sexta-feira, 17 de abril de 2015

A arte de ser ofensivo

Ser ofensivo não é fácil. A vida toda nós somos domesticados para atuarmos em grupo. Para sermos educados, prestativos e agradáveis. Bem, o fato de sermos todos educados talvez faça com que a tarefa de ofender alguém se torne mais fácil. No mundo atual, as pessoas se ofendem por qualquer coisa.
- Cara, eu odeio milho.
- Como é que você tem coragem de falar isso? Os milhos são extremamente importantes para a alimentação do ser humano e de diversos outros animais. Seja o milho em seu estado puro, seja o milho cozido, o milho que se transforma na pipoca que nós comemos no cinema. Além disso, a exportação do milho é muito importante para a economia nacional e gera emprego e renda.
- Cara, eu apenas não gosta de milho.
- Eu não acredito que você está falando isso. Eu tenho nojo de você.
Cara, qual é o sentido desse monte de pedra empilhada? Tinha que derrubar essa porra e plantar soja no lugar, construir um prédio, usar essas pedras pra fazer pia ou cascalho. Antepassados? Porra nenhuma, tão tudo morto já, não vão mover uma pedra por essa palhaçada

Bem, ofender as pessoas pode ser fácil. Ser ofensivo é uma coisa completamente diferente. Pessoas realmente ofensivas fazem isso o tempo inteiro. São capazes de provocar repulsa com suas aleivosias, como se fossem um espécie de Garotinho do Sexto Sentido que, ao invés de ver pessoas mortas o tempo todo, ofende tudo ao tempo todo. Que péssima comparação.

A maneira mais fácil de ser ofensivo é andar nu. Melhor ainda se você estiver 60 quilos acima do peso. Poucas coisas podem ser mais ofensivas do que um gordo. Nada é mais ofensivo do que um gordo pelado.

É possível ser ofensivo com um palavreado chulo.
- Como você está cara?
- To aí, mais esfolado do que couro de piça, só indo e vindo.
- Hehe, o que está acontecendo?
- Ah, o arrombado do meu chefe está se sentido o pica grossa e tá arregaçando as pregas do cu todo mundo.
- Ah, muito trabalho.
- Porra, trabalho demais. To trabalhando mais do que puta no Cais de Santos fazendo plantão dobrado.

Também é possível ser ofensivo utilizando-se de expressões maldosas, tendendo ao humor negro.
- Cara, foi horrível. Desde o acidente do meu filho estou me sentindo despedaçado.
- Ah, mas aposto que seu filho está ainda mais despedaçado.

E por final, é possível ser ofensivo utilizando um palavreado chulo, com expressões pesadas e estando nu. Afinal, o legal é ser ofensivo para ofender as pessoas.

- Você é mais arrombado do que uma porca de fazenda, que todo dia é currada por adolescentes cheio de espinhas na cara, incapazes de encarar uma buceta de frente, porque passam o dia inteiro recolhendo merda de cavalo em campos esburacados como seu cu e essa merda escorre pelo corpo deles, entrando por dentro da cabeça do pau, que fica cheio de infecções purulentas e atraí moscas que colocam ovos que logo ficam maiores do que os seus testículos de bicha e no campo a única maneira de resolver isso é cerrando essas bolhas com o próprio dente, deixando o sangue escorrer pelos joelhos e manchando as cuecas que depois vão ser lavadas por empregadas com peitos enormes e caídos de tanto serem apertados pelos peões estupradores que se utilizam da força para comer o cu de meninas virgens que ainda não saíram de suas casas que fedem a sovaco não lavado e acredito que essas pessoas só existam em filmes mesmo.

Adendo: a suprema arte da humilhação infantil
Mas, no entanto, porém, contudo, todavia, se você quiser saber o que realmente é humilhar, mas humilhar mesmo, basta ver uma criança em ação. Crianças não tem limite, não tem escrúpulos, elas irão humilhar a pessoa da maneira mais cruel o possível. Irão bater aonde dói mesmo, aonde o calo aperta.
- Olha mãe, um anão!
- Nossa, mas como você é feio.
- Porque você não tem uma perna?
- Não Carlinhos, eu não chamei você pro meu aniversário porque você é gordo.
- Quem quer brincar põe o dedo aqui... não Paulinho, você é vesgo.
- Tia, o Marcelo fede.

Malditas crianças. Elas são o futuro do país.

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