segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O País do Football

Entre os eventos esportivos do planeta, o SuperBowl é provavelmente aquele em que o esporte menos interessa. A final do campeonato norte-americano de Futebol Americano está entre as maiores audiências mundiais da televisão e é uma verdadeira máquina de negócios. As propagandas espetaculares, os shows no intervalo, tudo transforma o evento em um espetáculo. O jogo mesmo é um detalhe.

Até pouco tempo atrás, o futebol americano estava devidamente criminalizado no Brasil. Os poucos fãs do esporte poderiam ser devidamente ridicularizados. Poderíamos persegui-los nas ruas e queimá-los em praça pública que ninguém se incomodaria. Eram tão poucos, que ninguém notaria suas ausências. E poderíamos dizer que eles não fariam falta nenhuma.
Vale agarrão no saco?
 Porque nada é mais ridículo do que futebol americano. Tudo bem, eu estou exagerando. Temos aí o beisebol, a corrida do queijo, as baladas hard rock, o Congresso Nacional e outras coisas que podem ser visualmente mais ridículas. Mas convenhamos, um esporte que se chama Football e não usa nem o pé e nem bolas não pode ser coisa boa.

Se você acompanhar uma partida, irá perceber o quão enfadonho esse jogo é. São 22 caras em campo utilizando uniformes ridículos. Dos 11 jogadores do time, apenas um pensa, o quarterback. Ele é o responsável por armar todas as jogadas de ataque da equipe, enquanto que os outros dez apenas correm de um lado para o outro e dão trombadas aleatórias e violentas. Vez por outra o juiz vê uma infração, acredito que quando alguém perde pedaços de cérebro pela orelha.

Os times tem nomes absolutamente ridículos. Os Golfinhos de Miami, os Patriotas de New England, os Cowboys de Dallas. (Ok, os times de beisebol, pra variar, são ainda piores. Como alguém tem coragem de torcer para alguma coisa chamada “Meias Vermelhas de Boston”?)

Pois bem, não há a menor graça nesse esporte. Ele era ótimo enquanto era assistido apenas nos Estados Unidos e nós podíamos rir dos norte-americanos que assistem essas bobagens. Mas, tal qual a Stand Up Comedy e o Halloween, o Football Americano invadiu o Brazil. Tem uma legião de fãs que assistem às partidas e outra que se expõe a selvageria de praticar isso. Sério, tem gente que vai no bar pra ver o Football.
Stage Dive Radical

Ontem foi realizada a 49ª edição do SuperBowl. E o Brazil parou para assistir. Nas redes sociais não eram poucos aqueles que comentavam o jogo, declaravam torcida e postavam fotos da partida. O inferno senhoras e senhores, nada menos do que isso.

O evento é aquela chatice. O Futebol Americano, em si, mal é um esporte, é muito mais uma prática esportiva inventada para vender produtos. O jogo inteiro é planejado para ter anunciantes. Aquele bolo todo em campo, alguém manda a bola para trás, a porrada come solta enquanto o quarterback lança a bola para frente, para um cidadão que logo é interceptado e sofre um montinho criminoso. Jogo parado, propaganda de alguma coisa e o processo começa novamente até que alguém atravessa a linha de fundo.

Os times vão tentando avançar as jardas, o narrador fala na quarta tentativa para 25 jardas e sinceramente é melhor nem entender como isso funciona. Só resta constatar que esse é um caminho sem volta e em breve nossos filhos estarão jogando futebol americano no colégio. Salvem a família brasileira.

Um comentário :

Gressana disse...

Queria entender como começou a febre disso por aqui.
E também aquele soft porn gay que chamam de UFC.