Brincadeira de criança

Como é bom. Como é bom. Guardo ainda na lembrança. Como é bom. Como é bom. Paz amor e esperança. Como é bom. Como é bom. Bom é ser feliz com o Molejão.

Novos tempos, a partir de agora o CH3 será um blog dedicado ao pagode dos anos 90. Análise, discussão e divulgação das grandes obras da época. Ou não.

Quando você era criança, você se envolvia com os mais diferentes tipos de brincadeiras. Faremos agora, uma análise profunda de algumas das mais populares.

Pega-pega: Hoje em dia é capaz de alguém imaginar que esse nome sugere uma infância sexista. Todo mundo pegando todo mundo. Era uma brincadeira que exigia enorme preparo físico para correr atrás dos outros.

Existiam duas variantes. Uma em que aqueles que eram pegos ficavam paralisados, e outro em que os pegos passavam a ser pegadores. Havia quem gostasse de ser pegador e quem gostava de fugir até ser pego. Existia ainda a modalidade do pega-pega americano, que era mais complicado. Os que eram pegos precisavam ficar com a perna aberta, esperando que alguém passasse por debaixo para salvar. Não me lembro como o jogo acabava e se ele realmente acabava.

Esconde-esconde: Alguém ficava no pique. Contava até um determinado número, enquanto as outras pessoas se escondiam. Terminada a contagem o alguém do pique tinha que encontrar todos os que se escondiam. Não importa se fossem três, seis, onze e 50mil. O alguém do pique era um ser infeliz. Se uma única pessoa batesse no pique antes de ser encontrado, o alguém do pique perdia.

Polícia e Ladrão: Variante do pega-pega, só que com denominações mais legais.

Rouba Bandeira: Mais uma brincadeira que estimula a violência e os furtos. Uma bandeira (que geralmente era um cone, um galho, uma bola, uma cadeira) ficava em cada ponta do campo. E cada grupo tinha que defender a sua bandeira. E para isso valia qualquer método de intimação e violência.

Queimada: Era uma brincadeira de meninas. Elas eram estimuladas a arremessar bolas uma contra as outras.

Passo Levo: Essa era de meninos. Um objeto era chutado, geralmente uma latinha amassada ou uma garrafa de pitchula, e se esse objeto passasse por entre as pernas de alguém, esse alguém era espancado até conseguir alcançar o pique. Isso, se ele não morresse antes. O jogo não poupava ninguém. Mulheres, idosos, aleijados. Quando a bola passava entre as pernas de alguém, a barbárie começava. Era um massacre. Perdi muitos amigos nos campos de Passo Levo, vi tantas outras vidas se perderem e até hoje carrego comigo as cicatrizes.

Grupo de brincadeiras lúdicas
Essas eram as brincadeiras utilizadas em gincanas, coisas teoricamente bobas, mas que provocavam situação de grande tensão. Inclusive porque muitas dessas brincadeiras obrigavam os perdedores a pagarem prendas. Em um português mais claro, significava ser submetido as mais cruéis torturas físicas e psicológicas, ser submetido as mais profundas humilhações possíveis.

Corrida do saco: Era preciso correr com os pés dentro de um saco. Pensando bem, era algo bem bobo, não?
Corrida com o ovo na colher: Ovos e mais ovos eram quebrados em uma brincadeira infantil, enquanto tantas outras crianças morriam de fome. Era praticamente impossível completar o percurso com o ovo na colher.
Dança da cadeira: A música tocava a e as crianças iam correndo em ao redor de um monte de cadeiras dispostas lado-a-lado em forma de círculo. Corriam até ficarem tontas. Quando a música acabava, era preciso sentar. Com o detalhe de que sempre havia uma criança a mais do que cadeiras. Sempre sobrava alguém. Era muito tenso.

E enfim, todo mundo tem algum trauma de brincadeiras infantis. Não há dúvida. Se hoje você é um sociopata, um compulsivo, ou o que quer que seja, é culpa do que te aconteceu naquela sexta-feira de 1993 durante a dança da cadeira.

Comentários

Gressana disse…
Quando eu brincava de polícia e ladrão em Primavera, as pessoas tacavam preda uma nas outras, simulando tiroteio.
E ah, o passou levou... Eu já vi gente entrando até na justiça por causa dessa brincadeira.
Mariana. disse…
Ok, é injusto com a criança que fica no pique na brincadeira de esconde-esconde, mas atire a primeira pedra aquele que nunca contou rapido demais, ou pulou alguns números só pra não dar tempo dos amiguinhos se esconderem?
Zequias disse…
Rouba bandeira. Ta ai meu jogo preferido. XD
J. Tomaz disse…
Vcs sao velhos hein!!!
Na minha infancia eu brincava so no computador e playstation... nada mais!