segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Custe o Que Custar

Ao que tudo indica, o Brasil será agraciado nesta noite com a última edição do CQC, popular programa da Rede Bandeirantes que realiza uma mistura teórica entre suposto jornalismo e suposto humor. A emissora de televisão afirma que o programa não acaba agora, que ele irá tirar uma espécie de ano sabático durante 2016, para voltar com tudo em 2017. Podemos dizer que o que vai acontecer com o programa é semelhante a um casal que resolve dar um tempo no relacionamento - todos sabem que não vai voltar.

Quando surgiu no já distante ano de 2008, o Custe o Que Custar (este é o significado escroto da sigla) foi um raro caso de sucesso de crítica e de público. Na época, ele conquistou corações e mentes e chegou a receber a polêmica classificação de “humor inteligente”. Algo chocante, se formos pensar que o principal legado do programa foi a popularização de Danilo Gentili, Rafinha Bastos e de uma série de comediantes de Stand Up.

No princípio o programa era comandado por Marcelo Tas, que há anos militava na área do humor inteligente. A fórmula consistia em um monte de humoristas blasés com ternos pretos, gravatas slins e tênis all star, participando de eventos sociais, entrevistas coletivas, uma ou outra reportagem, fazendo piadas com celebridades, políticos e eventualmente provocando reações ríspidas, agressões físicas ou invertidas constrangedoras.

Após o tremendo sucesso inicial, o programa foi gradativamente caindo em um saudável esquecimento. Fiquei anos sem assisti-lo, até que há algumas semanas tive que sintonizar a Bandeirantes na segunda-feira a noite por razões profissionais. Fiquei realmente espantado com o que eu vi.

Juro que eu não sabia que o CQC oficial era precedido por uma preliminar b-side conhecida como CQC 3.0. Como se fosse um sexo em que a preliminar dura mais do que os finalmentes, o 3.0. é bem mais longo do que o CQC original. Consiste em dois caras meio idiotas fazendo várias piadas infames sobre várias situações. Meio idiota, mas, por incrível que pareça, melhor do que o programa original.

Assisti às duas horas do programa na expectativa pelo momento em que o trio da bancada do CQC conseguiria encaixar uma piada boa. Claro que essa expectativa foi em vão. Não teve uma única piada boa em meio a centena de merchans e quadros totalmente inúteis. Sério, cheguei a ficar com pena do Rafael Cortez e do Marco Luque. Não era possível que eles conseguiriam ficar tanto tempo assim sem fazer uma única piada boa. Qualquer um com suas faculdades mentais em condições minimamente razoáveis consegue falar algo engraçado dentro de um período de 120 minutos. Os integrantes da bancada do CQC realmente não se encaixam atualmente nesta condição, o que explica o fim do programa.

A pergunta seria: você vai sentir saudade? Olhe outros programas de humor que marcaram época em tempos remotos e veja que eles acabaram por revelar grandes atores, personalidades curiosas e tudo mais. O CQC não. Colocou no mundo uma dezena de ombudsmans da humanidade, pessoas que contam piadas de gordo e culpam os outros pelo fato da piada não ser engraçada. Diria que já vai tarde.

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