A morte no elevador



Roberto acordou na segunda-feira para mais um dia normal de trabalho. Tomou banho, escovou os dentes, fez o café e comeu uma torrada. Vestiu sua roupa, amarrou o cadarço e ajeitou a gola. Pegou sua mochila, seus documentos, o telefone e a chave do carro. Saiu de casa, pegou o elevador e chegou até a sua garagem. Apertou o alarme do carro, destravou as portas e se sentou no banco do motorista. Estava prestes a ligar o carro quando a dúvida chegou. “Fechei a porta?”, ele pensou.

Puxou pela memória e não conseguia lembrar se a porta estava realmente fechada. Imaginou nos ladrões abrindo a porta e fazendo uma limpa no seu apartamento. As câmeras de segurança registrariam tudo, mas nada seria recuperado. Pensou que o apartamento era seguro e ninguém jamais iria invadir sua casa. Ligou o carro, mas o medo de ter seu notebook roubado foi mais forte. Decidiu voltar.

Entrou no elevador, já preocupado com a hora. Apertou o botão do quinto andar e começou a subir. No meio do caminho lhe veio o pensamento. Achou que tinha deixado o carro com as janelas abertas. Pensou que nada iria acontecer neste meio tempo, mas logo se lembrou daquele vizinho pouco confiável. Decidiu voltar para conferir.

Desceu e chegou novamente a garagem. O carro estava com as janelas fechadas. Será que ele tinha apertado o alarme? Não se lembrava. Apertou o botão do alarme e não escutou nada. Achou estranho. Destravou o carro e o travou novamente. Não satisfeito, pressionou a maçaneta para verificar que o carro realmente estava fechado. Pegou o elevador novamente para conferir a porta da casa.

Chegou e colocou a chave na fechadura. Sim, a porta estava trancada. Abriu e fechou para se certificar. Fez isso duas vezes. Poderia ir para o seu trabalho normalmente. Entrou no elevador e conferiu se as coisas estavam no bolso. Chave, celular, carteira e documentos do carro. Voltou para a garagem, entrou no carro, deu partida e resolveu conferir se tudo o que ele precisava estava dentro da mochila.

Material de trabalho, roupa da academia, escova de dente, tudo certo. E o café. Ah, o café, será que ele desligou o gás depois de ferver a água. Sim, desligou. Ou não? Sua cabeça foi tomada por imagens do prédio explodindo no momento em que alguém acendesse a luz do corredor inocentemente. Olhou no relógio e viu que começava a se atrasar. Mas ele não tinha alternativa. Trancou o carro e voltou ao elevador.

No meio do caminho seu chefe lhe telefonou pedindo o número de processo. O processo estava na sua mochila, que estava no carro. Posso passar daqui a pouco? Não o cliente está comigo agora. Voltou a garagem, entrou no carro, abriu a mochila e achou o processo. Passou o número para o chefe e disse que chegava logo mais. Estava entrando no elevador quando se lembrou do alarme. Voltou até o carro, destravou, travou, conferiu a maçaneta. E voltou para o elevador.

Chegou ao quinto andar, pegou a chave, abriu a porta. Foi direto até a cozinha e o gás estava desligado, a louça do domingo para lavar. Saiu de caso, entrou no elevador, voltou até a garagem. Abriu o carro, deu a partida, colocou o cinto, engatou a ré. Olhou pelo retrovisor e viu um vizinho descendo com o lixo. O lixo. Segunda-feira é dia de recolher o lixo. O final de semana teve peixe e se o lixo não for embora hoje a casa vai ficar fedendo até a quinta-feira. Será que eu desci o lixo?

Desligou o carro, soltou o cinto, abriu a porta e fechou o carro, conferindo na hora se a porta estava travada. Entrou no elevador, chegou até a porta do seu apartamento e viu que havia esquecido as chaves de casa dentro do carro.

Na manhã seguinte, um vizinho encontrou o corpo de Roberto dentro do elevador.

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