quarta-feira, 9 de março de 2016

Por onde anda: Felipe Dylon

O verão de 2004 ficou eternamente marcado por uma tragédia que pouco tinha a ver com as condições climáticas. Enquanto que em anos anteriores e posteriores a população de vários lugares foi castigada por chuvas que provocaram enchentes, alagamentos, deslizamento de terra e centenas de mortos, em 2004 o Brasil inteiro foi agredido pela música de Felipe Dylon. Para piorar ninguém morreu por conta disso, todos nós sobrevivemos e ficamos aqui escutando aquela porcaria.
Pensei aqui em fazer uma montagem com a palavra "procurado" nessa foto. No entanto, além de montagens não serem exatamente o meu forte, eu acho que é melhor ninguém procurar esse cara não. Vai que ele aparece.

O carro chefe do álbum de estreia do carioca de então 16 anos foi seu, felizmente, único sucesso até hoje: Deixa Disso, cujos versos diziam “o menina deixa disso, quero te conhecer, vê se me dá uma chance, estou afim de você” numa letra sobre um jovem stalker em busca de um relacionamento abusivo com uma garota que certa apareceu de maneira misteriosa. Como bom adolescente, ele morria na punheta como confessava nos versos “Eu fico o dia inteiro só pensando em você na minha cama, no chuveiro”.

O clipe era um apanhado da imagem do aspirante a sex symbol surfando, se queimando de sol na praia e fazendo poses homoeróticas na arrebentação das ondas. Felipe parou nas capas da Capricho, nos programas da MTV e nos pôsteres pendurados nas paredes dos quartos de muitas garotas que na época tinham no máximo 14 anos e que hoje devem sofrer um constrangimento interno quando o nome de Dylon é citado e chegam a negar que um dia tenham ouvido falar dele.

Felipe Priolli Dylong nasceu no Rio de Janeiro em 1987 e tem um sobrenome extremamente engraçado. Filho de um surfista e de uma bailarina, ele se interessou pela música desde criança e infelizmente ninguém conseguiu interromper essa ameaça.

Após gravar uma série de demos, Dylong finalmente lançou seu primeiro disco em 2003 adotando o nome de uma persona artística que excluiu o hilário g no final de seu nome. Fez muito sucesso com Deixa Disso, alguma repercussão com Musa do Verão e depois desapareceu. Felizmente.

Mas, eu sei que você quer saber o que é que aconteceu com esse cara que surgiu do nada, infernizou nossas vidas e desapareceu assim, sem deixar nenhuma compensação para os que sobreviveram. Foi atrás dessas informações que nós, do CH3, empreendemos um enorme esforço jornalístico. Ao longo de alguns dias, nossa equipe foi para as ruas e então entrou em lan houses e fez diversas buscas no Google.

Após o sucesso, Felipe Dylon gravou dois discos, que ninguém ouviu. Um suposto quarto trabalho vem sendo anunciado desde meados de 2009 e para o bem da nação, não se concretizou. Talvez tenha se concretizado, mas não existem informações conclusivas sobre a existência destes Objetos Musicais Não Identificados.

Como todo adolescente sem talento que repentinamente se vê fazendo sucesso e começa a chamar a atenção das pessoas, Dylon sucumbiu a pressão criada pela expectativa do show business e se entregou as drogas. Chegou a ser internado em uma clínica de dependentes, mas mais tarde afirmou que enfrentou apenas um surto de stress. “Acordei meio desmotivado e minha mãe achou melhor me levar para um clínica”, foi mais ou menos o que ele disse em uma entrevista que eu ouso aqui traduzir. O cantor também parou de tomar banho, assumiu vistosos Dread Locks e engordou uns 40 quilos, adquirindo um visual seboso.
Além de tudo, como essa foto comprova, Dylon virou um amante dos animais, capaz de beijar cachorros na boca e esteve a um passo da zoofilia.

Apresentou programas na MTV e isso explica um pouco porque o canal faliu. Também atuou em peças infantis e sua vida depois é um mistério. A Wikipedia chega a informar que ele é atualmente dono de um zoológico em Manaus, cujo mascote, o leão Adamastor, morreu recentemente. A informação não é confirmada em lugar nenhum, o que é uma pena. Seria algo bem interessante. De toda forma, esperamos que o Adamastor, caso realmente exista, esteja bem.

Casado com uma atriz desde 2011, ao que tudo indica Felipe Dylon segue sua carreira de músico. Sua página no Facebook com 29 mil curtidas anuncia sua agenda ostensiva por todo o Brasil, divulgando o telefone de contato (21 3344-9000). Por esse telefone também é possível contratá-lo para fazer presenças VIPs - provavelmente o melhor investimento que você vai fazer na sua vida, convenhamos, quem não gostaria de ter Felipe Dylon fazendo presença VIP na sua festa? - e “eventos em geral”.

Realmente gostaria de saber que eventos são esses. Se eu quiser, posso contratar o Dylong para ser garçom em festa do cabide? Para desfilar com uma corneta enfiada no toba em um disputa de xadrez?

E, é isso. Felype Dilon virou uma espécie de Emmerson Nogueira e segue levando sua arte aos mais diversos rincões do Brasil, carregando um violão nas costas e andando na praia. Vejo nele um grande potencial para substituir a lacuna que Eri Johnson deixará no dia em que ele morrer, daqui alguns anos.

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