segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O épico discurso de retorno pra casa

Excelentíssimos, boa noite. Tenho que primeiro dizer que volto a esta casa com muito orgulho. Não com o orgulho ferido, mas enaltecido pelas manifestações de apoio que recebi de norte a sul deste país. Reconheço em mim a força da renovação e revigorado me apresento para lutar durante os próximos quatro anos, nesta casa que tão bem conhece o meu trabalho e a minha disposição.

Me ponho aqui, não como o homem que recebeu 51 milhões de votos nas últimas eleições. Me ponho aqui como a entidade antropomórfica de lábios translúcidos que transcende as objeções outrora feitas por aqueles que tentam me desqualificar. Meus feitos ficarão para a história, porque cabe a história julgar os bendizeres amaldiçoados em praça pública. Não represento mais apenas a minha pessoa jurídica, porque eu, dentro de todas as minhas qualidades e defeitos tenha todas as minhas limitações impostas pela lei da natureza e pela lei dos homens. Agora, eu represento a voz de milhares de pessoas que foram as ruas clamar pelas mudanças que precisam ser realizadas em todas as alterações perpassadas por referendos. A voz do povo não erra jamais. A voz do povo, calejada pelo martírio fumegante, com as faces em chamas, foca na realidade incerta. No objetivo inalcançável, mas que é o que, afinal, move os sonhos de quem ousa sonhar. Sonhos que não são incertos, mas que nos fazem viver com os olhos fechados e guiados pela transitoriedade da verborragia incandescente. Oras, o povo está aí, como sempre esteve. O povo apenas é. É toda essa vontade lamuriante que não se pode calar.

Sei reconhecer o papel que me foi destinado e que esse papel é o de ser a oposição. Irei me opor de maneira intransigente e peculiar contra todos os desmandos que ousem pairar sobre a cabeça da população. Contra as nuvens passageiras que acreditam que tem a capacidade de sombrear a sorte que acompanha quem já nasceu com ela, eu aviso que estarei aqui. Não irei me calar diante dos infortúnios plantados por aqueles que querem colher a cizânia e os afagos inerentes da quietude humana. E para suplantar o desejo de todos, será preciso superar primeiro o meu cadáver. Não estarei desarmado. Aviso a todos que eu sou fogo, terra, água, ar e paixão. Carrego aqui uma espada varonil que irá tombar a iconoclastia fulgurante que ruge pelo vácuo do infinito. Os elementos que compõe a minha essência, agora congelam no espaço diante daquilo que fulgura na impaciência da coletividade.

Tenho aqui que agradecer todos os apoios que recebi por todos os lugares onde eu passei. Em cada vila, em cada rua, em cada bairro, em cada casa, em cada vilarejo onde eu passei, e também nos que não passei, recebi apoio de todos os que eu vi, e os que não vi e os que não estavam lá. Prova do apoio incondicional que recebi da nação o que torna inexplicável a minha derrota, que precisa ser melhor explicada pelo tecnicismo que rege as relações interpessoais do homem e da máquina. Sou agora, um pássaro de fogo, ave revigorante que voa pelo céu infinito em busca de uma saudação gloriosa que trará a redenção para quem tanto sofreu nas mãos que maltrataram o oprimido e fortalecem os que não precisam ser fortalecidos porque já tem força suficiente para ajudar na opressão. Digo ao povo que quero ser a mão que tomba aqueles que se afogam em gargalhadas engasgantes, porque não há mais nada para resgatar a estima esquecida em armários de cetim. Pudera a ligação exorbitante feita por uma tormenta de pensamentos que não se basearam no amadorismo científico.

Por fim, gostaria de deixar um abraço fortíssimo e estrondoso para aqueles que sempre estiveram do meu lado. Sem estas pessoas caminhando firmemente, de mãos dadas em busca de um projeto edificante, poderia ter caído em tentação e me afastado dos princípios homéricos que guiaram toda a minha trajetória. Minha exuberante mulher que me afaga nos momentos de tristeza e me afoga numa cascata da mais pura seiva de prazer. Meus filhos, todos maravilhosos e que com certeza irão um dia se olhar no espelho e reconhecer ali as marcas deixadas por um pai vultuoso, que é motivo de orgulho, amor e poder. Meu pai, minha mãe, responsáveis por minha inebriante criação e que sempre me apoiaram em todos os meus desejos e souberam reconhecer meus potenciais e meus defeitos e me ajudaram em todos os momentos para que eu me apropriasse das vaidades alheias em busca de um sentimento maior. É isso o que move. Meu avô, bastião da inquietude que guiou os cegos pelas trevas e atravessou o pântano da lamúria para ressurgir em redenção mortífera. Também, não poderia deixar de esquecer da apresentadora Xuxa, uma musa estadista, com um espírito libertário e libertador que jamais aqueceu o forno da meritocracia, com sua pele macia e o conhecimento dos desejos que se passam na mente humana, das mais jovens até as mais antigas, porém, não menos respeitáveis. Eis um exemplo que deveria ser seguido por todos que tenham pés para pisar no sagrado solo brasileiro.

Encerro então a minha fala e deixo aqui registrado que três senadores pediram a palavra para se cair em elogiosas eglísias sobre a minha pessoa. Democrata que sou e conhecedor dos direitos que pairam sobre esta casa soberana, vos concedo agora a minha palavra e vos dou a minha paz, a minha imagem e a minha semelhança.

- Senador. Vossa excelência deu aqui um exemplo de democracia. Vossa excelência é luz. Vossa excelência é raio, estrela e luar. Uma manhã de sol, meu iaiá meu ioiô. Não poderia deixar de citar o mestre Gilberto Gil e dizer para vossa excelência, que saiba que na refazenda, tu me ensinas a fazer renda, que eu te ensino a namorar. Enquanto o tempo não trouzer seu abacate, amanhecerá tomate e anoitcerá mamão. Vossa excelência, senador, é justamente o significado da palavra temporão.

Muito obrigado senador. Saiba que vossas palavras rebatem em minha alma e ilustram meu ego com uma força motriz que jamais irá se apagar. O verniz que escorre do meu peito é a fonte da minha juventude e do meu trabalho. Jamais irei me esquecer das suas palavras, que serão lapidadas na pedra preciosa da minha vida, com a raridade e atitude que se fazem necessárias. Concedo agora a a palavra para a Senadora do Tocantins.

- Senador, vossa excelência está muito gostoso hoje. Com todo o respeito que vossa excelência merece, diria-te que chuparia-te todinho se assim você quisesse. Vossa excelentíssima piroca é um bastião varonil, uma águia que se ergue contra as mazelas da mente de todas as minhas companheiras. Apenas isso, não quero me prolongar muito, apenas registrar aqui que vossa excelência é um tesão e me jorra pela boca o seu gosto de prazer.

Obrigado senadora, informo que estou em um enlace matrimonial guiado pela divindade que rege o universo e que tudo o que você me diga poderá provocar ciúme alheio, mas para mim, será apenas motivo de sonhos confusos e desejos mortificantes. Agora, para finalizar, concedo a palavra para a o senador de Roraima.

- Vossa excelência, quero aqui afirmar e certificar, registrar em rede nacional a excrescência que está sendo proferida por vossa senhoria. Vossa excelência é um babaca! Um patife, que vossa excelência vá tomar no meio do seu redondíssimo e excelentíssimo cu! Filho de uma excelentíssima puta, hipócrita do caralho! Pretendo que vossa excelência lave vossa excelentíssima boca antes de proferir qualquer palavra que ouse profanar a excelentíssima imagem da presidenta de nossa excelentíssima república. Chupe, vossa excelência e que continue o chupando.

Quero aqui dizer que vossa excelência está lamuriando o discurso daqueles que são derrotadas mesmo quando vencem. Vossa excelência está em total descontrole com o descaminho que desgoverna o desconforto do desgostoso povo brasileiro. É preciso inquietude para inclinar os resultados inesperados da impotência demonstrada pela insatisfação. Demonstro aqui minha renovação pelo desejo de reformar a retaliação retraída pelos requerimentos que refazem a revolução. Que te cales e consiga cometer a sacristia que cria a crise que se acaricia no começo da construção consumada em costumes comedidos. Boa noite.

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