quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Narração Radical

O recente título mundial de surf do Gabriel Medina, além de chamar a atenção do público brasileiro para este misterioso esporte com pranchas e ondas, também alertou para outra coisa terrível. As narrações dos esportes radicais.
Medina realizando um double soft porn flip flap

Galvão Bueno é uma das poucas unanimidades nacionais. Não há brasileiro que não gostaria que ele perdesse suas cordas vocais por algum milagre da natureza e que assim sendo ele parasse de encher o saco durante as transmissões de futebol na TV.

Tudo por conta do seu ufanismo desnecessário. Aquela mania de gritar “olha o gol, olha o gol” até em amistosos do Brasil contra o Cazaquistão, de criar esperanças de que o Felipe Massa, atualmente na última posição, 24 voltas atrás do líder, está em uma grande corrida de recuperação, de olho no pódio e se pintar um safety car ele pode até faturar a parada. Não, não vai.

Eu mesmo acho que o Galvão é um bom narrador e um péssimo comentarista. Se ele não se metesse a querer comentar todas as situações e enxergar benefícios para os brasileiros, ele seria um ótimo profissional. Mas, isso é culpa do Padrão Globo de cobertura esportiva. Um modelo em que não existe uma disputa lúdico-esportiva, mas apenas um evento em que um brasileiro luta pela soberania nacional, carregando a história de uma nação em suas costas. Um modelo que se infiltrou em outras emissoras. Assista as Olimpíadas na Record e perceba como é lamentável ver o Maurício Torres tendo orgasmo com um brasileiro lutando esgrima, sendo atravessado por um sabre e sangrando até a morte, mas com o narrador insistindo que ele está na briga.

Bem, me empolguei tanto com o assunto que eu até me esqueci do assunto principal desse texto: os narradores de esportes radicais. Na vida, poucas coisas podem ser piores do que presenciar a narração de um esporte radical.

Uouuuuuuuuuuuuuu! 360 de bublegum!
Tudo bem, confesso que eu não sou um dos principais admiradores de esportes radicais desse mundo. Acredito que eles são daquelas modalidades muito mais divertidas de se praticar do que de se assistir. Deve ser bem legal montar em uma prancha para desafiar elementos naturais ou artificiais. Mas não é nem um pouco interessante assistir. Ao menos que você seja um narrador ou comentarista desses X-Games.

Se você se irrita com o Galvão Bueno gritando “quem é que sooooobe”, imagina o que é escutar “Uou!”, “Nossa!” e gargalhadas a cada manobra comentada. Para piorar ainda há o uso de termos que deveriam ser proibidos como “manobra irada” e todo o linguajar exclusivo desses profissionais.

O nome das manobras é algo de surreal. “Olha aí o Mineirinho! Uahahaha, ele acertou um double back flip frontar! Entrou de downtown no frontsize da onda outzonou o triple top da prancha”. “Uou!!!! 360!!!!!!!!!!!!!!!! Hahahahahahaha iiiihhhiiiiiiiiii Impressionante o flip front size cruzado! Achei que ele ia partir para um body jump em 180, mas ele inverteu a manobra em um red hot chili peppers de costa, mandando a inversão twist de costa! Ainda fechou de stand up paddle! Histórico!!!!”.

Não dá. Se tivesse menos gritos, ou menos jargões, ou se pelo menos o negócio fosse legal, aí dava pra levar a sério. Ou, nem assim.

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