Os Mistérios de Leoni e o Kid Abelha

Por vezes, me parece estranha a admiração que a geração nascida nos 70 tem pelo Kid Abelha. Os dois primeiros discos do grupo são tratados com reverência, como pérolas pop, coleção de hits. Mas para alguém que, como eu, nasceu no final dos anos 80, o Kid Abelha é apenas a banda da Paula Toller acompanhada por um saxofonista tiozão que pensa que tem 20 anos.
Como um bom vinho, que fica melhor a cada dia. Não me refiro a sua voz.

Muita gente pode não se lembrar, mas Leoni foi fundador do Kid Abelha. Aliás, o grupo surgiu por que na época ele namorava a Paula Toller. Ele também é tratado com certa reverência por essa geração e por pessoas mais velhas que ele, que é nascido em 1961. Leoni é visto como um poeta moderno, compositor sensível, popular sem perder a classe, sensual sem ser vulgar, mito do karaokê. Talvez ele ocupe a brecha que Cazuza deixou quando morreu. Leoni participou apenas e justamente dos dois primeiros e reverenciados discos do Kid Abelha.

Não discuto que Leoni tenha apelo com a massa, mas eu acho suas composições pavorosas, um "brega de bom gosto". Para mim, ele é uma espécie de Odair José da classe média, que estudou em bons colégios e fez faculdade. Um cara que leu livros, mas tem alma de pedreiro.

Não sei identificar exatamente o que é que me irrita em suas letras. Leoni é um compositor romântico, mas de romances adolescentes. Tipo aquele colega de classe que era metido a compor poesia e o resultado era trágico. Suas músicas são sobre paranoias românticas, amores não correspondidos, experiências sexuais relatadas em metáforas e a sensação de ficar na friendzone.

Vamos exemplificar. Em “Seu Espião”, a estreia do Kid Abelha, o maior sucesso era “Como eu Quero”, hit da mulher possessiva que quer transformar seu parceiro em um fantoche, tirando-lhe toda a sua personalidade¹. Ela não quer que ele use bermudas e diz que ele fica horrível sem ela. A música tenta criar um clima de sensualidade, típico de uma mulher fatal, mas passa longe. Parece coisa de menina mimada. E o verso dos solos de guitarra sempre me pareceu constrangedor.

Outro grande sucesso do disco é “Porque não eu?”, sobre um cara que não entende porque a mulher não cede aos seus apelos sexuais e mofa na friendzone, fantasiando. “Quando ela cai no sofá, so far away, vinho a beça na cabeça, eu sei”. O uso de inglês tenta passar uma ideia de requinte, mas soa como embromação.
Para entender

“Fixação” é outro retrato de uma mulher perturbada que mantém um amor platônico com um galã do momento. O clima de sedução não engata novamente e a mulher não define se quer chamar a atenção do cara ou se ele é um fantasma no seu quarto. Essa ambiguidade não me parece filosófica, soa mais com um recurso qualquer para completar a melodia. “Seu Espião” ainda tem “Pintura Íntima”, aquela misteriosa canção sobre sexo anal com um monte de rimas desconexas.

O segundo disco do Kid Abelha se chama “Educação Sentimental” e é tratado como uma evolução musical do grupo. Para mim, continua sendo sobre um cara que fica na friendzone tendo fantasias adolescentes e se sentindo deprimido por isso.

“Lágrimas e Chuva” abre o disco. Uma curiosa canção que parece ser sobre uma ocultação de cadáver mal sucedida ou sobre ser pego batendo punheta de madrugada. O clima é de melancolia. “Lágrimas e Chuva molham o vidro da janela, mas ninguém me vê. O mundo é muito injusto” Ah, tadinho. Ninguém olha ele esguichando lágrimas na janela de madrugada, puta mundo injusto meu. Vai a merda cara. Você já tem 24 anos.

Leoni ainda compôs “Os Outros”, sobre uma menina bem rodada, mas que não esquece sua melhor foda. “Eu tenho mil amigos, mas você foi o meu melhor namorado”. As pessoas podem pensar “ain, que fofo, que romântico”, mas a frase não tem nexo, não tem adversidade, há não ser que a menina tenha dado para os mil amigos. Um verso que resume bem a técnica de Leoni é “são tantas noites em restaurantes, amores sem ciúmes, eu sei bem mais que antes, sobre mãos, bocas e perfumes”. Versos ao vento, elementos aleatórios que tentam construir um clima de sensualidade pra não falar abertamente sobre o sexo. Quer saber mais sobre perfumes? Faça um curso.

Depois desse disco, Leoni tomou um pé na bunda da Paula Toller e saiu do Kid Abelha. Seguiu em uma carreira solo cantando sobre suas paranoias, reflexões melancólicas sobre a friendzone, relacionamentos fracassados e sexo malfeito. Odair José diplomado.
Porra cara, que foto é essa?
Na carreira solo, Leoni compôs Garotos², síntese de sua vida e uma das piores músicas da história. Trata de um garoto que fica fantasiando com sua melhor amiga, seus peitos, poses e apelos, boca e cabelo, milhares de tentação. Até que um dia ele finalmente chega aos finalmentes. Ela agarra pelas pernas, faz um boquete selvagem (seus dentes e seus sorrisos mastigam meu corpo) e então são mãos e braços, beijos e abraços, pele barriga e seus laços. E ele broxa. Perto de uma mulher, continua sendo apenas um garoto.

¹Leoni parece ser daqueles homens capazes de compor com seu eu feminino. Geralmente, esses eus femininos de compositores masculinos são extremamente lascivos.
²Garotos II é uma resposta a Garotos, música da época do Kid Abelha sobre uma menina que acha garotos estúpidos (Garotos II é um menino confirmando a impressão da menina). A original rima proteção, estação, paixão e emoção em sequência. Para desespero de uma professora de português. O mais estranho, é que Leoni compôs as duas. Seu eu masculino respondeu seu eu feminino.

Comentários

Jardel disse…
Comentários absurdos, infelizes e cheios de inveja. Deve ter sido escrito por alguém bem frustrado como profissional, como aqueles caras da Revista Bizz - à época - que criticavam quem estava no auge porque, também, tinham bandas, mas medíocres como músicos e compositores, disparavam suas metralhadoras cheias de mágoa no sucesso desafeto da vez. Vá subir num palco e tentar entrar pra história pra ver se é fácil.
Amanda Beatriz disse…
Que otário escreveu isso!
Anjo disse…
Esse otario pensa que sabe de musica
sales disse…
Nunca ví tanta crítica absurda,sem uma base sólida,um verdadeiro trocadilho de despeito é fácil descer o pau em quem é mídia,conquistada com anos de dedicação e vc que criticou eu nunca ouví falar...
Leoni deve incomodar muito esse rapaz. rsrsrs
Gui Aval disse…
Apesar de gostar muito das músicas, esse texto foi muito engraçado kkkk esse cara nao deve ta falando sério!! Ta só zoando.
oi...nada a ver....kid de abelha e suas musicas mais antigas é um ícone do rock nacional....e o cara ai do blog nem é artista para entender de arte musical...ele leva ao pé da letra as letras sem contar o por de tras...vlw
J Nilson disse…
No final de tudo, não entendi o porque do título... que mistérios!?
Não podemos esquecer que música é arte, e assim sendo, podem existir diversas interpretações, mas no final, a dos autores é a que vale. No meu caso, se eu não entender, ou não concordar com a mensagem, simplesmente não acompanho, não ouço. Criticados no início da carreira, chegaram há 30 anos de banda. E não podemos esquecer que chegaram lá porque muitos profissionais da música, assim atestaram... sem contar os fãs.
ULLMANN disse…
Interessante a visão do blogueiro. Tem personalidade, hein !