A importância de coisas pouco importantes

Quem apresenta o Jornal Nacional? Sim, você sabe que é o casal formado por William Bonner e Fátima Bernardes. Mas, você sabe disso o tempo todo? Digo, isso é algo que fica na sua cabeça? Quando você vai dormir, você fica acordado, pensando "que jornal, que jornal!", esperando a adrenalina baixar?

E mais: você fica esperando o jornal começar? Se debate todo, deixa marcas no seu corpo, arrependido? Provável que não. É provável que no fundo, você não se importe muito com o Jornal Nacional. Se você ficasse perdido numa ilha deserta, dificilmente colocaria uma fita com os melhores momentos do telejornal em uma lista de coisas indispensáveis.

Então, porque a saída de Fátima Bernardes da atração global te deixa tão chocado? Porque esse assunto vai para o topo da lista mundial de comentários? Porque pessoas parecem chorar arrependidas, como se não tivessem aproveitado cada boa noite dado? Cada desastre natural noticiado, cada matéria sobre filas em shoppings na época do natal?

Eis uma boa pergunta. Uma pergunta para a qual provavelmente não há resposta. A mudança no comando do jornal é daquelas típicas coisas que não tem a menor importância em nossa vida, mas que mechem conosco.

Por um lado há sim a atração exercida pela televisão. Tudo o que acontece na televisão parece ser de nosso interesse. E as pessoas que ganham a vida sem interpretar papéis na telinha (mode video show) sofrem com isso. Suas brigas, suas gafes, ganham proporções mundiais e são debatidas por vários setores da sociedade organizada.

Por outro lado, nós também só sentimos a falta de algo quando nós perdemos aquela coisa. Sim, quando Fátima Bernardes deixa de apresentar o jornal do horário nobre bate aquela sensação de "ah... gostava dela". É como aquela caixa que você guarda no seu armário, que só serve para atrair cupim. Depois que você a joga fora, descobre que ela tinha uma função incrível. O arrependimento bate.

Ou seja, a vida é uma caixa de papelão que atraí cupins.
(final abrupto para uma postagem corrida, quase esquecida e improvisada).

Comentários

Odinilson Lima disse…
Que frase bonita pra terminar o texto, hein ?

"a vida é uma caixa de papelão que atraí cupins." haha