quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

De Férias com o Ex

A antiga MTV (Music Television) é um canal que fez parte da adolescência e juventude de muita gente nascida nos anos 70 e 80, se bobear até dos 90. Eram tempos em que a internet tinha um alcance limitado, Spootify e Youtube eram projeções de um filme futurista. A televisão havia definitivamente substituído o rádio como figura central das comunicações domésticas e era na MTV que você conhecia as músicas mais populares.

Era lá também que você tinha a oportunidade de conhecer músicas novas e eventualmente se aprofundar sobre a banda em um programa rudimentar de compartilhamento de arquivos e vírus. Para fazer sucesso era imprescindível um clipe que chamasse a atenção do telespectador e muitos diretores de cinema emprestaram seu talento para esta arte.

No entanto, quando a internet banda larga chegou aos lares e corações de muitas pessoas, assistir televisão em busca de clipes musicais perdeu completamente o sentido, uma vez que qualquer clipe estava ao alcance das pessoas no Youtube. Aliás, os próprios videoclipes perderam um pouco o sentido e a música voltou a ser apenas escutada. Este processo que talvez pudesse ser explicado em um artigo científico levou a MTV Brasil a encerrar suas transmissões.

Encerramento estranho, já que no dia seguinte o canal foi recriado e numa espécie de reposicionamento mundial da marca, deixou de ser o canal da música e passou a ser um canal voltado, digamos, ao público jovem, público este que não queria saber mais sobre música e quer, justamente, saber de putaria.

A atual MTV tem uma programação com a mais diversificada variedade de putaria, falada nos mais variados idiomas e produzida das mais diferentes formas. Há um programa em que um grupo de pessoas é levado para passar as férias em algum destino paradisíaco e passam algumas semanas bebendo quantidades alucinantes de álcool, transando com dezenas de pessoas e brigando pelos motivos mais escrotos pelos quais as pessoas poderiam brigar. Hipnotizante, apenas alguns segundos do programa são necessários para destruir uma série de conexões neurais do seu cérebro.

No entanto, nenhum programa consegue ser tão ultrajante quanto o famigerado De Férias Com o Ex. Neste protótipo de roteiro do apocalipse, uma quantidade enorme de pessoas é levada para uma casa em uma praia de um lugar ridiculamente turístico. Confinados, eles passam o tempo inteiro, bebendo, transando e se divertindo de uma maneira absurdamente escrota. Mas, como nem tudo na vida é diversão, aos poucos eles são surpreendidos com seus ex-namorados chegando na casa.


Em pouco tempo, todos os participantes desse Big Brother da orgia terão ex-companheiros dentro da casa. E eles vão continuar bebendo. Vão continuar transando. Imagina a merda que isso vai dar, quando álcool, ciúme e completa falta de respeito se juntam. Pessoas saem no tapa, há cusparadas, orgias, triângulos, quadriláteros amorosos. Para terminar em grande estilo, no fim do programa todos são confrontados com as imagens dos seus parceiros e ex-parceiros na casa, é possível ver quem transou com quem, que o seu ex-namorado esteve com duas meninas, que o cara que você ficou no programa inteiro também esteve com outras três mulheres e, enfim, isso proporciona uma lavagem de roupa suja que nos ajuda a mostrar que a humanidade não tem solução.

O que realmente impressiona nesse programa, é uma espécie de descoberta antropológica. Descobrimos que pessoas como os participantes do programa realmente existem, fora da nossa bolha de convivência. Gente que não se importa minimamente com os sentimentos dos outros, machistas inescrupulosos, sem qualquer distinção de gênero.

Por fim, a grande felicidade do programa é que, como o nome dele diz, as pessoas que se encontram lá são ex-namorados. Esperamos, inclusive, que nenhum dos casais furtivamente estabelecidos no programa tenha uma relação duradoura. Pessoas como eles não podem misturar seus genes por aí.

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