quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Moda Pastoral

(Eu iria começar esse texto chamando o cidadão de “Pastor Valdemiro”, mas as buscas no Google me mostraram que ele, na verdade, é conhecido como “Apóstolo Valdemiro”, o que me parece de uma presunção sem fim).

O Apóstolo Valdemiro é mais uma dessas celebridades do mundo gospel, que, assim como vários outros popstars desse mundo contemporâneo, é muito importante para uma quantidade enorme de pessoas e totalmente desconhecido para inúmeras outras. Seu nome apenas repercutiu entre os outros mortais quando ele aparece envolvido em uma polêmica, do tipo, sonegação de imposto e compra de fazenda milionária no interior de Mato Grosso, ou em uma dessas brigas do Game of Thrones Pentecostal.

Quando Valdemiro apareceu pela primeira vez às massas que não estão engajadas no meio evangélico, na polêmica da fazenda, todos os sites reproduziram variações de uma fotografia sua, pregando para uma multidão em um lugar aberto, utilizando um chapéu de caubói. Ainda hoje, essa é provavelmente a sua fotografia mais popular, como mostra uma busca no Google.

Segui, felizmente, sem ter notícias do cara. No entanto, de um tempo para cá eu comecei a vê-lo algumas vezes, quando ligo a TV por assinatura e passo por um dos 1.823 canais que mostram cultos conduzidos por esses religiosos-celebridades. E o que mais me chamou a atenção foram as roupas que o Senhor Valdemiro usa em um tempo recente de sua vida.

Nada de terno claro, camisa azul e gravata vermelha, visual tão comum para esse segmento do mercado. Valdemiro utiliza cada vez mais roupas espalhafatosas, provavelmente adquiridas no setor hipster de uma loja de departamento, o que muito provavelmente o transforma em uma espécie de Augustinho Carrara do mundo religioso.
Vejo até alguma semelhança dele com o Mr. Catra nessa foto


Também é possível afirmar que em muitas ocasiões o nosso Valdemiro se assemelha em muito a um sambista carioca. Posso até vê-lo puxar um “Alô comunidade de Nilópolis! A hora é essa”, nessa foto.


Assim como posso imaginá-lo cantando um pagodinho romântico, algo do Pixote, olhando nos olhos de uma fiel seguidora comprometida que foi colocada em um complexo dilema moral diante da situação. Não se meta Valdirene.


No entanto, ainda nestes tantos canais religiosos que a Sky nos proporciona o prazer de pagar para nunca assistir, pude perceber que os pastores/apóstolos de todo o Brasil trilham um caminho único no terreno da moda. Um dia, descobri este cidadão.

Me espantei com sua roupa e pensei que esse fosse algum culto de teatro amador, em que ele representaria, sei lá, o pastor do Obelix, ou que a roupa tivesse alguma ligação com o figurino trash de peças de época sobre a vida de Jesus Cristo que dispunham de baixos recursos orçamentários.

De fato, descobri que o ator amador se chama Agenor Duque e que ele é também um apóstolo, que já trilhou carreira na Igreja Universal e na Igreja Mundial, mas que recentemente aderiu ao empreendedorismo e abriu a sua própria igreja, o que pode ser um grande exemplo para muitas pessoas nesse momento de crise: Agenor Duque resolveu se arriscar e garantir seu futuro e seu sustento pela livre iniciativa.

Esta sua roupa bizarra é propositalmente bizarra e tenta reproduzir as vestes de um mendigo - ainda assim um mendigo de teatro amador, haja vista que nem os piores mendigos utilizam um colete-vestido mal feito e claramente apertado para esse cidadão com barriga portentosa. Mas, a intenção de Agenor Duque ao se vestir de simulacro de mendigo é passar a ideia de humildade.

Ideia desmistificada por algumas reportantes disponíveis na internet que mostram que ele mora em grandes casas, dirige grandes e caros carros importados e fora dos palcos utiliza roupas da Hugo Boss e outras grandes marcas sempre populares na moda pastoral.

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