quarta-feira, 1 de abril de 2015

Quem ainda mente (só) no dia da mentira?

Pinóquio e seu nariz que lembra uma piroca
Quando você acorda no Dia da Mentira, você já está psicologicamente preparado para a série de pegadinhas que as pessoas vão te fazer durante o dia. Mentira. Na verdade, você não se lembra que está nesse maldito 1º de Abril até o momento em que alguém te conta com convicção alguma coisa aparentemente absurda e você entra em um leve estado de desespero, até ser avisado que estamos no dia em que estamos. Mentira.

Vamos ser sinceros. Eu, pelo menos, nunca peguei ninguém em um primeiro de abril, nem jamais fui pego. Nos meus anos de existência, posso contar nos dedos das mãos às vezes em que vi alguém fazer uma pegadinha bem feita nessa data, que tivesse provocado espanto nas pessoas. Existem vários motivos para isso. As que duraram mais do que seis segundos, duvido que existam.

No mundo atual, nós somos diariamente expostos a enormes cargas de absurdo. Uma mulher que decide se casar com uma árvore, pessoas correndo nuas pelas ruas das cidades, ladrões de vibradores, a existência de Panicats. Quer alguma coisa mais bizarra do que a existência da Nana Gouveia? Em outros tempos, muito provavelmente nossos antepassados iriam duvidar que existe uma mulher que tira fotos sensuais na frente de árvores derrubadas por um furacão. Nos tempos atuais, isso é a rotina. Isso é a realidade.

Não é fácil fazer com que alguém se surpreenda com qualquer coisa e não é um mérito fazer uma pessoa acreditar em sua mentira. Você afirma que encontrou uma lêmure em seu sapato de manhã. Por que não? Eu não duvidaria. Eu não duvidaria que seus travesseiros pegaram fogo, que sua vizinha come formigas, que você dirigiu de madrugada até Jangada para comer um pastel de queijo quando você tinha 16 anos. Nada é impossível, já diria a propaganda de uma dessas fornecedoras de material esportivo.

Para que alguém realmente consiga pegar alguém no 1º de Abril, ele precisaria ser um grande ator e precisaria armar uma grande estratégia. No mundo moderno, é muito fácil desmascarar qualquer pessoa a qualquer momento. E você precisaria cria uma história, uma grande história.

Você precisaria dizer que está em um estágio terminal de câncer no estomago. Precisaria chegar abatido no serviço. Precisaria chorar. Mostrar seus exames. Fazer ligações desesperançado. Chorar mais. Não almoçar e se mostrar arrasado. Seu chefe viria te abraçar, seus colegas, preparariam uma homenagem para você. E no final do dia, na hora de deixar o expediente, é que você revelaria a pegadinha. Ye-yé, glu-glu. E seria demitido, é claro. Mas, talvez valesse a pena apenas para ver a cara das pessoas.

As consequências para a piada poderiam ser trágicas demais. No mundo atual, a balança da opinião pública atualmente tende para a criminalização das pessoas que dizem que qualquer coisa foi fruto do primeiro de abril. A pessoa tende a ser marginalizada e perder amigos, família e ser renegado até mesmo pelo seu cachorro de estimação.

O único lugar em que as piadas de primeiro de abril sobrevivem é na internet. Porque na internet qualquer coisa sobrevive, você não precisa de muito esforço para anunciar uma coisa e fazer as pessoas clicarem no link do pudim.com.br.

Mas qual é a graça? Teoricamente, a única graça do 1º de Abril é ver a reação das pessoas, não segurar as risadas enquanto desvia das cadeiradas e esquiva dos golpes das pessoas furiosas de raiva. Na internet, você não verá o rosto de ninguém e será xingado anonimamente.

Por último, precisamos dizer, atualmente, todo dia é o dia da mentira. Assistimos TV todos os dias, temos acesso as falas dos mais variados políticos, somos enganados por eles diariamente. Todo dia é o dia da mentira. A vida é uma mentira.

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