terça-feira, 29 de dezembro de 2015

A veracidade dos fatos

No mundo atual nós consumimos informação de uma maneira que o ser humano jamais fez anteriormente. Somos constantemente bombardeados com notícias sobre atentados em Paris, conflitos étnicos no Sudão, refugiados da Síria, caos hospitalar no Rio de Janeiro, microcefalia provocada por um vírus que veio da Polinésia Francesa.

Fora o noticiário normal, as redes sociais também nos mantém informados sobre uma série de pessoas com quem temos alguma relação. Sabemos que uma ex-colega de trabalho está grávida, que outra casou, que alguém está comemorando o fato de as músicas dos Beatles terem chegado ao Spotify, que gente está morrendo, que filmes foram lançados. Muita informação.

Da mesma forma que existem aqueles radicais da dieta paleolítica que afirmam que o ser humano não evoluiu o suficiente para manter outra rotina alimentar que não seja aquela que inclua apenas a carne crua e gordurosa de animais abatidos com as nossas próprias mãos, eu poderia dizer que o cérebro humano não evoluiu o suficiente para acompanhar a enorme quantidade de informações a que somos submetidos diariamente. Sim, deveríamos continuar nos informando apenas sobre a rotina de um pequeno grupo de familiares próximos e deveríamos fazer isso trocando gestos, grunhidos e eventuais desenhos de bisões e fogueiras em formações rochosas que nos abrigam da chuva.

Pois bem, a comunicação sofreu uma verdadeira revolução nos últimos anos. A maior parte da minha geração – e ainda mais aqueles que são mais velhos – cresceram acompanhando o noticiário nos jornais e nas TVs. Geralmente, esses veículos de comunicação trabalham com equipes responsáveis para que teoricamente a informação lá publicada seja verdadeira.

O fato de lidarmos, a maior parte do tempo, com informações que julgamos ser verdadeiras, faz com que nós tenhamos a maior dificuldade de perceber quando uma notícia é falsa. Veja nos últimos dias que com certeza algum amigo seu deve ter publicado um link do Sensacionalista, G17, mesmo do Joselito Muller e postado comentários indignados sobre o teor da matéria, como se aquilo tudo fosse verdade. Todos os dias milhares de pessoas fazem isso. Sei lá porque, tendemos a achar que é tudo verdade.

Já eu, digo que segui uma tendência contrária. Ultimamente eu tenho achado que é tudo mentira. Duvido sempre da veracidade dos fatos expostos por alguém nas redes sociais. Primeiro, sempre soube da intenção humorística dos sites de notícias falsas e sempre achei essa intenção sensacional e o fato de muitas pessoas acreditarem nas notícias ainda mais interessante.

Mas depois, passei a duvidar de todo e qualquer site que eu jamais tivesse ouvido falar. Passei a duvidar das pessoas. Via lá um idiota qualquer que deve comer merda acebolada postando um link sobre alguma informação do meio militar e já tinha a certeza de que era notícia falsa. Certamente esse débil-mental seria incapaz de diferenciar qualquer coisa. Não importa se é do G1. Se ele postou, não é verdade.

Um tolete de chinelos tomando café e utilizando um colar
havaiano? Logicamente não é sério.
Passei a duvidar do Catraca Livre – e por consequência de 80% do que é publicado no Facebook. Logo comecei a duvidar dos blogs políticos, porque certamente uma notícia publicada no Brasil 247 ou no Blog do Cafezinho com seu ridículo mascote que lembra um tolete tomando café não é séria. Desacreditei a Veja e outros jornais porque manchetes como a que eles fazem não poderiam ser verdade. 

Hoje, digo que não acredito em nenhuma notícia que vejo publicada no Facebook. Sei que certamente é algo fora do contexto analisado por alguém que quer validar suas convicções por meio da opinião de outras pessoas que também não sabiam o que estavam falando.

Certamente, é tudo mentira.

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