quarta-feira, 8 de abril de 2015

Guia CH3 de Turismo: Cuiabá


Conhecida como Cidade Verde e localizada em algo próximo ao que pode ser considerado o centro geodésico da América do Sul, Cuiabá é uma cidade que não é mundialmente famosa por nada. Não há um único apelido, um ponto turístico, um local que faça com que Cuiabá seja referência em outro país. Nem mesmo aquela imortal canção do Skank que afirmava que não sentir calor em Cuiabá é improvável e impossível, assim como te ver e não te querer.

Boa parte da população mundial pensa que a capital mato-grossense é um lugar habitado por índios seminus e com ruas – ou algo parecido com ruas – ocupadas por onças, jacaré e hipopótamos. Bem, na verdade, diria que boa parte da população mundial nunca ouviu falar da cidade, mas os poucos que já ouviram devem pensar que Cuiabá é assim.

No entanto, existem coisas para se ver e se fazer em Hell City. Neste primeiro Guia CH3 de Turismo iremos falar da nossa cidade-sede. Uma forma também de homenagear o aniversário da estimada capital, que hoje completa 296 anos.

Como Chegar
Existem muitas maneiras para chegar em Cuiabá. Tudo vai depender do lugar em que você está e das suas condições financeiras e físicas. Você pode vir a pé, caminhando por acostamentos de estradas, atravessando montanhas e pastos, ou de bicicleta, patinete. Pode vir nadando pelos rios que dão forma a grande bacia do Rio da Plata. Mas, realmente essas são maneiras pouco usuais. O normal é que você venha de carro, de ônibus ou de avião.

Se você vier de carro ou de ônibus, é provável que você pegue a BR-163/364/070, que nos últimos anos ganhou a simpática alcunha de Rodovia da Morte. Além disso, você precisa pensar que a capital mais próxima de Cuiabá é Campo Grande a 800 km de distância. Vocês sabem o que é isso? É quase um nordeste inteiro de distância. É quase circunrodar o Estado do Rio de Janeiro. Por isso vamos ser sinceros: venha de avião. Existem passagens a preços módicos e voos nacionais que chegam ao nosso aeroporto de Brasília e São Paulo, principalmente, Rio de Janeiro, Campo Grande, Porto Velho e Goiânia eventualmente, e até mesmo Foz do Iguaçu, Cacoal, Belo Horizonte, Alta Floresta, Ji-Paraná, Londrina, Maringá, Presidente Prudente, Rondonópolis, São José do Rio Preto, Sinop e Vilhena.

O que fazer?
Assim que você chegar no majestosos aeroporto Marechal Rondon, que na verdade fica localizado no limítrofe município de Várzea Grande – e não há motivos para fazer piada com isso. O aeroporto de Recife fica em Jaboatão dos Guararapes, o de João Pessoa em Bayeux, o de Belo Horizonte em Contagem, o de Natal em São Gonçalo do Amarante, o do Rio de Janeiro na Ilha do Governador e poderíamos ficar o dia inteiro citando outros casos – o turista já irá dar de cara com as obras do VLT, o Veículo Leve sobre Trilhos.

Fruto da ambição de políticos que estiveram no poder, a cidade foi rasgada ao meio para a colocação de trilhos pelos quais passarão vagões a um custo estimado de um bilhão e uma caralhada de reais. Prometido para ser entregue em um ano e três meses, a previsão agora é que tudo esteja terminado em meados de 2018. Curiosamente, dois dos principais articuladores do VLT estão presos, mas não por esse motivo.

O turista poderá ficar horas olhando e vendo que não há a menor chance disso dar certo, pode observar os vagões que misteriosamente foram comprados sem ter por onde rodar e pensar que eles poderiam se transformar em Food Trucks e tentar entender o sentido daquilo tudo. Poderá acompanhar os canteiros de obras instalados em diversos pontos das cidades e os viadutos erguidos e interditados por risco de desabamento. Também poderá conhecer a primeira estação do VLT, um enorme galpão que não tem nenhuma utilidade.

Ao longo dos trilhos do VLT, o turista também poderá conhecer grandes atrações, como: a estátua da Liberdade da Havan – também conhecida com o ponto mais iluminado de Várzea Grande; o trevo do KM 0, zona de baixo meretrício, onde vereadores costumam a ser pegos em violentos atentados ao pudor; o Rio Cuiabá; O Morro da Luz; o Centro Político Administrativo e um shopping center.

Onde ir
Estatísticas mostram que 95% das pessoas que vem a Cuiabá irão embora logo no dia seguinte. Ou irão para o Pantanal conhecer jacarés e capivaras, ou vão para as cachoeiras de Chapada dos Guimarães, ou em casos mais extremos vão para os lagos cristalinos de Nobres. Em Cuiabá, o máximo que esses turistas farão é pedir uma pizza no hotel em que eles estão se pernoitando, enquanto trancam as portas do quarto com medo da invasão de animais selvagens.

No entanto, há lugares para se visitar em Cuiabá. Não vou mentir para vocês, dizendo que você vão ver praias, montanhas sensacionais, atrações culturais esplendorosas. Mas, há o que fazer.

O Sesc Arsenal é um antigo prédio de guerra que hoje sobrevive como um centro multicultural, no qual você poderá ver exposições, filmes exóticos e peças de teatro subversivas. Também poderá comer no restaurante do local. Peça o sanduíche Atarracado.

O centro da cidade é extremamente malcuidado, mas carrega o seu charme. A cidade foi fundada em 1719 e boa parte das casas da região datam desta época e do período da febre do ouro. A região hoje abriga boa parte do comércio local, com calçadões e lojas de roupas e eletrodomésticos e realmente você deveria visitar a região durante o dia. Durante a noite, não é possível garantir a sua integridade física.

Na região central existem alguns museus, como o Museu Histórico, o Museu de Arte, o Museu de Artes Sacras. Consulte a programação para saber se há algo que valha a pena.

Você também pode conhecer os parques da cidade, existem um punhado deles, mas convenhamos que visitar parque é uma sem graceira danada, só faça isso caso você não tenha nada mais para fazer. Também existem as igrejas. Há a Catedral meio sem graça, uma réplica da Igreja de Notre Dama, a tradicional e charmosa igreja de São Benedito, e um punhado de igrejinhas na região central, algumas fechadas. Também há um zoológico, localizado na Universidade Federal de Mato Grosso, que conta animais nativos. Temos o Rio Cuiabá e o Rio Coxipó, mas, sinceramente, você não vai querer tomar banho lá.

Onde ficar
Com a expectativa para a Copa do Mundo, Cuiabá ganhou diversos novos hotéis, das mais diversas categorias. Não sei o que eles fazem atualmente e como estão suas condições, porque geralmente não temos o costume de dormir em hotéis nas nossas próprias cidades. No entanto, recomendo que você procure ficar na região central da cidade. As avenidas Getúlio Vargas e Isaac Povóas são bons pontos de referência. A Avenida Rubens de Mendonça, ou Avenida do CPA é outra boa opção. Caso você queira uma vivência mais radical, há o Hotel Fazenda Mato Grosso, na região do Coxipó. Em outros tempos, o local abrigava um pequeno zoológico.

O que comer
A expectativa dos turistas locais é comer peixe. Existem diversas peixarias na cidade, onde você poderá comer o tradicional pacu, a peraputanga, o espetacular pintado, ou a Matrinchã por preços extorsivos. Existem inclusive os rodízios de peixe, espetaculares e caros. Recomendo a peixaria Okada.

Peixes fora, em Cuiabá também existem outros pratos saborosos – destaco a Farofa de Banana, que pode ser encontrada em vários lugares e vale toda a existência da humanidade. Você pode ir no Fundo de Quintal para comer alguns quitutes em meio aos gansos dos proprietários. Você pode ir no tradicional Choppão, que serve vários pratos e o mítico escaldado, uma sopa com ingredientes secretos e inteligíveis.

Também temos as populares sorveterias, sempre lotadas devido ao notório calor cuiabano. A Nevaska é bem popular, devido aos sorvetes de frutas exóticas.

No entanto, se você quiser ter uma experiência realmente true, para conhecer a culinária cuiabana, nada melhor do que o baguncinha. Popular sanduíche vendido em carrinhos na rua e que leva pão, hambúrguer, salsicha, bacon, ovo, frango, linguiça e tudo o que couber na imaginação humana e nos compartimentos do carrinho. Não há um lugar específico, você simplesmente deve encontrar um e ir ao encontro do seu destino.

Dicas importantes
- Certifique-se que o seu hotel tem ar condicionado. Geralmente, todo e qualquer espaço público de Cuiabá possuí esses aparelhos, mas nunca é bom brincar com a sorte.
- Jamais entre no bairro Jardim Califórnia sem um mapa.
- Nunca chame Cuiabá de capital do Mato Grosso do Sul, ou de Mato Grosso do norte. Você corre o risco de ser linchado.

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