Buffet Corporativo

O mundo moderno exige que os profissionais, independentemente da área de atuação, estejam constantemente atualizados com as técnicas e linguagens corporativas. Um desafio e tanto, porque essa linguagem é constantemente reinventada. No entanto, é possível adaptar qualquer serviço ao melhor do business speaking.

(Este texto é uma homenagem indireta ao professor Yuji, que utilizou o Buffet de self-service como um exemplo prático do conceito de rizoma de Gilles Deleuze e Félix Guattari nas aulas de Comunicação Comparada. Não sei se alguém se convenceu com a explicação ou sequer se entendemos o conceito).

Veja o caso da churrascaria. Uma ação banal, um empreendimento simples, onde garçons percorrem um salão fatiando corpos de animais assados e servindo esses pedaços cadavéricos em pratos, conforme a demanda. Eis aqui o primeiro conceito: a churrascaria é um serviço on demand.

Para começar, geralmente os clientes são recebidos com uma linguiça - e aqui não há nenhuma conotação sexual, já que estamos falando de uma churrascaria e não de uma Casa de Surubas. A linguiça é o famoso kick-off do serviço.

Aguardando a linguiça

O rodízio funciona como um grande overview de carnes. Ao longo do almoço, os clientes são apresentados a diversos cortes, como alcatra, maminha, fraldinha, picanha, filé (coberto ou não com queijo e/ou alho), coraçãozinho, frango e até short-ribs ou outros cortes modernos. É possível ter uma visão geral do rodízio e do seu funcionamento. É possível até fazer um benchmarking em relação a outros empreendimentos especializados na oferta de carne assada.

Geralmente os clientes estão constantemente dando um feedback aos garçons, seja verbalmente, ou por meio de roletas verdes e vermelhas, com as quais é possível aceitar ou recusar um medalhão de frango e paleta de carneiro. Dessa forma, os garçons devem percorrer o salão buscando os stakeholders dos pedaços ofertados.

Estes mesmos garçons, principalmente aqueles que ofertam cortes menos tradicionais, como o já citado short-rib, ou um bife de ancho, precisam fazer um breve pitch para os clientes, para convencê-los de que é isso que eles procuram. As churrascarias, é bom lembrar, funcionam no sistema B2C. Quando os clientes passam a dar o feedback negativo e a recusar qualquer oferta, é o momento em que os garçons pedem para ser brifados sobre o que mais o cidadão gostaria de comer.

As churrascarias não vivem apenas de carnes. Há uma diversificação de ofertas, materializada em uma bancada de buffet com arroz, feijão, fritas, saladas, maionese e o que mais der na telha. Sua composição é um processo de brainstorming, mesmo processo utilizado pelos consumidores na hora de montar o prato.

Quando você vai em uma churrascaria é preciso estar com o mindset preparado para comer bastante, mas é sempre preciso tomar cuidado para não sair do budget inicial. Como o restaurante é um lugar ótimo para se fazer um networking, é de bom tom pedir um cafézinho para dar aquele follow-up no final.

De qualquer forma, certifique-se que o estabelecimento escolhido adota as melhores práticas de ESG e compliance. Evite lugares que utilizam elementos químicos que provocam estufamento e sensação de saciedade nos clientes logo após a primeira linguíça (novamente, sem nenhuma malícia aqui).

No próximo número voltaremos com uma análise da utilização da linguagem corporativa em uma Casa de Diversão Noturna.

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