terça-feira, 7 de junho de 2016

Gay Charles

O mundo ficou espantado quando na semana passada um jornal britânico publicou supostas fotos de um homem que supostamente seria o Príncipe Charles, supostamente beijando um outro homem - também suposto. Com o título de Gay Charles, a matéria citava o fato de que o Príncipe de Gales estaria saindo do armário aos 67 anos de idade. Saindo do armário para entra na história.

A repercussão nos dias seguintes foi extremamente péssima para a imagem do monarca. Sua mulher, a Duquesa da Cornualha - certamente o melhor título de nobreza jamais inventado, estaria pedindo uma quantia milionária a título de indenização para não se divorciar. Sua mãe estaria pensando em deserdá-lo e se bobear o pequeno príncipe George já rejeita as fotos do vovô, uma prova de que, ao contrário do que o Bolsonaro e seus seguidores propagam, não é tão fácil assim ser um gay no mundo atual.

(Lembramos aqui que tudo não pode passar de uma grande confusão, que a foto seja uma montagem ou mostre alguém apenas bem parecido com o Príncipe Charles, ou que na verdade ele esteja beijando uma mulher de cabelos curtos e pomo de adão, ou ainda não esteja beijando, apenas fazendo uma piada sobre um antigo cumprimento cossaco e que na verdade o príncipe Charles seja muito macho, straight, penetrador de vaginas).

Pense bem em qual é o sentido da existência de um rei no mundo moderno. Existem atualmente apenas três monarcas com amplos poderes no planeta, sendo que um deles é o papa. Nos outros países em que há a existência de um rei, seus poderes são limitados e sua figura é meramente decorativa.

A rotina de um rei deve ser extremamente monótona. Dorme em lençóis macios, toma banho em banheiras mornas, come frutas frescas, utiliza roupas luxuosas e adorna sua cabeça com uma coroa cheia de brilhantes. Comparece a algum evento público e boceja solenemente, dia após dia. O rei talvez pensasse em fazer alguma coisa louca para apimentar sua relação com a própria vida, mas o preço a pagar pela loucura momentânea é a difamação pública.
Nesse momento, Charles não gostaria de estar com essa roupa ridícula ao lado de seus familiares chatos. Ele queria estar vestido cheio de plumas, indo até o chão ao som de um hit do Abba. Pensamentos vagos, bobos.


Em termos gerais, um rei só serve para apenas uma coisa: se procriar. Produzir seus espermatozoides monárquicos, que irão fazer com que a dinastia continue e que o trono não seja declarado vago, o que poderia provocar uma enorme crise de identidade nacional e abrir espaço para uma guerra civil.

Dessa forma, um rei gay é um desastre para toda uma tradição. Um rei que não goste de mulheres e que não pretenda espalhar sua célula reprodutiva no útero de sua esposa é um imprestável. Pior que isso, apenas um rei brocha, com disfunção erétil ou com alguma deficiência que tenha lhe tornado estéril. Porque o monarca homossexual ainda poderia buscar algum estímulo para espalhar seus espermatozoides por aí, mas o rei brocha seria o fim concreto de uma dinastia.

Pense então no sofrimento do Charles de Gales, caso seja confirmado que ele realmente curte rapazes. Sua condição vai contra a única função a qual ele se destina em sua vida. Uma vida inteira presa no armário, utilizando aquelas roupas cafonas e tendo que se relacionar com mulheres apenas para evitar alguma punição divina contra uma dinastia que abriga sodomitas. Quase 70 anos para finalmente poder sair por aí, beijando galalaus (passei minha vida inteira esperando o momento de utilizar o termo 'galalau' em um texto). Toda aquela monotonia e toda a sua sexualidade reprimida. Sinceramente, que vida de merda Charles.

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