Há algum tempo, o CH3 desistiu de acompanhar a realidade dos fatos, porque os fatos se sucedem com muita velocidade e antes que você tenha tempo de processar o ocorrido, novos acontecimentos surgem e te atropelam. Só que, por vezes, a realidade vem bater na sua porta e pedir para ser comentada. Implorar por algumas poucas linhas sobre esse assunto. O CH3 não pode simplesmente ignorar esse apelos.
Desde mais ou menos às 21h da último domingo, boa parte dos brasileiros respira aliviado com a derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições para a presidência da República. Alívio por não ter que presenciar a parte 2 de um filme ruim, ou, pior ainda, o remake ruim de um filme norte-americano que já era péssimo. (Outra parte chora em posição fetal e planeja o assassinato de pessoas, mas isso é outra história)
Tudo isso ganha uma dimensão diferente a partir do momento em que Flávio bolou uma estratégia de contrainformação para fugir do Brasil, chegar nos Estados Unidos e lá publicar uma carta em que se autoproclama presidente eleito dos Estados Unidos do Brazil. Depois corrigido para a República Federativa do Brasil. Por fim, corrigido apenas para líder do Brasil.
É uma coisa completamente ridícula e qualquer pessoa que não esteja completamente alienada da vida em sociedade, permanentemente indignada e fanatizada pelos anos de submissão a conteúdo sensacionalista nas redes sociais, enfim, qualquer pessoa fora dessas condições achou a situação completamente ridícula.
Mas, não se enganem. A família Bolsonaro sempre tem um plano. E esse plano consiste em agir de maneira cada vez mais bizarra e cobrar apoio para essa loucura. É uma corda que é cada vez mais esticada e quem não permanecer ao lado deles é imediatamente descartado, submetido ao massacre das milícias virtuais e rotulado como comunista.
Agora o passo é ousado, mas o objetivo no fim é que uma parcela da sociedade acredite que Flávio, é de fato, o presidente brasileiro em exílio. Pode parecer loucura que alguém seja capaz de comprar essa narrativa, mas sempre pareceu improvável desde pelo menos o negacionismo da pandemia. Não duvidem que vai ter quem seja capaz de bancar isso, principalmente motivado pelo fato de ser possível monetizar conteúdo para essa massa fanatizada e permanentemente indignada.
O CH3 é um blog de humor e a essa altura você pergunta onde é que está a graça? Eu também faço essa pergunta. Não há graça nenhuma. Ou, talvez seja engraçado ver o longo declínio das faculdades mentais de alguns cidadãos. Triste quando esse declínio se transforma em alimento para uma tentativa de golpe de Estado. Mesmo assim, ficam alguns apontamentos.
- Mais do que um erro do ChatGPT, o nome dos Estados Unidos do Brazil são um desejo. Quase uma tragédia-manifesto do bolsonarismo. Poderia ser um pouco mais divertido se ele se declarasse novo imperador do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Afinal, todos os anos estamos mandando algumas pessoas para Portugal com o objetivo de conquistar este território lentamente. Quando este processo estiver concluído, quem sabe descobriremos o que é esse tal de Algarve.
- Pablo Marçal foi figura fundamental na campanha de Flávio, preparando-o para agir como um completo babaca demente no primeiro debate do ano na Bandeirantes. Uma preparação simples, mas que certamente funcionou para aflorar esse potencial que já existia em Flávio. Coachs adoram dizer que é preciso mentalizar coisas positivas. Talvez, o que Flávio esteja fazendo é uma projeção do futuro que ele deseja: uma guerra civil entre brasileiros.
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