Grandes dúvidas que não têm explicação (11)

O que é conversado no fim do telejornal?

Todo telejornal é um rizoma. Todos eles começam e terminam da mesma maneira: “Boa Noite”. Isso claro, se o jornal for noturno. Mas, o começo é igual ao fim. A mesma palavra pode ter tantos significados. Pode ser uma saudação, pode ser uma despedida ou pode até ser uma palavra solta de bobeira num momento de fraqueza. Você nunca entenderá o contexto de um “Boa Noite" isolado.

Mas a grande questão, no entanto, é a seguinte: o jornalista se despede, as luzes do estúdio diminuem, a vinheta sobe, os letreiros começam a passar e os apresentadores conversam. E não minta, alguma vez na sua vida você já reparou nisso e se perguntou: “O que será que eles estão conversando”.

O CH3 também teve essa dúvida. Que foi reforçada, dia desses enquanto eu assistia o final do programa “Conta Corrente” do Globonews. Assim que os letreiros começaram, o apresentador ficou muito louco. Gesticulava, falava, contava nos dedos. Para mim, ele estava a um passo de dançar a macarena. Ou não, talvez fosse apenas o jeito dele.

Para resolver essa dúvida, mandamos e-mails para vários apresentadores de telejornais espalhados pelo Brasil, convidando-os a responder a nossa enquete. Telefonamos para aqueles que não nos responderam. Para os que insistiram em se esconder, fomos até o seu lugar de trabalho. Depois até a sua casa, arrombamos sua porta, apontamos uma arma para a sua cabeça e não deixamos outra alternativa.

No total, foram 117 entrevistas realizadas. Jogamos os dados em um supercomputador da NASA, que nos forneceu como resposta a trajetória lunar e de outros corpos celestes durante os próximos 90 anos. Sem dúvida era impressionante, mas não nos interessava. Tivemos então que cruzar os dados manualmente para obter as respostas.

Separamos as respostas em três grupos: o Grupo 1 com aqueles que apresentam os jornais sozinhos; o Grupo 2 formado pelas duplas apresentadoras; e o Grupo 3 com as duplas em que a mulher se chama “Sandra” e o homem se chama “Evaristo”.

Grupo 1

43% dos entrevistados conversam com figuras imaginárias no fim do programa. Principalmente aqueles que apresentam o programa em pé, sem ter um monte de papéis para ficar arrumando no final. É difícil encarar a câmera sozinho e falar sozinho acaba por ser a melhor solução.

26% dos apresentadores começam a contar piadas para o pessoal da produção. Todos se consideram ótimos piadistas.

15% fazem uma oração respeitando a sua religião e agradecendo o jornal provido.

O restante jura que não fala nada. Que eles ficam apenas fazendo rabiscos autistas com cara de quem está fazendo anotações importantes. Ou então fica alinhando folhas de papel que logo serão jogadas no lixo. Um apresentador disse que encara a câmera visando destruir a mente dos telespectadores.

Grupo 2
25% afirmam que no fim do jornal eles combinam programas para o resto do dia. Seja um lanche no subway ou uma noite no Motel.

25% afirmam que começam a se xingar mutuamente por conta dos erros cometidos durante o jornal.

25% comentam as bobeiras que eles falaram durante o programa e como o programa é ruim. Eles também fazem piadas de humor negro sobre os assuntos do jornal.

25% procuram as folhas de papel para dar fim na cocaína embaixo da bancada.

Grupo 3

Eles conversam carinhosamente. “Muito bom o seu trabalho Sandra, belo esmalte” – “Ah Evaristo, o genro que toda sogra queria ter” – “He he, ai Sandra” – “Agora chega Evaristo”. Mas eles consideram isso normal e chegam até a falar isso durante o jornal.

Comentários

em teste disse…
Taí uma coisa que eu sempre me perguntei. Tanto antes como depois do jornal, os jornalistas sempre conversam. Eles não vão resolver nada importante quando a vinheta já está no ar, eu acho que é charme jornalístico. Não no caso da Sandra, que não tem nenhum segredo com os telespectadores, é claro.
Thiago Borges disse…
shaushaushaushaush, mas pensa bem, é uma coisa desagradável ficar parado ali sem ter o que fazer com o povo ainda te filmando. eu começaria a limpar o salão, ou cutucar uma espinha na testa.