Homônimos

Um amigo meu de colégio, cujo nome não irei revelar, tinha um pai com um nome excêntrico. O pai, como todos os seus irmãos tinham um nome aleatório e semelhante, em que só mudava uma vogal. Algo como “Danonar, Danoner, Danonir, Danonor, Danonur, Denonar” e por aí vai. Poderíamos pensar que esse é mais um clássico caso de pai que sacaneia. Mas, muito pelo contrário. Este na verdade era um pai prevenido.

Tudo porque ele tinha um nome comum, bem comum. Algo como João da Silva. E, durante a ditadura de Getúlio Vargas ele foi preso por engano, graças a outro João da Silva que era subversivo. Então, porque ele chamaria seus filhos por nomes como “José da Silva”, “Francisco da Silva” ou “Pedro da Silva”? Nenhum filho seu jamais passaria por esse transtorno, pensou e se decidiu. Nenhum Danonor da Silva seria preso por engano.

Esse exemplo mostra como um homônimo pode atrapalhar sua vida. Pode ser desde os tempos do colégio. Se você estudasse com alguém com o mesmo nome que você, sempre que chamassem o nome (suponhamos, Marcos), haveria aquela dúvida. Pior seria se sempre que falassem “Marcos” fosse por conta do seu homônimo. Isso significaria que você era um fracassado. E sendo ele mais popular, a sensação é de que ele seria o único Marcos de verdade. Você poderia ser chamado a diretoria por engano. As pessoas nem saberiam que havia outro Marcos na turma. Mesmo sendo denunciado o outro Marcos que fazia merda, você é que acabaria parando na diretoria.

Outro problema está na lista telefônica. Imagine ter que achar um Paulo Souza na lista telefônica. Você provavelmente irá perder horas com tentativas. Você pode pensar que as pessoas nem usam mais listas telefônicas hoje em dia, mas elas usam. Certa vez se mostrou o problema de um pobre Roberto Jefferson que morava em Brasília e que todo dia era xingado por acharem que ele era aquele que tinha despertado em si os sentimentos mais primitivos. Imagine quantos Wilsons Santos não são ameaçados de morte, proibidos de entrar em algum lugar por conta dessa infeliz coincidência.

Se você por um acaso se chamar João Bin Laden, não conseguirá entrar nos EUA. Vão achar que você é um terrorista. Aliás, se você se chamar João Bin Laden você não entra nem na minha casa, seu sujo, nefasto!

E há hoje a internet. Por exemplo, existe outro Guilherme Blatt que vive em Petrópolis e que tem um perfil numa rede social como “GuiboySexy”. Se algum dia eu quiser um emprego e enviar um currículo, sem dúvida vão me procurar na internet. Vão achar esse blog (o que já será ruim), perfil no twitter, no Orkut e esse maldito homônimo que ira atrapalhar minha vida. Você contrataria alguém com um perfil desses na internet? Provavelmente não. E os pobres homônimos sofrem com isso. Aposto até que morrerei desempregado por conta disso.

Portanto, quando for dar um nome para um filho, junte silabas, pergunte ao Djavan ou abra o dicionário aleatoriamente. Seus filhos Castanor e Cestanor não deverão passar por esse problema.

Comentários

em teste disse…
Realmente. Eu conheço poucas pessoas com o meu nome e talvez por isso, as pessoas que não me conhecem bem acabam me chamando pelos nomes mais conhecidos: Andressa, Andréia, Vanessa. Será que alguém se chama Hitler? Ia ser uma vitória passar pela vida com esse nome.O negócio é que os pais geralmente dão nomes pensando realmente em outras pessoas, como uma homenagem e aí é uma bola de neve.
Gressana disse…
Acho que o Wonnarlevyston Garlan ganhou esse nome por conta disso, pra ninguém ter um nome igual a ele.
Eu sofro problema parecido. Quando era criança, achava o meu nome muito foda porque não conhecia ninguém com um igual, mas quando eu fui pra cidade grande, conheci milhares de Vinícius. Um deles, era apelidado de "Esquinícius", e quando ele saiu da turma, o apelido veio pra mim.
MANGABEIRA disse…
Putz.
Lembro-me que conheci um infeliz chamado Adolph. E a galera, de sacanagem, só o chamava de Hitler.