quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Tarantino Way of Life

Quentin Tarantino é um cineastra que divide opiniões. Novamente, isso não chega a ser nenhum mérito dele, uma vez que neste mundo contemporâneo até beber água é capaz de dividir opiniões, provocar discussões e gerar polêmica. Mas, há quem ame Tarantino e o considere um gênio do cinema e há quem o considere um retardado apelativo que só consegue chamar a atenção pelo sangue derramado.
Em sua autocinebiografia, Tarantino iria explodir seus miolos na frente das câmeras

As fórmulas de seus filmes não chegam a ser nenhuma novidade. Há uma longa e sinuosa história de poder, muito submundo e sofrimento, que culmina em um final catártico, em que todos os pecados do mundo são lavados por sangue, muito sangue e vísceras. Fórmula que tem seu pé lá em taxi Driver e que funcionou muito bem em Bastardos Inglórios, mas encheu o saco em Django Livre.

O que não dá para negar é que geralmente os seus filmes nos deixam empolgados. Sentimos o gosto do sangue na boca e um prazer primitivo em escutar o barulho de corpos sendo dilacerados como forma de vingança pela humilhação. A justiça com as próprias mãos é realmente fascinante.

Em um ano como esse, em que os filmes que concorreram ao Oscar não chegaram a ser unanimidade e nem a provocar comoção generalizada, acredito que muitos deles seriam mais interessantes se fossem dirigidos por Quentin Tarantino.

(Atenção: o texto abaixo pode conter spoilers. Caso vocês não saibam, um spoiler é quando você conta o final de um filme ou um elemento decisivo para o desenvolvimento de uma intricada trama televisiva a qual você teve acesso por meio de informações privilegiadas)

Assim seria a capa do disco
Whiplash é uma fábula de adolescente punheteiro que sonha em impressionar o mundo tocando bateria até as suas mãos sangrarem, sendo que no máximo, suas mãos sangravam de tanta assistir o redtube. No final consagrador, o garotão mostra ao seu professor que tem talento fazendo um solo modorrento de jazz, deixando todos impressionados. Se o filme fosse dirigido por Tarantino, o baterista entraria no palco com suas baquetas e furaria os olhos do professor com elas, furaria sua jugular e então mataria toda a banda.

Selma aborda as manifestações sociais realizadas no Alabama em 1965. Com Tarantino no comando, os negros matariam e degolariam integrantes da Ku Klux Klan e Martin Luther King viraria um assassino em série.

A Teoria de Tudo é a cinebiografia de Stephen Hawking, mostrando todo o seu declínio físico até o momento em que ele passa a se comunicar apenas com os olhos. Tarantino daria um jeito de construir um exoesqueleto que o faria se vingar de todos que praticaram bullying contra ele.

O Jogo da Imitação é um filme sobre a guerra contra os nazistas e vocês sabem como é que os nazistas terminam nos filmes de Tarantino. Uma vez que os códigos secretos são decifrados, teríamos muitos escalpelamentos e Hitler sendo morto dentro de um cinema em chamas enquanto todas as suas mensagens cifradas homossexuais são exibidas no telão.

O Grande Hotel Budapeste, como é de se imaginar, se passa em um hotel no leste europeu. O que isso significa? Um dono sádico, que tortura seus hóspedes. Globos oculares perfurados, sangramentos e um inferno danado. Ao invés de Bill Murray, teríamos Christoph Waltz em um papel secundário brilhante.

Sniper Americano: Muitos tiros, muitas gangues iraquianas e muito sangue. Aposto que seria um filme bem melhor com Tarantino no comando.

Boyhood foi filmado ao longo de 12 anos pelo seu paciente diretor. Apesar desse trabalho de fôlego, muitas pessoas criticaram a película por não contar nada demais. São 12 anos na vida de um garoto, mas 12 anos muito chatos e entediantes, dizem os críticos (como se qualquer um tivesse vivido um início de adolescência sensacional). Pois, Tarantino certamente colocaria o garoto dentro de uma gangue em que as pessoas são conhecidas pelo nome de cores e no final todos acabam se matando em uma cena absurda.

Birdman já é pirado demais. No máximo, Tarantino iria colocar algumas cenas de eletrochoques nos preparativos para a peça.

Bônus: 50 tons de cinza

Apesar de alguns elogios das fangirls, em geral o público reclamou da falta de erotismo no filme. Não sei se Tarantino deixaria o filme erótico, mas a parte do sadismo fetichista do Mr. Grey seria bem mais realista e dolorida. Pobre menininha virgem.

Um comentário :

Samanta disse...

Dirigidos por Tarantino iam ficar demais haha. Só uma correção Taxi Driver é do Scorsese.

Valeu, teu blog é show!