A frase/meme “a minha nutri vai me matar” - geralmente acompanhada por kkkkks e utilizada como legenda em uma foto de sorvete com cobertura, bolo de pote ou banoffe com largo recheio de doce de leite - revela um aspecto pouco explorado sobre esta profissão tão popular nos tempos atuais.
Uma busca rápida com apoio da Inteligência Artificial do Google informa que a grade curricular básica de um curso superior de Nutrição envolve anatomia, bioquímica, bromatologia (estudo dos brothers), avaliação nutricional e segurança alimentar. O futuro profissional da área vai estudar histologia, microbiologia, fisiopatologia, tecnologia dos alimentos, antropometria, dietoterapia e também a administração de restaurantes.
O que as buscas no Google não revelam é que a aspirante à nutricionista vai estudar, provavelmente de forma extracurricular, diversas técnicas para promover o assassinato de seus clientes arredios. Uma violência da qual todos os pacientes estão cientes e inclusive riem do perigo.
Não sabemos como este assassinato é praticado, uma vez que a pessoa assassinada dificilmente reúne condições para depor sobre a causa da sua morte. (O morto, em geral, não pode testemunhar sobre o seu falecimento). Pode ser que o crime seja cometido com o uso de armas de fogo, armas brancas, perfuração por objeto contundente, armadilhas típicas do filme Esqueceram de Mim, ou ainda, por envenenamento. Esta me parece a forma mais óbvia, dada a natureza da profissão.
Há provavelmente outros crimes previstos no código penal - que provavelmente envolvem perseguição e quebra do sigilo telemático. Mas, todas essas ameaças permanecem impunes na esfera judicial. A nutricionista assassina certamente seria condenada por homicídio qualificado, por motivo torpe, uma vez que o assassinato seria motivado pelo fato de o paciente ter comido um docinho, exagerado no carboidrato ou ter se alimentado de maneira considerada inadequada em horário inadequado.
As mortes geralmente são praticadas por nutricionistas mulheres - não tenho dados demográficos sobre a profissão para saber se elas são a maioria dos profissionais, mas tenho certeza que a nutrição é uma profissão para a qual não se exige exame psicotécnico.
Nutricionistas são profissionais de destaque cada vez maior em nossa sociedade. Vivemos um tempo de glorificação ao estilo de vida saudável e à busca por um corpo perfeito. Uma obsessão que leva centenas de pessoas a se amontoar em galpões com iluminação precária para segurar pedaços de ferro na mão e fazer estranhos movimentos repetitivos. Ou então a se trancarem em banheiros e aplicarem seringas com substâncias recém-descobertas em seus abdomens.
A busca por eliminar gordura corporal, reduzir os marcadores inflamatórios, os índices glicêmicos e indicadores de colesterol colocaram o/a nutricionista/o no olimpo das profissões contemporâneas. Estrelas da dieta balanceada, trabalhando arduamente para promover a reeducação alimentar coletiva e, claro, planejando assassinar clientes indisciplinados.
Talvez um dia poderemos viver em uma sociedade sem medo, na qual as pessoas possam encarar um brownie meio amargo com sorvete de creme e cobertura de chocolate sem temerem pela sua própria vida. Em que elas possam ingerir o referido brownie após comer uma feijoada com costela em total segurança, correndo apenas os riscos que uma dieta hipercalórica podem provocar - doenças cardiovasculares, diabetes, inflamações do trato digestivo, câncer, e enfim, muita dor e sofrimento.
(Nesse caso, a nutricionista assassina trabalharia apenas abreviando a dor)
Ou então que as pessoas, pelo amor de deus, parem de ficar atiçando o instinto assassino de suas nutricionistas. Ninguém é obrigado a fornecer motivos para elas cometerem crimes. Parem de postar fotos de sobremesas açucaradas.

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