O caso do check-in falso

O telefone tocou e o visor mostrou que era uma ligação de sua namorada. Abaixou o volume da televisão, apertou o botão verde e começou a escutar os mais diversos xingamentos. Foram ofendidas a sua honra, a sua postura, seu caráter, sua mãe, sua família em todas as gerações, acompanhada de um desejo que suas cavidades fossem violadas. Antes que pudesse entender o que estava acontecendo ou falar qualquer coisa, ela encerrou a ligação entre um soluço e outro.

Ficou atordoado, olhando para a televisão com o volume baixo. Permaneceu assim por um tempo indeterminado, meio pensando no que iria fazer, meio não pensando em nada. Resolveu retornar a ligação, inseguro. O telefone tocou duas vezes e foi atendido por mais uma série de ofensas. Em uma breve brecha questionou o que havia acontecido e foi ironizado, foi citado junto com o Facebook e uma biscate, não nesta ordem necessariamente. Antes de desligar, ordenou que ele nunca mais a procurasse.

Continuava sem entender. Tentou ligar novamente, mas não foi atendido. Foi para o computador. Entrou no Facebook e percebeu que tinha três novas notificações. A primeira se referia a um convite para um joguinho besta. A segunda era de uma amiga que o havia marcado em um check-in no Lua Morena. Nem viu qual era a terceira. Foi direto no check-in e lá estava ele, supostamente no Lua Morena em uma noite agradável. “Biscate”, pensou.

Nunca conseguiu comprovar que estava apenas vendo o último capítulo da novela. Seu namoro terminou e a única medida prática que conseguiu foi mudar sua configuração de privacidade no Facebook.

Enquanto isso, em outro lugar do mundo, um cidadão passava pelo mesmo problema, tendo que explicar para a mulher que foi marcado por engano ou por maldade em um puteiro. Isso acontece todos os dias.

Proteja sua vida. Proteja sua privacidade. Solicite autorização para ser marcado no Facebook.

Comentários