Grandes dúvidas que não tem explicação (24)

Por que o cabo de vassoura é pior do que cenoura? Por que é preciso ter cuidado para não se dar mal?

No ano de 1997 o Brasil foi invadido por uma febre musical incontrolável que colocou pessoas de todas as idades para dançar. O Grupo Molejo, que até então fazia sucesso restritos nos círculos ligados ao movimento pagodeiro com hits como “Paparico”, “Cilada” e “Samba Diferente” estourou em todo Brasil com “Brincadeira de Criança”, canção lúdica que lembrava o universo da putaria infanto-juvenil de maneira nostálgica¹, com seu forma pergunta-resposta em que o vocalista de dentes excêntricos insistia que que seu interlocutor ainda não havia acertado qual era a brincadeira que ele mais gostava.
- Andrezão! Sabe qual é a brincadeira que eu mais gosto?

Ao final o grupo resumia: bom é ser feliz com o Molejão e foi isso que o Brasil fez. Fomos todos sermos felizes com o molejão e mal havíamos superado esse impacto inicial quando o grupo carioca ressurgiu com a Dança da Vassoura².

A letra aparentemente não faz muito sentido, poderia ser alguma fábula romântica de dois garis, um pretexto aleatório para o livre rebolado. Mas eis que em um determinado momento vinha o imortal verso. “Piti pi piti pi piti pau. Piti pi piti pi piti pau. Mas tome cuidado com o cabo da vassoura, é pior do que cenoura e você pode se dar mal”.

Depois de uma série de onomatopeias desconexas, provável herança das raízes africanas da música brasileira, a canção entoava um alerta relacionado a cabos de vassouras, que no caso, seriam piores do que cenouras, o que poderia gerar terríveis consequências para os desavisados sobre este perigo. Ai está a dúvida: por que o cabo de vassoura é pior do que uma cenoura?

Cabos de vassoura são objetos cilíndricos, construídos em madeira, alumínio ou plástico e servem justamente para dar um suporte a parte da vassoura que exerce a atividade fim: varrer. Já a cenoura é uma raiz de cor alaranjada, comumente servida como salada ou ralada no meio do arroz, às vezes no recheio de um bife à rolê, enfim, tem fins culinários. A única semelhança entre uma cenoura e um cabo de vassoura é em seu formato, uma é cilíndrica e a outra é cônica.

Não precisamos fazer nenhum esforço mental para saber que a literatura humorística brasileira traça diversos paralelos entre estes tipos de objetos e a possibilidade de introduzi-los de maneira prazerosa, ou não, no seu próprio ânus ou no ânus de outra pessoa. Então, poderíamos concluir que é pior enfiar um cabo de vassoura no próprio cu do que fazer isso com uma cenoura?


Perguntamos a alguns especialistas no assunto e quase todos foram unânimes em afirmar que a cenoura é pior para esses fins, uma vez que ela costuma a ser mais grossa, com um formato irregular – o que pode proporcionar lesões, além de ser mais suscetível a quebras durante o ato, fazendo com que você acabe internado em um hospital com pedaços de cenoura presos dentro da bunda.

Contra o cabo de vassoura, pesa a possibilidade de que ele solte farpas durante o movimento, provocando uma dor imensurável. Ele também é mais comprido, mas os especialistas afirmam que nesse momento a espessura é muito mais importante do que o comprimento. Em todo caso, os especialistas sugerem que preservativos sejam utilizados para evitar acidentes mais graves, doenças e gravidez indesejada.

De toda forma, mesmo que Andrezão e a rapaziada por experiência própria saibam que é pior enfiar um cabo de vassoura no bunda, ao invés de enfiar uma cenoura, há outra questão aparentemente inexplicável que é o tom de advertência do período. “Cuidado com o cabo de vassoura”. Por que é preciso ter cuidado com ele? As chances de sofrer um acidente doméstico que termine com um pedaço de madeira enfiado até a metade dentro da sua bunda são mínimas. Muito provavelmente, pessoas que acabaram empaladas por cabo de vassouras o fizeram por livre e espontânea vontade ou durante algum ato de submissão sexual e assim sendo não há razões para se ter cuidado com esse assunto.

O Pagode dos anos 90, vocês podem perceber, guardam muitos mistérios.

¹Um aspecto importante do Brasil nos anos 90 é que as crianças eram expostas as mais diversas putarias na televisão brasileira. As bandas de axé falavam de temas extremamente pornográficos com um linguajar abusivamente infantil e colocavam as crianças para fazer danças sensuais disfarçadas de inocência. Não é a toa que essa geração cresceu e virou esse grupo de pessoas deprimidas e desconectadas da realidade.

²Os compositores dos anos 90 gostavam de criar danças para os mais variados assuntos. Tivemos danças coreografadas para carrinhos de mão, para caçambas, para pranchas, para tsunamis, para garrafas, pirulitos, enfim. Tudo com uma imagem pornográfica lúdica.

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