1. O JOGO, O GOLEIRO:
Final do torneio amador do bairro do Cão Leproso. Ele estava no gol. Pessoas se amontoavam na beira do campo. O jogo começa e o time do Cão marca um gol. Mas, tão logo é dad
a a saída, um chute de longe, fraco, entra ao lado do Cão Leproso. Apupos na torcida. Seu time volta a atacar e marca o segundo gol, o jogo vai para o intervalo. Começa o segundo tempo e seu time controla a partida, sem sofrer riscos. O time adversário parte para uma pressão final. A zaga mantém o perigo longe. No último lance o oponente recebe a bola na entrada da área, dribla o zagueiro e chuta. Cão Leproso voa para a redenção. Em vão. A bola entra. Jogo empatado, vamos para os pênaltis.
A torcida do time do Cão Leproso sentia a injustiça. O time adversário havia chutado apenas duas bolas no gol. Nosso time era melhor! As cobranças vão se alternando com os gols sendo efetuados. Na quarta cobrança adversária, Cão Leproso chega a resvalar na bola que entra lentamente. Suspiros nas arquibancadas. Vem a tragédia. Seu time perde a quinta cobrança. Resta aos inimigos, converter o tento para levar o título. Todas as esperanças e sonhos sobre o Cão Leproso. Ele fixa seus olhos no oponente. Silêncio absoluto. É possível escutar o suor escorrendo pela face do cobrador. Concentração total. Cão Leproso sente cada batida do seu coração, cada passo do batedor. Um filme passa em sua cabeça. O adversário vem e chuta, em câmera lenta. Cão Leproso pula no canto certo e se estica todo. Gol do título do adversário.
2. A TRAVESSIA DO DESERTO:
Cão Leproso estava perdido no deserto do Saara. Com sede e com fome ele viu lá longe o milagre. Uma latinha de refrigerante. Pensou que era uma miragem. Mas não era. Olhou a latinha. A latinha olhou para ele. Ele olhou para o anel da lata. Chutou a lata. Nada. Foi embora. Três dias depois foi encontrado, desidratado e levado para um canil. Teve que fugir para não virar picadinho do RU local.
3. O EXÉRCITO E A PÁTRIA:
E então ele foi se alistar no exército. Logo no começo, o sargento mandou que todos pagassem continência. Ele não obedeceu. O sargento não gostou daquilo e disse que no próximo desacato teria que pagar 10 flexões. Ele foi fazer o exame médico e lhe ordenaram “abaixe as calças, fique agachado e assopre o seu braço”. Silêncio. Cão Leproso teve uma passagem apagada pelo exército. Obteve desempenhos péssimos no rapel e no arremesso de granadas. Seus polichinelos eram pífios. Não deu certo nem para puxar a ola da torcida do time do quartel.
4. O ENCONTRO AMOROSO:
O Cão Leproso estava solitário. Navegava pela internet num site de relacionamentos. Encontrou uma primeira pretendente. Ela dizia que “homem tem quer ter pegada”. Passou para a próxima que dizia “tem que saber fazer uma boa massagem”. A terceira dizia que gostava de andar de mãos dadas. A quarta gostava de um cafuné. A quinta gostava de boliche. A sexta trabalhava com fantoches. E a sétima era um homem, se passando por mulher. Desistiu. Olhou para o lado e viu um DVD pornográfico. Não adiantou.
5. O PÁRA-QUEDAS E A ADRENALINA:
Cão Leproso saltou de pára-quedas. Sentia a Adrenalina a mil. Foi então que chegou o momento de puxar a cordinha. Tentou esticar o braço, quando se lembrou que ele é um cachorro sem braços. O chão se aproximava. A corda não era puxada. Embaixo as pessoas acenavam para ele e gritavam “Puxe a corda, seu maldito”. Outro já telefonava para os médicos legistas. O chão se aproximava, aproximava. Foi quando ele conseguiu alcançar a corda com a boca. Ele puxa e a corda se rompe. O choque era inevitável. Pessoas já choravam. Outras filmavam com seus celulares e riam, pensando no dinheiro que ganhariam com o vídeo. Ele tenta o pára-quedas reserva. Alcança a corda, que enfim se abre. As pessoas no chão se abraçam e abrem um champanhe. Cão Leproso desce ao chão suavemente, ao som de We Are The Champions. Então um paralelepípedo caiu sobre sua cabeça.
Final do torneio amador do bairro do Cão Leproso. Ele estava no gol. Pessoas se amontoavam na beira do campo. O jogo começa e o time do Cão marca um gol. Mas, tão logo é dad

A torcida do time do Cão Leproso sentia a injustiça. O time adversário havia chutado apenas duas bolas no gol. Nosso time era melhor! As cobranças vão se alternando com os gols sendo efetuados. Na quarta cobrança adversária, Cão Leproso chega a resvalar na bola que entra lentamente. Suspiros nas arquibancadas. Vem a tragédia. Seu time perde a quinta cobrança. Resta aos inimigos, converter o tento para levar o título. Todas as esperanças e sonhos sobre o Cão Leproso. Ele fixa seus olhos no oponente. Silêncio absoluto. É possível escutar o suor escorrendo pela face do cobrador. Concentração total. Cão Leproso sente cada batida do seu coração, cada passo do batedor. Um filme passa em sua cabeça. O adversário vem e chuta, em câmera lenta. Cão Leproso pula no canto certo e se estica todo. Gol do título do adversário.
2. A TRAVESSIA DO DESERTO:
Cão Leproso estava perdido no deserto do Saara. Com sede e com fome ele viu lá longe o milagre. Uma latinha de refrigerante. Pensou que era uma miragem. Mas não era. Olhou a latinha. A latinha olhou para ele. Ele olhou para o anel da lata. Chutou a lata. Nada. Foi embora. Três dias depois foi encontrado, desidratado e levado para um canil. Teve que fugir para não virar picadinho do RU local.
3. O EXÉRCITO E A PÁTRIA:
E então ele foi se alistar no exército. Logo no começo, o sargento mandou que todos pagassem continência. Ele não obedeceu. O sargento não gostou daquilo e disse que no próximo desacato teria que pagar 10 flexões. Ele foi fazer o exame médico e lhe ordenaram “abaixe as calças, fique agachado e assopre o seu braço”. Silêncio. Cão Leproso teve uma passagem apagada pelo exército. Obteve desempenhos péssimos no rapel e no arremesso de granadas. Seus polichinelos eram pífios. Não deu certo nem para puxar a ola da torcida do time do quartel.
4. O ENCONTRO AMOROSO:
O Cão Leproso estava solitário. Navegava pela internet num site de relacionamentos. Encontrou uma primeira pretendente. Ela dizia que “homem tem quer ter pegada”. Passou para a próxima que dizia “tem que saber fazer uma boa massagem”. A terceira dizia que gostava de andar de mãos dadas. A quarta gostava de um cafuné. A quinta gostava de boliche. A sexta trabalhava com fantoches. E a sétima era um homem, se passando por mulher. Desistiu. Olhou para o lado e viu um DVD pornográfico. Não adiantou.
5. O PÁRA-QUEDAS E A ADRENALINA:
Cão Leproso saltou de pára-quedas. Sentia a Adrenalina a mil. Foi então que chegou o momento de puxar a cordinha. Tentou esticar o braço, quando se lembrou que ele é um cachorro sem braços. O chão se aproximava. A corda não era puxada. Embaixo as pessoas acenavam para ele e gritavam “Puxe a corda, seu maldito”. Outro já telefonava para os médicos legistas. O chão se aproximava, aproximava. Foi quando ele conseguiu alcançar a corda com a boca. Ele puxa e a corda se rompe. O choque era inevitável. Pessoas já choravam. Outras filmavam com seus celulares e riam, pensando no dinheiro que ganhariam com o vídeo. Ele tenta o pára-quedas reserva. Alcança a corda, que enfim se abre. As pessoas no chão se abraçam e abrem um champanhe. Cão Leproso desce ao chão suavemente, ao som de We Are The Champions. Então um paralelepípedo caiu sobre sua cabeça.

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