sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Noite de 50 tons


A noite desta quinta-feira (12.02) ficará para sempre no imaginário popular do povo brasileiro. Estreou nas salas de cinema do nosso país a adaptação cinematográfica para o best-seller literário 50 tons de cinza. Estreia aguardada por mulheres das mais diversas idades, que queriam conferir com os próprios olhos o corpo sarado de Christian Gray, o quarto vermelho da dor e todos os apetrechos de tortura anteriormente apresentados apenas em palavras.

O CH3 não estava lá e a partir de agora conta o que não viu.

A história do livro, e consequentemente do filme, todos vocês já sabem. Uma menina virgem, inocente e dócil conhece um multimilionário e se entrega ao amor carnal. O Sr. Cinza a leva para passear de helicóptero, mergulhar nas cataratas do Niágara e o caralho, mas guarda um segredo: ele é sadomasoquista. Só consegue gozar se der uns tapinhas na mulher, amarrar os olhos dela, dar uns beliscões, enfiar um espanador no cu da parceira e etc. A mulher, protagonista do filme que eu não me lembro o nome e não estou afim de procurar no Google, talvez não tenha gostado, mas a vida tem dessas.

Ao que tudo indica, a continuação da trilogia softporn vai parar no cinema também. Qualquer porcaria, desde que tenha lucro garantido, vai parar no cinema e fica por lá durante alguns anos. No fim da história, o Dr. Cinza vai ficando mais romântico, para de dar umas caceteadas na mulher e eles vivem felizes para sempre, só no papai e mamãe.

Todas as pessoas minimamente sérias que eu conheço e que chegaram a ler o livro (sei que pode parecer impossível uma pessoa minimamente séria ler esse livro, mas eu já disse, a vida tem dessas) afirma que o texto é uma porcaria. Subliteratura que só pode agradar quem não tem o costume de ler nem romance de banca de jornal. O que vale ali é a putaria, que nem é tanta assim, mas em um mundo em que as mulheres são tão reprimidas sexualmente, só a possibilidade de ler sobre um cara bonitão e rico que gosta de ir um pouco além na cama já é motivo de prazer. Não se enganem: o que move o livro não é o exercício intelectual. Apenas o exercício manual, mesmo, se é que vocês me entendem.

O filme, que como já disse, o CH3 não viu e jamais irá ver, também tende a ser uma merda inominável. Frustra quem achava que ia ver uns peitinhos e etc (ao que tudo indica, nem um peitinho é mostrado durante o filme) e frustra qualquer pessoa com um mínimo de capacidade intelectual. Só vai agradar, como eu disse, quem nunca viu nem uma porra de um best seller e está no cinema apenas pelo exercício manual.

Bem, isso não impediu que os shopping centers, onde ficam localizados todos os cinemas do Brasil, amanhecessem lotados ontem, desde as incríveis sessões do meio dia. Várias mulheres fizeram um horário de almoço mais prolongado, dizendo que estavam esperando a entrega de um ar condicionado, apenas para ir no cinema conferir 50 tons. A noite, quem estava lá, diz que os shoppings estavam lotados de mulheres sozinhas, em duplas, trios, grupos, bondes da siririca loucas por C.Gray.

Mas no final, o que precisa ser dito é que o filme é, antes de qualquer coisa, um retrato da importância do dinheiro em nossa sociedade. Pense num cara que humilha a mulher, obriga ela a vestir determinadas roupas, bate e tudo mais. Qual é a diferença entre um sex symbol imaginário mundial e um cara indiciado pela lei Maria da Penha? Alguns bilhões de dólares e apenas isso.

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