sexta-feira, 27 de junho de 2014

Hinos, parte 2

A Copa do Mundo de Futebol é a melhor oportunidade que temos para observar quando um hino é bom ou não. Um bom hino tem que representar o seu país e motivar as pessoas a defenderem a pátria. Podemos perceber isso no futebol. Invariavelmente, as seleções com hinos melhores conseguem melhores resultados futebolísticos. Principalmente nos jogos de vida ou morte.

Um bom exemplo aconteceu quando Uruguai e Inglaterra se enfrentaram e aquele que perdesse estaria praticamente fora da competição. Os uruguaios começavam seu hino com “Orientais: a pátria ou a tumba”. Ou seja, estavam prontos para patrolar os seus adversários. Enquanto isso, a Inglaterra fica naquela história de “deus salve nossa graciosa rainha”. Resultado: Uruguai vence e a rainha da Inglaterra está com 200 anos e nunca viu os britânicos ganharem nada.

A Espanha caiu na primeira fase e também, pudera, o hino deles não tem letra. Cria-se aquele momento patético em que os jogadores ficam lá parados, escutando uma música, sem saber se colocam a mão no bolso, se sorriem ou se choram. Você pode argumentar que eles foram campeões da última Copa, e isso é verdade, mas eu digo que eles conseguiram conquistar o título pelo seu estilo de jogo, que tira a batalha de dentro do campo. E também porque enfrentaram a Holanda na final.

Não tinha medo o tal Guilherme de Nassau
O hino holandês é uma espécie de Faroeste Caboclo sobre a história de Guilherme de Nassau. Depois de contar sua vida e sua história em um tom litúrgico, o clímax do hino ocorre na frase “e sempre serei fiel ao Rei da Espanha”. Quer algo mais perdedor do que ser fiel ao rei do outro país? Quando em 2010, no Soccer City, os holandeses cantaram isso, constrangidos, os espanhóis sorriram com a certeza da vitória.

A França, por exemplo, coleciona um histórico de fracassos em primeiras fases do mundial. No entanto, quando eles avançam de fase costumam a chegar longe. Não é preciso pensar muito para dizer que seu hino, a Marselhesa, é a responsável por isso. Na hora do vamos ver, eles já escutam aquela melodia de guerra questionando se os jogadores deixarão que os adversários venham degolar nossos filhos e nossas mulheres, pedem para que todos peguem em armas e alimentem o solo com o sangue impuro. Ideal para patrolar o adversário.

Agora, nas oitavas de final, é que a força dos hinos deverá se impor, em jogos de vida ou morte. O CH3 analisa agora, quais países saem na frente por uma vaga nas quartas de final, pela força dos seus cânticos.

Brasil x Chile
O hino do Brasil é confuso, mas termina em um momento de glória ao país. Mas temos que dizer que o Chile leva uma vantagem. Também tem um tom contemplativo as montanhas e o céu do país, mas o final que diz que a tumba será dos livres ou um asilo contra a opressão, dá mais força.

Holanda x México
Não é preciso fazer muita força para ganhar da carta de apresentação musicada de Guilherme de Nassau. Portanto, o México leva alguma vantagem, mas uma parte do hino que fala sobre cingir as têmporas de Oliva, não ajuda muito não.

Colômbia x Uruguai
Já falamos aqui que os uruguaios tem grande vantagem porque já dizem que a única alternativa a pátria é a morte. O Hino da Colômbia é mais contemplativo, falando sobre a glória interminável e júbilo imortal.

Costa Rica x Grécia
Os costarriquenhos levam alguma vantagem. O hino dos latinos tem essa história de sempre, da terra gentil, pátria adorada e tudo mais. Já os gregos tem uma parte surreal sobre reconhecer alguém por um olhar e sobre facas feitas de ossos. Rudimentar.

França x Nigéria
Sim, não dá para competir com A Marselhesa, suas degolações e ódio puro. Mas o hino nigeriano não é dos piores, ao lembrar o trabalho dos antepassados. Há uma parte que não dá para traduzir em português, porque fica algo como: “Uma nação unida pela liberdade, liberdade, paz e unidade”. Unida pela unidade?

Argentina x Suíça
Os argentinos entram em desvantagem porque a parte do hino tocada nos jogos não tem letra e os jogadores precisam ficar com cara de bobo enquanto a torcida acompanha a melodia com vocalizações. Mas, a Suíça não tem tanta vantagem porque eles não têm hino, e sim um salmo bíblico musicado. E ainda pode ser cantado em quatro idiomas diferentes! Assim não dá pra ganhar nem campeonato de chocolate.

Alemanha x Argélia
O hino alemão é uma sinfonia de soberania. Já o hino da Argélia é ódio puro. Eles juram por um raio que destrói, pelos rios de sangue derramados, que a Argélia viverá independente de qualquer coisa. Um hino bom tem que falar em sangue.

Bélgica x Estados Unidos
Os belgas tratam seu país de uma maneira muito carinhosa em seu hino, algo como “queridinha”. Mas eles falam em sangue, e isso é uma vantagem, já disse. O hino norte-americano fala muito sobre a história deles e não passa nenhuma mensagem de medo para o adversário. Vantagem belga.

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