sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Debate Filosófico: O futuro do futebol brasileiro

Derrota por 7x1 para a Alemanha, doze anos sem ganhar a Copa do Mundo, duas eliminações seguidas para o Paraguai, nos pênaltis, nas quartas-de-final da Copa América, um meio de campo formado por Luiz Gustavo, Fernandinho, Douglas Costa e Fred, a Neymardependência. Motivos não faltam para discutir a situação em que o futebol brasileiro se encontra. Para onde vamos? O que pode ser feito? Será que o Brasil irá vagar eternamente no limbo da mediocridade? Corremos o risco de não nos classificarmos para a próxima Copa do Mundo?

Mano Menezes alegou que não estava
sendo entendido pelos debatedores
Foi pensando nestas e em várias outras questões que o CH3 voltou a promover mais uma edição da série de debates filosóficos. Nosso monumental auditório ficou lotado de jogadores, técnicos, ex-técnicos, ensaístas, imitadores de Charles Chaplin, covers de Elvis Presley, mímicos, ortopedistas, jornalistas, sem-tetos e vencedores do BBB, exceção feita ao Diego Alemão que cumpria agenda em Indaiatuba.

Pai Jorginho de Ogum, sempre ele, comandou a mesa de honra composta ainda por Zagallo, Carlos Alberto Parreira, Sebastião Lazaroni, Telê Santana, Flávio Costa, Tutancâmon, Montezuma e Matusalém. Jorginho fez uma breve explanação sobre o tema, provavelmente com as mesmas palavras utilizadas nos dois primeiros parágrafos deste texto, só que em uma ordem diferente e excêntrica.

Por ser, indubitavelmente o mais velho no auditório, Mário Jorge Lobo Zagallo foi o primeiro a se pronunciar. Jorginho o questionou sobre o que era preciso ser feito para que o Brasil voltasse a ganhar uma Copa do Mundo. Com o rosto quase roxo e a arcada dentária bamba, o velho lobo disse que é preciso respeitar a amarelinha. Um silêncio se fez no auditório e Jorginho questionou se Zagallo poderia se aprofundar mais no assunto. Zagallo repetiu que é preciso respeitar a amarelinha e completou que Brasil Campeão tem treze letras.

Jorginho então questionou os presentes sobre a opinião deles sobre a declaração do velho lobo. Carlos Alberto Parreira disse que concordava com Zagallo, seu velho mestre. Informou, que apesar deste cenário caótico que alguns teóricos do apocalipse tentam pintar, o Brasil continua sendo cinco vezes campeão do mundo, mais do que o time da moda, a Alemanha, que tem apenas quatro.

Parreira foi interrompido por Karl Marx, que disse que não via sentido nas declarações de Zagallo e que era preciso que ele se explicasse melhor. Marx não entendeu quem é que precisava respeitar a amarelinha. Se eram os jogadores brasileiros que estavam desrespeitando o próprio país e necessitavam de mais investimento em educação cívica nos colégios, ou se os jogadores de outros países é que precisavam respeitar a amarelinha e, segundo Marx, esse processo seria muito mais longo e seria difícil estimar a sua eficiência.

Parreira garantiu que a CBF é o Brasil que deu certo. Oscar
Wilde retrucou: imagina o que deu errado
Jair Bolsonaro tomou o microfone e disse que é necessário que os militares voltem ao poder para restaurar a dignidade do povo brasileiro. Com os militares, afirmou, não teríamos comunistas dando palpite sobre o que é preciso fazer com o nosso país. Neste momento, Willian Wallace invadiu o auditório, gritou Liberdade, mas acabou sendo degolado por Felipe Melo.

Enquanto o sangue de WW era retirado do carpete e Felipe Melo era detido por dois helicópteros Tomahawk, Montesquieu tomou a palavra para dizer que não era possível que o Brasil conseguisse interferir na educação de outros países. Mais complicado ainda seria introduzir alguma matéria do tipo “respeito a seleção brasileira de futebol” e fazer com que ela funcione na prática. Se Toni Kross, por exemplo, houvesse aprendido que era preciso respeitar a amarelinha, ele teria chutado as bolas para fora, diante de um gol vazio?

Eduardo Cunha disse que isso seria possível, caso ele estivesse no comando da seleção alemã, apitando o jogo ou com alguma procuração que lhe desse plenos poderes sobre o destino da humanidade, como já acontece atualmente na Câmara dos Deputados.

Jorginho retomou o microfone, mas foi interrompido por Marx. Ao lado de Montesquieu ele chamou Jose Ortega y Gasset, Slavoj Zizek, Eduardo Galeano, György Lukács, José Saramago, Rinus Michels, Zygmunt Bauman, José Borges e Antonio Gramsci. Juntos eles entoaram um grito de “Chupa Brasil”. Então, todos perceberam que ali estavam representados teóricos de todos os países que já derrotaram o Brasil em uma Copa do Mundo, exceção feita a Noruega, país que não tem nenhuma pessoa famosa.

Percebendo que o diálogo estava ficando infrutífero, Jorginho retomou o controle e perguntou aos presentes o que eles achavam do meio de campo da seleção brasileira na última Copa América e se é possível ver futuro em um time com Fernandinho, Luiz Gustavo, Fred, Douglas Costa, Diego Tardelli, Roberto Firmino e Robinho. Jorginho antecipou a opinião dele e disse que não via futuro, mesmo sendo um pai de santo.

Feliz, Zagallo comemorou seus 12.014 anos
O microfone caiu nas mãos de Sebastião Lazaroni que passou a falar sobre a importância do líbero e que para ele Mauro Galvão deveria ser o titular da seleção brasileira. Lazaroni fez um discurso ressaltando a modernidade necessária ao futebol brasileiro, mas foi interrompido por um ríspido Oscar Wilde que discordou da fala do ex-treinador com uma frase irônica de efeito. Lazaroni disse “foda-se” e Oscar Wilde respondeu “foda-se bem, foda-se mal, cai de boca do meu pau”.

Utilizando dos seus poderes de moderação, Jorginho disparou dois tiros, um na cabeça de cada um dos debatedores e começou a encerrar o debate. Percebendo que Zagallo movimentava os lábios, Jorginho chegou próximo a ele e percebeu que o velho dizia “amarelinha, tem que respeitar a amarelinha” em um mantra eterno. Jorginho se assustou e derrubou um copo de água em Zagallo. Seu corpo entrou em curto-circuito e todos perceberam que ele era, na verdade, um robô.

A direção do CH3 aproveitou a fumaça para ligar o alarme anti-incêndio e evacuar o prédio mais rapidamente, sem precisar oferecer um coffee break para os participantes. Como este nosso truque já é conhecido, os participantes continuaram imóveis. Foi preciso que incendiássemos um carpete para que eles finalmente fossem embora, encerrando de maneira digna mais esta retumbante discussão promovida pelo CH3.

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