quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Jardinagem Política

Não sei se vocês já tiveram a oportunidade de morar em uma casa que tenha um quintal com uma faixa de terra coberta por grama. Não importa muito o tamanho, se é um gramado de poucos metros quadrados ou um campo de futebol. Se você não for um cidadão abastado o suficiente para contratar um profissional responsável por cuidar da grama – um jardineiro que não chega a mexer com jardins, será um grameiro? – você acaba cuidando do gramado.

Em termos gerais, a grama não dá muito trabalho. Ela cresce, às vezes cresce muito e precisa ser cortada. No período da seca, você precisa regar o gramado com alguma frequência para evitar uma inanição vegetal. Por outro lado, uma semana de chuva é o suficiente para que a grama volte a crescer verde e cheia de vitalidade.

Portanto, a grama não dá muito trabalho. Chato mesmo é o mato.

Quando pensamos em mato, automaticamente pensamos naqueles que crescem em terrenos baldios até atingir alturas estratosféricas. No entanto, existem diversas espécies diferentes de matos, ervas daninhas, ou como quer que eles se chamem.

Alguns se parecem com a grama, principalmente quando as folhagens ainda são pequenas. Só quando crescem você consegue perceber a armadilha que aquele mato é e vai sofrer bastante para conseguir retirá-lo da terra. Por vezes é preciso utilizar outros artefatos.

Existem folhagens rasteiras, fáceis de serem retirados se você não deixar elas cresceram muito, fincando raízes profundas. Há outras, que só dá pra tirar a parte de cima, mas a raiz permanece e ela volta a nascer. Alguns matos mesmo quando você acha que os removeu completamente, deixam uma parte da raiz oculta na terra e renascem.

Tem mato que chega a ser bonito, que chega a se parecer com alguma flor e em um momento de compaixão você corre o risco de se deixar enganar e pensar que aquilo ali não é apenas um organismo que utiliza o mínimo de energia para crescer e sugar as forças dos que estão ao seu redor.

Sobram ainda umas pequenas e incontáveis folhagens que crescem aos montes. Sempre muito próximas. Você pode passar horas retirando-as do chão e nunca chegam ao fim. Parece que quando você tira um, surgem outros dois.

Mas, o pior mesmo é que, não adianta o que você faça, o mato sempre vai voltar. Você pode, em um esforço hercúleo, retirar todos do seu gramado. Perder alguns dias fazendo isso até que você olhe cada milímetro de terra e se certifique que não há uma única erva daninha espalhada por ali. Não adianta, o mato vai voltar. Por força de insetos, aves, ou pela simples vontade de deus, ele vai voltar.

Pense no Eduardo Cunha. Políticos como ele são como o mato. Aqueles que parecem bons no início, mas que depois de revelam imprestáveis e é difícil retirá-los. Políticos rasteiros, que precisam ser retirados logo. Aqueles que fincam raízes, os que chegam a parecer até bonitos, mas que são apenas organismos que sugam forças dos que estão ao seu redor. Sem contar aqueles milhares, que se multiplicam. Quando você tira um, surgem dois.

E o pior, é que eles sempre vão voltar. Não há o que você possa fazer para evitar isso. Não há esforço suficiente para evitar que um novo corrupto chegue ao cenário político, pela razão que seja.

Parece que o Eduardo Cunha foi exterminado, mas outros como ele vão aparecer. Não há o que fazer.

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