quarta-feira, 22 de abril de 2015

Geração Espontânea

Por muito tempo a humanidade acreditou na hipótese da geração espontânea. Essa teoria predominou durante toda a Idade Média e, segundo ela, as coisas simplesmente surgem sem nenhuma explicação mais elaborada. Elas aparecem e ponto. Se você colocar um pacote de bolachas na sua mesa e em pouco tempo as formigas SIMPLESMENTE vão surgir.

Com o tempo, essa teoria foi abandonada e não é de se espantar que ela tenha predominado em uma época em que as ruas eram infestadas de ratos e baratas, em que quase toda a população era analfabeta e vivia rastejando no esgoto entre uma e outra cerimônia de queimação pública de mulheres consideradas bruxas. Bons tempos.

Mesmo absurda, a hipótese da geração espontânea não deixa de ser fascinante. Ela tem esse charme determinista, que indica que as coisas vão acontecer pelo simples fato de que elas têm que acontecer. As formigas vão aparecer na sua mesa porque era isso, era o destino. As coisas seriam muito mais fáceis se a geração espontânea fosse verdade.

Me vejam aqui, tendo enormes dificuldades para arrumar um post para ser publicado hoje no CH3. Se a geração espontânea fosse verdadeira, eu poderia simplesmente abrir a página do Word e esperar. Se o texto tivesse que ser criado, ele iria aparecer espontaneamente. Se ele não aparecesse, é porque não era para ser.

Quantos relatórios chatos das mais diversas repartições públicas não poderiam simplesmente surgir assim. Dinheiro na conta. Gols. O repórter perguntando “Mazinho, qual é a estratégia para o segundo tempo?” e o jogador respondendo “vamos tocar a bola, esperando que o gol possa surgir espontaneamente”.

Seria um mundo em que a meritocracia seria apenas uma teoria abstrata, já que ninguém controla seu destino. Seria um mundo em que a palavra “surgir” teria um conceito muito diferente. “Amor, surgiu alguém em minha vida”. Surgiu, sim, surgiu e ninguém poderia ter feito nada contra isso porque as coisas simplesmente são assim.

Sim, seria um mundo sem a necessidade de explicações plausíveis. Seria um mundo dogmático. Seria a volta da Idade Média.

O seu chefe não ira te pagar seu salário porque o dinheiro simplesmente não surgiu. Um dia, do nada, uma criança ia aparecer na sua sala e quem foi que colocou ela ali? O destino. O seu destino de ter que cuidar dela.

Ok. Ainda bem que a Geração Espontânea não existe mais.

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