei, esse é o mal de se ter um relógio no braço. É verdade que hoje em dia qualquer celular é capaz de mostrar que horas são. Mas, não sei porque as pessoas preferem repetir essa pergunta àqueles que usam relógios. É a preguiça. Sim, uma maldita preguiça de apenas procurar no bolso o seu celular, apertar um botão e ver às horas.

Minha teoria para isso é que como as pessoas estão tão acostumadas a andar sem créditos no celular, elas não tem o menor costume de mexer no próprio celular a não ser que seja para atender um telefonema de alguém. Essa desabituação faz com que se esqueça que é possível, sim nós podemos, ver as horas no celular.

Ok. Se as pessoas me perguntam isso, isso não é o que eu me pergunto. Nos meus momentos de questionamento sobre a vida faço várias indagações. E elas não fazem o menor sentido de serem postadas por aqui, entre outras coisas porque eu me esqueço delas. Mesmo não sendo essa uma das minhas indagações, eu lanço por aqui a questão. Por onde anda Tackleberry?

Todos dias atendo telefonemas, a maioria é algum engano, mas algumas vezes tenho que desmentir a teoria de que Tackleberry morreu. Essa teoria surgiu faz algum tempo, devido a sua grande ausência. Começaram a especular que Tackle estaria morto. E seu raríssimo post recente foi escrito por outros membros. Ou talvez por um sósia. Para efeito prático de comparações é como se Tackleberry fosse o nosso Paul McCartney.

De fato ele não é. Fora as diferenças físicas, ele não toca Baixo.

Mas o fato é: qualquer um que me conhece sabe aonde eu estou. Vinícius também está por aí (apesar de que algumas pessoas acreditem que ele também morreu, mas não é verdade). Guilerme está aqui do meu lado, e Jorginho, Marcão, Hanz, Cão Leproso estão todos lá no Carnicentas. Eu não faço a menor idéia de onde está o Alfredo Chagas, mas também não quero saber. Droga, ele tocou a campainha e apareceu no meu portão pedindo uma vassoura.

E onde está Tackleberry afinal? Pois bem. Pesquisei algumas palavras no Google, fiz alguns telefonemas, e assisti algumas partidas de futebol. Assim, consegui algumas informações que podem ser úteis para solucionar esse dilema.

Uma das minhas fontes diz que ele foi visto viajando pelo norte do estado de Mato Grosso. Provavelmente lançando sua candidatura para deputado federal no ano que vem, ou então superfaturando obras do PAC. Por sorte ele não está entre aqueles que foram presos na última operação da Polícia Federal.

Outra pessoa me disse que ele estava dormindo. O que sem dúvida é uma resposta sem graça. Essa mesma pessoa me disse que ele não é mais o mesmo desde a morte de Michael Jackson. Que sumiu no mundo fazendo o Moonwalk.

Há ainda uma terceira possibilidade que é a de que ele tenha sido visto nas Bahamas. O que era esperado. É o que sempre acontece com publicitários que um dia desviam dinheiro de alguma conta de algum cliente. Porque é simples. Se eu desviasse dinheiro de algum lugar e tivesse que fugir, eu fugiria para as Bahamas. E seria visto por alguém lá.

Uma verdade melancólica.

No entanto, coloquem agora o CD do Radiohead para tocar. A verdade é apenas que ele está trabalhando. E não se pode viver bem trabalhando. Mas para viver bem é preciso de dinheiro. E não se consegue dinheiro sem trabalhar. Portanto, viver bem é algo impossível.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Numerologia

Bem, na verdade esse post é apenas sobre os números e como os números estão na sua vida. Se eu quisesse falar apenas sobre numerologia, o caminho mais fácil e lógico seria apenas ir falar com Pai Jorginho de Ogum. Não sei se a especialidade dele é essa, mas ele enrola para falar sobre qualquer assunto místico. De qualquer forma um post chamado “Números” não tem a força de um “numerologia”. Sempre consulto meu numerólogo para escolher os títulos dos posts.

A verdade é que os números estão ai na sua vida. Sim, eles estão. Em alguns momentos você é apenas um número. Quando vai preencher cadastros, você é o seu RG e o seu CPF. É também o seu número de matrícula, é a sua senha de banco, o número da sua conta, é uma data de aniversário. Você também é um número de roupa que veste.

E os números nas camisetas? Você vê pessoas vestidas com camisetas com o número 82, 67, 19 e etc. O que esses números significam? Alguns são fáceis de explicar. E os outros... bem, não faço a menor idéia.

O 88 por exemplo. Várias pessoas nascidas em 88 usam camisas com esse número. Outros usam porque, afinal, queiram ou não, o 8 é um número simpático. Redondo e interminável. Mas a verdade é que o 88 é o número de neonazistas. “Heil Hitler” era o grito que os nazistas faziam para o seu líder supremo. HH e o 8 é o número mais parecido com um H. Então, 88=HH=Heil Hitler. Explicando matematicamente.

Mas o número mais famoso de todos sem dúvida é o 24. Graças ao jogo do bicho, em que este é o número do veado. Que garoto nunca passou pelo temor de ser o número 24 da chamada. O terror da vida de muitos Luizes, Marcelos, até mesmo Paulos, Ricardos, e porque não Thiagos nas turmas menores.

O professor começava a dizer “André, número 1”, passava pelo Fábio número 13... até chegar ao número 23. A expectativa era criada. Aqueles que corriam o risco pensavam “quem falta antes de mim”. Até que o professor falava “Roberto, número 24”. Era motivo de desespero. Todos os outros começavam a rir e humilhar o Roberto. Que pensava em qualquer solução para escapar desse número maldito. Suicídio, mudança de colégio.

Também era uma frustração quando o número 24 caia com uma Rafaela ou qualquer outra menina. Não tem graça chamar a menina de viado.

Os números estão aí nas estatísticas. É de conhecimento público que 65,36% das estatísticas são inventadas na hora. Mas elas dão credibilidade para sua informação. “Po, boa parte dos que pegam essa doença morrem”. Isso não é nada. Agora “89% das pessoas que pegam essa doença, morrem”. Veja a confiança. Aliás, principalmente se o número for fracionado. 28,93% é muito melhor que 30%.

Jornalistas principalmente adoram dados. Mesmo que eles não saibam o que eles significam. Estão sempre em busca de um número exato de mortes, uma estatística de acidentes.

Por isso, o tempo todo somos bombardeados por números. Mesmo que para nós, eles não sejam nada.

415.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Comente nos próximos 15 minutos e leve um exclusivo...

Fez parte das nossas infâncias, quando nós assistíamos Cavaleiros do Zodíaco na extinta TV Manchete. Depois nos acompanhou na nossa vida adulta, passando no intervalo dos canais de assinatura. Aliás, eles estão em qualquer lugar. Tratam-se dos produtos Polishop. Inesquecíveis, indispensáveis e sensacionais. Vamos aqui no CH3 nos lembrar de alguns deles.

Facas Ginsu: O mais sensacional produto da história da Polishop. Trata-se de uma faca que corta qualquer coisa. Se ela cair no chão ela corta o planeta ao meio. Sua lâmina era desenvolvida com tecnologia de japoneses que trabalham na NASA. Com essa faca você poderia... bem, cortar qualquer coisa. Para que você iria querer cortar qualquer coisa, eu não sei. E ligando logo, você ganharia uma outra faca, um kit de facas, um pedra de amolar que é mais cortante que a própria faca.

Meias Vivarina: Meias calças femininas que não desfiam sobre nenhuma hipótese. Você poderia atirar nela que ela não rasgaria. Provavelmente mais pessoas compraram ela para testar essa possibilidade do que para realmente usá-la.

Existe uma polêmica na internet. Se as facas Ginsu cortam tudo e nada corta as meias Vivarina, quem ganharia a disputa?

Caneta Penaly Fountain Pen: Uma caneta sensacional. Era capaz de atravessar latinhas de alumínio. Furava madeira. Provavelmente muitas pessoas compravam ela apenas para impressionar os amigos. Ou então era vendida para assassinos profissionais. Enfim, se você comprasse essa caneta você ainda ganharia uma exclusiva caneta esferográfica executiva, que escreve em cima do cimento, da madeira e até de cabeça para baixo. Uma caneta que escreve com várias cores, uma caneta para mulher. E claro, ligando nos próximos 15 minutos você ganharia ainda um... sei lá. Uma caneta que só escreve.

Juicer Valita: Uma poderosa centrífuga que transforma tudo em suco. Sim, tudo. Coloque uma cenoura lá dentro que ela vira suco. Coloque um rato, que o rato vira suco. Se um dia você for se perder no deserto, se perca com um Juicer Valita, porque ele fará suco da areia e você não vai morrer de sede. Existe até o conto do maníaco, que matava pessoas e transformava os cadávers em suco com seu Juicer Valita.

Super Ladder: Uma escada. Ou melhor, não apenas uma escada. Ela se adapta em várias posições. Com ela você pode trocar a lâmpada, pegar coisas no alto do armário e... bem, coisas que escadas fazem também. Mas não é tão legal se você não tiver uma Super Ladder.

George Foreman Grill: Uma grelha que retirar gordura de tudo. E a gordura toda escorre para um coletor. Se você quiser pode até beber essa gordura, mas sua comida não tem gordura nenhuma. Ao invés de fazer uma lipoaspiração, deite em cima de um super George Foreman Grill e queime toda sua gordura. Aproveite e pegue um bronzeado também.

Emagrecedores: Junte a tantos outros Milk Shakes nutritivos e emagrecedores da Polishop. Você toma um copo de manhã, no almoço come um frango grelhado com salada e outro copo dele. No jantar um peixe com laranja e outro copo que o negócio te faz emagrecer. Sim, não é a alimentação, é só o Milk Shake mágico.

Eletro estimuladores: Aqueles discretos aparelhos que dão choque na sua barriga. Você pode usar eles em qualquer lugar, no trabalho, na escola, no ônibus. Ninguém vai perceber uma pessoa com a barriga pulando do nada.

Exercícios milagrosos: Os tradicionais “bastam 10 minutos de abdominais diários para obter resultados”. Fácil não? Tente você fazer 10 minutos de abdominal para ver se é tranqüilo.

E não perca a promoção, comentando nesse post você ganha outro post novo daqui a dois dias.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Profissões desgraçantes: mascotes fantasiados

A cena já é clássica aqui no CH3. Vinícius Gressana vestido com uma ridícula roupa de celular faz uma dança bizarra frente a uma câmera amadora. Trata-se do homem celular. Apesar do vídeo ter virado uma brincadeira e motivo de inglória para o protagonista, há um outro lado nessa história que é muito mais triste.

Sim, Vinícius usou a roupa ridícula e foi filmado nessa situação. Mas, acreditem, quem fez essa roupa não a fez apenas para sacanear o estagiário. Ok, o objetivo do vídeo era esse, mas não a da roupa.

A roupa foi confeccionada para que outra pessoa a utilizasse em um evento conhecido com “A Chegada do Papai Noel”. Ou seja, uma pessoa recebe dinheiro para ficar vestida com uma roupa ridícula. Uma verdadeira profissão desgraçante.


Estas fantasias podem ser divididas basicamente basicamente em duas categorias. Aquelas em que o rosto da pessoa aparece e aquelas em que o rosto não aparece. No caso do homem celular, seu rosto não apareceria. O que torna o caso muito melhor.

Não deixa é claro de ser humilhante você ficar vestido com uma fantasia fazendo micagens. Sim, você não pode ser apenas um celular. Celulares normalmente ficam parados. Mas não, você tem que ficar dançando, rebolando e tudo mais.

É o caso das mascotes dos jogos de futebol. Chega a ser um momento de constrangimento público quando um cara fantasiado de raposa entre em campo junto com o time do Cruzeiro, por exemplo.

Só que pior do que isso é quando o rosto da pessoa aparece pela fantasia. E então, trago o meu depoimento do que eu vi na última quinta-feira no shopping Pantanal.

Vi um cara, também de uma empresa de celular (note, as empresas de celular são as que mais gostam dessa tática de intimidação) vestido de caixa de presente. E sua cabeça aparecia por cima da caixa, ficando logo abaixo do laço do presente.

Não, não venha argumentar que essa profissão não é desgraçante. Não basta o trabalho sacal (ficar andando o shopping todo), em uma roupa ridícula (uma caixa de presentes? Francamente), você ainda pode ser reconhecido.

Imagine a cena:
- Carlos! Hahaha, olha só, você vestido de caixa de presente, hahaaha.
- é, tem que ganhar a vida né.

Depois o amigo conversa com um outro:
- hahahaha, sabe quem eu vi no shopping hoje?
- Quem?
- O Carlos.
- Pô, tempão que eu não vejo ele, como que ele tá?
- Hahaha, sei lá se ele tá bem. Mas ele tava andando vestido com uma fantasia de caixa de presentes, esse é o emprego dele, hahaha.
- Hahahahaha, que merda.

Depois esses amigos ainda avisarão todos os outros no Orkut, no MSN. E o Carlos será eternamente conhecido como o cara que andava pelo shopping vestido de Caixa de Presentes. E, imagino, ele não deve ganhar bem por isso.

Atenção. Todos os nomes e diálogos transcritos nesse post são meramente imaginativos. Qualquer semelhança com a vida real é uma mera coincidência. O fato de que “Carlos” é também sobrenome do Vinícius, não significa nada. Ele não estava vestido de caixa de presente no Shopping Pantanal. Aliás. Os lugares descritos no post também são meramente figurativos. O CH3 desconhece a existência desses lugares, e se eles realmente existirem, foi apenas uma coincidência fantástica. Inclusive os objetos que foram citados no texto são meramente ilustrativos. Desconhecemos se eles realmente existem ou não. A palavra “celular” foi usada tal qual poderíamos ter usado “brócolis”. Se realmente existem celulares, a culpa não é nossa. Inclusive todas as palavras citadas até o presente momento foram usadas sem nenhuma pretensão econômica. Os detentores dos direitos de uso delas podem amigavelmente solicitar a sua retirada, que o CH3 o fará sem nenhuma resistência. O vídeo usado, também não pode ser comprovado como verídico. As pessoas que ali aparecem não existem. Se elas se parecem com você, é apenas mais uma coincidência.

sábado, 8 de agosto de 2009

O que fazer com o congresso nacional?

Não dá outra. Todo dia, diretamente de Brasília todos somos constrangidos por notícias ridículas. Senadores fazendo merda, deputados falando merda. Uma merda só. A grande questão é: o que podemos fazer com o poder público? O CH3 apresenta algumas soluções para dar uma função prática aos excelentíssimos. Quem sabe na televisão eles não conseguem dar algum retorno a sociedade?

Reality Shows: Renan Calheiros, Tasso Jereissati, Collor, Sarney e outros trancafiados em uma casa. Ou melhor soltos em uma ilha deserta tendo que enfrentar os maiores desafios em busca da sobrevivência. Zeca Camargo comandaria as provas. Toda semana os telespectadores decidiriam quem seria o eliminado, que por sua vez, teria que voltar nadando até o continente enfrentando um mar com tubarões famintos. Para completar, Gilmar Mendes decidiria se as provas do programa são ou não constitucionais.

O CH3 já publicou uma série de realitys shows que não foram para o ar. Alguns deles funcionariam bem nessa situação, veja.

Jogo de Futebol: Senadores e deputados divididos em vários times disputam um emocionante campeonato de futebol narrado por Galvão Bueno. Jogos disputados no centro-oeste em setembro, no Sertão do Cariri e em cidades infestadas pela gripe suína. O juiz do jogo é Gilmar Mendes.

Show de Calouros: Apresentado por Roberto Justus, o programa mostraria Collor cantando My Way. Renan Calheiros e o último sucesso do Calcinha Preta, enquanto Sarney solta a voz em Cavalo Manco do Calypso. O jurado, claro, é Gilmar Mendes.

Olimpíadas do Faustão: Políticos participando da Ponte do Rio Que Cai. Vestidos em roupas redondas tendo que subir rampas. Alguns números de outros programas poderiam ser adaptados. O clássico “quem agüenta mais tempo em cima do touro mecânico”, ou a descida do escorregador com groselha no colo. Sem falar da porta dos desesperados. Nota; no caso os políticos fariam o papel de monstro que se esconde atrás da porta número 2. Gilmar Mendes irá participar é claro, nem que seja como operador de teleprompter do Sérgio Mallandro (ou Faustão).

Programa de culinária: No Lugar de Ana Maria Braga, os políticos ensinariam a população a cozinhar. Além de dicas para superfaturar jantares. Vocês já devem imaginar quem é que iria substituir o Louro José.

Soletrando: Ao invés de crianças, políticos soletrando. Gilmar Mendes julgaria se a grafia da palavra é constitucional ou não.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

As melhores sensações do mundo

No mundo da propaganda existem algumas sensações que podem ser consideradas como as melhores do mundo. Um olhar desatento pode fazer parecer que são atos normais. Mas não. São as atitudes mais sublimes. As experiências mais fantásticas pelas quais um ser humano pode passar.

Usar desodorante: Você usa desodorante apenas para evitar constrangimento em ônibus e outros lugares fechados.
Mas não. Usar desodorante traz a você à mesma sensação de pilotar carros potentes, pular de pára-quedas e tudo mais. O negócio é tão bom que além de passar desodorante no sovaco, você devia passar o negócio na barriga inteira, no corpo. Até beber se bobear.

Barba bem feita: Você faz a barba por quê? Porque dá coceira, incomoda e fica feio às vezes. Mas nada como fazer com giletes desenvolvidas pela NASA que deixam o rosto mais macio do que a Xuxa em Amor, Estranho Amor. Fora os cremes feitos a base de nata de leite de ovelhas virgens. Fazer a barba te faz usar ternos bonitos, e ficar horas se admirando na frente do espelho passando a mão no rosto.

Uso de absorvente: Sim. Usar absorvente te faz andar a cavalo, entrar na piscina, jogar tênis, jogar vôlei, andar de bicicleta, dançar balé e tudo mais.

Defecar: Não é apenas uma necessidade fisiológica. Veja os comerciais do Activia. Pessoas infelizes ficam mais felizes depois de cagar. “Minha vida era difícil. Perdia horas no banheiro. Agora que tomo Activia tudo é uma maravilha”. Salva casamentos. Casais felizes defecam juntos. É uma sensação tão boa que você precisa procurar o melhor ambiente possível para isso. É o segredo da vida.

Chupar bala de menta: Nada de gostar de um docinho ou de estar com dor de garganta. Chupar bala de menta é um mergulho no Iceberg. É escalar uma montanha. Ser seqüestrado por pingüins. Ser colocado dentro de uma geladeira. Ok, parece não ser muito legal mergulhar no pólo norte. Mas na propaganda é excelente.

Comer mortadela: Ou presunto também. Não é porque você tem fome. Você nunca percebeu o prazer que existe em comer um pedaço de presunto? Colocá-lo inteiro dentro da boca? Esfregá-lo no corpo? Sodomizá-lo? Manter relações com o presunto? Bem, nem tanto, mas pelo comercial você devia fazer isso.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A arte de falar bonito

Prefácio
Fazia algum tempo que eu pensava em fazer em post. A idéia amadureceu de vez depois que eu vi a discussão entre Pedro Simon, Renan Calheiros e Fernando Collor no Senado.

É mais uma daqueles momentos do Senado que todo mundo logo vai esquecer. O assunto era José Sarney (eleito por oito anos consecutivos o homem mais demonizado do Brasil). Simon criticava o Amapaense/Maranhense quando Calheiros (sex symbol e seis vezes escolhido o guardião da ética da Nicarágua), foi defender Sarney. Collor entrou no meio da história. E é aí que nos interessa.

Collor, ex-presidente do Brasil, célebre autor de bordões, bastião da moralidade brasileira e viado velho, foi se defender. Com ódio em seus olhos, sobrancelha arqueada e mortalmente ofendido, ele proferiu palavras contra Simon, como é possível ver no vídeo abaixo.




A primeira coisa que se nota, é que Collor se segurou para não soltar a franga. Ele estava à beira de surtar. Para mim, estava claro que ele ficou a um fio de cabelo de arrancar o terno, vestir uma cueca de coelhinho e começar a rolar em cima da bancada gritando “eu sou um coelhinho, eu sou um coelhinho! hohohohoh”.

Mas o que importa é: como falou bonito Collor. Como ele disse palavras complicadas que ninguém entendeu. Em um dos trechos ele se refere aos hebdomadários brasileiros. Isso significa “revista Semanal” e muito provavelmente, Revista Veja.¹

Eis então que ele diz as seguintes palavras. Em um momento que eu considero como o mais nobre e sublime da história do país “nem quem mais esteja deblaterando como o senhor deblatera, parlapatão que é desta tribuna”. Em um português normal isso poderia ser traduzido como “falá merda comocê fala, fidumaputa que cê é”.

Feita essa consideração inicial, falemos logo sobre a arte de falar bonito.

Prédificio.

Uma breve análise do discurso proferido pelo excelentíssimo ex-presidente da república pode dar uma falsa idéia de que falar bonito é simples. Oras, isto é uma falácia. Esta é uma arte, que para ser praticada faz necessária ao interlocutor enorme destreza e sapiência. No entanto, algumas dicas podem ser aqui ditas para que o nobre leitor possa, quem sabe, dominar essa arte secular, quiçá milenar.

O primeiro item que necessita ser notado é o tempo da fala. Não se pode de maneira alguma falar rapidamente. Esta fala rápida denota certo nervosismo, como se o discurso fosse decorado. A fala precisa ser pausada. Dando a entender que cada palavra é pensada, pescada friamente em sua mente. Escolhida a dedo para aquela situação. É preciso convencer aquele que o ouve de que realmente não haveria palavra melhor para expressar o que você deseja.

A fala pausada ainda chama a atenção para essas palavras. Elas não se perderão no meio do contexto. Elas é que serão o contexto. E assim, todos vão prestar atenção nas palavras difíceis e esquecer-se do que você falou. Collor por exemplo, mandou o Simon engolir as palavras dele e as digerir da maneira que julgar conveniente. Estou pensando deste então nas várias maneiras possíveis de se digerir alguma coisa.²

Claro. Você precisa ter um longo e vasto vocábulo. Anote todas as palavras difíceis que você escutar, como “circunspecto”. E até mesmo o Parlapatão. No entanto, parlapatão está na moda. Aquele que realmente fala bonito não irá usar “Parlapatão”. Apenas daqui a uns bons seis anos ela poderá voltar a ser usada. Quem fala bonito é original. Escolha uma palavra difícil do dicionário e use-a “vocês estão lobrigando” ou “este visual rocioso que apresentas”.

Um outro importante fator que ajuda essa nobre arte é falar em ordem indireta. Esqueça o sujeito-predicado. Bagunce completamente suas frases. Aprenda com o hino nacional

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico um brado retumbante”

Na verdade é apenas “Ouviram um brado retumbante de um povo heróico as margens plácidas do Ipiranga”.

Utilize “tu” ao invés de “você”. E “vós” no lugar de vocês. “Vós sois competentes na função a qual são atribuídos”.

Termos em latim, ou até mesmo em francês são bem vindos.

E por final, uma coisa mais fácil e popular. Utilize barras. É preciso ser honesto para/com meus leitores e/ou adimiradores.

¹Aliás, é vergonhoso que as pessoas estejam discutindo se o Collor ou se o Simon é melhor. O grande fato dessa história é o uso de parlapatão e deblaterar na mesma frase.
²Outro exemplo é que Collor diz “minhas relações com o senador Renan Calheiros são conhecidas. E são relações das quais eu não me envergonho”. Ou seja, ele aceitou um romance homossexual em plena tribuna e ninguém notou.

domingo, 2 de agosto de 2009

CH3 Entrevista: Pai Jorginho de Ogum

O pai-de-santo é uma lenda. É o membro mais legal do blog. Algumas pessoas sugerem que ele tenha um blog apenas dele. No entanto, vale ressaltar que ele tem um contrato com o CH3 e a multa rescisória é muito cara.

Já falamos muito sobre esse ser supremo. Mas, percebemos que nunca publicamos uma entrevista com ele. Portanto, como eu não tinha o que postar hoje, resolvi fazer uma longa entrevista com ele. A primeria (e talvez última) parte está sendo publicada agora.

Primeiramente, quem é Pai Jorginho de Ogum?
Eu.
É... não, assim. Fale um pouco sobre você, do que gosta, o que faz?
Olha. Se você esperar uma pequena espera eu imagino que posso ligar o computador e dizer o que eu disse escritamente lá no Orkut. Imagino que é a melhor descrição que eu já descrevi sobre minha pessoa.
Tá, deixa pra lá. Que lembranças você tem da sua infância?
Várias. Quando eu tinha três anos eu bati uma batida na cara da parede e perdi um dente. Depois eu caí de bicicleta numa ladeira e perdi outro dente. Lembro-me de uma lembrança na qual eu jogava futebol. Soltava pipa. Praticamente não lembrava de praticar lembranças de pequenos furtos e furtações assim. Fazia outras coisas assim. Se quiser eu tenho um pequeno diário minúsculo algo em torno de... 700 páginas, não mais que 500. E lá eu tenho várias...
Tudo bem, tudo bem. Já entendi. Como foram os seus tempos de Flamengo?
Ruins, não foram bons. O time era fraco. Perdíamos alguns jogos que as equipes consideravam que eram fáceis. Nós íamos lá e perdíamos.
Venceram algum jogo?
Olha, fiz 39 partidas oficiais e perdi todas. Mas aconteceu uma derrota de 6x1 para o Madureira em que fiz meu único gol que foi oficialmente oficial. Pelo placar apertado e pelo tamanho do adversário foi um bom placar. Mas, já aposentado do futebol consegui uma vitória.
Contra quem?
Num jogo treinamento que serviu de treino. O time que jogava na minha época ganhou do time atual por 1x0. Gol meu.
Foi a maior emoção da sua vida?
Talvez. Mas acho que a maior foi a primeira vez em que eu... sabe... toquei uma.
...
Uma... campainha da vizinha e corri disparadamente uma corrida rápida. Nunca me senti assim. É uma das boas lembranças da memória da minhas lembranças infantis. Já falei delas?
Quando você se tornou pai-de-santo?
Não sei. É algo intrínseco a origem do universo.
Logo você começou a usar essas roupas de viado velho?
Olha, viado, talvez. Mas Sagrado. Pelé usava a camisa do Santos, Michael Jordan usava a camisa dele, eu uso essa roupa. Não consigo diferenciar diferenças entre eu e esses outros nomes.
Quais foram os principais acertos de suas previsões?
Todos. Eu nunca erro, como já disse, erro não existe em meu dicionário. Eu nunca errei uma previsão. Até quando eu teoricamente erro, eu sabia que iria errar. Portanto eu acerto nos erros. E acerto nos acertos. Meu dicionário é ocupado em metade do espaço pela palavra acerto.
Porque você faz isso?
Emoção. A vida é o que é pela emoção, é o que nos faz viver, tentar, mudar pra melhor, e não importar com o que acontece de errado na nossa vida.
Belas palavras, você que pensou isso?

Não. Eu provavelmente li isso em algum lugar lido. Tal qual um livro talvez, daqueles de auto-ajuda que eu tanto gosto.
Mas, voltando, diga algumas previsões que foram importantes na sua vida, se esforce, oras.
Certo, eu acertei quando previ que seria preso por não pagar a pensão alimentícia da minha mulher, quando a gente se separou uma vez.
O que você acha das pessoas que o consideram um charlatão?
Charlatão é o que? Um cafetão que só atua com Chacretes?
É, digamos que... é quase isso.Pra mim seria uma honra, e um orgulho também. Minha mulher sempre sonhou em ser chacrete. Me sinto muito feliz em que me considerem um Chacretão. Além de feliz me sinto muito alegre, e muito contente também.
Alegre, feliz, contente, são praticamente sinônimos.
Ahn.. eu e o Marcão também somos.
Não, vocês são vizinhos.
Também.