Ditadura Gay

Tudo começou no último dia de janeiro de 2014. Era o último capítulo de uma novela e a população criou uma enorme expectativa sobre o possível beijo entre os dois personagens gays da novela. Seria o primeiro beijo entre dois homens na televisão brasileira e uma parte da sociedade criou um temor de que aquele fosse o começo de uma ditadura gay. Os dois se beijaram e os tementes estavam certos. Ninguém imaginaria que a vida iria mudar a partir daquele momento.

O beijo de dois galalaus no horário nobre encorajou dezenas de gays a saírem do armário e nos dias seguintes a cena urbana de nossas cidades foi modificada. Em qualquer calçada, semáforo, nós víamos homens de mãos dadas, casais homoafetivos se agarrando e fazendo selfies na frente de pontos turísticos.

Todas as novelas a partir de então passaram a contar com personagens homossexuais e a questão da sexualidade se tornou um tema central na disputa eleitoral daquele ano. Chegou-se a cogitar o primeiro beijo gay da história dos debates, ou do horário eleitoral gratuito, mas isso não chegou a acontecer. Nos anos seguintes outros tabus foram quebrados. O primeiro beijo gay no Congresso, no Jornal Nacional e etc.

Claro que a situação não foi aceita por todo mundo. Alguns resistentes saíam a noite para justiçar cidadãos afeminados e o ódio foi aumentando. Encabeçados por um deputado, um grupo conseguiu aprovar leis que restringiam os direitos homossexuais. Ninguém imaginava que o contragolpe seria ainda mais forte.

No dia seguinte, uma manhã de 2017, os tanques cor de rosa tomaram as ruas do país. Forçaram a renúncia da presidente e assumiram o poder. Um deputado, um ex-bbb, um cantor sertanejo e um apresentador de televisão formaram a junta responsável por comandar o país, alegando que “de quatro era mais gostoso”. Decretaram que “cu não tem dono” e passaram a ditar as regras.

Em um primeiro momento, o que se viu foram os gays ganhando espaço no mercado de trabalho, com salários maiores. Depois, casais heterossexuais foram proibidos de demonstração de afeto em lugares públicos e a bandeira do Brasil ganhou um acabamento em purpurina.

O Brasil influenciou seus vizinhos e logo outros países da América do Sul foram se transformando em Ditaduras Gays. A Holanda seguiu o caminho na Europa e antes que o presidente norte-americano pudesse fazer qualquer intervenção, a Casa Branca já havia se transformado na Casa Rosa.

A tensão aumentou no momento em que grupos de gays passaram a se juntar para espancar heterossexuais em plena Avenida Paulista. Nessa hora, os heteros que ainda resistiam passaram a andar nas ruas com guirlandas florescentes escondidas para qualquer eventualidade. O governo patrocinou uma reforma linguística e a grafia da maior parte das palavras foi modificada. Luxo, por exemplo, passou a se escrever “loosho”. Assim como o verbo ahazar e o substantivo cazamiga.

O último bastião da moralidade caiu em 2022, quando o novo papa assumiu o poder beijando todos os cardeais que participaram do conclave. A Igreja logo voltou a organizar as cruzadas, em que soldados gays iam até os lugares mais extremistas do mundo muçulmano para conquistar aquelas terras. O nome “cruzadas”, dessa vez, tinha uma conotação mais sexual. Em 2029, a Rússia cedeu e foi o último país a ser dominado pelos gays.

Hoje a vida é muito mais difícil. Os colégios deixaram de ensinar a reprodução humana, aliás, os próprios colégios estão deixando de existir porque poucas crianças nascem no planeta e as poucas mulheres que aparecem grávidas têm que se apresentar até uma junta médica e tentar explicar como é que isso aconteceu. O pai costuma a ser punido com uma currada pública. O lado positivo é que ninguém mais passa fome.

Os autores de novelas a tempos tentam emplacar temas ligados a heterossexualidade reprimida e um deles, chegou a sugerir o primeiro beijo hetero depois de 40 anos. Foi currado também.

Os poucos heterossexuais que resistem precisam se reunir nos porões, diante da bandeira do pastor mártir e, por vezes, quando são flagrados pela Polícia Gay, precisam fingir que na verdade aquilo é uma suruba gay. Os policiais sempre participam.

Não é fácil ser um heterossexual em 2064.

Comentários

Luiz Ernani disse…
Escrevi tb.um texto a respeito:
http://www.recantodasletras.com.br/humor/3033041
jessykilds disse…
Nossa, muito criativo haha. Mesmo sendo gay eu não quero um futuro assim :f
Eu nunca li algo tão ridículo e tão absurdo como esse. Como alguém pode ser tão doentio a ponto de imaginar todas essas babozeiras. O mundo não é nem jamais será isso que o autor deste texto disse, não existe comportamento heterofóbico, o mundo sempre foi e continua sendo machista e preconceituoso, agora querer se passar por vítima escrevendo algo como isso é o cúmulo da insensatez, se sentir ameçado pelos homossexuais o medo de um domínio doentio dos homossexuais achando que os homossexuais seria capaz de uma represália diante de comportamentos desumanos de uma maioria de héteros mal resolvidos, que sentem sua masculinidade ameaçada é muita viadice pro meu gosto. Que perda de tempo em ter lido isso.
Guilherme disse…
Antônio Roberto: espero que um dia você tenha a capacidade de entender um texto irônico.

Saudações.