quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Esse nosso jeitão PMDB de ser

O Movimento Democrático Brasileiro foi uma das mais importantes instituições da história do nosso país. Sob essa legenda se agruparam algumas das mais brilhantes mentes da oposição e resistência ao regime militar brasileiro que durou 20 anos. Sim, hoje em dia já surgem aspectos revisitados da história, que mostram que essa era uma oposição pero no mucho, uma oposição consentida, que não incomodava de verdade. Mas, temos que pensar que ser oposição ferrenha a ditadura não era a melhor das ideias, já que os mais duros opositores acabavam detidos, torturados, mortos e seus cadáveres eram ocultados e nunca mais encontrados. Era melhor negociar espaço legalmente.
Note que, nem sempre, ficar em cima do muro significa não tomar uma posição

Com o fim do bipartidarismo no começo dos anos 80, o agora PMDB se transformou em uma potência política. O povo estava livre para votar em quem quisesse e assim nas eleições estaduais de 1986 o PMDB foi escolhido para governar todos estados brasileiros, exceção feita ao Sergipe. O partido ocupou mais da metade das vagas da Câmara dos Deputados e no Senado. Desde então, o PMDB se mantém assim, dominante.

Nunca chegou a eleger um presidente por voto direto, mas exerceu influência em todos os governos. Participou da base de sustentação do governo FHC, indicando ministros. Quando o PT ascendeu ao poder, o PMDB permaneceu por lá. Aliás, houve um curioso momento em que os parlamentares do partido na Câmara faziam parte do governo, enquanto os do Senado eram da oposição, ou vice e versa. Governo, pero no mucho.

Desde 2011 o PMDB está definitivamente no poder, de onde nunca saiu, aliás. Ocupa dezenas de cargos no primeiro escalão, centenas de cargos no segundo escalão, milhares de cargos em qualquer escalão possível. E ele quer mais. Uma fera insaciável que não se contentam com oito ministério, quer mais e cada vez mais, para tocar os projetos no legislativo, para não espalhar o caos no funcionamento burocrático de Brasília.

Das raízes do antigo MDB se originaram vários dos atuais partidos brasileiros e o modo de fazer política do PMDB se enraizou em todos eles. O modelo da barganha, de querer alguma coisa em troca de apoio. O loteamento de ministérios. Essas coisas que são tão PMDB.

Sim, o que eu quero dizer aqui é que o PMDB é um câncer da política brasileira. Ele cresce, se multiplica, domina e enfraquece o corpo alheio. Um parasita. Transforma a política nessa coisa nojenta de “o Partido quer mais um ministério para não obstruir a votação”. O projeto é bom ou ruim? A resposta dependerá da quantidade e orçamento dos ministérios, que passam a pertencer a siglas e são ocupadas por pessoas que não necessariamente possuem requisitos técnicos de gestão.

Lógico que um organismo assim deveria ser extirpado. Mas isso não acontece. A cada eleição que passa, o PMDB segue se mantendo no poder, segue tendo as maiores bancadas, elegendo inúmeros governadores, prefeitos, fazendo parte de alianças vencedoras. O PMDB é o próprio sistema ofendido em pichações públicas.

E se o PMDB se mantém lá é porque no fundo, nós somos iguais a ele. Não estou aqui dizendo que eu ou você, somos assim, mas me permita generalizar. Você conhece por aí várias pessoas que tem esse jeitão PMDB de ser. Esse jeito de estar sempre com um pé em cada cômodo, de não ultrapassar a linha completamente. Esse jeito camaleão de se adaptar ao ambiente para conseguir o que lhe convém.

Você conhece, gente que vivia falando mal de uma pessoa até que essa pessoa é anunciada como o novo chefe dela, pessoa renascida como maravilhosa e que passa a ser tratada a pão de ló. Aquele jeitão de dizer que sempre soube, que sempre está esperançoso. Esse jeito duas caras que é tão PMDB.

Ou as pessoas que só agem em troca de favores. Vai desde o colégio, em que o cidadão só estuda para a prova porque se ele tirar 10 vai ganhar uma passagem para a Disney. Aquele que pede um emprego para o filho, em troca de um serviço. Aquele esquema de uma mão lava a outra, isso é tão PMDB.

O PMDB nunca irá sair do poder, porque na verdade, ele já está no meio de nós. Ele está na nossa sociedade, ele está no dia-a-dia. As pessoas jamais irão se revoltar contra ele, porque isso seria como se revoltar contra si próprio e nunca é fácil fazer isso. Porque ele está no poder e quem sabe, um dia você não vai precisar dele?

Se mover na expectativa do poder. Isso é tão…

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