sexta-feira, 27 de março de 2015

As críticas de Eduardo Escorel

É fácil saber quem é Eduardo Escorel. Todo e qualquer artigo escrito por ele trará sua biografia de diretor, roteirista, continuista, argumentista, montador e faz tudo em filmes clássicos do Glauber Rocha. Ao que tudo indica, ele é uma espécie de homem mais próximo de deus, sendo que deus nesse caso é o próprio Glauber.

Escorel entrou na minha vida, e acredito que na vida de um punhado de brasileiros, por meio da revista piauí (sim, acredito que pouca gente tenha o hábito de ler créditos de filmes do Glauber Rocha. Geralmente, poucas pessoas já os assistem de fato). Uns anos atrás ele começou a assinar um texto mensal sobre cinema e também foi parar na internet em um blog chamado “Questões Cinematográficas”. O texto da versão impressa rapidamente desapareceu, mas suas publicações permanecem na web até hoje.

Suas críticas tem uma característica fascinante. Nunca vi uma que fosse amplamente favorável a um único filme em toda a história. Aqueles que os mais rígidos críticos saem do cinema derramando lágrimas, os blockbuster, as comédias nacionais. Todos são devidamente esculhambados por Escorel.

Aliás, pode ser que alguns filmes já tenham sido elogiados por ele, mas é difícil perceber quando isso acontece. Escorel é um especialista na arte de elogiar destruindo. Os elogios são acompanhados de poréns, de apontamentos sobre diversas falhas que te fazem pensar “porra, como um filme pode ser bom se tem tantos problemas assim”.

Quando um filme é, digamos, verdadeiramente elogiado por ele – isso deve ter acontecido uma ou duas vezes desde que Adão e Eva foram expulsos do paraíso, Escorel utiliza termos tão complexos que te fazem acreditar que aquilo é uma merda. Aliás, ele costuma a deixar claro que se você for merdinha inferior e incapaz de perceber a verdadeira arte, vai ficar incomodado. Verdadeira arte que é um sinônimo de filme de Glauber Rocha.

Geralmente é um balde água fria. Você gostou de um filme e o Twitter informa que EE escreveu sobre ele. Aliás, o massacrou. Você descobre que é um verme acéfalo que precisa comer muita merda para ter qualquer capacidade compreender qualquer coisa nessa vida.

Mas, para não dizer que suas críticas apenas acabam com a vida das pessoas, elas (as críticas) podem te ajudar em alguns momentos. Justamente quando você vê um filme que é sucesso de crítica e acha ele uma porcaria e se sente abandonado por não encontrar nenhuma voz de apoio no mundo, recorra ao Escorel. Com certeza ele falou mal do filme e você não vai mais estar sozinho nesse mundo.

E o melhor: ainda vai ganhar alguns argumentos técnicos para destruir o roteiro, a direção, as atuações, a fotografia, o figurino e todas as outras categorias do Oscar

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